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domingo, 31 de julho de 2016

Informação (31.07.2016)

Ainda posso caminhar na Linha do TUA?
 A parte mais selvagem, onde existem os túneis, já não pode ser percorrida. Já há troços inundados e os restantes ou são de difícil acesso, ou só podem ser percorridos com grande risco de vida.
O carris foram arrancados ao longo de 21 kms, embora só os primeiros 16 km vão ficar submersos.
O melhor percurso é ir até Brunheda (ou S. Lourenço, aldeia de Pombal), deixar aí o carro e começar a fazer o percurso descendente, até onde se conseguir. Tendo depois que se fazer o caminho inverso, para voltar ao carro.
Partindo de Brunheda podem ser percorridos, sem grandes perigos, pelo menos 11 km, o que faz 22 kms com o regresso.
Arriscando contornar o túnel da Falcoeira, pode ir-se, na melhor das hipóteses, até ao túnel das Fragas Más, que são 15,3 kms (30,6 km ida e volta).
Esta última hipótese depende do nível que as águas da albufeira já atingiram.
Há acesso à estação de Castanheiro, a pé ou com 4x4, desde a aldeia do Castanheiro e da aldeia de Tralhariz. Estes acessos pode ser usados para percursos diferentes.
Partilhem as fotografias dos percursos connosco.

Nota: as fotografias são de 19 de junho, agora (31 de julho) o nível das águas deve estar bastante mais elevado.

domingo, 22 de setembro de 2013

Vale do Tua visto do ar (2/5)

Este é o segundo conjunto de imagens cedidas por Alberto Areso que retratam o vale do tua feitas a partir de um helicóptero em 2005.
Tentei identificar a localização de cada fotografia através de alguns elementos retratados. Nalgumas não há dúvidas, noutras as certezas não são absolutas.
Este conjunto mostra o rio Tua e a Linha do Tua entre Castanheiro e Santa Luzia, ou seja entre o 8.º e 13.º quilómetro.
A primeira fotografia (a contar de cima) foi tirada junto ao apeadeiro de Castanheiro. A segunda fotografia foi tirada muito próxima da primeira.
A terceira fotografia mostra a ponte de Paradela aos 11,3 kms. A Ribeira do Barrabaz desagua no Tua, depois de recolher água numa bacia não muito grande mas que começa junto a Pinhal do Norte e passa junto a Pombal e Paradela.
A quarta fotografia permite uma identificação sem qualquer dúvida uma vez que é visível ao longe a Quinta do Barrabaz, pertencente à freguesia de Pombal. A aldeia de Amieiro, situada na outra margem do rio mesmo em frente à quinta não é visível porque está por detrás do monte do lado esquerdo da fotografia.
Na quinta e última fotografia são visíveis no canto superior direito algumas casas  da Quinta do Barrabaz e, na outra margem, algumas casas pertencentes a Amieiro, no concelho de Alijó.
A fotografia foi tirada de cima, não permitindo ter uma ideia da espetacularidade deste troço do rio. Quando tem um certo caudal, as águas neste troço são muito agitadas proporcionando um espetáculo digno de ser admirado.

Outras fotografias deste conjunto:
Vale do Tua visto do ar (1/5)

sábado, 21 de setembro de 2013

Rio Tua

Já não sei precisar o lugar exato da fotografia, mas creio ser entre Castanheiro e a ponte de Paradela. A fotografia foi tirada de montante para jusante do rio talvez pelo 10º quilómetro da linha.

terça-feira, 5 de março de 2013

Rio Tua

Aspeto da paisagem junto à Linha do Tua, onde outrora existiu o apeadeiro de Latadas, entre Frechas e Mirandela.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Valerá a pena?


Destruir
  • Um vale único 
  •  Uma linha de caminho de ferro considerada uma das maiores obras da Engenharia Portuguesa e uma das mais belas do Mundo 
  • Oliveiras centenárias que produzem o melhor azeite do Mundo 
  •  Videiras e um microclima que produz o melhor vinho do Mundo 
  • Termas sulfurosas milenares 
  • A ligação de caminho de ferro ao interior de Trás os Montes 
  • Aumentar a desertificação e abandonar as populações 
  • Arriscar que o DOURO PERCA A CLASSIFICAÇÃO DE PATRIMÓNIO MUNDIAL 

Por


  • UM MONSTRO DE UMA BARRAGEM QUE SÓ VAI CONTRIBUIR COM A PRODUÇÃO DE 0.3% DA ENERGIA ??????

