sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Orvalho em madressilva

Numa das minhas caminhadas, perto do Tralhão, fotografei estas gotas de orvalho em rebentos de madressilva. Este singular quadro contrasta com a imagem ciclópica e agreste que muitas vezes se transmite do vale do Tua. Seriam lágrimas?

domingo, 31 de janeiro de 2010

A destruição já começou...

 

  


Palavras para quê?
Fotografias de António José Lourenço, tiradas no dia 30 de Janeiro na Linha do Tua.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

MCLT - Comunicado do Fim Anunciado da Barragem do Tua


"A prosperidade futura do nosso país depende da existência de um sistema ferroviário excelente e em bom estado”

Warren Buffet, 2º homem mais rico do mundo, sobre os Estados Unidos da América, justificando a sua compra no início de Novembro da Burlington Northern and Santa Fe, segunda maior companhia ferroviária do país, num negócio de 34 mil milhões de USD.

“Este país não pode viver sem barragens e ninguém nos pode impedir de as construir”

Orlando Borges, Presidente do Instituto Nacional da Água, sobre o estudo encomendado pela Comissão Europeia que conclui que o Plano Nacional de Barragens do Governo está cheio de erros, viola directivas comunitárias, e não deveria avançar.


“(O sector ferroviário) é um sector que está para ficar, é um sector de futuro. Tem de crescer mais do que os outros transportes, sendo que é mais seguro, mais limpo, energeticamente mais eficiente, e, em muitos casos, mais confortável”

Manuel Seabra Pereira, Professor do Departamento de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico, em declarações à “Ciência Hoje” numa visita à Fertagus.

“Claro que uma barragem leva à perda de biodiversidade (…). Eu gosto muito mais da zona de Alqueva agora. (…) Até 2013 está prevista a execução de mais de 500 milhões de euros na defesa da costa. Esta verba (…) permitirá combater a erosão, defender a orla costeira, requalificá-la e valorizá-la”

Dulce Pássaro, Ministra do Ambiente, em declarações ao Jornal de Notícias.

“Restabelecer as estradas, os acessos e caminhos existentes (…) garantindo as equivalências funcionais, designadamente o troço da linha-férrea do Tua que ficará inundado devido à construção da barragem”

Cláusula 10ª do Caderno de Encargos do Concurso para a atribuição de concessão de captação de água no rio Tua, para a produção de energia hidroeléctrica e concepção, construção, exploração e conservação de obra pública da respectiva infra-estrutura hidráulica.


“Como cidadão não sou defensor da construção da barragem. Há outras formas de produzir energia hidroeléctrica e aquele vale fica perdido e a linha fica submersa para sempre”

José Luís Correia, Presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, em declarações ao Jornal de Notícias.


“A desertificação do Interior Norte é directamente proporcional ao desinvestimento em vias-férreas e comboios”

João Paulo Guerra, jornalista do Diário Económico.

Comunicado, na integra, no sítio oficial do Movimento Cívico pela Linha do Tua

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O que diz a comunicação social - Dez09

Outras notícias

Jornal Nordeste - Caminhada pela Linha do Rua


Foi publicado no Jornal Nordeste, (n.º686), edição de 15 de Dezembro, um texto que escrevi a quando da caminhada pela Linha do Tua organizada pela Associação Campo Aberto. Apesar de já terem passado alguns "dias" fiquei contente, tanto mais que começam a circular notícias preocupantes.
A linha está a ser destruída e os carris arrancados, em vários pontos. Disso dá conhecimento o Jornal de Notícias, fazendo eco das palavras do MCLT.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cachão-Mirandela, à chuva


No dia 21 de Novembro retomei as minhas caminhadas na linha do Tua. Em Agosto participei numa caminhada organizada pela Coagret e em Outubro noutra organizada pela Associação Campo Aberto, mas já tinha saudades de passar algumas horas sozinho na linha.
O dia estava “feio”, ameaçava chover a qualquer momento. Saí de Vila Flor em direcção a Vilarinho das Azenhas. Parei na ponte onde passei alguns minutos na conversa com os pescadores que todos os fins-de-semana a povoam. Um grupo tinha vindo de Valpaços, para pescar no rio Tua. São “clientes” habituais e já nos tínhamos encontrado outras vezes no mesmo local. Levantou-se algum vento, para estragar a pescaria e eu segui (em automóvel), pela estrada, para o Cachão. Fiz algumas paragens para fotografar o Outono mas a luminosidade não estava favorável.

Cheguei à estação do Cachão e não havia maneira de chover! Perto do meio dia e meio iniciei a caminhada pela linha em direcção a Mirandela.
Ainda não tinha percorrido um quilómetro quando senti as primeiras gotas de chuva a refrescarem-me a cara! Estava preparado e decidi continuar. Retirei da mochila uma fina capa de água que me protegeu até chegar à estação de Frechas.

