sábado, 22 de junho de 2013
Mirandela - Tua (1986)
sábado, 8 de junho de 2013
De Brunheda a Foz Tua, pela Linha
Já decorreu algum tempo desde que fiz a última caminhada na Linda do Tua, embora por lá tenha passado por diversas vezes, nalgumas iniciativas. Mas percorrer a linha, focando toda a atenção no vale do Tua, na linha e no rio, é uma experiência que não me canso de repetir.
O desafio partiu de um amigo de longa data, defensor da Linha do Tua e entusiasta da fotografia. Foi alargado a um grupo de pessoas, mas por questões de agenda, de logística ou outras, acabámos por ser apenas 3 a aventurarmo-nos nesta caminhada de cerca de 20 km.
Caminhar foi uma das componentes, porque houve tempo para muita conversa, muita curiosidade sobre aspetos relacionados com a linha e outras estruturas por onde passámos e muitas fotografias, paixão comum aos três caminheiros.
A caminhada teve início junto à estação de Brunheda, ainda bastante cedo. O céu estava muito nublado com algumas abertas, muito pouco convidativo à fotografia, mas há sempre desafios que utilizar a pouca luz existente. Já havia muitos pescadores nas margens do rio.
A primeira curiosidade, já por mim verificada na estação de Abreiro, é a de que alguma tipo de estrutura se tem deslocado sobre os carris. Tivemos alguma atenção e os carris são usados até muito próximo de S, Lourenço. Aí há um desvio há uma rocha na linha, originada numa queda, e o que quer que tenha circulado teve que voltar para trás.
A estação de S. Lourenço foi vandalizada. Já passei várias vezes por lá e estava sempre fechada, mas desta vez estava aberta. Este edifício é de construção recente e nunca despertou a mínima curiosidade. Desta vez entrámos, para ver os estragos. Foram roubados lavatórios, sanitas e portas, pouco mais havia para roubar.
Após S. Lourenço a paisagem é de puro maravilhamento (se é que a palavra existe). Perder-se a ligação com a "civilização", saber que não há hipótese de desistir e que o único caminho é seguir em frente, dá oportunidade de olhar todo o espaço em redor de uma forma única. A companhia do barulho das águas, a agressividade da escarpa rochosa, a beleza natural com que esta época do ano veste cada centímetro de terra onde as raízes se podem fixar.
Para completar esta paisagem poética surge a aldeia do Amieiro. Vista da outra margem, é difícil imaginá-la com ruas estreitas, íngremes, cheia de casas humildes e e de gente idosa. Vista da linha não é mais de que um aglomerado de casas carinhosamente colocados na encosta, tal qual como colocamos a cabana e os pastores no musgo do presépio. É isso que o Amieiro é, um presépio.
O rio percorre um caminho cada vez mais agreste, visível nas escarpas rochosas que limitam e orientam o seu caminho há milhares de anos.
Junto ao Castanheiro paramos para almoçarmos. Uma forte chuvada obrigou-nos a esperar alguns minutos (poucos), antes de descermos à bonita praia de areia branca que está próxima desta estação. Confesso que nunca tinha descido ao rio! Sempre que por ali passei a vontade de continuar foi mais forte do que a de descer ao rio e explorar a bonita praia e o conjunto de azenhas que ali deve ter existido. A companhia e o fato de estarmos sem qualquer necessidade de cumprirmos horários fez com que esta fosse um boa oportunidade de conhecer esta pequena praia.
Pude verificar que o mexilhão que habitualmente apanho rio Sabor também existe no Tua. As conchas bivalves que encontrámos indiciam que são de um tamanho considerável.
Pouco tempo depois chegámos a Tralhariz. A paisagem continua a ser magnífica não fosse o facto de já se avistar na outra margem o aterro retirado das obras da barragem. A magia perdeu-se, nem a doses laranjas roubada, num terreno abandonado têm o mesmo sabor. A atrocidade que estão a fazer com a construção da barragem é de uma crueldade que dói.
Ao quilómetro 3 somos obrigados a abandonar a linha. É perigoso e proibido continuar. A linha já não existe, o rio já não existe. Ambos foram dominados, humilhados, desviados do seu caminho.
Subir até à aldeia de Fiolhal, não é fácil. Apesar de ser uma pessoa habituada a andar e do dia não estar especialmente quente foram precisas algumas paragens para chegarmos perto da aldeia.
Aproveitámos para procurar alguns pontos estratégicos para observar as obras da barragem. O sentimento dominante não era de resignação, mas sim de revolta. É difícil aceitar os argumentos do desenvolvimento, da reserva de água, da beleza que o vale pode vir a ter ou da energia que poderá produzir. Não somos "turistas", esta é a nossa terra, este é um património que nos estão a tirar sem hipótese de vislumbrarmos benefícios, além dos evidente para a EDP.
A destruição já é muita, mas nada que fosse impeditivo de parar definitivamente as obras. Aos defensores da teoria de que agora já não vale a pena parar as obras porque o mal já está feio, só me apetece perguntar: aceitariam casas uma filha com alguém que a violou? O mal já foi feito.
Já tínhamos um carro em Fiolhal, deixado lá às primeiras horas do dia. Gostaríamos de ter continuado pela linha até Foz-Tua, mas não nos restou outra alternativa senão a de descermos pela estrada.
Já em Foz-Tua fomos até à ponte rodoviária sobre o Tua. A paisagem em redor é desoladora. Muitos pescadores enfrentam o perigo e continuam a pescar na zona das obras.
Num restaurante da aldeia constatámos que os benefícios de ter muitos clientes das obras, sobretudo a mão de obra mais qualificada e com salários mais altos, não resulta num encaixe que permita a satisfação. Servir bem, produtos de qualidade, incluir entradas e vinho de marca, e cobrar 6€ por refeição, é caso para dizer, mais valia estar parado.
Chegámos ao fim da nossa viagem satisfeitos. Tivemos pena que não houvesse mais gente para nos acompanhar, mas, se calhar, não podíamos ter feito o percurso como o fizemos.
Estou com esperança que esta não seja a minha última viagem no vale do Tua. Não porque acredite que os responsáveis políticos deste país ganhem juízo, nem os autarcas aqui ao lado o têm (o capital domina a nossa existência), mas porque não aceito despedir-me tão rápido desta paisagem única, uma das maiores riqueza da nossa região.
O desafio partiu de um amigo de longa data, defensor da Linha do Tua e entusiasta da fotografia. Foi alargado a um grupo de pessoas, mas por questões de agenda, de logística ou outras, acabámos por ser apenas 3 a aventurarmo-nos nesta caminhada de cerca de 20 km.
Caminhar foi uma das componentes, porque houve tempo para muita conversa, muita curiosidade sobre aspetos relacionados com a linha e outras estruturas por onde passámos e muitas fotografias, paixão comum aos três caminheiros.
A caminhada teve início junto à estação de Brunheda, ainda bastante cedo. O céu estava muito nublado com algumas abertas, muito pouco convidativo à fotografia, mas há sempre desafios que utilizar a pouca luz existente. Já havia muitos pescadores nas margens do rio.
A primeira curiosidade, já por mim verificada na estação de Abreiro, é a de que alguma tipo de estrutura se tem deslocado sobre os carris. Tivemos alguma atenção e os carris são usados até muito próximo de S, Lourenço. Aí há um desvio há uma rocha na linha, originada numa queda, e o que quer que tenha circulado teve que voltar para trás.
A estação de S. Lourenço foi vandalizada. Já passei várias vezes por lá e estava sempre fechada, mas desta vez estava aberta. Este edifício é de construção recente e nunca despertou a mínima curiosidade. Desta vez entrámos, para ver os estragos. Foram roubados lavatórios, sanitas e portas, pouco mais havia para roubar.
Após S. Lourenço a paisagem é de puro maravilhamento (se é que a palavra existe). Perder-se a ligação com a "civilização", saber que não há hipótese de desistir e que o único caminho é seguir em frente, dá oportunidade de olhar todo o espaço em redor de uma forma única. A companhia do barulho das águas, a agressividade da escarpa rochosa, a beleza natural com que esta época do ano veste cada centímetro de terra onde as raízes se podem fixar.
Para completar esta paisagem poética surge a aldeia do Amieiro. Vista da outra margem, é difícil imaginá-la com ruas estreitas, íngremes, cheia de casas humildes e e de gente idosa. Vista da linha não é mais de que um aglomerado de casas carinhosamente colocados na encosta, tal qual como colocamos a cabana e os pastores no musgo do presépio. É isso que o Amieiro é, um presépio.
O rio percorre um caminho cada vez mais agreste, visível nas escarpas rochosas que limitam e orientam o seu caminho há milhares de anos.
Junto ao Castanheiro paramos para almoçarmos. Uma forte chuvada obrigou-nos a esperar alguns minutos (poucos), antes de descermos à bonita praia de areia branca que está próxima desta estação. Confesso que nunca tinha descido ao rio! Sempre que por ali passei a vontade de continuar foi mais forte do que a de descer ao rio e explorar a bonita praia e o conjunto de azenhas que ali deve ter existido. A companhia e o fato de estarmos sem qualquer necessidade de cumprirmos horários fez com que esta fosse um boa oportunidade de conhecer esta pequena praia.
