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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

“ADVOGADOS PELO TUA"

Foi iniciada a construção da barragem Foz Tua. Está assim iminente a destruição do Vale do Tua, uma das mais belas, ricas e bem preservadas paisagens de Portugal, parte da herança e identidade nacionais. Não podemos assistir indiferentes à destruição irreversível de um património de inestimável valor social, ecológico e económico. Por isso, decidimos agir através dos meios que a Lei nos faculta. Dez razões objetivas para suspender a construção da barragem Foz Tua:

1. É ilegal. O aproveitamento hídrico do Vale do Tua viola a Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural (1972) que Portugal ratificou através do Decreto nº 49/79, de 6 de Junho.

2. Viola o direito constitucional ao ambiente. A barragem Foz do Tua acarreta restrições intoleráveis do direito de todos ao ambiente, tão fundamental quanto os direitos, liberdades e garantias individuais.

3. Desrespeita o estatuto conferido pela Unesco. Foz Tua constitui uma flagrante violação dos valores que deram origem à classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da Unesco.

4. Não cumpre os objetivos. Foz Tua faz parte do Programa Nacional de Barragens, que produziria no seu conjunto 0,5% da energia gasta em Portugal (3% da eletricidade), reduzindo apenas em 0,7% as importações de energia e em 0,7% as emissões de gases com efeito de estufa. Foz Tua contribuiria com uns míseros 0,1% da energia do País.

5. Não é necessária. As metas do Programa já foram ultrapassadas com os reforços de potência em curso: a curto prazo disporemos no total de 7020 MW hidroelétricos instalados (o Programa pretendia alcançar os 7000 MW), dos quais 2510 MW equipados com bombagem (o Programa previa chegar a 2000 MW). Será assim sem nenhuma barragem nova.

6. É cara. As novas barragens, se avançarem, custarão cerca de 15 000 milhões de euros, que os cidadãos vão pagar na fatura elétrica e nos impostos - uma média de 1500 euros por português. Com estas barragens, durante os 75 anos das concessões, as famílias e as empresas pagarão uma eletricidade pelo menos 8% mais cara.

7. Há alternativas melhores. Todos os objetivos de política energética podem ser cumpridos de forma muito mais eficaz e mais barata com opções alternativas, destacando-se três medidas: (i) investimentos em eficiência energética, com custo por kWh 10 (dez) vezes menor que Foz Tua; (ii) reforço de potência das barragens existentes, com custo por kWh 5 (cinco) vezes menor que Foz Tua; (iii) dentro de poucos anos, a energia fotovoltaica será competitiva com a rede.

8. É um atentado cultural. A albufeira de Foz Tua destruirá a centenária linha ferroviária do Tua, um vale com paisagens naturais e humanas de elevado valor patrimonial e turístico, para além de pôr em perigo a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade.

9. É um atentado ambiental. Foz Tua destruirá irreversivelmente solos agrícolas e habitats ribeirinhos raros, porá em risco espécies ameaçadas e protegidas, criará riscos adicionais de erosão no litoral devido à retenção de areias, e provocará inevitavelmente a degradação da qualidade da água.


10. É um atentado económico e social. A barragem põe em causa a qualidade vitivinícola desta secção do Alto Douro, devido ao sério risco de alterações microclimáticas. Desaparece a possibilidade de rentabilizar activos turísticos de alto valor, como os desportos de águas brancas, a ferrovia de montanha e o eco-turismo. Criar um emprego permanente no turismo é 11 (onze) vezes mais barato que criar um emprego na barragem.

Há empreendimentos cuja construção se justifica, em nome do desenvolvimento sustentável do País. Outros, como a barragem de Foz Tua, empobrecem-nos a todos. Não podemos aceitar a destruição de um património ambiental único, sem qualquer ganho para o País e o bem público. É nossa responsabilidade garantir que as gerações futuras terão a oportunidade de desfrutar, como nós, o Vale do Tua.