Sem o céu azul, que tanto gosto de fotografar e sem as minúsculas flores selvagens de múltiplas cores, restava-me o colorido das folhas característico do Outono. É no Outono que gosto de percorrer esta zona da Linha, entre a Ribeirinha e Mirandela. A vegetação que ladeia o rio é muito variada, uma autóctone, outra não, mas ganha cores quentes que contrastam com a água e a verdura da erva que rebenta em força despertada pelas chuvas outonais.

Perto de Frechas um grande olival não resistiu e foi arrancado. Os velhos troncos de oliveira poderiam proporcionar-me alguns momentos de inspiração, mas segui em frente. A terra fresca e molhada colar-se-ia em força às minhas botas. No centro do terreno uma enorme oliveira eleva-se no seu tronco erecto. Vá-se lá saber porquê, aquela oliveira não foi afectada pela praga que debilitou todas as outras!

Quando cheguei à estação de Frechas chovia abundantemente. A leve capa de água já não era suficiente. Retirei da mochila um impermeável, calças e casaca, que protegeu dali para a frente. A chuva não me incomodava os movimentos, mas, de cada vez que tentava tirar uma fotografia, a objectiva ficava encharcada.
A ribeira da Carvalha não leva uma gota de água! Ainda me recordo de ver peixes com algum tamanho subirem pela ribeira acima! Está tudo diferente. Desci ao leito seco e fotografei alguns cogumelos.
No túnel de Frechas aproveitei para tirar alguma comida da mochila. Não tinha tempo para comer tranquilamente, por isso, fui mordiscando enquanto caminhava.
O ponto mais importante da minha caminhada estava a chegar. É junto do antigo apeadeiro de Latadas que há maior número de árvores de folha caduca. São choupos bancos, plátanos, mas também amoreiras, marmeleiros e salgueiros, que teimam em continuarem verdes.

Abandonei a Linha e desci junto do rio. Ali perto olhava-me uma garça e ao longe esvoaçavam bandos de corvos marinhos. Acima da represa das Latadas é o paraíso para estas aves. O rio é largo, calmo, com muita vegetação nas duas margens proporcionando um ambiente propício para estas aves.
Entusiasmei-me com o colorido e não reparei no relógio. Retomei a caminhada pela linha pelas três da tarde. Sobrava-me pouco mais de uma hora para percorrer cerca de seis quilómetros. Não me restou outra alternativa senão acelerar o passo e fazer mesmo alguns quilómetros a correr. Não é muito agradável correr à chuva, vestido com um impermeável, com uma mochila às costas, com a máquina fotográfica numa mão e o guarda-chuva noutra, mas cheguei às portas de Mirandela às dezasseis em ponto. Mal tive tempo para fotografar o rio, as pontes, os parques da cidade. Não abrandei o passo até chegar à estação do metro de Mirandela. Foi já no interior da carruagem que despi o impermeável e descobri que estava completamente encharcado, não de água da chuva, mas em suor.

A composição partiu em direcção ao Cachão. Continuava a chover. Ensaiei alguns disparos tentando tirar partido das gotas de chuva no vidro, enquanto recuperava o fôlego. Estava terminada a etapa do dia e o dia também chegava ao fim, escuro, sombrio e chuvoso, mas eu sabia que dentro da máquina fotográfica havia algumas imagens que justificavam todo o esforço.

Com esta caminhada terminei a 5 viagem a pé entre Foz-Tua e Mirandela, iniciada em Março de 2009.
Curiosamente, no dia 22 de Novembro de 2008 fiz o percurso Cachão-Latadas, mas com outras condições atmosféricas.

O que diz a comunicação social - Nov09

Outras notícias

sábado, 21 de novembro de 2009

Chuva, pela Linha


Hoje foi dia de caminhada na Linha do Tua. O troço escolhido foi Cachão-Mirandela. Apesar da chuva, houve ainda tempo para algumas fotografias.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Olhando o rio Tua


Perto do Cachão subi ao alto das fragas para admirar o rio. A água era pouca e o sol beijava as montanhas ao longe despedindo-se. Boa noite.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Pare, Escute, Olhe" em Mirandela


No dia 14 de Novembro assisti à exibição do documentário "Pare, Escute, Olhe", sobre a Linha do Tua, no auditório municipal em Mirandela. O documentário foi exibido integrado 1º Festival Ibérico de Imagens sobre os Temas da Água, Cine H2O. Com duas exibições praticamente seguidas, a primeira, às 17 horas, teve a particularidade de contar com a presença de praticamente todos os intervenientes (actores) no filme. A maioria das pessoas é das freguesias de Vilarinho das Azenhas e da Ribeirinha, no concelho de Vila Flor.

