domingo, 15 de novembro de 2015

a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last! 2/2

No dia 23 de março a concentração aconteceu em Brunheda. Muitos automóveis foram deixados em Fiolhal, final da caminhada, e os seus ocupantes transportados para Brunheda pelo autocarro da Câmara de Carrazeda de Ansiães, que colaborou no evento.
Juntaram-se os participantes do dia anterior e muitos mais que chegaram de manhã bem cedo. Curiosamente o grupo era bastante jovem, com muitos casais ou grupos de vários jovens, animados para conhecerem a Linha do Tua. A minha convicção é a de que o Geocaching era apenas uma desculpa, pretendiam mesmo conhecer esta Linha, única, ameaçada de desaparecimento.
Houve um compasso de espera em Brunheda no sentido de juntar o grupo, mas pequenos grupos foram começando a descer a Linha, cada um mantendo a sua própria velocidade. Mesmo assim consegui contar mais de 130 pessoas, que partiram perto das 10 da manhã.
Embora o grupo fosse grande, rapidamente se dispersou e acabei a caminhar praticamente sozinho. Não havia mal nenhum nisso, eu até prefiro caminhar sozinho quando quero fotografar, mas as condições atmosféricas também não eram as melhores. Por várias vezes a chuva apareceu e houve sempre alguma neblina.
 Embora a justificação da caminhada fosse procurar e encontrar caches seria impensável mais de uma centena de pessoas procurarem o mesmo. Alguns mais animados faziam o trabalho, mas todos tinham o proveito, ou seja, poderiam registar as caches como encontradas. Há perto de 20 caixinhas escondidas, só entre Brunheda e Foz-Tua mas em toda a extensão da Linha do Tua há muito mais.
Ao longo da caminhada muita gente passou por mim. Não tinha pressa e sabia que a parte final da caminhada, a subida para Fiolhal ia ser dura e muitos dos que seguiam à minha frente ficariam para trás.
Fomos passando as estações e apeadeiros um a um: Tralhão, S. Lourenço, Santa Luzia e Castanheiro. Foi neste local que decidimos fazer uma pausa para retemperar energias para o resto da caminhada. Não se chegou a juntar um grande grupo, quando uns chegavam, outros já estavam de partida. A refeição era ligeira e a distancia a percorrer era considerável.
 Uma das coisas que desaponta as pessoas que fazem esta caminhada na linha pela primeira vez é a necessidade de se ter que olhar constantemente para as travessas, escolhendo o lugar para pousar o pé. Principalmente quando as travessas estão molhadas o risco de escorregar é muito. Acaba por ser cansativo ajustar o passo à distancia entre travessas, que é muito curta, e não poder admirar a paisagem como gostariam.
Tirando poucas e curtas excepções, o melhor lugar para caminhar é o centro da linha. Caminhar sobre a gravilha seria ainda mais cansativo. Procurar um espaço paralelo à linha só é possível de onde em onde e, mesmo assim, com perigo acrescido devido aos precipícios. Por isso é impossível fazer este percurso em BTT.
Nos últimos quilómetros tive a companhia dos amigos do grupo GeoRibatejo, animados, como sempre.
 Ao quilómetro três é preciso deixar a Linha e empreender uma subida íngreme até Fiolhal.
Tal como previa a dificuldade foi muita para alguns elementos do grupo. Após uma caminhada de 20 km não é fácil enfrentar tamanho desnível. As obras da barragem são bem visíveis, bem como a destruição causada a montante do paredão.
Aos poucos foram chegando todos ao centro da aldeia de Fiolhal. Todos nós tínhamos um bilhete que tivemos que colar no livro do Evento.
Enquanto assinávamos esse livro ainda houve tempo para troca de códigos de Geocoins, TravelBugs e outras brincadeiras típicas dos praticantes dos Geocaching. Foi curioso verificar que existem em bonecos, mochilas, automóveis e até alguns tatuados no próprio corpo!
Este conjunto de dois dias a caminhar na Linha trouxe à região algumas centenas de pessoas durante dois dias. As condições atmosféricas não foram as melhores o que estragou um pouco a festa, na noite de 22 para 23 de março, mas os visitantes ficaram com boa impressão e certamente voltarão. Os praticantes deste desporto (Geocaching) gostam de desafios e foi isso que lhe foi proporcionado.
Mais uma vez tudo isto se ficou a dever essencialmente ao esforço de uma pessoa, Jorge Pinto, a residente em Mirandela, mas um profundo conhecedor da região. Para ele o meu muito obrigado. Já mostrou a Linha do Tua e o Vale do Tua a várias centenas de pessoas.

