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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last! 1/2

A Linha do Tua e o vale do Tua despertam paixão. Depois de ter havido uma actividade ligada ao Geocaching que juntou perto de uma centena de pessoas, eis que se repete a actividade e a adesão de pessoas vindas dos mais distantes pontos do país ultrapassam todas as expectativas.
A actividade aconteceu nos dias 21 e 22 de março, com o nome de a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last!
Foram planeados dois percursos na Linha do Tua: um para o dia 21, que integrou uma viagem de metro entre Mirandela e Cachão e outra para o dia 22, entre Brunheda e Fiolhal. Entre elas, estava prevista uma noite animada no Centro de Formação de Escuteiros de Carrazeda de Ansiães, onde os participantes pernoitaram.
Fui dos primeiros a chegar a Mirandela, mas aos poucos foi-se juntando um bom grupo de pessoas. A plataforma nacional de Geocaching permitiu os contactos, as "inscrições", a organização do alojamento e os contactos necessários para a organização do evento. À frente de toda organização esteve mais uma vez Jorge Pinto, dinâmico, cheio de ideias, com uma força anímica capaz de arrastar um grande grupo de praticantes de Geocaching a este cantinho do Nordeste e à Linha do Tua.
Foram distribuídos alguns brindes, no compasso de espera, e aproveitámos também para tirar alguns códigos dos objectos, coisas de praticantes de Geocaching...
A primeira etapa seria Mirandela - Brunheda, mas, tal como se veio a verificar, as pessoas pouparam-se para o dia 22 e foram poucos os que arriscaram caminhar alguma coisa.
Saímos de Mirandela em direção ao Cachão na automotora do Metro de Mirandela, num serviço especial. Não deixa de ser curioso a organização ter conseguido um serviço especial, uma vez que quando havia bastantes pessoas a percorrer a Linha do Tua e tentei conseguir um serviço assim para um grande grupo de pessoas e só deparei com dificuldades.
Cerca de 60 pessoas viagem até ao Cachão. A viagem durou pouco tempo, mesmo a velocidade baixa.. Houve uma pausa para um café, no café Cardoso e organizou-se um grupo (pequeno), interessado em fazer mais alguns quilómetros a pé. Estava convencido que o grupo seria maior, mas partimos em direção a Vilarinho das Azenhas, menos de 10 pessoas. A maioria dos caminhantes pertencia ao grupo GeoRibatejo, pessoas animadas, conversadores e bons caminheiros.
Foi triste verificar que já havia centenas de metros de linha sem carris, tinham sido roubados. Fomos encontrando algumas caches pelo caminho e sem pressas chegámos perto do Vilarinho. Para meu espanto tiraram um garrafa de vinho rosé da mochila e "festejamos".
Não havia espaço para o aborrecimento e seguimos viagem para a Ribeirinha e depois para Abreiro, onde chegámos perto das duas da tarde.
 A minha vontade era de caminhar até Brunheda, mas ficaria sem transporte, pelo que aproveitei a boleia e regressei a Mirandela com o resto de grupo, na carrinha que os foi buscar.
Havia planos para uma grande festa à noite. O Centro de Formação de Escuteiros em Carrazeda de Ansiães tem óptimas condições para acampar ou acantonar com estruturas mais do que suficientes para as necessidades. Mas, nem tudo corre como o previsto.
O Centro de Formação estava ocupado com o Agrupamento 658, com festejos de alguma importância que obrigava os escuteiros e pernoitarem no acampamento. Para "ajudar" começou a chover com muita intensidade, não permitindo acampar, confeccionar a refeição e proporcionar boas condições para um bom convívio.
Aproveitei para acompanhar os escuteiros na Velada 2015 e optei por ir dormir a casa, uma vez que não estava muito distante.
 Não sei como se conseguiu acomodar tanta gente, mas no dia seguinte ninguém faltou à chamada. Bem dormidos, ou mal dormidos, compareceram em Brunheda para a segunda etapa.
Agradeço aos escuteiros na pessoa dos seus chefes que me receberam tão bem que inclusivé me deram de jantar.