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Autarcas do Tua recusam parar obras da barragem

Defendem que a esta altura do campeonato a beleza natural do vale já não vai existir e que já só há a ganhar com o desenvolvimento que a obra traz à região.

Os presidentes de câmara da região do Alto Douro Vinhateiro dizem ser inaceitável parar nesta altura as obras da Barragem de Foz Tua. Depois dos ambientalistas, foi a vez de os autarcas dizerem o que pensam à delegação da UNESCO que está de visita à região.
As obras não podem parar, é a posição transmitida esta quarta-feira às técnicas da Unesco pelo presidente da Associação de Desenvolvimento do Vale do Tua e da Comunidade Intermunicipal do Douro.
“Aquilo que tínhamos a perder já perdemos, que é de facto a questão da beleza selvagem, e aquilo que agora teríamos a ganhar, se parasse, não ganhávamos nada”, defende Artur Cascarejo.
“A beleza natural do vale enquanto vale selvagem já não vai existir. Vai existir é um projecto de desenvolvimento regional em parceria com as autoridades locais e com o Governo português, que têm um verdadeiro projecto de desenvolvimento integrado para todo o território”, argumenta.
“As populações do Vale do Tua não podem perder esta oportunidade porque ela representa o fim do esquecimento a que durante anos este território foi votado pelos diferentes Governos. Esta é uma oportunidade única que nós agarramos com todas as mãos e que portanto não vamos perder”, insiste ainda o autarca.
É possível compatibilizar a central hidroeléctrica com a paisagem Património da Humanidade, dizem os autarcas, que não aceitam perder um projecto que segundo eles trará desenvolvimento à região e ao país.
Sem grandes conclusões para divulgar, a delegação da UNESCO para já sublinha a importância de recolha de opiniões diversas sobre um projecto polémico com algum impacto em área protegida.

Fonte do texto: Renascença

terça-feira, 24 de julho de 2012

O Douro e a UNESCO

Ser representante de Portugal junto da UNESCO, em acumulação com as funções que desempenho em França, trouxe-me a responsabilidade acrescida de ter de cuidar, na linha da frente, de um conjunto de questões que ligam Portugal a diversas áreas de competência da organização. Devo dizer que, nestes meses, embora tenha tido de me "desmultiplicar" para poder atender a todo esse conjunto de tarefas, aprendi muito sobre mais esta dimensão multilateral da nossa política externa. E, devo dizer, estou a gostar da experiência.

Como é sabido, esta semana, em São Petersburgo, o Comité do Património da UNESCO debaterá uma resolução, preparada pelas instâncias próprias da organização, que apela à suspensão imediata das obras de construção de uma barragem perto da foz do rio Tua, por considerar que essa obra coloca em risco o equilíbrio global do Alto Douro Vinhateiro, como conjunto considerado património mundial.

Alguns países, organizações não-governamentais e diversas outras vozes, nomeadamente na imprensa, estão de acordo com os termos dessa resolução. O Estado português considera que, sendo embora essencial garantir a preservação do estatuto internacional atribuído ao Alto Douro Vinhateiro, tal não é incompatível com a edificação de uma barragem no rio Tua. E que, por essa razão, não se justifica, sem uma análise atenta a um conjunto de medidas que entretanto foram tomadas e outras que estão em análise, que tais obras sejam suspensas de imediato.

Não deixa de ser uma curiosa coincidência que o debate desta questão esteja a ser titulado, junto da UNESCO e em nome de Portugal, por alguém que nasceu a escassas dezenas de quilómetros do Douro e que hoje preside ao Conselho geral da Universidade da região. E que, porventura, gosta muito mais do Douro do que muitos dentre quantos, com outras legitimidades, se têm desdobrado em declarações inflamadas sobre o tema.

Publicado por Francisco Seixas da Costa no Blogue: duas ou três coisas (notas pouco diárias do embaixador português em França).

Aconselho a leitura do texto e os comentários, alguns deles de pessoas conhecidas e empenhadas na defesa doa linha e do vele do Tua.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A UNESCO e o TUA