Os signatários desta Declaração estão unidos numa vontade comum:  SALVAR O TUA


Signatários da Declaração

Afonso Henriques Vilhena
Agostinho Pereira de Miranda
Alexandra Vaz
António Furtado dos Santos
Augusto Lopes Cardoso
Carla Amado Gomes
Elizabeth Fernandez
Fernando Fragoso Marques
Hernâni Rodrigues
Jan Dalhuisen
José António Campos de Carvalho
José Manuel Lebre de Freitas
Manuel Almeida Ribeiro
Manuel Magalhães e Silva
Maria da Conceição Botas
Pedro Cardigos
Pedro Raposo
Raul Mota Cerveira
Rita Matias
Vitor Miragaia

sábado, 8 de junho de 2013

De Brunheda a Foz Tua, pela Linha

Já decorreu algum tempo desde que fiz a última caminhada na Linda do Tua, embora por lá tenha passado por diversas vezes, nalgumas iniciativas. Mas percorrer a linha, focando toda a atenção no vale do Tua, na linha e no rio, é uma experiência que não me canso de repetir.
O desafio partiu de um amigo de longa data, defensor da Linha do Tua e entusiasta da fotografia. Foi alargado a um grupo de pessoas, mas por questões de agenda, de logística ou outras, acabámos por ser apenas 3 a aventurarmo-nos nesta caminhada de cerca de 20 km.
Caminhar foi uma das componentes, porque houve tempo para muita conversa, muita curiosidade sobre aspetos relacionados com a linha e outras estruturas por onde passámos e muitas fotografias, paixão comum aos três caminheiros.
A caminhada teve início junto à estação de Brunheda, ainda bastante cedo. O céu estava muito nublado com algumas abertas, muito pouco convidativo à fotografia, mas há sempre desafios que utilizar a pouca luz existente. Já havia muitos pescadores nas margens do rio.
 A primeira curiosidade, já por mim verificada na estação de Abreiro, é a de que alguma tipo de estrutura se tem deslocado sobre os carris. Tivemos alguma atenção e os carris são usados até muito próximo de S, Lourenço. Aí há um desvio há uma rocha na linha, originada numa queda, e o que quer que tenha circulado teve que voltar para trás.
A estação de S. Lourenço foi vandalizada. Já passei várias vezes por lá e estava sempre fechada, mas desta vez estava aberta. Este edifício é de construção recente e nunca despertou a mínima curiosidade. Desta vez entrámos, para ver os estragos. Foram roubados lavatórios, sanitas e portas, pouco mais havia para roubar.
Após S. Lourenço a paisagem é de puro maravilhamento (se é que a palavra existe). Perder-se a ligação com a "civilização", saber que não há hipótese de desistir e que o único caminho é seguir em frente, dá oportunidade de  olhar todo o espaço em redor de uma forma única. A companhia do barulho das águas, a agressividade da escarpa rochosa, a beleza natural com que esta época do ano veste cada centímetro de terra onde as raízes se podem fixar.
Para completar esta paisagem poética surge a aldeia do Amieiro. Vista da outra margem, é difícil imaginá-la com ruas estreitas, íngremes, cheia de casas humildes e e de gente idosa. Vista da linha não é mais de que um aglomerado de casas carinhosamente colocados na encosta, tal qual como colocamos a cabana e os pastores no musgo do presépio. É isso que o Amieiro é, um presépio.
O rio percorre um caminho cada vez mais agreste, visível nas escarpas rochosas que limitam e  orientam o seu caminho há milhares de anos.
Junto ao Castanheiro paramos para almoçarmos. Uma forte chuvada obrigou-nos a esperar alguns minutos (poucos), antes de descermos à bonita praia de areia branca que está próxima desta estação. Confesso que nunca tinha descido ao rio! Sempre que por ali passei a vontade de continuar foi mais forte do que a de descer ao rio e explorar a bonita praia e o conjunto de azenhas que ali deve ter existido. A companhia e o fato de  estarmos sem qualquer necessidade de cumprirmos horários fez com que esta fosse um boa oportunidade de conhecer esta pequena praia.