Ver também
a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last! 1/2 (22 de Março de 2015)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

De Lisboa ao Tua e do Tua a Mirandela

Desde há muito tempo que ansiava fazer esta linha a pé. Lancei a ideia e acabei por juntar um forte grupo de caminhantes, entre amigos e colegas de trabalho. Mas ao contrário da maioria dos caminhantes desta linha, fomos em autonomia total e com o objectivo de cumprir a totalidade do percurso. Indo de comboio até à estação do Tua e regressando a Lisboa de expresso.
A nossa viagem começou em Lisboa, pelas 11h40 de sexta-feira 27 de Maio, onde seis dos sete elementos embarcaram de comboio com destino à estação do Tua. No Marco de Canaveses juntou-se-nos o sétimo elemento, o Alves.
Na estação de Mosteirô estivemos parados cerca de duas horas devido à queda de uma árvore na linha, o que veio atrasar todo o nosso percurso.
Finalmente chegados ao Tua começá-mos a caminhar já com a noite a fechar-se. Mas não desistimos de fazer o planeado para esse dia, percorrer os primeiros 7 kms de linha para pernoitar no apeadeiro de Castanheiro. Não fazíamos ideia se as estações/apeadeiros estariam ou não abertos, para nos abrigarmos. No Castanheiro alguém abriu acesso, que nos deu jeito para nos refugiarmos da chuva que já caia grossa nessa noite.
No dia seguinte, com um óptimo tempo, já pudemos observar a bela paisagem que o Tua tem para nos oferecer, e não conseguimos resistir a dar um mergulho antes de nos fazermos ao caminho.
Em Santa Luzia cruzámos-nos com um grupo grande que estava a descansar à sombra. Em São Lourenço subimos à aldeia para abastecer de água e conhecer as termas.
O nosso dia terminou em Abreiro, onde construímos um bivaque com toldos. A noite esteve muito quente, ao ponto de ser desconfortável.
No domingo, 29, apontámos a um dos maiores objectivos desta expedição, a Ribeirinha. Mal lá chegámos fomos directo ao Lucky Luke. Fomos muito bem recebidos pelos donos e ficámos a conhecer o Mário, filho do Sr Abílio. Acabámos por ficar lá um bom bocado a comer, beber minis, contar e especialmente ouvir as histórias do Mário, que são de chorar a rir! Estávamos já de partida do Lucky Luke quando eis que o Sr Abílio aparece, lentamente, agarrado à sua bengala. Mais umas fotos rápidas e regresso à linha!
No Cachão, o Alves, teve que partir de Metro até Mirandela, para garantir que chegava a horas ao trabalho na segunda-feira. Ficámos os restantes para devorar o restinho de travessas que nos separava de Mirandela.
A ideia inicial era pernoitar a 4 km de Mirandela, na estação de Latadas, e retomar na segunda-feira. Mas nem sinal das ruínas da estação, nem de um local aprazível junto ao rio para montarmos bivaque. A opção foi continuar até Mirandela. O que a mim, pessoalmente, custou bastante, devido ao muito cansaço acumulado. Lá nos conseguimos arrastar até ao km 54.
Não aconselho a fazer o percurso integral em 3 dias como nós, porque já é difícil andar com aquele passito de travessa em travessa, ainda pior com a casa às costas.

Travessas: 150 a cada 100 metros, 1500 a cada km e em 54km são 81000.
Cada um gastou cerca de €15 em alimentação.
Transportes ida e volta €42.
1º dia 7,6km
2º dia 21,7km
3º dia 24,8km

Primeiro quero agradecer a todos os elementos que alinharam neste empreendimento que há muito queria fazer, ao blog “A linha é Tua”, pelas valiosas informações que disponibiliza, e especialmente ao documentário “Pare Escute e Olhe” que nos impulsionou e nos ajudou a perceber o valor da zona que visitá-mos.

Os elementos do grupo: B. Fernandes (eu), Alves, A. Fernandes, André, Barata, Gomes e Henrique.