Ver também
a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last! 1/2 (21 de Março de 2015)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last! 1/2

A Linha do Tua e o vale do Tua despertam paixão. Depois de ter havido uma actividade ligada ao Geocaching que juntou perto de uma centena de pessoas, eis que se repete a actividade e a adesão de pessoas vindas dos mais distantes pontos do país ultrapassam todas as expectativas.
A actividade aconteceu nos dias 21 e 22 de março, com o nome de a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last!
Foram planeados dois percursos na Linha do Tua: um para o dia 21, que integrou uma viagem de metro entre Mirandela e Cachão e outra para o dia 22, entre Brunheda e Fiolhal. Entre elas, estava prevista uma noite animada no Centro de Formação de Escuteiros de Carrazeda de Ansiães, onde os participantes pernoitaram.
Fui dos primeiros a chegar a Mirandela, mas aos poucos foi-se juntando um bom grupo de pessoas. A plataforma nacional de Geocaching permitiu os contactos, as "inscrições", a organização do alojamento e os contactos necessários para a organização do evento. À frente de toda organização esteve mais uma vez Jorge Pinto, dinâmico, cheio de ideias, com uma força anímica capaz de arrastar um grande grupo de praticantes de Geocaching a este cantinho do Nordeste e à Linha do Tua.
Foram distribuídos alguns brindes, no compasso de espera, e aproveitámos também para tirar alguns códigos dos objectos, coisas de praticantes de Geocaching...
A primeira etapa seria Mirandela - Brunheda, mas, tal como se veio a verificar, as pessoas pouparam-se para o dia 22 e foram poucos os que arriscaram caminhar alguma coisa.
Saímos de Mirandela em direção ao Cachão na automotora do Metro de Mirandela, num serviço especial. Não deixa de ser curioso a organização ter conseguido um serviço especial, uma vez que quando havia bastantes pessoas a percorrer a Linha do Tua e tentei conseguir um serviço assim para um grande grupo de pessoas e só deparei com dificuldades.
Cerca de 60 pessoas viagem até ao Cachão. A viagem durou pouco tempo, mesmo a velocidade baixa.. Houve uma pausa para um café, no café Cardoso e organizou-se um grupo (pequeno), interessado em fazer mais alguns quilómetros a pé. Estava convencido que o grupo seria maior, mas partimos em direção a Vilarinho das Azenhas, menos de 10 pessoas. A maioria dos caminhantes pertencia ao grupo GeoRibatejo, pessoas animadas, conversadores e bons caminheiros.
Foi triste verificar que já havia centenas de metros de linha sem carris, tinham sido roubados. Fomos encontrando algumas caches pelo caminho e sem pressas chegámos perto do Vilarinho. Para meu espanto tiraram um garrafa de vinho rosé da mochila e "festejamos".
Não havia espaço para o aborrecimento e seguimos viagem para a Ribeirinha e depois para Abreiro, onde chegámos perto das duas da tarde.
 A minha vontade era de caminhar até Brunheda, mas ficaria sem transporte, pelo que aproveitei a boleia e regressei a Mirandela com o resto de grupo, na carrinha que os foi buscar.
Havia planos para uma grande festa à noite. O Centro de Formação de Escuteiros em Carrazeda de Ansiães tem óptimas condições para acampar ou acantonar com estruturas mais do que suficientes para as necessidades. Mas, nem tudo corre como o previsto.
O Centro de Formação estava ocupado com o Agrupamento 658, com festejos de alguma importância que obrigava os escuteiros e pernoitarem no acampamento. Para "ajudar" começou a chover com muita intensidade, não permitindo acampar, confeccionar a refeição e proporcionar boas condições para um bom convívio.
Aproveitei para acompanhar os escuteiros na Velada 2015 e optei por ir dormir a casa, uma vez que não estava muito distante.
 Não sei como se conseguiu acomodar tanta gente, mas no dia seguinte ninguém faltou à chamada. Bem dormidos, ou mal dormidos, compareceram em Brunheda para a segunda etapa.
Agradeço aos escuteiros na pessoa dos seus chefes que me receberam tão bem que inclusivé me deram de jantar.