Pude verificar que o mexilhão que habitualmente apanho rio Sabor também existe no Tua. As conchas bivalves que encontrámos indiciam que são de um tamanho considerável.
Pouco tempo depois chegámos a Tralhariz. A paisagem continua  a ser magnífica não fosse o facto de já se avistar na outra margem o aterro retirado das obras da barragem. A  magia perdeu-se, nem a doses laranjas roubada, num terreno abandonado têm o mesmo sabor. A atrocidade que estão a fazer com a construção da barragem é de uma crueldade que dói.
Ao quilómetro 3 somos obrigados a abandonar a linha. É perigoso e proibido continuar. A linha já não existe, o rio já não existe. Ambos foram dominados, humilhados, desviados do seu caminho.
Subir até à aldeia de Fiolhal, não é fácil. Apesar de ser uma pessoa habituada a andar e do dia não estar especialmente quente foram precisas algumas paragens para chegarmos perto da aldeia.
 Aproveitámos para procurar alguns pontos estratégicos para observar as obras da barragem. O sentimento dominante não era de resignação, mas sim de revolta. É difícil aceitar os argumentos do desenvolvimento, da reserva de água, da beleza que o vale pode vir a ter ou da energia que poderá produzir. Não somos "turistas", esta é a nossa terra, este é um património que nos estão a tirar sem hipótese de vislumbrarmos benefícios, além dos evidente para a EDP.
A destruição já é muita, mas nada que fosse impeditivo de parar definitivamente as obras. Aos defensores da teoria de que agora já não vale a pena parar as obras porque o mal já está feio, só me apetece perguntar: aceitariam casas uma filha com alguém que a violou? O mal já foi feito.
Já tínhamos um carro em Fiolhal, deixado lá às primeiras horas do dia. Gostaríamos de ter  continuado pela linha até Foz-Tua, mas não nos restou outra alternativa senão a de descermos pela estrada.
Já em Foz-Tua fomos até à ponte rodoviária sobre o Tua. A paisagem em redor é desoladora. Muitos pescadores enfrentam o perigo e continuam a pescar na zona das obras.
Num restaurante da aldeia constatámos que os benefícios de ter muitos clientes das obras, sobretudo a mão de obra mais qualificada e com salários mais altos, não resulta num encaixe que permita a satisfação. Servir bem, produtos de qualidade, incluir entradas e vinho de marca, e cobrar 6€ por refeição, é caso para dizer, mais valia estar parado.
Esta fotografia já foi tirada há algum tempo atrás
Chegámos ao fim da nossa viagem satisfeitos. Tivemos pena que não houvesse mais gente para nos acompanhar, mas, se calhar, não podíamos ter feito o percurso como o fizemos.
Estou com esperança que esta não seja a minha última viagem no vale do Tua. Não porque acredite que os responsáveis políticos deste país ganhem juízo, nem os autarcas aqui ao lado o têm (o capital domina a nossa existência), mas porque não aceito despedir-me tão rápido desta paisagem única, uma das maiores riqueza da nossa região.

GPSies - Brunheda_Fiolhal

terça-feira, 15 de maio de 2012

UNESCO quer mandar parar obras da barragem do Tua


Comité da UNESCO critica Portugal por não ter prestado informações sobre construção de barragens na altura do processo de candidatura do Douro Vinhateiro a património mundial. 

O "Público" escreve que parar imediatamente as obras de construção da barragem da Foz do Tua, solicitar uma missão conjunta de análise à situação da área de paisagem classificada do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial e remeter um relatório atualizado até ao final de janeiro próximo. Estas são as principais exigências que o Comité do Património Mundial da UNESCO se prepara para adotar na sua reunião de junho, relativamente ao caso da construção da barragem da EDP na foz deste afluente do rio Douro.