Nota: Agradeço a B. Fernandes (e todos os que o acompanharam) por partilharem neste blogue a sua aventura na Linha do Tua.
Aníbal Gonçalves

segunda-feira, 19 de julho de 2010

José Silvano acusa ministro de só dizer “patacoadas”

A Linha do Tua é mais rentável para a região, em termos turísticos, do que a Auto-estrada Transmontana.
A ideia é defendida pelo autarca de Mirandela, no seguimento das palavras do Ministro das Obras Públicas que, na Assembleia da República, disse que a manutenção da linha tem um custo de 150 milhões por ano e, por isso, valia mais comprar um carro a cada utilizador da linha.
Silvano diz que o Ministro anda confuso com os números, e não acerta naquilo que diz.
“Desde que entrou para ministro ainda não acertou uma. Disse que a segurança da linha custaria 150 milhões de euros, isto é, fazer uma praticamente nova, e não o funcionamento da linha como ele disse, que estava a enganar os deputados. O funcionamento da linha custa à CP 250 mil euros por ano. O que custaria 150 milhões era a consolidação e manutenção da linha para que tivesse segurança no futuro. Mas o investimento de 150 milhões seria mais rentável para a região do que os trezentos e tal da auto-estrada. É que a auto-estrada traz gente mas leva gente da região e a linha apenas traz. Por isso é que digo que é mais uma patacoada do senhor ministro.”
Seguindo o raciocínio do Ministro António Mendonça, o presidente da câmara de Mirandela ironiza e sugere que nas áreas metropolitanas do Porto e Lisboa, onde o prejuízo é muito maior, a classe dos veículos a oferecer seja diferente.
“É de rir porque eu então pergunto pelos mil e seiscentos milhões de euros de saldo negativo da Metro do Porto? Será para comprar um camião a cada portuense? E os dois mil milhões do metro de Lisboa, que já davam para um camião TIR a cada lisboeta? Se a questão é posta assim, tem de ser vista em todos os lados em todo o lado e não só em Trás-os-Montes.”
A reacção do autarca de Mirandela às recentes declarações do Ministro das Obras Públicas em relação à Linha do Tua.

Escrito por CIR
Fonte: Radio Brigantia

sábado, 21 de novembro de 2009

Chuva, pela Linha


Hoje foi dia de caminhada na Linha do Tua. O troço escolhido foi Cachão-Mirandela. Apesar da chuva, houve ainda tempo para algumas fotografias.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Pare, Escute, Olhe" em Mirandela


No dia 14 de Novembro assisti à exibição do documentário "Pare, Escute, Olhe", sobre a Linha do Tua, no auditório municipal em Mirandela. O documentário foi exibido integrado 1º Festival Ibérico de Imagens sobre os Temas da Água, Cine H2O. Com duas exibições praticamente seguidas, a primeira, às 17 horas, teve a particularidade de contar com a presença de praticamente todos os intervenientes (actores) no filme. A maioria das pessoas é das freguesias de Vilarinho das Azenhas e da Ribeirinha, no concelho de Vila Flor.

O realizador, Jorge Pelicano, dirigiu algumas palavras aos presentes, pedindo desculpa por não ter estreado o filme em Mirandela, uma vez que o documentário já tinha sido exibido no DocLisboa e no Cine Eco, onde arrecadou nada mais, nada menos, do que 6 prémios.

Para quem viu o documentário "Ainda há pastores"  do mesmo realizador, deve lembrar-se das histórias humanas que ele retrata. Também o documentário "Pare, Escute, Olhe" está centrado nas pessoas. Alguns, como eu, poderiam estar à espera de imagens arrebatadoras das encostas rochosas, dos rápidos do rio, das tonalidade inebriantes da paisagem, mas no centro do documentário estão as pessoas. Pessoas simples, humildes, com fraca instrução e de poucos recursos, mas cidadãos nacionais, pessoas com direitos que necessitam da linha, como sempre necessitaram. A espontaneidade dos diálogos provoca sorrisos e as palavras apimentadas encantaram todos os que assistiram ao filme. Não se trata de actores, não tiveram guião, são pessoas nas suas rotinas diárias e com o seu vocabulário.