Bem pode o laureado Souto Moura, arquitecto muito apreciado e distinguido nos Foruns internacionais, puxar pela  cabeça, esmerar-se e caprichar no seu projecto de tentar ocultar a gigantesca parede de betão que a poderosa EDP, contra ventos e marés sob os protestos de esclarecidos resistentes dos Movimentos Cívicos e insuspeitos órgãos de informação como é exemplo este jornal, decidiu construir na foz do rio Tua em arriscada e porventura negligente colisão com o estatuto do Douro Património Mundial.
Ainda que a sua obra possa ser aplaudida, cujo preço os portugueses por enquanto desconhecem mas que por certo não contemplará nenhum desconto ao dono da encomenda, ela será sempre um bonito penso de proteção em cima duma cicatriz testemunha de má e insensata intervenção do seu executor!
Chegados ao epílogo deste tempestuoso romance configurado na construção apressada duma barragem hidro-eléctrica no ponto onde o sofrido rio Tua se entrega extenuado no portentoso Douro, já não vale a pena argumentar com a destruição dum vale único pela sua singular beleza, nem da sua linha ferroviária orgulho da Engenharia portuguesa e que com alguma imaginação poderia ser a alavanca para o tão necessário quanto vital desenvolvimento sustentado da região empobrecida que parece não causar preocupação aos sucessivos governos da República.    Como também não vale a pena trazer de novo à baila os poderosos argumentos fruto de cuidados estudos universitários que demonstram ser dispensável a intervenção no rio Tua como fonte de aumento de produção energética.   
O que está agora em apreço é a anunciada visita da Unesco, agência das Nações Unidas para os assuntos da ciência e cultura com grande predomínio dos desafios ambientais e que deu finalmente um sinal de alerta recomendando o “Ralentissement” das obras que a EDP, frenética e arrogante, desencadeou num abrir e fechar de olhos! Da Unesco, todos esperamos uma decisão transparente, alheia a pressões e que defenda os valores um Património que sendo único, é da Humanidade e por isso de todos nós.
 É que gato escondido com rabo de fora, não é do agrado de ninguém, nem é para os tempos que correm. O turismo internacional que ora invadiu o Douro, “a realidade mais séria que temos entre nós,”(1) e que tanto ajuda as nossas pobres finanças, não aceita nem perdoará beliscaduras na imaculada simbiose da natureza e do homem. Ainda que tenha a assinatura do melancólico e criativo Souto Moura! 

Mirandela, 17-7-2012
José Manuel Pavão

(1) Miguel Torga

terça-feira, 12 de junho de 2012

Vale do Tua visto do ar (1/5)

 Nos próximos dias irei publicar um conjunto de fotografias de Alberto Aroso, realizadas numa viagem de helicóptero, em 2005, percorrendo o vale do Tua a Mirandela. O autor autorizou a publicação das fotografias no Blogue, o que me deixou bastante satisfeito. Esta é uma visão do vale pouco fotografada, quer por mim quer pelos restantes entusiasta da Linha, do Rio e do Vale que o têm percorrido nos últimos tempos.
Pelo aspeto da paisagem e pelo caudal do rio, as imagens devem ter sido obtidas em pleno Verão.
Na primeira fotografia vê-se S. Mamede de Riba Tua no alto da encosta. O troço da linha que se avista é anterior à apeadeiro de Tralhariz, conseguindo distinguir-se a entrada do túnel da Alvela ou de Tralhariz. O apeadeiro está escondido numa curva.
Na segunda fotografia nota-se a entrada zona mais difícil de abertura da linha, local onde existem dois túneis e um viaduto(Quilómetro 5º). Não chega a ver-se o 1.º túnel, das Fragas Más I. 
A terceira fotografia foi tirada ao ao quilómetro 7, apanhando a zona do Apeadeiro do Castanheiro. A construção não é visível porque está completamente encaixada na encosta mas. No rio há uma pequena praia de areia branca muito procurada por banhistas e pescadores. Também existiram algumas azenhas neste local,
A quarta fotografia penso que é a pequena distância da anterior. Na zona inferior vê-se a pequena praia de que falei.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Grande Reportagem-Factura das Barragens - Carlos Enes


Portugal vai fazer 9 barragens novas, que vão gastar mais electricidade do que produzir.
Quem vai pagar são os consumidores, nas facturas. Saiba porque a electricidade é tão cara, no Repórter TVI. «Facturas de Betão» é uma Grande Reportagem do jornalista Carlos Enes, com imagem de Carlos Carvalho e montagem de Miguel Freitas.

