quinta-feira, 21 de maio de 2009

Rio Tua (4)

A pesar deste Blogue se chamar A Linha é Tua, o rio nunca deixou de estar presente. A defesa da linha está a par com a preservação da maravilha que ainda é o Rio Tua, apesar de muitos atentados que são cometidos contra ele.
Sempre que me encontro junto ao Tua, com calma, os reflexos inspiram-me e faço fotografias como esta.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Acção de protesto contra campanha EDP-Barragens

Acção de protesto contra campanha EDP-Barragens
20 de Maio 9.00h às 13.00h

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Procurando dar seguimento ao profundo descontentamento para com a inqualificável campanha da EDP-Barragens, irei, em nome individual, exercendo o meu dever de cidadania em defesa da conservação da Natureza, do meio Ambiente, realizar uma acção de protesto (com faixa) no dia 20 de Maio junto à entrada do "pólo de Sustentabilidade" da EDP na Praça Marquês de Pombal entre as 09.00 e as 13.00h.

"Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco"
Edmund Burke



Luís Cunha Avelar
961122437

terça-feira, 19 de maio de 2009

Os primeiros 4 quilómetros

Reuni algumas fotografias que tirei na caminhada de 21 de Março entre a estação de Foz-Tua e o apeadeiro de Tralhariz e fiz um pequeno vídeo. Esta é a zona que vai ser desactivada para permitir a movimentação de máquinas que vão trabalhar na barragem. A barragem não é um dado adquirido. Penso que os resultados eleitorais nas eleições que se aproximam podem ter um grande efeito. O voto ainda é uma arma.
O vídeo é uma pequena amostra da zona em risco.

domingo, 17 de maio de 2009

Comunicado do MCLT - 13 de Maio de 2009


Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da Barragem do Tua, emitida esta semana pelo Ministério do Ambiente, constitui uma afrontosa e anti-democrática testemunha de todo o processo de favorecimento tácito oferecido à EDP no Vale do Tua. Este surreal parecer favorável a uma empresa que aparece inicialmente com direitos de preferência, que rebenta sem licenciamento e veda ao acesso público as margens do Tua impunemente, e que lança agora uma esfusiante campanha de publicidade enganosa sobre barragens, é uma mancha inqualificável na Democracia Portuguesa.

Não podemos deixar de referir e estranhar que o parecer do MCLT, enviado atempadamente, não seja mencionado no documento publicado ontem. Esperamos que sejam esclarecidas rapidamente as razões para esta omissão uma vez que a confirmarem-se erros desta natureza, poderia colocar em risco a credibilidade desta instituição, a Agência Portuguesa do Ambiente.

Esta mesma DIA fez tábua rasa de tudo o que a pudesse contradizer:

- O caderno de encargos da Barragem do Tua, onde se exige a reposição de vias por alternativas com igual valência. Refira-se neste caso a Barragem da Valeira, onde a EDP teve de pagar uma alternativa ferroviária à Linha do Douro, que incluiu 2km de via, uma nova travessia do Douro e uma nova estação;

- O Estudo de Impacte Ambiental, que conclui da forma mais categórica possível que a barragem trará “impactes muito negativos ao nível da economia local, em particular para agricultura e agro-indústria, com repercussões também muito negativas ao nível do emprego e dos movimentos e estrutura da população”, numa região que “não facilita o estabelecimento de percursos tradicionais de transporte colectivo rodoviário”;

- Orientações totalmente contrárias a esta barragem em documentos oficiais de Ordenamento do Território e do Turismo, como sejam o PENT, o PROTN e o próprio PNPOT, onde se pode inclusivamente concluir que esta barragem se encontra em “troço de influência de ruptura de barragem” e “perigo de movimento de massas”;

- Pareceres contrários de órgãos como o IGESPAR e a APPI (órgão consultor da UNESCO em Portugal), do próprio Ministério dos Transportes, e os 85% de pareceres negativos enviados no âmbito da discussão pública do EIA.


A DIA não obriga à construção de nenhuma alternativa ferroviária, ao contrário do que já foi veiculado em alguns órgãos de comunicação social. Este refere apenas a “análise da viabilidade de construção de um novo troço de linha férrea”, apontando de forma pressurosa para uma alternativa fluvial no caso de não se optar pela ferrovia. A viabilidade da Via Estreita está demonstrada, pelo investimento a ser realizado nas linhas do Corgo e do Tâmega, e pelas reaberturas e sucesso geral da Via Estreita em países como a Espanha, Suíça e Japão, não admitindo da nossa parte critérios economicistas quando os Metros de Lisboa e do Porto acumulam prejuízos de centenas de milhões de euros.