Mas há outros "personagens" no filme. São os das promessas não cumpridas, são os do betão, os da quota máxima, os que hoje dizem sim, amanhã dizem não; são políticos. Entre as promessas esquecidas, o abandono da linha e a ameaça de tudo querer inundar, as pessoas estão cada vez mais sós, mais isoladas, os mais novos continuam a partir, tal como aconteceu nas décadas de 60 e 70.
É necessário parar, escutar e olhar. Será que a barragem é mesmo necessária? Será que as redes rodoviárias vão resolver os problemas do dia-a-dia das pessoas que aparecem no filme, ou haverá alternativas? É mostrado no documentário o caso de uma via turística na Suíça. Também a SIC mostrou recentemente um caso semelhante em Espanha. Vias estreitas, voltadas para o turismo, que são casos de sucesso e de desenvolvimento.

Quando o projector se apagou ficámos a pensar. Falta este verbo no título do documentário: Pare, Escute, olhe e pense.
No final da exibição do documentário houve um espaço de diálogo. Foram várias as pessoas que usaram da palavra: o próprio Jorge Pelicano, Daniel Conde do Movimento Cívico da Linha do Tua, o representante da Coagret, um elemento da Quercus, José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela, entre outros. Este último aparece como o incansável lutador pela manutenção da linha em oposição aos autarcas dos vários concelhos servidos pela linha que são defensores da construção da barragem. As palmas foram todos para  Jorge Pelicano e Rosa Silva, para José Silvano e para os intervenientes no documentário, que bem as mereceram. O grande ausente, por questões de saúde, foi Abílio Ovilheiro, figura central no documentário e que habita no edifício do apeadeiro da Ribeirinha.
Após o debate segui-se uma ligeira refeição, oferecida pela Câmara de Mirandela a todos os intervenientes no filme e aos que a eles se quiseram juntar.

Nota: o filme que aparece acima, A última Viagem do Comboio do Tua, foi realizada por Adriano Pereira, no interior da carruagem do Metro, no acidente de 22 de Agosto de 2008.

sábado, 12 de setembro de 2009

Há cem anos

Não, não é uma fotografia de há 100 anos atrás, é uma fotografia actual (envelhecida). Mas acredito que há 100 anos atrás este local não estaria muito diferente do que o que a fotografia mostra, uma vez que a Linha do Rua já tem 100 anos.
O local da fotografia é próximo de Mirandela, mais concretamente junto à Quinta de Choupim

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Abril na Linha do Tua

Esta fotografia, tirada em Abril de 2008, serve para lembrar como é bonita a linha do Tua no mês de Abril.

Local: Quinta do Choupim, próximo de Mirandela..

terça-feira, 31 de março de 2009

Dois dia na Linha do Tua, com o apoio de um carro


Os pedidos de informação não param de chegar.

"Já tinha esta ideia à algum tempo, mas nunca encontrei companheiros para ir comigo.
Moro um pouco longe, e hoje comentando este meu interesse para fazer o percurso com alguns amigos, eles mostraram-me muito interessados na ideia, e estamos a planear ir aí no fim de semana (3 dias).
Eu conhecia o teu blogue, e sei que tem essa informação toda, mas cheguei à pouco a casa entusiasmado com a possibilidade de fazer esta viagem em breve, que não estive a re-vê-lo com atenção.
Nós também somos apaixonados pela natureza e fotografia, ...
A minha ideia inicial seria fazer 2 dias de percurso, e tenho a consciência que não farei a linha toda!
Gostava de começar em Foz-Tua e subir para Norte. Penso que a primeira parte será a mais espectacular, com os túneis, viadutos e pontes.
Pensamos no máximo fazer 20km num dia e noutro um pouco menos talvez.
O restante troço ficará para uma próxima oportunidade.
...
Em relação aos transportes, neste momento somos 4 pessoas, e em princípio só levaremos um carro. Se conseguirmos táxis para nos levar nos fins dos percursos para a zona onde deixámos o carro seria óptimo. "


Esta possibilidade está pensada para dois dias, voltando ao fim do dia ao local de partida, onde se deixou o carro. Tudo está pensado para utilizar os táxis/metro da Linha do Tua. O recurso a um táxi que não os do serviço da linha pode encarecer bastante o passeio.