Pude verificar que o mexilhão que habitualmente apanho rio Sabor também existe no Tua. As conchas bivalves que encontrámos indiciam que são de um tamanho considerável.
Pouco tempo depois chegámos a Tralhariz. A paisagem continua a ser magnífica não fosse o facto de já se avistar na outra margem o aterro retirado das obras da barragem. A magia perdeu-se, nem a doses laranjas roubada, num terreno abandonado têm o mesmo sabor. A atrocidade que estão a fazer com a construção da barragem é de uma crueldade que dói.
Ao quilómetro 3 somos obrigados a abandonar a linha. É perigoso e proibido continuar. A linha já não existe, o rio já não existe. Ambos foram dominados, humilhados, desviados do seu caminho.
Subir até à aldeia de Fiolhal, não é fácil. Apesar de ser uma pessoa habituada a andar e do dia não estar especialmente quente foram precisas algumas paragens para chegarmos perto da aldeia.
Aproveitámos para procurar alguns pontos estratégicos para observar as obras da barragem. O sentimento dominante não era de resignação, mas sim de revolta. É difícil aceitar os argumentos do desenvolvimento, da reserva de água, da beleza que o vale pode vir a ter ou da energia que poderá produzir. Não somos "turistas", esta é a nossa terra, este é um património que nos estão a tirar sem hipótese de vislumbrarmos benefícios, além dos evidente para a EDP.
A destruição já é muita, mas nada que fosse impeditivo de parar definitivamente as obras. Aos defensores da teoria de que agora já não vale a pena parar as obras porque o mal já está feio, só me apetece perguntar: aceitariam casas uma filha com alguém que a violou? O mal já foi feito.
Já tínhamos um carro em Fiolhal, deixado lá às primeiras horas do dia. Gostaríamos de ter continuado pela linha até Foz-Tua, mas não nos restou outra alternativa senão a de descermos pela estrada.
Já em Foz-Tua fomos até à ponte rodoviária sobre o Tua. A paisagem em redor é desoladora. Muitos pescadores enfrentam o perigo e continuam a pescar na zona das obras.
Num restaurante da aldeia constatámos que os benefícios de ter muitos clientes das obras, sobretudo a mão de obra mais qualificada e com salários mais altos, não resulta num encaixe que permita a satisfação. Servir bem, produtos de qualidade, incluir entradas e vinho de marca, e cobrar 6€ por refeição, é caso para dizer, mais valia estar parado.
![]() |
| Esta fotografia já foi tirada há algum tempo atrás |
Estou com esperança que esta não seja a minha última viagem no vale do Tua. Não porque acredite que os responsáveis políticos deste país ganhem juízo, nem os autarcas aqui ao lado o têm (o capital domina a nossa existência), mas porque não aceito despedir-me tão rápido desta paisagem única, uma das maiores riqueza da nossa região.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Deixem viver o Tua
O Movimento Pela Linha do Tua pretende o cancelamento da barragem do Tua, salvando assim o Vale do Tua e evitando o aumento da carga fiscal e da tarifa da electricidade, como está previsto caso a obra se realize.
Tem havido muita polémica acerca deste assunto, e todo o processo tem sido escondido por parte do governo e da EDP.
O site da petição é pelotua.info.tm, e também podes colaborar activamente, saber mais acerca desta fraude e ajudar a revelar esta causa.
Tem havido muita polémica acerca deste assunto, e todo o processo tem sido escondido por parte do governo e da EDP.
O site da petição é pelotua.info.tm, e também podes colaborar activamente, saber mais acerca desta fraude e ajudar a revelar esta causa.
A petição pelo Tua precisa da sua ajuda: http://pelotua.info.tm
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Brunheda - Foz Tua (amanhã)
Fiz, recentemente, uma caminhada pela Linha do Tua organizada pela Associação Cultural e Recreativa de Pombal de Ansiães, entre Castanheiro e S. Lourenço. Chamou-se "Rota das Maias". Ainda não escrevi sobre o assunto, mas já partilhei uma série de fotografias ilustrativas do passeio num álbum no Facebook. Essa caminhada serviu de aperitivo para outra, já lançada em desafio e que se vai realizar amanhã.
Esta Primavera a vontade de voltar à Linha do Tua tem sido muita. Têm-se realizado bastantes eventos, feiras, caminhadas, etc., que têm ocupado o meu tempo livre e o desejo ainda não se tinha concretizado. Assim, é com grande entusiasmo que encaro a caminhada de amanhã, entre Brunheda e Foz-Tua.
Praticamente tenho andado sempre sozinho na Linha. Tenho criado muita intimidade com a paisagem e apreciado toda a beleza que o vale proporciona, em diferentes estações do ano. Desta vez vou caminhar com um pequeno grupo de amigos, ainda não sei quantos, entusiastas da fotografia e penso que também defensores da Linha do Tua. Vamos ver como vai ser possível gerir as passadas, os disparos e as conversas.
O dia de hoje esteve muito instável. Choveu, pouco, muito, torrencialmente, caiu neve e granizo; fez sol e muito frio! Não faço ideia como estará amanhã. A luz é importante para a fotografia mas já fiz caminhadas na Linha do Tua debaixo de chuva que foram baste interessantes em termos fotográficos. A prioridade não é protegermo-nos da chuva, mas proteger o equipamento.
Por isso, amanhã haverá novidades no Blogue. Fotografias "fresquinhas". Até lá, que não me doam muito as pernas.
Esta Primavera a vontade de voltar à Linha do Tua tem sido muita. Têm-se realizado bastantes eventos, feiras, caminhadas, etc., que têm ocupado o meu tempo livre e o desejo ainda não se tinha concretizado. Assim, é com grande entusiasmo que encaro a caminhada de amanhã, entre Brunheda e Foz-Tua.
Praticamente tenho andado sempre sozinho na Linha. Tenho criado muita intimidade com a paisagem e apreciado toda a beleza que o vale proporciona, em diferentes estações do ano. Desta vez vou caminhar com um pequeno grupo de amigos, ainda não sei quantos, entusiastas da fotografia e penso que também defensores da Linha do Tua. Vamos ver como vai ser possível gerir as passadas, os disparos e as conversas.
O dia de hoje esteve muito instável. Choveu, pouco, muito, torrencialmente, caiu neve e granizo; fez sol e muito frio! Não faço ideia como estará amanhã. A luz é importante para a fotografia mas já fiz caminhadas na Linha do Tua debaixo de chuva que foram baste interessantes em termos fotográficos. A prioridade não é protegermo-nos da chuva, mas proteger o equipamento.
Por isso, amanhã haverá novidades no Blogue. Fotografias "fresquinhas". Até lá, que não me doam muito as pernas.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Tua - Parque Natural Regional poderá ser uma realidade, mas não isento de críticas
Os territórios dos concelhos transmontanos de Mirandela, Vila Flor, Alijó, Carrazeda de Ansiães e Murça poderão contar a prazo com um Parque Natural Regional com 25 mil hectares, caso o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) aprove a sua constituição. Um projecto apresentado como contrapartida da construção da barragem de Foz/Tua, contando com um apoio anual de 900 mil euros. Verba gerida pela Agência para o Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT). Para Daniel Conde, do Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT), o Parque «mais não será que uma delimitação geográfica onde se aplicarão os fundos disponibilizados para esta Agência».
O projecto do novo Parque Natural Regional do Tua, proposto pela recentemente criada Agência para o Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT), com sede em Mirandela, insere-se nas contrapartidas do empreendimento hidroeléctrico da EDP em construção no limite dos distritos de Bragança e Vila Real. À agência caberá gerir o fundo que a EDP aprovisionará anualmente com 3% da facturação de energia. O projecto-base para a construção, instalação e gestão, neste momento em avaliação, foi submetido em Dezembro de 2012.
José Silvano, Director Executivo da ADRVT, que gere o novo empreendimento, explica ao Café Portugal, que com a constituição do PNRVT, se pretende «promover, articular e integrar» um conjunto de iniciativas de conservação da natureza e valorização do património cultural, bem como «promover o desenvolvimento social e económico sustentável das comunidades locais», em consonância com os valores naturais e com a valorização dos recursos endógenos da região.
O PNRVT tem por «base uma estratégia de valorização sustentada» e contará com «um plano de acção coerente que permitirá constituir um território vivo e dinâmico dos pontos de vista social e económico, mas também ambientalmente sustentável e albergando as mais importantes representações regionais dos seus habitats e espécies mais característicos».
Neste sentido, José Silvano salienta que irão ser desenvolvidas uma série de acções definidas para os primeiros 12 anos, com um investimento global de 7,7 milhões de euros, e «com as quais se pretende alcançar os objectivos de criação do PNRVT».