Ver também
a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last! 1/2 (22 de Março de 2015)

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Geocaching - a[LINHA]s?!? Também é TUA!

Já há bastante tempo que não reporto uma caminhada pela Linha do Tua, mas isso não significa que elas não tenham acontecido. Apenas me tornei mais preguiçoso na escrita e deixei-me seduzir pela popularidade e facilidade do Facebook. A Linha é Tua também já está presente nesta plataforma. Faça Gosto na página.
Continua  a haver muita gente com vontade de percorrer a Linha do Tua, por isso não admira que no mês de março se tenha juntado um grupo de mais de 80 pessoas para fazerem o percurso entre Brunheda e Fiolhal, conhecendo a linha e procurando as misteriosas "caixinhas" que fazem parte do Geocaching.
Aderi a este passatempo/desporto há relativamente pouco tempo, mas, tratando-se de uma aventura na linha do Tua não podia faltar.
A organização do evento decorreu no Facebook e na plataforma oficial de Geocaching conseguindo juntar pessoas vindas dos mais dispersos pontos do país. Nós, os transmontanos, estávamos em minoria!
A concentração aconteceu em Fiolhal, mas eu desloquei-me directamente para Brunheda. Quando lá cheguei, pouco depois das sete da manhã, já havia pessoas junto à estação, esperando o resto do grupo para dar início à caminhada. Esse início ainda demorou bastante. Os participantes foram transportados de autocarro de Fiolhal a Brunheda. O transporte foi feito com um autocarro do município de Carrazeda de Ansiães, que efectuou duas viagens, obrigando a algum tempo de espera.
Junto à estação de Brunheda há duas caches, que foram feitas nesse intervalo de tempo. Foram-se cumprimentando os amigos, registando os códigos dos Travel Bug e Geocoins. Este desporto tem características muito próprias, uma filosofia muito interessante e algumas práticas com as quais não concordo, mas a verdade é que há cada vez mais praticantes e proporciona momentos e viagens verdadeiramente interessantes.
Só perto das 10:30 o grupo estava preparado para partir. Os representantes da autarquia de Carrazeda agradeceram a visita ao concelho (mas não me fizeram esquecer as suas responsabilidades no encerramento da Linha do Tua), distribuíram alguns panfletos e uma maçã a cada participante.
A caminhada era longa, com um final bastante difícil que é a distância da Linha à aldeia de Fiolhal. Ninguém tinha pressa e diria mesmo que alguns não tinham mesmo nenhuma pressa, porque partiram muito devagar como se não houvesse à volta de 20 km para percorrer.
Não me preocupei em procurar as caixinhas, havia pessoas muito mais entusiastas e experientes do que eu. Por isso segui também ao meu ritmo desfrutando da magnifica paisagem que já conhecia mas que me parece mais bonita de cada vez que a percorro.
Muitos dos participantes no evento estavam lá pelo jogo, mas não deixavam de lamentar a perda que é a submersão da linha e a destruição da paisagem e dos ecossistemas que se desenvolveram durante milénios no vale do Tua.
A pausa para comer o almoço volante aconteceu no apeadeiro do Castanheiro. Ainda pensei que alguém tivesse vontade de conhecer a pequena praia de areia branca, mas não. Retemperadas as forças voltámos à linha para fazer o resto da caminhada.
Desde Brunheda ao Tua há mais de dezena e meia de caches, isto sem contar as colocadas em redor de Fiolhal e do Tua. A crescerem ao ritmo que têm crescido nos últimos tempo corre-se o risco de haver uma cache por cada curva de estrada, o que me parece exagerado, mas cada um pensa à sua maneira.
A caminhada continuou até chegar-mos ao "final" da Linha, exactamente ao quilómetro 3. Neste ponto foi necessário subir até Fiolhal, depois de bastante cansaço e algum calor a chatear.
Nesta zona avistam-se as obras da barragem, de que prefiro nem falar.
Por fim, todos os participantes se concentraram em Fiolhal. Notava-se algum cansaço, mas adoraram o passeio (e sei que alguns já voltaram às caminhas na Linha do Tua depois dessa data).
Entregámos o nosso "bilhete", trocámos alguns códigos necessários para os registos na plataforma do Geocaching e cada um seguiu o seu caminho.
Não satisfeitos com as "cachadas" feitas, um grupo de aventureiros ainda decidiu descer à estação do Tua, fazer alguns quilómetros em direcção a S. Mamede de Ribatua e regressar ao concelho de Carrazeda de Ansiães, fazendo todas as caches até Castanheiro, onde a noite nos surpreendeu.
Ao todo foram quase 30 "caixinhas" as visitadas, com possibilidade de logar ainda mais algumas. Muitos Trackables, vistos ou trocados, dos mais simples aos mais estranhos.
A Linha do Tua é visitada por um número considerável de praticantes de Geocaching, mas poucas vezes deve ter sido percorrida por um grupo tão grande.
Tudo isto só foi possível com o apoio da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães e, sobretudo, ao espírito aventureiro do geocacher jorge_53 que conseguiu reunir as pessoas e montar a logística necessária para o evento. A ele o meu muito obrigado.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