1.ª Etapa / Foz-Tua- Brunheda (21,2 km)
  • Este é o percurso que mais entusiasma os visitantes.
  • A partida é de Foz-Tua deixando aí o automóvel e seguindo a pé.
  • Acho que pelo menos 6 horas de caminho, são suficientes.
  • É importante chagar à Brunheda por volta das 5 da tarde.
  • O regresso de Brunheda a Foz-Tua é feito no Táxi ao serviço da Linha.
  • Chegada a Foz-Tua às 18:02.
A dormida pode ser em vários pontos. Há dormidas em Foz-Tua (278681116); em Alijó, em Carrazeda de Ansiães, Pombal de Ansiães e Vila Flor. A mais próxima da partida da segunda etapa é Vila Flor.

2.ª Etapa / Mirandela - Ribeirinha (20,2 km)
  • Este percurso é numa zona completamente diferente do da primeira etapa.
  • É importante estar na estação da Ribeirinha às 7 da manhã, hora que parte o táxi para o Cachão.
  • No cachão, mudar para o metro (comprar bilhete!);
  • O metro vai chegar a Mirandela às 7:40 da manhã.
  • Voltar à Ribeirinha a pé (21,2 km).
Para a caminhada ficar mais curta, basta avisar o condutor do metro para parar num dos locais intermédios e sair:
  • Cachão - Ribeirinha (8 km)
  • Frechas - Ribeirinha (11,1 km)
  • Latadas - Ribeirinha (14,6 km)
Vamos lá, toca a caminhar...

Maio de 2011
Novos horários aqui

domingo, 29 de março de 2009

A Linha do Tua no Inverno (2)

Hoje o dia não foi muito feliz para os que ainda acreditam que a Linha do Tua se vai manter, permitindo a todos os que queiram poder descobrir esta paisagem maravilhoso. Circula a informação de que a Linha do Tua afinal já não reabre na dada prevista!
Hoje partilho a segunda parte da viagem de Inverno, que mostra o percurso entre Brunheda e Mirandela. Apesar das imagens serem todas da época de Inverno, por vezes sentimo-nos na Primavera. Foram momentos inesquecíveis passados na Linha que também é TUA.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Mais uma caminhada na Linha

No dia 7 fiz mais uma caminhada na Linha do Tua. Estas etapas feitas no Inverno apenas vêm confirmar a minha suspeição: a Linha é linda, em qualquer estação do ano.
Foi um prazer, como esta fotografia documenta.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Prevenir é a melhor solução

Foi com satisfação que constatei a existência de grandes obras de manutenção e melhoramento da Linha do Tua no troço entre Frechas e Mirandela, em Julho passado. Depois disso, aconteceu mais um acidente, perto da Brunheda e eu passei a olhar para a via com outros olhos.
Sempre que os autarcas e os políticos se referem ao troço Cachão-Mirandela, concessionado à Metro de Mirandela, fazem-no conscientes da segurança que a via oferece, fruto de todo o capital investido, nomeadamente com substituição das travessas mais deterioradas, colocação de balastro, melhoramento de taludes e do sistema de escoamento.
A leitura do relatório (e dos anexos) do acidente do dia 22 de Agosto onde constam as conclusões a que chegaram os diferentes técnicos, revela deficiências que podem estar na base, não só do último acidente, mas de alguns dos outros que ficaram por explicar. São apontados problemas, alguns na via, que me têm provocado algumas preocupações.
Nos dias 15 e 22 de Novembro fiz, a pé, o percurso entre o Cachão e Mirandela. A par das belezas da paisagem que fui registando (e que já mostrei), também tomei alguma atenção à linha, e, mesmo com os meus limitados conhecimentos sobre o assunto, encontrei indícios evidentes de que há muito para corrigir.
Não me parece correcto que um troço de linha que sofreu obras profundas há apenas dois meses atrás, apresente travessas completamente degradadas, parafusos ferrugentos e até soltos! Parece brincadeira que tenham colocados alguns parafusos completamente tomados pela ferrugem, mais velhos do que aqueles que lá estavam e que os mesmos tenham sido cravados à marretada em vez de aparafusados.
Os carris já não são novos e foram virados há alguns anos atrás. Nalguns lugares apresentam sinais da idade (apesar deste troço ser o mais plano e com curvas menos acentuada de toda a extensão da linha). São visíveis marcas de travagens ou patinagem das rodas que desgastaram o carril num determinado ponto. Não percebo nada de soldadura aluminotérmica, mas nalguns pontos a via apresenta “joelhos” que podem torna-la perigosa. Também são visíveis pontos que evidenciam um deficiente contacto entre o rodado e a via, com deslocação do ponto de contacto ou mesmo com contacto aos solavancos, o que pode significar que a locomotiva passa naquele ponto aos “saltos”.Também as uniões dos carris mostram algumas lacunas. Nestes pontos a colocação das travessas e dos parafusos que fixam os carris, deviam ser objecto de um especial cuidado, coisa que não é notório. As travessas junto da união deveriam estar mais próximas do que o normal ao longo da via. Apesar de estarmos em Novembro, com temperaturas muito baixas, há muitas uniões sem qualquer junta de dilatação! Eu sei que ela varia com a temperatura e com o comprimento do carril, mas não deveria ser de mais de um centímetro nesta época do ano? Há tabelas que relacionam a amplitude térmica do local, com a junta de dilatação necessária, mas este é um exercício que me parece exagerado para quem apenas quer registar as belezas da linha, lutando para que ela possa ser utilizada por pelo menos mais 100 anos.
Mais de que as minhas palavras, as imagens falam por si. Sei que olhos treinados podem “ler” nelas alguns sinais preocupantes. Espero que tudo se faça para tornar a Linha segura, não só até ao Cachão, mas em toda a sua extensão. Que os infelizes acontecimentos a que assistimos no último ano e meio, não se repitam nunca mais.