Para alcançar a estratégia, José Silvano realça que é fundamental uma «aposta em estreita articulação entre a conservação da natureza e da biodiversidade e o desenvolvimento social e económico, na qual o envolvimento de todos os interessados é um factor essencial».
«Todas as acções foram definidas numa óptica “além-fronteiras”, compatibilizando as características naturais, culturais, patrimoniais e socioeconómicas de todos os municípios que integram a ADRVT (Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor), interligando os seus “pontos-chave” de forma a que todos os concelhos possuam uma “porta de entrada” no PNRVT».
O responsável assume que «é expectável que os primeiros três anos sejam essenciais para colocar o PNRVT a funcionar em pleno».
O Director Executivo da ADRVT considera que o novo parque «constituirá um território amigável e seguro para as populações residentes, e de elevada atractividade para agentes económicos com interesses na exploração sustentável e na valorização de recursos naturais».
E acrescenta que, «neste contexto, o PNRVT pretende ainda atrair visitantes de diversos segmentos turísticos».
A criação e projecção da «marca Tua» que pressupõe o desenvolvimento de uma identidade para o PNRVT é outro dos objectivos. Algo que, de acordo com José Silvano, «pretende criar condições para a promoção dos produtos endógenos, protegendo-os, através da certificação, e impulsionando a sua produção, de forma a alavancar o desenvolvimento socioeconómico da região e definição e infra-estruturação de rotas temáticas para o PNRVT».
Com isto, está também prevista a criação de trilhos e percursos temáticos, «que interliguem toda a área do PNRVT» e que «permitam criar condições para que o visitante desfrute da oferta que o PNRVT tem para oferecer». Assim, «serão definidos em cada município, espaços de conexão entre as rotas temáticas, que funcionarão igualmente como “portas de entrada” para o PNRVT».
O fundo EDP:
A ADRVT foi criada como contrapartida pelo empreendimento hidroeléctrico em construção no limite dos distritos de Bragança e Vila Real. José Silvano explica que a par disso, o projecto resulta sobretudo da «vontade dos cinco municípios do Vale do Tua de se associar em torno de um projecto de desenvolvimento económico e social comum».
Por outro lado, adianta que «há um conjunto de iniciativas negociadas que pretendem contrariar a tendência de desertificação a que se assiste no território, «criando condições para o estabelecimento de actividades económicas e criação de emprego».
E dá exemplos: «as albufeiras criadas pelas barragens têm-se revelado importantes para o desenvolvimento das actividades de turismo, lazer e desporto. Existem muitos exemplos em Portugal que comprovam que o aparecimento das albufeiras potenciou o desenvolvimento do turismo e dos desportos náuticos como são o caso de Caniçada (Vieira do Minho), toda a cascata Douro Nacional navegável, Miranda, Castelo de Bode e Alqueva, entre outras».
Por outro lado, José Silvano afirma que pretende-se igualmente recuperar parte da linha histórica de comboio do Tua com o «objectivo central do seu aproveitamento turístico. Combina três modos de transporte distintos: o comboio entre Mirandela e Brunheda (numa extensão de 39,2 quilómetros), barcos de passeio entre Brunheda e a Barragem (percurso de 19,1 quilómetros) e ainda um veículo eléctrico sobre carris e um funicular panorâmico, que vencem a cota da barragem, entre a Barragem e Foz Tua (cerca de 4 quilómetros)».
Recorde-se que o estatuto de parque natural é atribuído pelo ICNF quando o mesmo reúne condições de diversidade de ecossistemas pouco alterados pelo Homem e pela diversidade de fauna e flora que possui, como se pode ler na Rede Nacional de Áreas Protegidas no ICNF.
Novo parque suscita críticas:
Daniel Conde, do MCLT, considera que «é necessária uma boa dose de imaginação para conceber que tal área se enquadre futuramente nos parâmetros de um “Parque Natural”».
E explica porquê: «é curioso pensarmos que o vale do Tua ficou arredado da Rede Natura 2000, quando reunia todas as condições para a integrar, e quando já havia muitos anos em que a EDP detinha uma licença prévia para o explorar».
«O vale do Tua as it is esse sim tem condições para a criação de um verdadeiro Parque Natural, e a atestar isso mesmo existem várias citações tanto no Estudo de Impacte Ambiental, como no Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução da barragem do Tua…», recorda.
O responsável afirma que «o dito “Parque” mais não será que uma delimitação geográfica onde se aplicarão os fundos disponibilizados para esta Agência. Como tal, foi uma decisão nem boa nem má, depende apenas da justeza com que pensarmos que uma vez que a zona mais afectada directamente será esta, então será aí que os fundos de “contrapartida” deverão ser forçosamente aplicados».
Para Daniel Conde, esta contrapartida «resulta da pouca ou nenhuma resistência local ao projecto hidroeléctrico, e à mediatização dada ao mesmo. A primeira- e talvez única - vez em que ouvi um coro de protestos dos autarcas do vale do Tua face ao processo da barragem do Tua foi quando se anunciou que os 3% da produção desta barragem iriam para o ICNB, contrariando de resto a regra em empreendimentos deste tipo. Diz muito sobre o quanto se dominava então - e se continua a dominar - todo este processo nas autarquias locais», alerta.
Para a EDP, sublinha o responsável, «seria tão gravoso financeiramente dirigir esses 3% para o ICNB como para a região, e distribuí-los por cinco autarquias, funcionaria de forma mais eficaz – não necessariamente eficiente – criando um organismo supra municipal».
Daniel Conde garante que esta «é apenas uma forma de distribuir de forma mais controlada os fundos advindos da construção da barragem do Tua, já que é composta por todas as autarquias do Vale do Tua».
O dirigente do MCLT realça que o que seria importante para o território «fazer tudo isso e não construir a barragem do Tua; aliás, tudo isso tem sido feito sem a barragem do Tua, e era também importante que isso ficasse bem claro, antes que se cimente - ou “betonize”, já agora - a ideia de que sem a divina providência da EDP e da sua Fundação nada mexeria em Trás-os-Montes e Alto Douro».
Quanto às perspectivas turísticas anunciadas pela ADRVT, Daniel Conde lembra «alguém há uns seis anos atrás que vaticinava que o Tua seria o próximo Alqueva trasmontano. Observando agora o fiasco do Turismo no Alqueva, espero que essa previsão falhe; mas tem tudo para estar redondamente acertada».
O responsável mantém ainda as críticas no que respeita aos impactos ambientais do projecto: «a albufeira do Tua terá tudo o que é necessário para que as suas águas sofram de eutrofização, o que significa que ficará invadida por cianobactérias na forma de algas, tóxicas e de cheiro nauseabundo; para além disso, como a barragem será de bombagem reversível, as suas margens sofrerão mudanças contínuas de cota, deixando a descoberto um lodaçal sem fim; para terminar, esta massa de água trará alterações significativas no micro clima local, prolongando por exemplo os períodos de tempo e agravando a intensidade dos nevoeiros».
«Em suma, um local privilegiado para o Turismo», ironiza, recordando que o «chavão» a que agora chamam de «turismo no vale do Tua graças à barragem é um maravilhoso fait divers, ou um belo exercício de demagogia sem graça. Prometer emprego e empreendedorismo é um cartaz muito em voga actualmente».
Quanto à mobilidade, Daniel Conde considera que «estamos na presença de novo exercício demagogia de gosto muito duvidoso». E relembra que «o caderno de encargos da barragem do Tua estipulava que todas as vias de comunicação destruídas deveriam ser repostas com a mesma valência. Depois disso, o Estudo de Impacte Ambiental sancionava que a zona envolvente não era propícia ao transporte público rodoviário; a somar-se a isto, todas as evidências já mencionadas a respeito da atractividade da albufeira para a sua navegabilidade – turística ou não».
Para o responsável, tudo isto culminou na «perda da ligação da Linha do Tua à do Douro, porque a EDP considerou extemporânea e unilateralmente que seria muito caro construir uma variável ferroviária à Linha do Tua, e o advento do muito badalado ‘Plano de Mobilidade do Vale do Tua’. Este "Plano”, como também já tive oportunidade de afirmar noutras ocasiões, só imporá a quem vier da Linha do Douro e queira ir para Mirandela algo como meia dúzia de transbordos, e meio quilómetro a andar a pé faça chuva faça sol, com muita ou pouca bagagem».
Por fim, e sobre os avisos da UNESCO em relação à construção da barragem e que pode colocar em causa o título do Douro Património da Humanidade, Daniel Conde recorda que em Junho de 2009 a UNESCO desclassificou o sítio Património da Humanidade Vale do Elba, na Alemanha, «no que foi o culminar de um processo que levou apenas três anos a ser concluído. Motivo para a desclassificação: a construção de uma ponte».