Além daquelas exigências, é também colocado em causa o comportamento das autoridades portuguesas ao longo de todo o processo, classificando a postura dos responsáveis portugueses como de certa deslealdade, por não terem prestado qualquer informação sobre os projetos de construção da barragem e autorizaram a sua construção numa altura em que a missão de análise que visitava o local não tinha sequer ainda iniciado o seu relatório.
 Quanto à parte decisória, a UNESCO quer "instar o Estado português a parar imediatamente todos os trabalhos de construção da barragem da Foz do Tua e toda a infraestrutura associada".

Fonte do texto: JN

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Barragem de Foz Tua: EN 212 cortada até abertura de troço alternativo na terça-feira

Vila Real, 23 abr (Lusa) - A Estrada Nacional 212, entre Alijó e Foz Tua, vai estar cortada ao trânsito até terça-feira devido a uma derrocada de pedras que ocorreu ao início da tarde, na sequência dos rebentamentos programados da construção da barragem.
Segundo disse à agência Lusa fonte da EDP, na terça-feira é aberto um troço alternativo que já estava a ser preparado para substituir esta parte da estrada, que se localiza a partir da descida de São Mamede de Ribatua para a foz do rio Tua.
 Por volta das 12:00 de hoje, durante um dos rebentamentos programados e que ocorrem no âmbito da empreitada de construção da barragem, verificou-se uma projeção de pedras para a EN-212, o que obrigou a um desvio do trânsito para Alijó-Carlão ou Alijó-Castedo.

Fonte da Fotografia: Vale do Tua 
Fonte do texto: Visão

terça-feira, 3 de abril de 2012

Caminhadas na Linha do Tua - Informações

Amieiro/Santa Luzia
 Tenho recebido muitos pedidos de informação de pessoas que pretendem percorrer a Linha do Tua a pé. Está a começar uma época fantástica para o fazer. As perguntas prendem-se essencialmente com a questão das obras no local da barragem e com o horário e funcionamento dos transportes alternativos entre Foz-Tua e Mirandela.
A informação mais atualizada que consegui recolher é esta:
Possível percurso
Está fora de questão atravessar a pé a zona das obras da barragem. Além de proibido é perigoso e não podemos esquecer que ainda há pouco tempo morreram trabalhadores no local.
O fim de semana passado fiz uma caminhada que me permitiu estudar uma alternativa para contornar esta situação. Uma das possibilidades é saltar os três primeiros quilómetros da linha, que tinham uma beleza especial e obras de arte que nunca mais vão poder ser apreciadas, mas onde decorrem as principais obras. A interversão já se estende para além destes 3 primeiros quilómetros. O percurso pela linha, quando for ascendente, começará entre os terceiro e o quarto quilómetro, podendo estender-se até Mirandela, com bastante cuidado em Brunheda onde também decorrem obras da construção de uma ponte rodoviária sobre o rio Tua (IC5). Infelizmente, nos primeiros quilómetros (partindo do Tua), o relevo não ajuda muito (mas também é aí que está a singularidade do local) sendo necessário percorrer mais de 6 km para chegar à linha. Em caminhadas descendentes (em direção ao Tua) também pode ser usado o mesmo percurso, tomando o caminho que indico no mapa, logo depois do apeadeiro de Tralhariz, exatamente no local onde terminou o arranque dos carris.
Zona de encontro entre o caminho indicado e a Linha do Tua
A ligação entre Foz-Tua e Fiolhal não é feita por nenhum transporte público. Ou se utiliza transporte próprio, ou se recorre ao serviço de táxis (Táxi do Castanheiro 278 685 241). A rede de telemóvel é muito deficiente pelo que o contacto com algum táxi deve ser feito previamente.
A ligação entre Foz-Tua e Fiolhal pela estrada Nacional 214 pode ser feita de carro ligeiro ou a pé. Se for em caminhada podem ser feitos alguns atalhos, mas vão despender muita energia e tempo, preciosos para quem vai caminhar quase duas dezenas de quilómetros. A parte entre Fiolhal e a Linha pode ser feito por veículos todo-terreno. O meu conselho é que a caminhada comece logo no Fiolhal. O percurso é descendente, bonito e compensa um pouco a impossibilidade de se passar na zona das obras.
Tunel/Viaduto das Presas - Zona das obras
O Metro de Mirandela continua em funcionamento até ao Cachão e o restante serviço alternativo até Foz-Tua continua ativo (não sei até quando). Uma das confusões para quem não conhece o traçado da linha é pensar que este serviço acompanha a Linha. É impossível acompanhar o traçado da Linha, e, por isso, é que ela tão importante. O táxi aproxima-se das principais estações e apeadeiros, mas passa longe de muitos outros. Entre Foz-Tua e Brunheda (21 km) não há possibilidade de aceder a este serviço.
Outra questão que me é colocada frequentemente é sobre o alojamento ou a possibilidade de acampar. Não há nenhuma unidade hoteleira nas proximidades de linha, à exceção de Foz-Tua (Casa do Tua), Vilarinho das Azenhas e Mirandela. As restantes alternativas exigem sempre deslocação de mais de uma dezena de quilómetros para Alijó, Carrazeda de Ansiães, Tralhariz, Pombal de Ansiães, Vilarinho da Castanheira, etc.
Horários da Agenda Cultural de Mirandela de Janeiro de 2012
Para acampar ao longo da linha, depende dos hábitos e das necessidades de cada um. As estações não oferecem grandes ou nenhumas facilidades, embora nalgumas seja possível utilizar espaços cobertos, no caso de mau tempo. Se eu pensasse em acampar escolheria S. Lourenço (há banhos e água potável) e/ou Brunheda.
Quando fizerem caminhadas na Linha do Tua (há uma grande hipótese de me encontrarem), não se esqueçam de enviar para este blogue - A LINHA É TUA, algumas fotografias e parágrafos para partilhar com o mundo quanto é belo este recanto vendido à EDP (ou será que foi à China?). Fico à espera.