“ADVOGADOS PELO TUA"

Foi iniciada a construção da barragem Foz Tua. Está assim iminente a destruição do Vale do Tua, uma das mais belas, ricas e bem preservadas paisagens de Portugal, parte da herança e identidade nacionais. Não podemos assistir indiferentes à destruição irreversível de um património de inestimável valor social, ecológico e económico. Por isso, decidimos agir através dos meios que a Lei nos faculta. Dez razões objetivas para suspender a construção da barragem Foz Tua:

1. É ilegal. O aproveitamento hídrico do Vale do Tua viola a Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural (1972) que Portugal ratificou através do Decreto nº 49/79, de 6 de Junho.

2. Viola o direito constitucional ao ambiente. A barragem Foz do Tua acarreta restrições intoleráveis do direito de todos ao ambiente, tão fundamental quanto os direitos, liberdades e garantias individuais.

3. Desrespeita o estatuto conferido pela Unesco. Foz Tua constitui uma flagrante violação dos valores que deram origem à classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da Unesco.

4. Não cumpre os objetivos. Foz Tua faz parte do Programa Nacional de Barragens, que produziria no seu conjunto 0,5% da energia gasta em Portugal (3% da eletricidade), reduzindo apenas em 0,7% as importações de energia e em 0,7% as emissões de gases com efeito de estufa. Foz Tua contribuiria com uns míseros 0,1% da energia do País.

5. Não é necessária. As metas do Programa já foram ultrapassadas com os reforços de potência em curso: a curto prazo disporemos no total de 7020 MW hidroelétricos instalados (o Programa pretendia alcançar os 7000 MW), dos quais 2510 MW equipados com bombagem (o Programa previa chegar a 2000 MW). Será assim sem nenhuma barragem nova.

6. É cara. As novas barragens, se avançarem, custarão cerca de 15 000 milhões de euros, que os cidadãos vão pagar na fatura elétrica e nos impostos - uma média de 1500 euros por português. Com estas barragens, durante os 75 anos das concessões, as famílias e as empresas pagarão uma eletricidade pelo menos 8% mais cara.

7. Há alternativas melhores. Todos os objetivos de política energética podem ser cumpridos de forma muito mais eficaz e mais barata com opções alternativas, destacando-se três medidas: (i) investimentos em eficiência energética, com custo por kWh 10 (dez) vezes menor que Foz Tua; (ii) reforço de potência das barragens existentes, com custo por kWh 5 (cinco) vezes menor que Foz Tua; (iii) dentro de poucos anos, a energia fotovoltaica será competitiva com a rede.