Ana Clara | quarta-feira, 10 de Abril de 2013
Fonte do texto: Café Portugal
O projecto do novo Parque Natural Regional do Tua, proposto pela recentemente criada Agência para o Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT), com sede em Mirandela, insere-se nas contrapartidas do empreendimento hidroeléctrico da EDP em construção no limite dos distritos de Bragança e Vila Real. À agência caberá gerir o fundo que a EDP aprovisionará anualmente com 3% da facturação de energia. O projecto-base para a construção, instalação e gestão, neste momento em avaliação, foi submetido em Dezembro de 2012.
José Silvano, Director Executivo da ADRVT, que gere o novo empreendimento, explica ao Café Portugal, que com a constituição do PNRVT, se pretende «promover, articular e integrar» um conjunto de iniciativas de conservação da natureza e valorização do património cultural, bem como «promover o desenvolvimento social e económico sustentável das comunidades locais», em consonância com os valores naturais e com a valorização dos recursos endógenos da região.
O PNRVT tem por «base uma estratégia de valorização sustentada» e contará com «um plano de acção coerente que permitirá constituir um território vivo e dinâmico dos pontos de vista social e económico, mas também ambientalmente sustentável e albergando as mais importantes representações regionais dos seus habitats e espécies mais característicos».
Neste sentido, José Silvano salienta que irão ser desenvolvidas uma série de acções definidas para os primeiros 12 anos, com um investimento global de 7,7 milhões de euros, e «com as quais se pretende alcançar os objectivos de criação do PNRVT».
Para alcançar a estratégia, José Silvano realça que é fundamental uma «aposta em estreita articulação entre a conservação da natureza e da biodiversidade e o desenvolvimento social e económico, na qual o envolvimento de todos os interessados é um factor essencial».
«Todas as acções foram definidas numa óptica “além-fronteiras”, compatibilizando as características naturais, culturais, patrimoniais e socioeconómicas de todos os municípios que integram a ADRVT (Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor), interligando os seus “pontos-chave” de forma a que todos os concelhos possuam uma “porta de entrada” no PNRVT».
O responsável assume que «é expectável que os primeiros três anos sejam essenciais para colocar o PNRVT a funcionar em pleno».
O Director Executivo da ADRVT considera que o novo parque «constituirá um território amigável e seguro para as populações residentes, e de elevada atractividade para agentes económicos com interesses na exploração sustentável e na valorização de recursos naturais».
E acrescenta que, «neste contexto, o PNRVT pretende ainda atrair visitantes de diversos segmentos turísticos».
A criação e projecção da «marca Tua» que pressupõe o desenvolvimento de uma identidade para o PNRVT é outro dos objectivos. Algo que, de acordo com José Silvano, «pretende criar condições para a promoção dos produtos endógenos, protegendo-os, através da certificação, e impulsionando a sua produção, de forma a alavancar o desenvolvimento socioeconómico da região e definição e infra-estruturação de rotas temáticas para o PNRVT».
Com isto, está também prevista a criação de trilhos e percursos temáticos, «que interliguem toda a área do PNRVT» e que «permitam criar condições para que o visitante desfrute da oferta que o PNRVT tem para oferecer». Assim, «serão definidos em cada município, espaços de conexão entre as rotas temáticas, que funcionarão igualmente como “portas de entrada” para o PNRVT».
O fundo EDP:
A ADRVT foi criada como contrapartida pelo empreendimento hidroeléctrico em construção no limite dos distritos de Bragança e Vila Real. José Silvano explica que a par disso, o projecto resulta sobretudo da «vontade dos cinco municípios do Vale do Tua de se associar em torno de um projecto de desenvolvimento económico e social comum».
Por outro lado, adianta que «há um conjunto de iniciativas negociadas que pretendem contrariar a tendência de desertificação a que se assiste no território, «criando condições para o estabelecimento de actividades económicas e criação de emprego».
E dá exemplos: «as albufeiras criadas pelas barragens têm-se revelado importantes para o desenvolvimento das actividades de turismo, lazer e desporto. Existem muitos exemplos em Portugal que comprovam que o aparecimento das albufeiras potenciou o desenvolvimento do turismo e dos desportos náuticos como são o caso de Caniçada (Vieira do Minho), toda a cascata Douro Nacional navegável, Miranda, Castelo de Bode e Alqueva, entre outras».
Por outro lado, José Silvano afirma que pretende-se igualmente recuperar parte da linha histórica de comboio do Tua com o «objectivo central do seu aproveitamento turístico. Combina três modos de transporte distintos: o comboio entre Mirandela e Brunheda (numa extensão de 39,2 quilómetros), barcos de passeio entre Brunheda e a Barragem (percurso de 19,1 quilómetros) e ainda um veículo eléctrico sobre carris e um funicular panorâmico, que vencem a cota da barragem, entre a Barragem e Foz Tua (cerca de 4 quilómetros)».
Recorde-se que o estatuto de parque natural é atribuído pelo ICNF quando o mesmo reúne condições de diversidade de ecossistemas pouco alterados pelo Homem e pela diversidade de fauna e flora que possui, como se pode ler na Rede Nacional de Áreas Protegidas no ICNF.
Novo parque suscita críticas:
Daniel Conde, do MCLT, considera que «é necessária uma boa dose de imaginação para conceber que tal área se enquadre futuramente nos parâmetros de um “Parque Natural”».
E explica porquê: «é curioso pensarmos que o vale do Tua ficou arredado da Rede Natura 2000, quando reunia todas as condições para a integrar, e quando já havia muitos anos em que a EDP detinha uma licença prévia para o explorar».
«O vale do Tua as it is esse sim tem condições para a criação de um verdadeiro Parque Natural, e a atestar isso mesmo existem várias citações tanto no Estudo de Impacte Ambiental, como no Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução da barragem do Tua…», recorda.
O responsável afirma que «o dito “Parque” mais não será que uma delimitação geográfica onde se aplicarão os fundos disponibilizados para esta Agência. Como tal, foi uma decisão nem boa nem má, depende apenas da justeza com que pensarmos que uma vez que a zona mais afectada directamente será esta, então será aí que os fundos de “contrapartida” deverão ser forçosamente aplicados».
Para Daniel Conde, esta contrapartida «resulta da pouca ou nenhuma resistência local ao projecto hidroeléctrico, e à mediatização dada ao mesmo. A primeira- e talvez única - vez em que ouvi um coro de protestos dos autarcas do vale do Tua face ao processo da barragem do Tua foi quando se anunciou que os 3% da produção desta barragem iriam para o ICNB, contrariando de resto a regra em empreendimentos deste tipo. Diz muito sobre o quanto se dominava então - e se continua a dominar - todo este processo nas autarquias locais», alerta.
Para a EDP, sublinha o responsável, «seria tão gravoso financeiramente dirigir esses 3% para o ICNB como para a região, e distribuí-los por cinco autarquias, funcionaria de forma mais eficaz – não necessariamente eficiente – criando um organismo supra municipal».
Daniel Conde garante que esta «é apenas uma forma de distribuir de forma mais controlada os fundos advindos da construção da barragem do Tua, já que é composta por todas as autarquias do Vale do Tua».
O dirigente do MCLT realça que o que seria importante para o território «fazer tudo isso e não construir a barragem do Tua; aliás, tudo isso tem sido feito sem a barragem do Tua, e era também importante que isso ficasse bem claro, antes que se cimente - ou “betonize”, já agora - a ideia de que sem a divina providência da EDP e da sua Fundação nada mexeria em Trás-os-Montes e Alto Douro».
Quanto às perspectivas turísticas anunciadas pela ADRVT, Daniel Conde lembra «alguém há uns seis anos atrás que vaticinava que o Tua seria o próximo Alqueva trasmontano. Observando agora o fiasco do Turismo no Alqueva, espero que essa previsão falhe; mas tem tudo para estar redondamente acertada».
O responsável mantém ainda as críticas no que respeita aos impactos ambientais do projecto: «a albufeira do Tua terá tudo o que é necessário para que as suas águas sofram de eutrofização, o que significa que ficará invadida por cianobactérias na forma de algas, tóxicas e de cheiro nauseabundo; para além disso, como a barragem será de bombagem reversível, as suas margens sofrerão mudanças contínuas de cota, deixando a descoberto um lodaçal sem fim; para terminar, esta massa de água trará alterações significativas no micro clima local, prolongando por exemplo os períodos de tempo e agravando a intensidade dos nevoeiros».
«Em suma, um local privilegiado para o Turismo», ironiza, recordando que o «chavão» a que agora chamam de «turismo no vale do Tua graças à barragem é um maravilhoso fait divers, ou um belo exercício de demagogia sem graça. Prometer emprego e empreendedorismo é um cartaz muito em voga actualmente».
Quanto à mobilidade, Daniel Conde considera que «estamos na presença de novo exercício demagogia de gosto muito duvidoso». E relembra que «o caderno de encargos da barragem do Tua estipulava que todas as vias de comunicação destruídas deveriam ser repostas com a mesma valência. Depois disso, o Estudo de Impacte Ambiental sancionava que a zona envolvente não era propícia ao transporte público rodoviário; a somar-se a isto, todas as evidências já mencionadas a respeito da atractividade da albufeira para a sua navegabilidade – turística ou não».