O realizador, Jorge Pelicano, dirigiu algumas palavras aos presentes, pedindo desculpa por não ter estreado o filme em Mirandela, uma vez que o documentário já tinha sido exibido no DocLisboa e no Cine Eco, onde arrecadou nada mais, nada menos, do que 6 prémios.

Para quem viu o documentário "Ainda há pastores"  do mesmo realizador, deve lembrar-se das histórias humanas que ele retrata. Também o documentário "Pare, Escute, Olhe" está centrado nas pessoas. Alguns, como eu, poderiam estar à espera de imagens arrebatadoras das encostas rochosas, dos rápidos do rio, das tonalidade inebriantes da paisagem, mas no centro do documentário estão as pessoas. Pessoas simples, humildes, com fraca instrução e de poucos recursos, mas cidadãos nacionais, pessoas com direitos que necessitam da linha, como sempre necessitaram. A espontaneidade dos diálogos provoca sorrisos e as palavras apimentadas encantaram todos os que assistiram ao filme. Não se trata de actores, não tiveram guião, são pessoas nas suas rotinas diárias e com o seu vocabulário.

Mas há outros "personagens" no filme. São os das promessas não cumpridas, são os do betão, os da quota máxima, os que hoje dizem sim, amanhã dizem não; são políticos. Entre as promessas esquecidas, o abandono da linha e a ameaça de tudo querer inundar, as pessoas estão cada vez mais sós, mais isoladas, os mais novos continuam a partir, tal como aconteceu nas décadas de 60 e 70.
É necessário parar, escutar e olhar. Será que a barragem é mesmo necessária? Será que as redes rodoviárias vão resolver os problemas do dia-a-dia das pessoas que aparecem no filme, ou haverá alternativas? É mostrado no documentário o caso de uma via turística na Suíça. Também a SIC mostrou recentemente um caso semelhante em Espanha. Vias estreitas, voltadas para o turismo, que são casos de sucesso e de desenvolvimento.

Quando o projector se apagou ficámos a pensar. Falta este verbo no título do documentário: Pare, Escute, olhe e pense.
No final da exibição do documentário houve um espaço de diálogo. Foram várias as pessoas que usaram da palavra: o próprio Jorge Pelicano, Daniel Conde do Movimento Cívico da Linha do Tua, o representante da Coagret, um elemento da Quercus, José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela, entre outros. Este último aparece como o incansável lutador pela manutenção da linha em oposição aos autarcas dos vários concelhos servidos pela linha que são defensores da construção da barragem. As palmas foram todos para  Jorge Pelicano e Rosa Silva, para José Silvano e para os intervenientes no documentário, que bem as mereceram. O grande ausente, por questões de saúde, foi Abílio Ovilheiro, figura central no documentário e que habita no edifício do apeadeiro da Ribeirinha.
Após o debate segui-se uma ligeira refeição, oferecida pela Câmara de Mirandela a todos os intervenientes no filme e aos que a eles se quiseram juntar.

Nota: o filme que aparece acima, A última Viagem do Comboio do Tua, foi realizada por Adriano Pereira, no interior da carruagem do Metro, no acidente de 22 de Agosto de 2008.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

População assiste a filme em que é protagonista



Apresentação de "Pare, Escute e Olhe" sobre a região do Tua e suas gentes exibido no próximo dia 15.

Jorge Pelicano, realizador do filme/documentário "Ainda há pastores", passou dois anos, entre montes e vales, a filmar a beleza do vale do Tua e as suas gentes. O filme vai ser exibido, em Mirandela, no próximo dia 14.

O documentário "Pare, Escute e Olhe", que defende a preservação da Linha do Tua, arrecadou seis prémios de cinema em dois festivais da sétima arte. Os prémios do Ambiente, Lusofonia e Juventude, foram atribuídos pelo Cine'Eco, em Seia. Com o mesmo documentário, o realizador venceu no Doc Lisboa os prémios de Melhor Longa Metragem, Melhor Montagem e o Prémio Escolas.

Notícia de Fernando Pires publicada no JN
Para ler na integra aqui

 Exibição do documentário "Pare, Escute e Olhe", em Mirandela, dia 14 às 17 horas.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Amieiro (2)


Depois de mais uma curva, o Amieiro, sempre voltado para o nascer do sol na esperança que o comboio volte a apitar e a fazer eco nos fraguedos que se estendem ao longo do rio.

domingo, 25 de outubro de 2009

O que diz a comunicação social - Out09

Outras notícias

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

120 anos de cultura em risco

Artigo de Isabel Fernandes, jornalista do "As Artes entre as Letras", que participou na caminhada organizada pela associação Campo Aberto no dia 4 de Outubro de 2009, entre Foz-Tua e S. Lourenço.
O Artigo foi publicado na citada revista