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A estratégia do muro pintado ou a lápide do Tua vai ser linda

De repente, os cérebros iluminados dos responsáveis pelo crime do Vale do Tua, engendraram uma estratégia para desviar a atenção dos cidadãos da delapidação patrimonial inconcebível que se chama: “o alagamento do Vale do Tua”: concentrar as atenções no paredão com cerca de 100 metros de altura, que é o corpo visível mais relevante da barragem.
Então, e segundo eles, é assim:
O que vai afetar a paisagem é o tal paredão, pelo que há que resolver o assunto de forma integrá-lo na dita paisagem. Porque o problema é o paredão, esmagador e pesado.
E nesta estratégia, o primeiro a alinhar foi o Secretário de Estado Francisco José Viegas que, publicamente, até disse que o melhor talvez fosse pintar o muro de verde.
O assunto deu que falar e toda a gente comentou a genial solução do responsável cultural do país. Logo de seguida a EDP não o faz por menos, e anuncia a contratação do laureado arquiteto Souto Moura, para fazer o projeto de integração paisagística do muro. O assunto volta outra vez a ser falado e vivamente discutido. E, para não se perder o balanço, a EDP anuncia que a obra de Souto Moura vai ser um ex-libris do Douro.
E toda a gente discute o muro. Segundo eles, o muro é que é o problema. Mas vai ser resolvido.
Mas só é enganado quem quer. É que problema não é o muro da barragem. O muro é o menos. Fosse o muro o nosso problema! 

Continuar a ler aqui

Texto da autoria de Francisco Gouveia, Eng.º, publicado em Notícias do Douro.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O que diz a comunicação social - Dez2011

 Outras notícias

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Foz Tua (II)




Infelizmente a destruição no Rio Tua já é grande!
Fotografias tiradas no dia 15.07.2011.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A ponte

Ponte rodoviária sobre o Rio Tua que une os concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães. Ao fundo a ponte ferroviária da Linha do Douro, e o Rio Douro. A fotografia foi tirada no dia em que se realizou a iniciativa "Abraço ao Tua".

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Abraço ao Tua - Uma Linha, um destino

No dia 27 de Março estive em Foz-Tua para participar na iniciativa Abraço ao Tua. Num momento em que a economia domina todas as notícias e está na base das preocupações de todas as pessoas, um grupo de movimentos uniu-se para mostrarem que a defesa da Linha do Tua e do rio Tua não está esquecida. A iniciativa foi organizada pelo Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua, a Associação dos Amigos do Vale do Rio Tua, a associação Campo Aberto, a associação GAIA, a COAGRET, o Movimento Cívico pela Linha do Tua e a associação ambientalista Quercus.
Além da crise, causaram também alguns constrangimentos, a mudança da hora, o estado do tempo, bastante instável, e a greve dos comboios que dificultou as deslocações de quem pretendia participar na iniciativa e pretendia deslocar-se para o Tua usando o caminho-de-ferro.
 
Fui dos primeiros a chegar ao Tua e fiquei bastante satisfeito quando se começou a juntar um bom grupo de pessoas, vindos dos lugares mais díspares do país. Quando entrámos para o autocarro que nos levaria a Castanheiro do Norte onde se iniciaria a caminha que integrava o programa, este ficou rapidamente cheio e foi necessário fazer uma segunda viagem.
Já há algum tempo de ansiava fazer o caminho entre o Castanheiro e a Linha do Tua a pé e foi bastante agradável faze-lo na companhia de mais de 70 pessoas das mais variadas idades e proveniências. Alguns dos rostos eram meus conhecidos, ou do concelho de Carrazeda de Ansiães ou de outros eventos em torno da Linha e do Vale do Tua. Dividi o tempo entre algumas conversas e arranques rápidos para tomar posição e tirar algumas fotografias ao grupo a caminhar na linha, coisa que raramente posso fazer quando faço caminhadas sozinho.
 
A descida até à estação do Castanheiro foi rápida. A inclinação é muita e todas caminhavam com bastante energia. Já se encontravam muitas espécies vegetais em flor e não faltavam motivos de interesse, aos mais curiosos. Depois de chegados à Linha, pensou-se em tirarmos uma fotografia de grupo. Foi necessário esperar bastante e os que já estavam na estação foram dispersando e aproveitaram para comerem alguma coisa.
A caminhada ao longo da linha iniciou-se já depois do meio-dia. Mesmo com o céu escuro que, de tempos a tempos, despejava algumas gotas de água sobre os caminhantes, a paisagem estava verdejante, salpicada de flores amarelas e rochas, com o rio azul com um caudal considerável.
Cada um ao seu ritmo, foi percorrendo o perto de 8 km que separam a estação do Castanheiro da foz do Tua. O grupo não voltou a juntar-se. Pensava eu que seria feita uma pausa para o almoço volante, algures perto da estação de Tralhariz, mas, para não se desperdiçar o tempo, o almoço teria lugar já no final da caminhada.
 