Para o responsável, tudo isto culminou na «perda da ligação da Linha do Tua à do Douro, porque a EDP considerou extemporânea e unilateralmente que seria muito caro construir uma variável ferroviária à Linha do Tua, e o advento do muito badalado ‘Plano de Mobilidade do Vale do Tua’. Este "Plano”, como também já tive oportunidade de afirmar noutras ocasiões, só imporá a quem vier da Linha do Douro e queira ir para Mirandela algo como meia dúzia de transbordos, e meio quilómetro a andar a pé faça chuva faça sol, com muita ou pouca bagagem».
Por fim, e sobre os avisos da UNESCO em relação à construção da barragem e que pode colocar em causa o título do Douro Património da Humanidade, Daniel Conde recorda que em Junho de 2009 a UNESCO desclassificou o sítio Património da Humanidade Vale do Elba, na Alemanha, «no que foi o culminar de um processo que levou apenas três anos a ser concluído. Motivo para a desclassificação: a construção de uma ponte».
Ana Clara | quarta-feira, 10 de Abril de 2013
Fonte do texto: Café Portugal
sábado, 16 de março de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
Percursos pedestres na Linha do Tua
![]() |
| Perto do apeadeiro de Castanheiro |
Uma das perguntas mais frequentes prende-se com os transportes, de forma a puder voltar ao ponto de partida. Estamos a falar de um percurso único, talhado na rocha, com acessos muitos difíceis ou impossíveis ao longo de muitos quilómetros (à exceção da própria linha).
Como voltar ao local de início da caminha, onde ficou o carro?
Ou se utilizam dois automóveis, colocando um no final da caminhada, seguindo noutro para o início, ou se aproveita o serviço de táxis ainda em funcionamento, em substituição da automotora da linha do Tua, ou se tem que chamar um táxi exclusivo (o que pode ficar bastante caro). Esqueçam os autocarros, levaria mais um dia a voltar ao local de partida, nos poucos pontos onde isso é possível. Não há transportes alternativos, por isso é que alinha é importante.
Partindo de Foz Tua
Não é aconselhável partir de Foz Tua, mas sim da aldeia de Fiolhal.
Não há transporte até ao Fiolhal e o táxi que faz o serviço da linha também não passa lá, porque segue outro trajeto (por Ribalonga). Alternativas: seguir pela estrada de Foz Tua a Fiolhal (trajeto difícil, longo e que acarreta grande perda de tempo), ou se arranja uma boleia (seria a melhor opção) ou se aluga um táxi (não são muitos quilómetros, o declive é que é acentuado).
Há um caminho bastante circulado que liga a aldeia do Fiolhal à linha do Tua, começando a caminhada ao longo da linha exatamente ao quilómetro 3. Não é possível fazer de outra forma porque a linha é está intransitável no local das obras (embora ainda não tenha sido aplicado nenhum betão).
Sobre este trajeto já escrevi há algum tempo atrás, aqui.
Táxi
O serviços de táxi faz o circuito Foz Tua - Cachão e vice-versa. Não cobra bilhetes, porque o bilhete é comprado no local de embarque, diretamente para o destino. Quem compra, por exemplo, um bilhete Porto-Mirandela, já está a pagar o trajeto que é feito pelo táxi. Quem inicia o percurso em Foz Tua, ou ao longo da Linha do Tua até Cachão não tem hipótese de comparar bilhete, pelo que, viaja literalmente de borla(!). Já no trajeto descendente, iniciando a viagem no metro de Mirandela, deve comprar bilhete, na estação de Mirandela (e este já vai incluir o táxi).
![]() |
| Túnel de Tralhariz |
Onde se apanha o Táxi?
O táxi apenas tem paragens em Foz Tua, Pombal (na aldeia), Brunheda (junto ao caminho de acesso à estação), Abreiro (na estrada nacional, junto ao caminho da estação) e no Cachão (mesmo na estação). Quer em Brunheda, quer em Abreiro, quem estiver na estação corre o risco de ficar em terra, pois não vê passar o táxi (é uma carrinha de 9 lugares).
Qual a zona mais bonita?
Quando me pedem a opinião sobre o troço mais interessante, ou mais fácil, etc. a minha resposta nunca é simples: gostos não se discutem e, na minha opinião, muita coisa depende da estação do ano. Uma vez que são os primeiros 16 km da linha que vão ficar submersos, parece-me lógico que haja prioridade em percorrer esses quilómetros. Os restantes poderão ser percorridos mais tarde.
![]() |
| Próximo da estação de Abreiro |
Subir ou descer?
Na minha ideia o percurso descendente ou ascendente depende de vários fatores: disponibilidade dos transportes e conjugação com o serviço de táxi; hora do dia, uma vez que influencia a posição do sol e, obviamente as fotografias. Caminhando para jusante vai-se em direção ao sol.
Há outro fator interessante: se a caminhada for mais longa, os quilómetros iniciais são sempre muito mais apreciados do que os finais, quando o cansaço já marca presença ou até estamos a "lutar contra o relógio".
Há locais difíceis ou perigosos?
Quanto aos túneis, fazem-se bem sem lanterna. Também não há pontes altas, mas depende da sensibilidade. O local mais assustador seria ao quilómetro 1,4 (viaduto das Presas), mas é onde não se pode passar. O maior perigo é mesmo o de caminhar sobre a gravilha, que pode maçar os pés ou causar alguma entorse. Atenção que as travessas molhadas tornam-se muito escorregadias.
Espero ter respondido à maior parte das questões.
Não se esqueçam de me enviar algumas fotografias e dois ou três parágrafos sobre a aventura.
Horário dos Táxis e do Metro de Mirandela
terça-feira, 5 de março de 2013
Rio Tua
Aspeto da paisagem junto à Linha do Tua, onde outrora existiu o apeadeiro de Latadas, entre Frechas e Mirandela.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
domingo, 7 de outubro de 2012
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Linha do Tua: transportes alternativos garantidos apenas até ao final do mês
As populações da linha do Tua têm transportes alternativos ao comboio assegurados apenas até ao final do mês, desconhecendo-se ainda a solução do Governo para a continuidade do serviço, disse nesta quarta-feira o presidente da Câmara de Mirandela, António Branco.
O autarca social-democrata é também presidente da empresa Metro de Mirandela, que tem como principal accionista o município, e que assegurava o transporte ferroviário suspenso desde 2008 na linha do Tua, assumindo depois o transporte rodoviário alternativo em troca da mesma compensação financeira de 250 mil euros.
A 1 de Julho, os táxis alternativos ao comboio pararam, deixando as populações sem transportes durante mais de uma semana até que o Governo autorizou uma solução provisória que termina no final do mês, sem que ainda seja conhecida a prometida solução definitiva para assegurar o serviço.
O presidente da Câmara de Mirandela afirmou hoje à Lusa que contactou, no início de Setembro, a Secretaria de Estado dos Transportes, mas ainda não lhe foi comunicada qualquer decisão.
“Foi-me dito que já existiria uma proposta de portaria para o enquadramento do serviço que estava a ser analisada”, afirmou.
O autarca sublinhou que continua à espera da prometida solução definitiva, assim como da formalização do acordo que permitiu a continuidade dos transportes de forma provisória desde 11 de Julho.
Segundo disse, a Metro de Mirandela “ainda não recebeu um tostão” pelo serviço que decidiu assumir, mesmo sem contrato firmado, acreditando “na palavra da CP”, para não privar a maioria dos habitantes do vale do Tua do único transporte público.
Durante os três meses apontados para esta medida provisória devia ter sido estudada a solução que vigorará até ao plano de mobilidade previsto nas contrapartidas da barragem de Foz Tua, que submergirá parte da linha de caminho-de-ferro.
O plano só estará pronto dentro de quatro anos, junto com a conclusão da hidroeléctrica que foi adiada um ano devido ao abrandamento das obras imposto pela UNESCO, enquanto analisa os impactos no Douro Património da Humanidade.
Em Março de 2011 os cinco autarcas da zona, que integram a Agência para o Desenvolvimento do Vale do Tua, a EDP, a Refer, a CP, o Instituto de Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT) e a Câmara de Mirandela, accionista maioritária do Metro, assinaram um protocolo em que a CP se compromete a manter o acordo com o Metro para assegurar os transportes alternativos até à conclusão do novo plano de mobilidade.
A 1 de Julho, os táxis alternativos ao comboio pararam sem aviso às populações. A CP colocou apenas na página da Internet dois parágrafos com a informação sobre a supressão do serviço naquela data. A medida gerou a contestação dos autarcas locais, que ameaçaram rever a posição favorável à construção da barragem se os transportes não fossem repostos, independentemente de ser “a EDP, a CP ou o Governo” a assumir o financiamento.
12.09.2012 - 17:20 Por Lusa
Fonte: Público
O autarca social-democrata é também presidente da empresa Metro de Mirandela, que tem como principal accionista o município, e que assegurava o transporte ferroviário suspenso desde 2008 na linha do Tua, assumindo depois o transporte rodoviário alternativo em troca da mesma compensação financeira de 250 mil euros.