Posto de Turismo de Mirandela (Número Verde): 800 300 278
Táxi (Castanheiro): 278 685 241
Casa do Tua: 278 681 116
Hotel Casal de Tralhariz: 278 681 042
Casa Dona Urraca: 919 700 83
Casa das Azenhas: 278 511 129
Hotel Rural Flor do Monte: 278 660 010

GPSies - Tua_LinhadoTua

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Foz Tua (II)




Infelizmente a destruição no Rio Tua já é grande!
Fotografias tiradas no dia 15.07.2011.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A ponte

Ponte rodoviária sobre o Rio Tua que une os concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães. Ao fundo a ponte ferroviária da Linha do Douro, e o Rio Douro. A fotografia foi tirada no dia em que se realizou a iniciativa "Abraço ao Tua".

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Abraço ao Tua - Uma Linha, um destino

No dia 27 de Março estive em Foz-Tua para participar na iniciativa Abraço ao Tua. Num momento em que a economia domina todas as notícias e está na base das preocupações de todas as pessoas, um grupo de movimentos uniu-se para mostrarem que a defesa da Linha do Tua e do rio Tua não está esquecida. A iniciativa foi organizada pelo Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua, a Associação dos Amigos do Vale do Rio Tua, a associação Campo Aberto, a associação GAIA, a COAGRET, o Movimento Cívico pela Linha do Tua e a associação ambientalista Quercus.
Além da crise, causaram também alguns constrangimentos, a mudança da hora, o estado do tempo, bastante instável, e a greve dos comboios que dificultou as deslocações de quem pretendia participar na iniciativa e pretendia deslocar-se para o Tua usando o caminho-de-ferro.
 