A zona dos túneis das Fragas Más e do viaduto despertam sempre muita admiração a quem aí passa pela primeira vez. Uma coisa é ouvir falar, ver um filme ou algumas fotografias, outra é percorrer a pé, passo a passo esta linha centenária rasgada a muito custo no granito puro e duro. Percorrer locais assim é uma terapia, para o corpo, e para a alma, porque a grandiosidade da natureza faz-nos sentir pequenos.
O vale é estreito e profundo, agreste e despovoado. Talvez por isso seja fácil “fácil” fazer aqui uma barragem. Mas, também aqui, as rochas e a linha não sabem nadar. Este é uma local para admirar, não para afogar. A prova de que locais assim atraem fomo-la tendo ao longo da caminhada, cruzando-nos com numerosos grupos que percorriam a linha em sentido contrário ao nosso. Mesmo nas condições mais adversas, as pessoas vêm Tua, percorrem quilómetros a pé, porque encontram aqui uma paisagem única, uma das maravilhas de Portugal.
 
Há cerca de um ano que não fazia este percurso da linha. Não são notórias quaisquer obras desde essa altura. Não esbarrei na tal pedra aqui colocada pelo chefe do governo. Além dos cerca de 3 quilómetros onde os carris foram arrancados e do estradão ilegalmente rasgado pela EDP, não são evidentes, felizmente, grandes alterações na garganta do rio.
Cheguei ao Tua, na companhia da minha esposa, que pela primeira vez me acompanhou numa caminhada ao longo da Linha do Tua, às 14 horas e 30 minutos. Descemos para junto do rio, junto da ponte rodoviária, e aí abrimos o nosso farnel para o almoço. Outros grupos juntaram-se a nós.
 
Às 15h30m começaram a juntar-se as pessoas sobre a ponte para o simbólico Abraço ao Tua. Chegaram mais pessoas, que não participaram na caminhada, vindas das aldeias afetadas pelo encerramento da Linha, como Brunheda e Codeçais. Do poder autárquico não vi ninguém. Está mais que sabido só podemos contar com os nossos representantes para dividirem entre si o bolo de uma tal Agência para o Desenvolvimento do Tua. É pena que alguns presidentes de câmara, no poder há décadas, apenas se lembrem do vale do Tua e da Linha do Tua quando veem acenar alguns milhões. Que fizeram até aqui? Quantas vezes se bateram junto do poder central para contrariar o crescente abandono a que a linha foi deixada? Ainda não há milhões, mas já há desacordo, e nos bastidores tomam-se posições para calar as vozes mais incómodas, ou que fazem mais ruído (ficamos agora nós sem saber com que intenção). Se já nos cai a cara de vergonha com a política nacional que arrasta o país para um futuro incerto, melhor não estamos com os que nos estão mais próximos, que não ouvem as populações que os elegeram.
 
A marcar uma posição política no local estive o Bloco de Esquerda, mas também o partido ecologista Os Verdes” estiveram solidários com a iniciativa.
Os meios de comunicação social no local foram escassos, com a presença da RTP e de alguns órgãos de comunicação social regionais do Porto e Vila Real, que eu me tenha apercebido.
 
As pessoas que uniam sobre a ponte rodoviária as duas margens do rio, deram as mãos e gritaram vivas à Linha e ao rio Tua, ao mesmo tempo que um grupo de jovens animava o ambiente com instrumentos de percussão. 
Após esse Abraço simbólico ao rio, as pessoas interessadas reuniram-se em assembleia popular junto à margem do rio para debaterem o problema. Houve também tempo para algumas demonstrações de desportos aquáticos.
 
Regressei a casa com a convicção de que ainda é possível parar este crime. Não é só o Vale do Tua que está em risco, o Douro Vinhateiro, Património Mundial e destino crescente de muitos turistas, também está ameaçado. Em vez da barragem, que apenas serve os interesses de uma empresa, o rio, e a linha do Tua, podem ser fatores de desenvolvimento, porta de entrada de turistas vindos de Espanha, canal de circulação de pessoas e bens que não é afetado pela geada ou neve. Há bons exemplos de explorações de linhas de montanha por toda a Europa, porque é que temos que seguir os maus?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

II Festival Internacional de Canoagem de Águas Bravas da Terra Quente

O II Festival Internacional de Canoagem de Águas Bravas da Terra Quente, vai realizar-se a 9, 10 e 11 de Julho de 2010 em Trás-os-Montes, no Vale do Tua. O evento será organizado pela COAGRET (Coordenadora de Afectados pelas Grandes Barragens e Transvases), em parceria com CCABP (Clube de Canoagem de Águas Bravas de Portugal), Grupo dos Tamecanos de Mondim - Aventura e o Clube Náutico de Fafe.

segunda-feira, 10 de maio de 2010