A 1 de Julho, os táxis alternativos ao comboio pararam, deixando as populações sem transportes durante mais de uma semana até que o Governo autorizou uma solução provisória que termina no final do mês, sem que ainda seja conhecida a prometida solução definitiva para assegurar o serviço.
O presidente da Câmara de Mirandela afirmou hoje à Lusa que contactou, no início de Setembro, a Secretaria de Estado dos Transportes, mas ainda não lhe foi comunicada qualquer decisão.
“Foi-me dito que já existiria uma proposta de portaria para o enquadramento do serviço que estava a ser analisada”, afirmou.
O autarca sublinhou que continua à espera da prometida solução definitiva, assim como da formalização do acordo que permitiu a continuidade dos transportes de forma provisória desde 11 de Julho.
Segundo disse, a Metro de Mirandela “ainda não recebeu um tostão” pelo serviço que decidiu assumir, mesmo sem contrato firmado, acreditando “na palavra da CP”, para não privar a maioria dos habitantes do vale do Tua do único transporte público.
Durante os três meses apontados para esta medida provisória devia ter sido estudada a solução que vigorará até ao plano de mobilidade previsto nas contrapartidas da barragem de Foz Tua, que submergirá parte da linha de caminho-de-ferro.
O plano só estará pronto dentro de quatro anos, junto com a conclusão da hidroeléctrica que foi adiada um ano devido ao abrandamento das obras imposto pela UNESCO, enquanto analisa os impactos no Douro Património da Humanidade.
Em Março de 2011 os cinco autarcas da zona, que integram a Agência para o Desenvolvimento do Vale do Tua, a EDP, a Refer, a CP, o Instituto de Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT) e a Câmara de Mirandela, accionista maioritária do Metro, assinaram um protocolo em que a CP se compromete a manter o acordo com o Metro para assegurar os transportes alternativos até à conclusão do novo plano de mobilidade.
A 1 de Julho, os táxis alternativos ao comboio pararam sem aviso às populações. A CP colocou apenas na página da Internet dois parágrafos com a informação sobre a supressão do serviço naquela data. A medida gerou a contestação dos autarcas locais, que ameaçaram rever a posição favorável à construção da barragem se os transportes não fossem repostos, independentemente de ser “a EDP, a CP ou o Governo” a assumir o financiamento.
12.09.2012 - 17:20 Por Lusa
Fonte: Público
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Governo dá incentivo de 33 milhões para construção da barragem do Tua
Portaria foi assinada dias depois da deslocação ao Douro da missão de inspecção do Comité do Património Mundial. Ambientalistas alertam a UNESCO de que está a ser enganada pelas autoridades
Uma carta anteontem remetida ao Comité do Património Mundial da UNESCO chama a atenção para os incentivos financeiros agora aprovados pelo executivo de Passos Coelho para a construção da barragem do Tua, concluindo que aquele organismo está a ser enganado pelo Governo português. A iniciativa partiu do consórcio de associações que têm contestado o empreendimento e o documento é assinado pelo presidente da associação ambientalista Geota, João Joanaz de Melo.
Apesar de Portugal se ter comprometido a abrandar as obras e a aguardar pelo relatório dos peritos que, nos primeiros dias do mês, estiveram no Douro numa missão de avaliação dos impactos da obra sobre a classificação do Alto Douro Vinhateiro, dias depois foi aprovado "o montante anual do incentivo ao investimento" na construção de novas barragens, que, para o caso do Tua, prevê um total que ultrapassa os 33 milhões de euros, a ser pago ao longo de dez anos.
A missão da UNESCO terminou a visita ao Douro a 3 de Agosto e a portaria foi assinada três dias depois pelo secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, e esta segunda-feira publicada em Diário da República.
"As implicações desta decisão e o seu timing são claros e cristalinos: a EDP e o Governo português têm andado a enganar a UNESCO ao longo de todo este tempo sem se importar minimamente com as conclusões do relatório da missão", alerta a carta. No documento, o Governo e a EDP são ainda acusados de prosseguir "uma estratégia de facto consumado", pondo em causa o respeito pelos protocolos e a credibilidade das decisões da UNESCO.
Para os ambientalistas, além de constituir "uma benesse injustificada" para a EDP, a aprovação dos incentivos é também a prova de que o Estado português não está a respeitar o compromisso de aguardar pelo relatório da missão para depois decidir o futuro da barragem.
Obras a toda a força
Além da denúncia dos incentivos à construção, os ambientalistas remeteram também várias fotografias e documentos, procurando demonstrar que, "ao contrário daquilo que tem sido divulgado pelo Governo", as obras estão a decorrer "a toda a força". "Estão lá agora mais máquinas que há três meses", diz Joanaz de Melo, assegurando que têm recolhido fotografias diariamente. E deixa até o desafio ao Governo para que divulgue "o registo do número de máquinas e de trabalhadores na obra ao longo das últimas semanas".
Quanto aos incentivos agora aprovados pelo Governo, dizem respeito ao conjunto de todas as novas barragens ou obras para o aumento de potência nas já existentes. Tal como foi anteontem noticiado pelo PÚBLICO, o Governo anunciou que aqueles montantes representam até uma poupança substancial face ao que estava previsto no programa inicial negociado pelo anterior executivo liderado por José Sócrates com a EDP, Endesa e Iberdrola.
Diferente é a perspectiva dos ambientalistas, para quem estes apoios não passam de uma "benesse injustificada" para as empresas. Além disso, contrariam não só o próprio programa do Governo, como também as orientações comunitárias e o memorando com a troika, "que propõem medidas de eficiência energética e contrárias ao incentivo ao consumo", frisa Joanaz de Melo.
O responsável do Geota diz mesmo que o incentivo à construção de barragens "é um erro crasso em termos de política energética", já que Portugal tem actualmente excesso de capacidade instalada. Representa também uma "extorsão aos portugueses", já que nada justifica os montantes que vão ser atribuídos às empresas do sector eléctrico.
Por José Augusto Moreira in Público
Uma carta anteontem remetida ao Comité do Património Mundial da UNESCO chama a atenção para os incentivos financeiros agora aprovados pelo executivo de Passos Coelho para a construção da barragem do Tua, concluindo que aquele organismo está a ser enganado pelo Governo português. A iniciativa partiu do consórcio de associações que têm contestado o empreendimento e o documento é assinado pelo presidente da associação ambientalista Geota, João Joanaz de Melo.
Apesar de Portugal se ter comprometido a abrandar as obras e a aguardar pelo relatório dos peritos que, nos primeiros dias do mês, estiveram no Douro numa missão de avaliação dos impactos da obra sobre a classificação do Alto Douro Vinhateiro, dias depois foi aprovado "o montante anual do incentivo ao investimento" na construção de novas barragens, que, para o caso do Tua, prevê um total que ultrapassa os 33 milhões de euros, a ser pago ao longo de dez anos.
A missão da UNESCO terminou a visita ao Douro a 3 de Agosto e a portaria foi assinada três dias depois pelo secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, e esta segunda-feira publicada em Diário da República.
"As implicações desta decisão e o seu timing são claros e cristalinos: a EDP e o Governo português têm andado a enganar a UNESCO ao longo de todo este tempo sem se importar minimamente com as conclusões do relatório da missão", alerta a carta. No documento, o Governo e a EDP são ainda acusados de prosseguir "uma estratégia de facto consumado", pondo em causa o respeito pelos protocolos e a credibilidade das decisões da UNESCO.
Para os ambientalistas, além de constituir "uma benesse injustificada" para a EDP, a aprovação dos incentivos é também a prova de que o Estado português não está a respeitar o compromisso de aguardar pelo relatório da missão para depois decidir o futuro da barragem.
Obras a toda a força
Além da denúncia dos incentivos à construção, os ambientalistas remeteram também várias fotografias e documentos, procurando demonstrar que, "ao contrário daquilo que tem sido divulgado pelo Governo", as obras estão a decorrer "a toda a força". "Estão lá agora mais máquinas que há três meses", diz Joanaz de Melo, assegurando que têm recolhido fotografias diariamente. E deixa até o desafio ao Governo para que divulgue "o registo do número de máquinas e de trabalhadores na obra ao longo das últimas semanas".
Quanto aos incentivos agora aprovados pelo Governo, dizem respeito ao conjunto de todas as novas barragens ou obras para o aumento de potência nas já existentes. Tal como foi anteontem noticiado pelo PÚBLICO, o Governo anunciou que aqueles montantes representam até uma poupança substancial face ao que estava previsto no programa inicial negociado pelo anterior executivo liderado por José Sócrates com a EDP, Endesa e Iberdrola.
Diferente é a perspectiva dos ambientalistas, para quem estes apoios não passam de uma "benesse injustificada" para as empresas. Além disso, contrariam não só o próprio programa do Governo, como também as orientações comunitárias e o memorando com a troika, "que propõem medidas de eficiência energética e contrárias ao incentivo ao consumo", frisa Joanaz de Melo.