sábado, 22 de novembro de 2008

Vilarinho - Latadas - Mirandela

No dia 15 de Novembro fiz mais uma caminhada ao longo da Linha do Tua. Esperava encontrar bonitas cores de Outono, mas ao descer para o Cachão, apenas via nevoeiro à minha frente. Tinha planeado explorar a linha do Cachão a Mirandela e, por isso, saí muito cedo de casa. Em alternativa, já no Cachão, optei por cortar à esquerda em direcção a Vilarinho das Azenhas.
O nevoeiro chegava mesmo junto à aldeia. Estacionei o carro junto à ponte sobre o Tua onde havia um bom grupo de pescadores a tentarem a sua sorte. Apesar de se ver o sol, de vez em quando, a tentar chagar ao rio, a manhã foi passando sem que ele ganhasse a luta contra o nevoeiro.
Comecei a caminhar pela linha em direcção ao Cachão. Havia alguns espaços onde não havia nevoeiro. Só depois das onze horas da manhã o sol brilhou definitivamente. Voltei à ponte, entrei o carro e arranquei à procura de um bom local para fotografar.
A visão do rio da estrada era magnífica e fiz várias paragens antes de parar definitivamente no antigo apeadeiro de Latadas.
Passava do meio-dia quando comecei a minha caminhada em direcção a Mirandela. Limitado a poucas horas de sol decidi reduzir ao mínimo a etapa. Logo nos primeiros metros não resisti ir ao meio do rio, num açude, fazer uma bonita panorâmica.
A vegetação que ladeia o rio tinha bonitas cores do verde ao vermelho, passando por vários tons de amarelo e laranja. Esta zona do rio está repleta de corvos marinhos e encontrei também algumas garças.
Gastava de encontrar a Quinta do Choupim como a vi na Primavera, cravada de papoilas, mas o cenário era um pouco menos entusiasmante. Pouco antes de chegar a Mirandela o colorido é dado pelas folhas das fruteiras. Há muitos pessegueiros, marmeleiros, videiras e pereiras. É pena que a ETAR espalhe pelo ar um perfume muito pouco agradável. Também a água que dela sai em direcção ao Rio Tua não se pode dizer que tenha um aspecto muito cristalino.
Pouco depois das quinze horas estava a chegar à estação de Mirandela. A automotora já tinha partido para o Cachão e não me restava outra alternativa senão fazer o regresso ao ponto de partida de novo a pé. Por isso não me demorei muito a admirar o espelho de água em Mirandela.
O sol foi descendo no horizonte semeando a sombras no rio.
Quando cheguei ao apeadeiro de Latadas apenas beijava o ponto mais alto das árvores. O rio e a linha mergulharam nas sombras.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Barragem do Tua adiada até 2010