Fui dos primeiros a chegar ao Tua e fiquei bastante satisfeito quando se começou a juntar um bom grupo de pessoas, vindos dos lugares mais díspares do país. Quando entrámos para o autocarro que nos levaria a Castanheiro do Norte onde se iniciaria a caminha que integrava o programa, este ficou rapidamente cheio e foi necessário fazer uma segunda viagem.
Já há algum tempo de ansiava fazer o caminho entre o Castanheiro e a Linha do Tua a pé e foi bastante agradável faze-lo na companhia de mais de 70 pessoas das mais variadas idades e proveniências. Alguns dos rostos eram meus conhecidos, ou do concelho de Carrazeda de Ansiães ou de outros eventos em torno da Linha e do Vale do Tua. Dividi o tempo entre algumas conversas e arranques rápidos para tomar posição e tirar algumas fotografias ao grupo a caminhar na linha, coisa que raramente posso fazer quando faço caminhadas sozinho.
 
A descida até à estação do Castanheiro foi rápida. A inclinação é muita e todas caminhavam com bastante energia. Já se encontravam muitas espécies vegetais em flor e não faltavam motivos de interesse, aos mais curiosos. Depois de chegados à Linha, pensou-se em tirarmos uma fotografia de grupo. Foi necessário esperar bastante e os que já estavam na estação foram dispersando e aproveitaram para comerem alguma coisa.
A caminhada ao longo da linha iniciou-se já depois do meio-dia. Mesmo com o céu escuro que, de tempos a tempos, despejava algumas gotas de água sobre os caminhantes, a paisagem estava verdejante, salpicada de flores amarelas e rochas, com o rio azul com um caudal considerável.
Cada um ao seu ritmo, foi percorrendo o perto de 8 km que separam a estação do Castanheiro da foz do Tua. O grupo não voltou a juntar-se. Pensava eu que seria feita uma pausa para o almoço volante, algures perto da estação de Tralhariz, mas, para não se desperdiçar o tempo, o almoço teria lugar já no final da caminhada.
 
A zona dos túneis das Fragas Más e do viaduto despertam sempre muita admiração a quem aí passa pela primeira vez. Uma coisa é ouvir falar, ver um filme ou algumas fotografias, outra é percorrer a pé, passo a passo esta linha centenária rasgada a muito custo no granito puro e duro. Percorrer locais assim é uma terapia, para o corpo, e para a alma, porque a grandiosidade da natureza faz-nos sentir pequenos.
O vale é estreito e profundo, agreste e despovoado. Talvez por isso seja fácil “fácil” fazer aqui uma barragem. Mas, também aqui, as rochas e a linha não sabem nadar. Este é uma local para admirar, não para afogar. A prova de que locais assim atraem fomo-la tendo ao longo da caminhada, cruzando-nos com numerosos grupos que percorriam a linha em sentido contrário ao nosso. Mesmo nas condições mais adversas, as pessoas vêm Tua, percorrem quilómetros a pé, porque encontram aqui uma paisagem única, uma das maravilhas de Portugal.
 
Há cerca de um ano que não fazia este percurso da linha. Não são notórias quaisquer obras desde essa altura. Não esbarrei na tal pedra aqui colocada pelo chefe do governo. Além dos cerca de 3 quilómetros onde os carris foram arrancados e do estradão ilegalmente rasgado pela EDP, não são evidentes, felizmente, grandes alterações na garganta do rio.
Cheguei ao Tua, na companhia da minha esposa, que pela primeira vez me acompanhou numa caminhada ao longo da Linha do Tua, às 14 horas e 30 minutos. Descemos para junto do rio, junto da ponte rodoviária, e aí abrimos o nosso farnel para o almoço. Outros grupos juntaram-se a nós.
 