O responsável do Geota diz mesmo que o incentivo à construção de barragens "é um erro crasso em termos de política energética", já que Portugal tem actualmente excesso de capacidade instalada. Representa também uma "extorsão aos portugueses", já que nada justifica os montantes que vão ser atribuídos às empresas do sector eléctrico.
Por José Augusto Moreira in Público
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Horários dos taxis
O serviço de táxis na Linha do Tua foi suspenso em julho e retomado poucos dias depois. A CP continua a disponibilizar os horários, curiosamente com a representação da ligação ao TGV em Puebla de Sanábria(!).
Em caso de dúvida há sempre a possibilidade de recorrer ao Posto de Turismo de Mirandela, embora a Linha do Tua lhe passe um pouco ao lado.
Rua D.Afonso III (junto ao edifício da Estação da CP)
5370 Mirandela
e-mail: postodeturismo@cm-mirandela.pt
Telefone (Número Verde): 800 300 278
Telefone (acesso a partir do estrangeiro): +351 278 203 143
Horário Anual de funcionamento:
Inverno
Segunda a sexta - 09H00 às 17H30
Fins de semana e feriados- 10H00 às 16H00
Verão
Segunda a domingo - 10H00 às 16H00
Horários em PDF
Em caso de dúvida há sempre a possibilidade de recorrer ao Posto de Turismo de Mirandela, embora a Linha do Tua lhe passe um pouco ao lado.
Rua D.Afonso III (junto ao edifício da Estação da CP)
5370 Mirandela
e-mail: postodeturismo@cm-mirandela.pt
Telefone (Número Verde): 800 300 278
Telefone (acesso a partir do estrangeiro): +351 278 203 143
Horário Anual de funcionamento:
Inverno
Segunda a sexta - 09H00 às 17H30
Fins de semana e feriados- 10H00 às 16H00
Verão
Segunda a domingo - 10H00 às 16H00
Horários em PDF
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Valerá a pena?
Destruir
- Um vale único
- Uma linha de caminho de ferro considerada uma das maiores obras da Engenharia Portuguesa e uma das mais belas do Mundo
- Oliveiras centenárias que produzem o melhor azeite do Mundo
- Videiras e um microclima que produz o melhor vinho do Mundo
- Termas sulfurosas milenares
- A ligação de caminho de ferro ao interior de Trás os Montes
- Aumentar a desertificação e abandonar as populações
- Arriscar que o DOURO PERCA A CLASSIFICAÇÃO DE PATRIMÓNIO MUNDIAL
Por
- UM MONSTRO DE UMA BARRAGEM QUE SÓ VAI CONTRIBUIR COM A PRODUÇÃO DE 0.3% DA ENERGIA ??????
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
O que diz a comunicação social - Ago2012
- 01.08.2012 - SIC Notícias - Foz Tua: Secretaria de Estado da Cultura considera "inútil" construção de mais um museu na região
- 01.08.2012 - RTP Notícias - UNESCO diz ser importante ouvir diferentes opiniões antes de chegar a conclusões sobre barragem de Foz Tua
- 01.08.2012 - RTP Notícias - Ambientalistas apelam à UNESCO para travar construção da barragem
- 01.08.2012 - TSF - Sociedade civil contra construção de barragem de Foz Tua, frisa ambientalista
- 01.08.2012 - RR - Técnicos da UNESCO avaliam barragem do Foz Tua no Douro Vinhateiro
- 01.08.2012 - RR - Mexia levou técnicos da UNESCO à barragem do Foz Tua
- 01.08.2012 - RR - Quercus acredita que Unesco vai mandar parar barragem de Foz Tua
- 01.08.2012 - RR - Autarcas do Tua recusam parar obras da barragem
- 01.08.2012 - JN - Missão da UNESCO recebida por manifestação na Régua
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Autarcas do Tua recusam parar obras da barragem
Defendem que a esta altura do campeonato a beleza natural do vale já não vai existir e que já só há a ganhar com o desenvolvimento que a obra traz à região.
Os presidentes de câmara da região do Alto Douro Vinhateiro dizem ser inaceitável parar nesta altura as obras da Barragem de Foz Tua. Depois dos ambientalistas, foi a vez de os autarcas dizerem o que pensam à delegação da UNESCO que está de visita à região.
As obras não podem parar, é a posição transmitida esta quarta-feira às técnicas da Unesco pelo presidente da Associação de Desenvolvimento do Vale do Tua e da Comunidade Intermunicipal do Douro.
“Aquilo que tínhamos a perder já perdemos, que é de facto a questão da beleza selvagem, e aquilo que agora teríamos a ganhar, se parasse, não ganhávamos nada”, defende Artur Cascarejo.
“A beleza natural do vale enquanto vale selvagem já não vai existir. Vai existir é um projecto de desenvolvimento regional em parceria com as autoridades locais e com o Governo português, que têm um verdadeiro projecto de desenvolvimento integrado para todo o território”, argumenta.
“As populações do Vale do Tua não podem perder esta oportunidade porque ela representa o fim do esquecimento a que durante anos este território foi votado pelos diferentes Governos. Esta é uma oportunidade única que nós agarramos com todas as mãos e que portanto não vamos perder”, insiste ainda o autarca.
É possível compatibilizar a central hidroeléctrica com a paisagem Património da Humanidade, dizem os autarcas, que não aceitam perder um projecto que segundo eles trará desenvolvimento à região e ao país.
Sem grandes conclusões para divulgar, a delegação da UNESCO para já sublinha a importância de recolha de opiniões diversas sobre um projecto polémico com algum impacto em área protegida.
Fonte do texto: Renascença
Os presidentes de câmara da região do Alto Douro Vinhateiro dizem ser inaceitável parar nesta altura as obras da Barragem de Foz Tua. Depois dos ambientalistas, foi a vez de os autarcas dizerem o que pensam à delegação da UNESCO que está de visita à região.
As obras não podem parar, é a posição transmitida esta quarta-feira às técnicas da Unesco pelo presidente da Associação de Desenvolvimento do Vale do Tua e da Comunidade Intermunicipal do Douro.
“Aquilo que tínhamos a perder já perdemos, que é de facto a questão da beleza selvagem, e aquilo que agora teríamos a ganhar, se parasse, não ganhávamos nada”, defende Artur Cascarejo.
“A beleza natural do vale enquanto vale selvagem já não vai existir. Vai existir é um projecto de desenvolvimento regional em parceria com as autoridades locais e com o Governo português, que têm um verdadeiro projecto de desenvolvimento integrado para todo o território”, argumenta.
“As populações do Vale do Tua não podem perder esta oportunidade porque ela representa o fim do esquecimento a que durante anos este território foi votado pelos diferentes Governos. Esta é uma oportunidade única que nós agarramos com todas as mãos e que portanto não vamos perder”, insiste ainda o autarca.
É possível compatibilizar a central hidroeléctrica com a paisagem Património da Humanidade, dizem os autarcas, que não aceitam perder um projecto que segundo eles trará desenvolvimento à região e ao país.
Sem grandes conclusões para divulgar, a delegação da UNESCO para já sublinha a importância de recolha de opiniões diversas sobre um projecto polémico com algum impacto em área protegida.
Fonte do texto: Renascença
Tua: UNESCO recebida por manifestação de ambientalistas
De acordo com a Lusa, três especialistas do Comité do Património Mundial da UNESCO deslocaram-se ao Douro, esta semana, para avaliar, no local, os impactos provocados pelos trabalhos de construção da Barragem de Foz Tua, entre os concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães.
A missão da UNESCO reúne-se hoje, na Régua, com organizações ligadas ao ambiente, que desde o início estão contra a construção do empreendimento hidroelétrico, como o Partido Ecologista «Os Verdes», a Quercus ou o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), e com os autarcas da região.
À chegada ao Museu do Douro, os técnicos foram recebidos por cerca de 20 manifestantes e uma das especialistas parou para falar com os ambientalistas e para tirar fotografias dos cartazes colocados nas paredes do edifício.
Nestes cartazes podia ler-se «STOP novas barragens», «Barragem de Foz Tua = cancro no Alto Douro Vinhateiro» ou «Barragens afundam património».
A visita ao Douro vinhateiro foi agendada após a última reunião do Comité do Património Mundial da UNESCO, que decorreu em São Petersburgo, Rússia, e durante a qual foi aprovado um «abrandamento significativo» das obras da barragem, em alternativa à suspensão das mesmas.
Este ritmo de trabalhos vai manter-se até à apresentação do relatório da missão da UNESCO, que deverá estar pronto até ao final do ano.
Durante esta semana está a ser apresentado à UNESCO o projeto do arquiteto Souto Moura, que tem em vista a compatibilização da central hidroelétrica, inserida na área classificada, com a paisagem.