Foi com alegria que recebi a notícia de que a construção da barragem no rio Tua foi adiada para 2010, um ano depois da data prevista para a sua construção. A minha vontade é a de que não haja mesmo barragem, mas o adiamento da sua construção pode ser um factor importante para a avaliação do seu impacte ambiental, caso seja construída.
Até lá, pode ser que algum autarca (que não Mirandela) se lembre que tem o Rio Tua e a Linha do Tua no seu concelho e decida fazer alguma coisa por eles.
Todos os particulares , partidos políticos e movimentos que lutamos por um projecto diferente para a Linha e para o Rio, que mantenha a Linha do Tua em funcionamento até Foz-Tua, devemos unir esforços e não deixar cair esta causa no esquecimento.
Os 121 anos la linha bem que mereciam ter sido lembrados com algum evento, mesmo que simples...

Mais informações sobre esta notícia aqui (JN)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A Primavera na Linha do Tua (4)

A Primavera na Linha do Tua.
A fotografia central foi tirada junto da Quinta do Choupim, perto de Mirandela, no dia 25 de Abril de 2008. O gradeamento é da estação do Cachão.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Cachão - Mirandela (II)

No dia 29 de Julho voltei à Linha do Tua. O objectivo era completar a segunda volta à linha, desta vez em pleno Verão, para poder comparar com aquela que tinha feito na Primavera.
Cheguei ao Cachão, pouco depois das 10 horas. Desta vez não dependia da passagem da automotora. Andava uma pessoa a arrancar algumas ervas nos passeios da estação e, numa curta conversa, fiquei a saber que o troço entre Frechas e Mirandela se encontrava em obras de melhoramento. A Linha do Tua estava toda assente em terra, mas, a situação foi sendo melhorada ao longo dos últimos tempos. Já tinha reparado que o troço mais envelhecido, era entre Frechas e Mirandela, exactamente aquele que se encontra agora em obras.
Esta informação aguçou a minha curiosidade. Na viagem que aqui fiz a 25 de Abril de 2008, tirei fotografias fantásticas, com as papoilas a invadirem a linha. Dá-me ideia que essas imagens nunca mais se vão repetir.

O quilómetro 42º acompanha a estrada N213. Foi uma zona em que tirei boas fotografias. O aspecto estava completamente diferente. Ladeavam a linha duas faixas de ervas completamente ressequidas, com sementes que se prendiam à roupa, lutando pela sua disseminação. Até o bonito jardim de uma moradia que existe sensivelmente a meio desse quilómetro, estava um pouco mais desleixado do que o habitual. Tinha muitas rosas secas.
Um pouco mais à frente reencontrei um casal de aves de rapina que habita esta zona. Estou em crer que se trata de um casal de milhafres-reais (Milvus milvus). Há outro casal de aves de rapina que nidifica entre a Ribeirinha e o Vilarinho das Azenhas, este deve nidificar aqui. Também, logo a seguir a Latadas, há um troço de rio muito largo, com muita água, onde, penso existir mais um casal residente.
Com o céu sem nuvens, o Faro parecia-me ali perto. Este monte fascina-me! Gosto muito de fotografar a linha com o monte a fazer de fundo. Parece até que estamos numa paisagem do centro ou norte da Europa.

Pouco depois avistei as o Bairro Nossa Senhora de Lurdes, em Frechas. Ao chegar à estação, não pude deixar de reparar nas ruínas em redor. Houve um tempo em que a linha era o principal acesso a estas terras. À volta das estações da linha cresciam comércios, pensões e armazéns, conforme a população que serviam. Por exemplo, o Cachão, era o ponto de entrada para o concelho de Vila Flor. Havia um serviço de autocarro entre Cachão e Vila Flor, mas já antes, esse percurso era feito a cavalo. Com a melhoria das estradas, o comboio foi perdendo importância e as infra-estruturas existentes foram sendo abandonadas. Em Frechas, não era difícil manter as casas de banho da estação operacionais, mas agora estão vandalizadas. Quando retomei a marcha apercebi-me que estava quase na hora de passar a automotora. Já não me dava tempo para chegar ao Túnel, por isso abandonei a linha e decidi esperar por ela à sombra de uns enormes choupos brancos. Passou poucos minutos depois, cheia de passageiros, muitos deles turistas que viajam na Linha do Tua por prazer. Estes são, cada vez mais.
Junto à Ponte da Carvalha, entretive-me a tentar fotografar as borboletas. As flores em volta da linha são poucas, ao contrário das borboletas que abundam, mas são muito ligeiras, voando ao mais pequeno movimento.