Às 15h30m começaram a juntar-se as pessoas sobre a ponte para o simbólico Abraço ao Tua. Chegaram mais pessoas, que não participaram na caminhada, vindas das aldeias afetadas pelo encerramento da Linha, como Brunheda e Codeçais. Do poder autárquico não vi ninguém. Está mais que sabido só podemos contar com os nossos representantes para dividirem entre si o bolo de uma tal Agência para o Desenvolvimento do Tua. É pena que alguns presidentes de câmara, no poder há décadas, apenas se lembrem do vale do Tua e da Linha do Tua quando veem acenar alguns milhões. Que fizeram até aqui? Quantas vezes se bateram junto do poder central para contrariar o crescente abandono a que a linha foi deixada? Ainda não há milhões, mas já há desacordo, e nos bastidores tomam-se posições para calar as vozes mais incómodas, ou que fazem mais ruído (ficamos agora nós sem saber com que intenção). Se já nos cai a cara de vergonha com a política nacional que arrasta o país para um futuro incerto, melhor não estamos com os que nos estão mais próximos, que não ouvem as populações que os elegeram.
 
A marcar uma posição política no local estive o Bloco de Esquerda, mas também o partido ecologista Os Verdes” estiveram solidários com a iniciativa.
Os meios de comunicação social no local foram escassos, com a presença da RTP e de alguns órgãos de comunicação social regionais do Porto e Vila Real, que eu me tenha apercebido.
 
As pessoas que uniam sobre a ponte rodoviária as duas margens do rio, deram as mãos e gritaram vivas à Linha e ao rio Tua, ao mesmo tempo que um grupo de jovens animava o ambiente com instrumentos de percussão. 
Após esse Abraço simbólico ao rio, as pessoas interessadas reuniram-se em assembleia popular junto à margem do rio para debaterem o problema. Houve também tempo para algumas demonstrações de desportos aquáticos.
 
Regressei a casa com a convicção de que ainda é possível parar este crime. Não é só o Vale do Tua que está em risco, o Douro Vinhateiro, Património Mundial e destino crescente de muitos turistas, também está ameaçado. Em vez da barragem, que apenas serve os interesses de uma empresa, o rio, e a linha do Tua, podem ser fatores de desenvolvimento, porta de entrada de turistas vindos de Espanha, canal de circulação de pessoas e bens que não é afetado pela geada ou neve. Há bons exemplos de explorações de linhas de montanha por toda a Europa, porque é que temos que seguir os maus?

domingo, 27 de março de 2011

Abraço ao TUA (1)

Cheguei há pouco de Foz-Tua depois de ter participado na iniciativa Abraço ao Tua. Aqui deixo as primeiras fotografias que ilustram bem o excelente dia passado numa paisagem deslumbrante e em muito boa companhia.
A primeira fotografia mostra o entusiasmo ao avistar o vale do Tua, ainda na aldeia do Castanheiro do Norte.

Estes são os primeiros passos da caminhada ao longo da linha, junto à estação de Castanheiro.

Alguma chuva, vento, nuvens bastantes, não foram suficientes para desmoralizar o grupo de participantes.

Este é um dos meus pontos preferidos, uma visão alargada do rio e da linha. Pouco depois do Túnel das Fragas Más.

"Abraço ao TUA" sobre a ponte rodoviária em Foz-Tua.