O projeto pretende enterrar toda a central. Será ainda feito um pequeno reajuste do ângulo da própria barragem que pretende diminuir o impacto visual da mesma.
Durante a realização desta nova missão, Portugal espera poder convencer a UNESCO, em definitivo, sobre a compatibilidade da construção da barragem no Tua, nos seus novos moldes, com a classificação do Douro como Património Mundial.
O Douro foi distinguido como Património Mundial da Humanidade em 2001.
A barragem, cujas obras arrancaram há 15 meses, vai ocupar 2,9 hectares do Alto Douro Vinhateiro, o que representa 0,001 por cento do total da área classificada.
http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/unesco-tua-barragem-protesto-tvi24-regua/1365282-4071.html
Por: tvi24 | 1- 8- 2012 10: 4
terça-feira, 24 de julho de 2012
O Douro e a UNESCO
Ser representante de Portugal junto da UNESCO, em acumulação com as funções que desempenho em França, trouxe-me a responsabilidade acrescida de ter de cuidar, na linha da frente, de um conjunto de questões que ligam Portugal a diversas áreas de competência da organização. Devo dizer que, nestes meses, embora tenha tido de me "desmultiplicar" para poder atender a todo esse conjunto de tarefas, aprendi muito sobre mais esta dimensão multilateral da nossa política externa. E, devo dizer, estou a gostar da experiência.
Como é sabido, esta semana, em São Petersburgo, o Comité do Património da UNESCO debaterá uma resolução, preparada pelas instâncias próprias da organização, que apela à suspensão imediata das obras de construção de uma barragem perto da foz do rio Tua, por considerar que essa obra coloca em risco o equilíbrio global do Alto Douro Vinhateiro, como conjunto considerado património mundial.
Alguns países, organizações não-governamentais e diversas outras vozes, nomeadamente na imprensa, estão de acordo com os termos dessa resolução. O Estado português considera que, sendo embora essencial garantir a preservação do estatuto internacional atribuído ao Alto Douro Vinhateiro, tal não é incompatível com a edificação de uma barragem no rio Tua. E que, por essa razão, não se justifica, sem uma análise atenta a um conjunto de medidas que entretanto foram tomadas e outras que estão em análise, que tais obras sejam suspensas de imediato.
Não deixa de ser uma curiosa coincidência que o debate desta questão esteja a ser titulado, junto da UNESCO e em nome de Portugal, por alguém que nasceu a escassas dezenas de quilómetros do Douro e que hoje preside ao Conselho geral da Universidade da região. E que, porventura, gosta muito mais do Douro do que muitos dentre quantos, com outras legitimidades, se têm desdobrado em declarações inflamadas sobre o tema.
Publicado por Francisco Seixas da Costa no Blogue: duas ou três coisas (notas pouco diárias do embaixador português em França).
Aconselho a leitura do texto e os comentários, alguns deles de pessoas conhecidas e empenhadas na defesa doa linha e do vele do Tua.
Como é sabido, esta semana, em São Petersburgo, o Comité do Património da UNESCO debaterá uma resolução, preparada pelas instâncias próprias da organização, que apela à suspensão imediata das obras de construção de uma barragem perto da foz do rio Tua, por considerar que essa obra coloca em risco o equilíbrio global do Alto Douro Vinhateiro, como conjunto considerado património mundial.
Alguns países, organizações não-governamentais e diversas outras vozes, nomeadamente na imprensa, estão de acordo com os termos dessa resolução. O Estado português considera que, sendo embora essencial garantir a preservação do estatuto internacional atribuído ao Alto Douro Vinhateiro, tal não é incompatível com a edificação de uma barragem no rio Tua. E que, por essa razão, não se justifica, sem uma análise atenta a um conjunto de medidas que entretanto foram tomadas e outras que estão em análise, que tais obras sejam suspensas de imediato.
Não deixa de ser uma curiosa coincidência que o debate desta questão esteja a ser titulado, junto da UNESCO e em nome de Portugal, por alguém que nasceu a escassas dezenas de quilómetros do Douro e que hoje preside ao Conselho geral da Universidade da região. E que, porventura, gosta muito mais do Douro do que muitos dentre quantos, com outras legitimidades, se têm desdobrado em declarações inflamadas sobre o tema.
Publicado por Francisco Seixas da Costa no Blogue: duas ou três coisas (notas pouco diárias do embaixador português em França).
Aconselho a leitura do texto e os comentários, alguns deles de pessoas conhecidas e empenhadas na defesa doa linha e do vele do Tua.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
A UNESCO e o TUA
Bem pode o laureado Souto Moura, arquitecto muito apreciado e distinguido nos Foruns internacionais, puxar pela cabeça, esmerar-se e caprichar no seu projecto de tentar ocultar a gigantesca parede de betão que a poderosa EDP, contra ventos e marés sob os protestos de esclarecidos resistentes dos Movimentos Cívicos e insuspeitos órgãos de informação como é exemplo este jornal, decidiu construir na foz do rio Tua em arriscada e porventura negligente colisão com o estatuto do Douro Património Mundial.
Ainda que a sua obra possa ser aplaudida, cujo preço os portugueses por enquanto desconhecem mas que por certo não contemplará nenhum desconto ao dono da encomenda, ela será sempre um bonito penso de proteção em cima duma cicatriz testemunha de má e insensata intervenção do seu executor!
Chegados ao epílogo deste tempestuoso romance configurado na construção apressada duma barragem hidro-eléctrica no ponto onde o sofrido rio Tua se entrega extenuado no portentoso Douro, já não vale a pena argumentar com a destruição dum vale único pela sua singular beleza, nem da sua linha ferroviária orgulho da Engenharia portuguesa e que com alguma imaginação poderia ser a alavanca para o tão necessário quanto vital desenvolvimento sustentado da região empobrecida que parece não causar preocupação aos sucessivos governos da República. Como também não vale a pena trazer de novo à baila os poderosos argumentos fruto de cuidados estudos universitários que demonstram ser dispensável a intervenção no rio Tua como fonte de aumento de produção energética.
O que está agora em apreço é a anunciada visita da Unesco, agência das Nações Unidas para os assuntos da ciência e cultura com grande predomínio dos desafios ambientais e que deu finalmente um sinal de alerta recomendando o “Ralentissement” das obras que a EDP, frenética e arrogante, desencadeou num abrir e fechar de olhos! Da Unesco, todos esperamos uma decisão transparente, alheia a pressões e que defenda os valores um Património que sendo único, é da Humanidade e por isso de todos nós.
É que gato escondido com rabo de fora, não é do agrado de ninguém, nem é para os tempos que correm. O turismo internacional que ora invadiu o Douro, “a realidade mais séria que temos entre nós,”(1) e que tanto ajuda as nossas pobres finanças, não aceita nem perdoará beliscaduras na imaculada simbiose da natureza e do homem. Ainda que tenha a assinatura do melancólico e criativo Souto Moura!
Mirandela, 17-7-2012
José Manuel Pavão
(1) Miguel Torga
Ainda que a sua obra possa ser aplaudida, cujo preço os portugueses por enquanto desconhecem mas que por certo não contemplará nenhum desconto ao dono da encomenda, ela será sempre um bonito penso de proteção em cima duma cicatriz testemunha de má e insensata intervenção do seu executor!
Chegados ao epílogo deste tempestuoso romance configurado na construção apressada duma barragem hidro-eléctrica no ponto onde o sofrido rio Tua se entrega extenuado no portentoso Douro, já não vale a pena argumentar com a destruição dum vale único pela sua singular beleza, nem da sua linha ferroviária orgulho da Engenharia portuguesa e que com alguma imaginação poderia ser a alavanca para o tão necessário quanto vital desenvolvimento sustentado da região empobrecida que parece não causar preocupação aos sucessivos governos da República. Como também não vale a pena trazer de novo à baila os poderosos argumentos fruto de cuidados estudos universitários que demonstram ser dispensável a intervenção no rio Tua como fonte de aumento de produção energética.
O que está agora em apreço é a anunciada visita da Unesco, agência das Nações Unidas para os assuntos da ciência e cultura com grande predomínio dos desafios ambientais e que deu finalmente um sinal de alerta recomendando o “Ralentissement” das obras que a EDP, frenética e arrogante, desencadeou num abrir e fechar de olhos! Da Unesco, todos esperamos uma decisão transparente, alheia a pressões e que defenda os valores um Património que sendo único, é da Humanidade e por isso de todos nós.
É que gato escondido com rabo de fora, não é do agrado de ninguém, nem é para os tempos que correm. O turismo internacional que ora invadiu o Douro, “a realidade mais séria que temos entre nós,”(1) e que tanto ajuda as nossas pobres finanças, não aceita nem perdoará beliscaduras na imaculada simbiose da natureza e do homem. Ainda que tenha a assinatura do melancólico e criativo Souto Moura!
Mirandela, 17-7-2012
José Manuel Pavão
(1) Miguel Torga
Subscrever:
Mensagens (Atom)


