Pouco depois atravessei o Túnel de Frechas e a vista alargou-se de novo para o rio. A beleza deste vale está neste namoro constante, entre a linha e o rio que raramente se separam. Seguem o mesmo curso, traçam as mesmas curvas, rasgam as mesmas fragas, enfrentam as mesmas ameaças.
Entrei no troço em obras. Está a ser feita uma grande obra: construção de muros de sustentação, aquedutos de escoamento de águas; colocação de gravilha; substituição das travessas; nova soldadura dos carris. Estes são os melhoramentos que uns olhos não treinados vêem. Na zona em obras, é muito complicado andar pela linha. A gravilha cobre mesmo as travessas. Além de ser doloroso estar sempre a caminhar sobre este tipo de piso, é também perigoso. O facto de o pé não apoiar bem, aumenta o risco de entorses. São necessárias umas boas botas.
A zona das Latadas está completamente diferente. Há pouca água, mas as árvores, exuberantes, continuam a dar bastante beleza ao local.
Pouco antes de chegar à Quinta do Choupim, há uma zona plana, com pastos, que me deu grande gozo fotografar na Primavera. Como seria de esperar, agora estava tudo seco. Estava nessa zona quando passou uma nova automotora em direcção a Mirandela.
Era 1:50 da tarde e tinha quatro quilómetros para percorrer. Consultei os horários. Só tinha transporte de Mirandela para o Cachão às 16:14, por isso não tinha necessidade de me apressar.

Dois quilómetros antes de chegar a estação de Mirandela, encontrei o local onde decorriam as obras de substituição das travessas mais velhas. O trabalho é feito durante a noite, uma vez que é necessário arrancar os carris, por isso, não se via ninguém a trabalhar.
Cheguei junto da Ponte Europa. O ambiente era de festa. Do outro lado do rio via-se e adivinhava-se, grande animação, mas ainda contida, dado o calor da tarde.
Demorei bastante tempo a percorrer o último quilómetro. Parava a cada instante, espreitava o rio através do jardim. Sentei-me na relva, retirei as sapatinhas e a maior parte das sementes que levava presas às meias.
Às três e meia da tarde, atravessei todo o Parque do Império e parte da Ponte Românica para tirar algumas fotografias e comprar água fresca. Neste percurso não tive problemas com a água. As três garrafas pequenas que levei, chegaram-me até Mirandela. Apesar do sol, circulou sempre algum ar fresco e não transpirei muito, talvez também pelo facto da linha se encontrar mais próxima da frescura do rio, coisa que não acontece nos troços do início da linha.

À hora da partida da automotora, já estava na estação. Estava completamente lotada, também não me importei, viajo sempre de pé. Muitas das pessoas eram turistas. Alguns vão de carro até ao Tua, fazem o percurso ascendente, almoçam em Mirandela e voltam ao Tua pela tarde.
Com a aproximação do Verão, as automotoras circulam sempre cheias. A linha tornou-se uma atracção turística, mais pela polémica, do que pela promoção que as autarquias fazem. Antes pelo contrário, algumas autarquias, escondem o Rio e a Linha do Tua, com receio que as suas ideias mercantilistas sejam postas à prova, contrariando a ideia de que a linha não é utilizada.
Regressei ao Cachão na automotora. Completei com este percurso, duas voltas à linha, entre Foz-Tua e Mirandela. Talvez quando chegar o mês de Outubro me anime a percorrê-la de novo, em busca das cores do Outono. Até lá, vou-me deliciando com centenas e centenas de fotografias e as recordações de passeios inesquecíveis.