8. É um atentado cultural. A albufeira de Foz Tua destruirá a centenária linha ferroviária do Tua, um vale com paisagens naturais e humanas de elevado valor patrimonial e turístico, para além de pôr em perigo a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade.

9. É um atentado ambiental. Foz Tua destruirá irreversivelmente solos agrícolas e habitats ribeirinhos raros, porá em risco espécies ameaçadas e protegidas, criará riscos adicionais de erosão no litoral devido à retenção de areias, e provocará inevitavelmente a degradação da qualidade da água.


10. É um atentado económico e social. A barragem põe em causa a qualidade vitivinícola desta secção do Alto Douro, devido ao sério risco de alterações microclimáticas. Desaparece a possibilidade de rentabilizar activos turísticos de alto valor, como os desportos de águas brancas, a ferrovia de montanha e o eco-turismo. Criar um emprego permanente no turismo é 11 (onze) vezes mais barato que criar um emprego na barragem.

Há empreendimentos cuja construção se justifica, em nome do desenvolvimento sustentável do País. Outros, como a barragem de Foz Tua, empobrecem-nos a todos. Não podemos aceitar a destruição de um património ambiental único, sem qualquer ganho para o País e o bem público. É nossa responsabilidade garantir que as gerações futuras terão a oportunidade de desfrutar, como nós, o Vale do Tua.

Os signatários desta Declaração estão unidos numa vontade comum:  SALVAR O TUA


Signatários da Declaração

Afonso Henriques Vilhena
Agostinho Pereira de Miranda
Alexandra Vaz
António Furtado dos Santos
Augusto Lopes Cardoso
Carla Amado Gomes
Elizabeth Fernandez
Fernando Fragoso Marques
Hernâni Rodrigues
Jan Dalhuisen
José António Campos de Carvalho
José Manuel Lebre de Freitas
Manuel Almeida Ribeiro
Manuel Magalhães e Silva
Maria da Conceição Botas
Pedro Cardigos
Pedro Raposo
Raul Mota Cerveira
Rita Matias
Vitor Miragaia

domingo, 20 de outubro de 2013

Mobilidade no vale do Tua só para turismo

Plano põe fim ao serviço público de caminho-de-ferro
Mobilidade no vale do Tua só para turismo

A infraestrutura intermodal do Tua só irá funcionar na sua plenitude entre maio e outubro. Esta novidade foi avançada durante a 3ª conferência internacional “Railroads in Historical Context” que decorreu sexta-feira, em Alijó, e reuniu mais de 40 investigadores internacionais, entidades oficiais, operadores turísticos do Douro e a EDP. Assim, caiu por terra a vontade de várias associações que exigiam o regresso do serviço público ao troço desativado. 

Foi pela boca de Sérgio Figueiredo, administrador-delegado da Fundação EDP, que se fez “luz” sobre o que poderá ser o megaprojeto de mobilidade intermodal de Foz Tua, que pretende constituir uma oferta turística de excelência assente em três meios de mobilidade: o funicular, o barco e o comboio. 
Durante este encontro internacional, foram apresentados e debatidos estudos sobre a história do Vale do Tua e da Linha do Tua, bem como...  (*) 

Leia a notícia completa
na edição em PDF
(*) Apenas utilizadores registados

Fonte: A Voz de Trás-dos-Montes
Regiões | Alijó | 17-10-2013  | Edição Nº 3301

domingo, 29 de setembro de 2013

Linha do Tua, 31.º Quilómetro

Linha do Tua entre a estação de Abreiro e o apeadeiro da Ribeirinha. Do lado direito é termo do concelho de Vila Flor e do lado esquerdo fica o rio e o concelho de Mirandela.

domingo, 22 de setembro de 2013

Vale do Tua visto do ar (2/5)