sábado, 19 de junho de 2010

6.ª Caminhada entre Foz-Tua e Brunheda

Ao contrário da Linha do Tua, que está cada vez mais parada, nós, os que não somos subsídiodependentes somos obrigados a trabalhar cada vez mais, para termos cada vez menos poder de compra. Desabafos à parte, não me tem sobrado muito tempo para a escrita dos meu passeios pedestres, pelo Tua ou pelo Sabor.
Uma das últimas “viagens” na Linha do Tua aconteceu a 8 de Maio. Foi mais uma caminhada ente Foz-Tua e Brunheda, mas esta foi muito “molhada” e, por isso, bastante diferente das anteriores.
Fui de carro até Foz-Tua, onde cheguei perto das 9 da manhã. Quando passei Ribalonga em direcção ao Tua tive o primeiro momento feliz do dia. Um chasco-negro veio pousar num poste de telefone relativamente perto de mim. Só recentemente soube que a pequena ave (Oenanthe leucura) é muito rara em Portugal. A norte, praticamente só se pode observar nesta zona do Douro do concelho de Carrazeda de Ansiães.
Depois de um café, para espevitar um pouco, parti linha acima disposto a passar todo o dia na mais completa solidão.
Logo nos primeiros metros já se notavam os efeitos do abandono da linha. A erva tomou conta dos carris, com azedas a crescerem por toda a parte.
Mais à frente, sobre o viaduto das Presas, foi construída uma passadeira, talvez para facilitar o acesso ao pessoal que aí trabalha na futura barragem. Apesar das máquinas terem de fazer um grande volta, quase pela estação de Tralhariz, as pessoas têm acesso rápido e directo pelo viaduto e túnel das Presas.
Ainda não tinha estado no local desde o início das obras e, confesso, estava à espera de maior destruição. Na margem esquerda do rio, junto da linha, as alterações são ainda poucas, ainda que já sejam demasiadas. Na margem direita, onde foi aberto um estradão já algum tempo, é que a destruição é maior.
Os carris ao longo de quase dois quilómetros foram arrancados para possibilitar a circulação de máquinas ao longo da linha. Como passei pelo local num fim-de-semana não havia máquinas em movimento.
O céu foi-se encobrindo cada vez mais e preparei-me para o pior. Para quem gosta de fotografar, não há nada como não ter luz. De qualquer forma, a chuva não me assustava porque já levava algum equipamento a contar com essa eventualidade.
Mesmo em condições pouco convidativas, não podia deixar de reparar na quantidade de flores multicolores que povoam a paisagem. Março, Abril, Maio e Junho são meses com cores fantásticas e isso é visível em toda a extensão da linha.
Quando estava entre os dois túneis das Fragas Más fui alcançado por um grupo de seis pessoas. Nele estava Miguel Faria que já enviou algumas das suas fotografias desse dia para este blogue. Como o seu ritmo era mais elevado, acabei por ficar para trás, mas voltaríamos a encontrar-nos no Castanheiro, no S. Lourenço e na Brunheda.
Pouco depois de passar o Castanheiro, começou a chover com bastante intensidade. Se o ambiente saturado de vapor de água me agradava, a máquina fotográfica quase completamente encharcada preocupava-me muito. Quando a retirava a de baixo da capa de água, ou estava com a objectiva completamente embaciada, ou toda molhada. Não tinha guarda-chuva, o que dificultava as coisas. Não fiz nenhuma pausa para o almoço, que fui mordiscando depois da uma, perto da ponte de Paradela.
Em Santa Luzia ainda fiz uma pequena pausa para arrumas as coisas na mochila. A chuva era cada vez mais intensa e eu não me podia dar ao luxo de não chegar a horas do Taxi, na Brunheda.
Quase ao longo de toda alinha são evidentes os sinais de abandono. Há muitas derrocadas, rochas enormes na linha e os carris foram deslocados (nalguns lugares cerca de 20 cm). Pouco antes da Brunheda, sensivelmente onde se verificou o último acidente, a linha está praticamente destruída em ao longo de mais de 100 metros. Inicialmente não percebi porquê, mas depois apercebi-me que são as obras para a construção de uma ponte para o futuro IC5. É assim a gestão deste país, bastam-se milhos em estradas e afoga-se uma linha centenária, das mais bonitas da Europa.
A caminhada foi-se tornando monótona. Cada vez era mais difícil tirar fotografias e já tinha as pernas e os pés completamente encharcados. Fui caminhando com calma para que não sofressem muito, dificultando-me o avanço. Consegui manter um ritmo constante e chegar à Brunheda às dezassete menos dez minutos. Pouco depois chegou o grupo que se encontrava também a fazer a caminhada.
Apanhei o táxi para Foz-Tua. O corpo arrefeceu e comecei a sentir bastante frio. Felizmente a viagem demorou pouco e rapidamente pude voltar a casa.