Este é o segundo conjunto de imagens cedidas por Alberto Areso que retratam o vale do tua feitas a partir de um helicóptero em 2005.
Tentei identificar a localização de cada fotografia através de alguns elementos retratados. Nalgumas não há dúvidas, noutras as certezas não são absolutas.
Este conjunto mostra o rio Tua e a Linha do Tua entre Castanheiro e Santa Luzia, ou seja entre o 8.º e 13.º quilómetro.
A primeira fotografia (a contar de cima) foi tirada junto ao apeadeiro de Castanheiro. A segunda fotografia foi tirada muito próxima da primeira.
A terceira fotografia mostra a ponte de Paradela aos 11,3 kms. A Ribeira do Barrabaz desagua no Tua, depois de recolher água numa bacia não muito grande mas que começa junto a Pinhal do Norte e passa junto a Pombal e Paradela.
A quarta fotografia permite uma identificação sem qualquer dúvida uma vez que é visível ao longe a Quinta do Barrabaz, pertencente à freguesia de Pombal. A aldeia de Amieiro, situada na outra margem do rio mesmo em frente à quinta não é visível porque está por detrás do monte do lado esquerdo da fotografia.
Na quinta e última fotografia são visíveis no canto superior direito algumas casas  da Quinta do Barrabaz e, na outra margem, algumas casas pertencentes a Amieiro, no concelho de Alijó.
A fotografia foi tirada de cima, não permitindo ter uma ideia da espetacularidade deste troço do rio. Quando tem um certo caudal, as águas neste troço são muito agitadas proporcionando um espetáculo digno de ser admirado.

Outras fotografias deste conjunto:
Vale do Tua visto do ar (1/5)

sábado, 21 de setembro de 2013

Rio Tua

Já não sei precisar o lugar exato da fotografia, mas creio ser entre Castanheiro e a ponte de Paradela. A fotografia foi tirada de montante para jusante do rio talvez pelo 10º quilómetro da linha.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Linhas | |

Quando me perguntam qual o troço da Linha do Tua mais bonito fico sem resposta. O conceito de bonito é tão subjetivo e tão pessoal que é sempre arriscado julgar pelos outros. Acho esta fotografia das mais bonitas que consegui na Linha do Tua, no entanto foi conseguida num local que, à partida, não seria muito sugestivo, que é perto do complexo industrial do Cachão.
Já passei mais de uma dezena de vezes no mesmo local mas nunca vi reunida as mesmas condições que me inspiraram neste dia.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Por detrás da máscara do projeto Souto Moura

 Espero ser a última vez que me refiro a este tema da barragem do Tua. Faço-o por alguns mitos criados e pela ausência de muitos factos na discussão pública. Utilizo o método de colocar os quesitos nos dois pratos de uma balança. Vamos à pesagem.
O que perdemos:
O vale do Tua, ecossistema ribeirinho único na Europa, ameaçado por esta construção da barragem, acrescido da irreversibilidade da “perda física” de parte da paisagem, chegando a colocar em risco o estatuto de Património Mundial da Humanidade.
Trinta quilómetros de via-férrea que garantiam a muitos carrazedenses transporte para Foz-Tua e Mirandela; uma linha férrea que foi arrojada obra de engenharia, com grande beleza, apreciada por portugueses e estrangeiros com alguns milhares de utentes por ano e detentora de grandes potencialidades turísticas.
Possibilidade de prejuízo para as vinhas durienses com as previsíveis alterações climáticas e ambientais e destruição efetiva de vinhedos e olivais, numa região em que metade da população se dedica à agricultura.
O que nos prometem:
Uma agência de desenvolvimento e um parque natural que serão subsidiados por 3 por cento da receita bruta da barragem, que, na prática são apenas 2,25%, pois um quarto das receitas irá para o Fundo da Diversidade. Grande parte dos fundos são para gastos de manutenção das estruturas e se observarmos o projeto do parque natural é uma mão cheia de muito pouco, com a agravante de todos os condicionalismos na gestão dos recursos turísticos, agrícolas, florestais, cinegéticos e piscícolas locais.
Vamos agora às falácias:
Primeira falácia: uma barragem potenciadora de turismo - Pura falácia a enganar uma população incauta, pois Portugal está cheio de albufeiras desertas de turistas. No Douro, em termos de projetos turísticos pouco mais se executou que um ou outro cais e assistimos impávidos e serenos à passagem de mais duzentos mil turistas por ano sem que mais-valias fiquem na área geográfica.
 Segunda falácia: um grande espelho de água - Como se não nos bastassem os existentes e sem qualquer benefício! Depois coisas que por aí falam do domínio do sonho e mesmo do delírio, completamente irreais: muitos barcos (de quem e para quê?), desportos náuticos (mas não os há nas grandes albufeiras do Douro) transporte fluvial para Mirandela, (para quem?), campos de golfe (onde?) …
Terceira falácia: a construção das barragens contribui para a riqueza nacional - As 12 obras previstas que incluem novas barragens e reforço de outras já existentes inclui uma engenharia financeira tipo "scut" cujo custo só vamos sentir daqui a uns anos de forma brutal. As obras vão produzir apenas o equivalente a três por cento de energia elétrica do país, mas vão custar ao Orçamento do Estado e aos consumidores muitos milhões de euros... 
Quarta falácia: energia mais barata - A conta da eletricidade vai, a prazo, incluir um agravamento de 10% para suportar este negócio "verde". As empresas elétricas receberão um subsídio equivalente a 30% da capacidade de produção, haja ou não água para produzir. Quanto ao denominado Centro eletroprodutor de Foz -Tua terá um incentivo estatal de € 13 000/MW/ano, perfazendo mais de 3 milhões/ano (portaria nº 251/2012 de 20 Agosto).
Quinta falácia: mais desenvolvimento local – As albufeiras do Douro contribuíram em 40% para a produção nacional de energia hidroelétrica, tornaram o rio navegável e consequentemente possibilitaram o fluxo turístico, domesticaram a impetuosidade invernosa do rio diminuindo as cheias na Régua e Porto e durante muitos anos possibilitaram a energia mais barata na cidade, mas do Porto. Isto é, somos contribuintes para um bem nacional, que é a energia elétrica e o turismo, mas o investimento e as mais-valias em termos locais foram pouco mais que zero. A eletricidade tem o mesmo preço do resto do país com a agravante de possuirmos uma das piores redes de distribuição com cortes constantes. O Douro continua a ser a região do país com piores índices de desenvolvimento. 
Sexta falácia: a EDP está interessada no desenvolvimento - A empresa é detida maioritariamente por interesses chineses. A história demonstra que esta elétrica sempre explorou o mais que pôde, utilizando a violência do Estado para expropriar de qualquer maneira a preços ridículos e dar pouco em contrapartidas.
Sétima falácia: O projeto Souto Moura trará mais visitantes à região - O projeto consiste em enterrar parte da infraestrutura que ninguém verá, mas a linha de muito alta tensão não pode ser escondida, produzindo um forte impacto na paisagem da região.
"Concluo que nenhuma compensação financeira pagaria as perdas. Porém, as contrapartidas são pouco mais que nada: uma diminuta produção de energia que não é relevante para o total nacional e uma mão cheia de nada para a região que vê degradar os seus principais recursos: o ambiente e a paisagem e que nenhum projeto de Souto Moura há de mascarar."
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Texto transcrito na integra do blogue Pensar Ansiães.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A paisagem também é Tua

Conservar uma paisagem longamente intervencionada, como é a do vale do Tua, implica conservar os processos que a construíram e mantiveram.
“Centremo-nos, por economia de argumentação, no Douro vinhateiro, património mundial. As intervenções a que hoje atribuímos este estatuto patrimonial não podem, em qualquer análise, ser consideradas como intervenções de pequena escala e respeitadoras da paisagem pré-existente.
A sedimentação das intervenções que resulta de um tempo longo, apesar da escala de intervenção gigantesca, leva-nos a aceitar mais facilmente estas alterações que outras mais pequenas, mas muito mais concentradas no tempo, como parques eólicos, barragens ou estradas.(…)
Quer sejam florestações extensas, largas urbanizações, barragens, esporões, estradas, parques eólicos, cortes de árvores, todos nós, quando não directamente envolvidos, sentimos uma perda, se, de repente, a paisagem que sempre nos pareceu imutável nos aparece alterada."(1)
Conservar uma paisagem longamente intervencionada, como é a do vale do Tua, implica conservar os processos que a construíram e mantiveram.
Vem isto a propósito da discussão sobre a barragem do Tua e das suas implicações na paisagem.
A paisagem do Tua é uma paisagem lindíssima que conheço de muitas vezes ter lá passado, em especial de comboio. Nas 14 horas que a viagem entre Bragança e Lisboa demorava foi muito o tempo que passei a olhar, fascinado, aquela paisagem em ruínas.
A paisagem do Douro vinhateiro também a conheço, incluindo de comboio. E olhar para essa paisagem, vibrante, cheia de actividade e com uma economia invejável, também me fascina.
Qualquer pessoa tem a percepção imediata e intuitiva da distância que vai da paisagem do Douro vinhateiro à paisagem do Tua.
O que digo acima não torna a paisagem do Tua irrelevante, que não é, mas coloca o problema da sua relevância patrimonial num patamar que vale a pena discutir.
Esses processos estão hoje mortos ou moribundos, ao contrário do que se passa no Douro vinhateiro. As pessoas emigraram, os cereais de Inverno desapareceram, o gado raramente se vê, os olivais estão abandonados, os amendoais fugidos e as hortas deixaram de ser fabricadas.
A opção não é pois entre conservar uma paisagem ou fazer uma barragem, mas a escolha entre um processo de evolução comandado pelo abandono ou outro processo de evolução assente numa barragem.
Não tenho posição definida sobre a barragem do Tua, ao contrário da do Sabor, que contesto. Mas gostaria de ver uma discussão séria e profunda sobre a paisagem do Tua, com base na sua história e no que se pode prever que seja o seu futuro, clarificando que valores sociais estão em jogo em cada uma das opções.
Infelizmente o que vejo é a paisagem ser usada como mais um pretexto para marcar a posição de cada um sobre a barragem.
A paisagem merecia bem mais que isso, porque não é um cenário, é um património vivo, constantemente em mutação, que reflecte grande parte da nossa identidade.
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(1) “Do tempo e da paisagem”, Principia, 2010
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sábado, 29 de junho de 2013

Algumas ideias para a Linha do Tua

Dear Sir, Madam,
First of all, accept my apologies for not writing in Portuguese, my knowledge of your language is unfortunately much too weak...
I recently visited the Tua line: It is the only scenic narrow gauge line for which all the infrastructure is basically still in place to allow some kind of railway operation. The other line, the Vouga line, is not as beautiful as far as the scenery is concerned and is still operated by CP. Other lines have been dismantled (Corgo being the last one).
In many other European countries, private volunteer organisations operate scenic trains, so why not in Portugal?
The first step is to make a call for railway enthusiasts to set up an organisation and collect funds. Then you could buy a second hand diesel to operate some trains with selected cars from the ones that are standing in Tua station, following an agreement with the infrastructure owner (REFER).
The second step should be to contact an other European organisation that operates narrow gauge steam engines and have an agreement with them to operate one of their steam engines on the Tua line. HSB (Wernigerode, Germany) is the best to my eyes for that purpose. All steam engines in Portugal are beyond repair and none is in state good enough to be put on steam. So a foreign loco is required.
Interested partners should be:
  • - Mirandela authorithies (the train would attract tourist to Mirandela)
  • - CP (the Tua tourist train would complemente their own Regua-Tua "comboio histórico"
  • - Owners of businesses in Tua station and along the line (The train would attract clients)
  • - "Rabelos" operators on the Douro river (idem).
There is to my knowledge no other scenic tourist (privately) operated train in Portugal. So there may be a "business case" for this project providing that you could drum up enough volunteers and support, both local and foreign.
Hope my suggestion will attract someone's attention.
Kind regards,

Jean-Louis Couvreur.
Belgium.
Lover of the Douro region and of scenic trains.

segunda-feira, 24 de junho de 2013