A única defesa desta barragem aparece na forma da produção de energia eléctrica, o que é totalmente irreal. Na verdade, o contributo da barragem do Tua será no máximo de 0,5%, valor suportado em 75% e a 1/3 do custo apenas pelo reforço de potência a realizar na barragem do Picote; juntando os reforços de potência a realizar no Picote, Bemposta e Alqueva, consegue-se produzir o mesmo que 3 barragens do Tua!

Que desenvolvimento advirá para a região, quando edis como o de Montalegre e de Miranda do Douro, com 5 e 2 barragens respectivamente, não recebem da EDP nem o suficiente para pagar a iluminação pública dos seus concelhos? Como poderá o Turismo sair beneficiado com mais outro espelho de água e com a perda de valores genuínos e únicos? Que medidas poderão proteger da extinção os 19% de espécies de vertebrados e as 14 espécies de aves presentes no Tua com estatuto de ameaçados, e da destruição os habitats de leito de cheia, que agregam 20% das espécies RELAPE de Trás-os-Montes?

Volta a ser mais uma vez altamente conveniente um acidente em vésperas de uma data importante para a Linha do Tua, desviando a atenção da opinião pública para “outro acidente”, ao invés de dar ênfase à emissão da DIA. Aguardamos o apuramento das suas causas, tal como o apuramento de responsabilidades ainda não assumidas sobre os anteriores acidentes.

O Governo, pela voz do Ministério do Ambiente, levantou a sua mão e aplicou sem piedade uma bofetada no futuro e dignidade não apenas de Trás-os-Montes e Alto Douro, mas de Portugal inteiro. Esta DIA é uma afronta, e deve ser emendada o mais rapidamente possível, sob pena de encontrar uma mais resoluta onda de contestação contra uma barragem que ninguém defende com critérios válidos.

O MCLT não está sozinho nesta luta, e muito falta ainda por dizer e fazer, num ano em que a população expressará de forma determinante a sua soberania. Não ficaremos de braços cruzados perante esta decisão intolerável.

sábado, 16 de maio de 2009

Cachão-Brunheda, em Abril

No vai e vem em que a nossa vida agitada se tornou ficou por fazer a “reportagem da minha última viagem pela Linha do Tua. Foi já a 3 de Abril. A ideia foi testar o plano que fiz para percorrer a Linha em 3 etapas e que publiquei a 30 de Março. Decidi testar a segunda etapa, Cachão – Brunheda, uma vez que a 1.ª, Brunheda – Tua já a fiz por diversas vezes.
Parti cedo, com um dia inteiro pela frente unicamente para desfrutar as belezas da Linha do Tua e do rio. Fui de carro até à estação do Cachão, tomei um café e parti pela Linha, consciente que só depois da seta da tarde estaria de volta. Tinha cerca de 10 horas para me esquecer do mundo.
Passar pelo que resta do complexo do Cachão próximo das nove da manhã, não é agradável. É muito desagradável. Há o fumo que se eleva no ar; há o cheiro que tresanda; há a água que passa por debaixo da linha em direcção ao Tua de que é melhor nem falar. Dois dias depois esta situação foi notícia na imprensa regional e não só.
Esqueci as cenas tristes na primeira curva, ao 41.º quilómetro.
Ainda não eram nove horas da manhã! O solo transpirava humidade e as flores frescura. Dos pequenos rebentos das videiras caíam gotas de orvalho em forma de diamante. Ao longo dos carris alamedas de pequenas papoilas desafiavam a minha mestria para calcular exposições, graduar focagens e testar velocidades.
Nunca a minha progressão foi tão lenta! Demorei quase 2 horas para percorrer o primeiro quilómetro. Perdi-me entre as flores do espinheiro, amores-perfeitos e violetas. O rio corria docemente, sem barulho, não querendo despertar-me do meu transe.
Só depois de ultrapassar a passagem mais estreita, o Cachão, adquiri o passo digno de uma caminhada.
Já tudo me parece familiar na Linha. Quase sem querer cheguei à ponte do Vilarinho. Ensaiei algumas fotografias em locais onde me deliciei no Outono sentindo a mesma emoção na Primavera.
Logo depois de chegar à freguesia de Vilarinho das Azenhas, a minha atenção centra-se quase sempre no rio. A linha corre solta durante algum tempo até se reencontrar com o rio, quando os rochedos os apertam já depois da Ribeirinha. É, portanto a altura de fazer algumas descidas ao rio para apreciar o que restas das antigas azenhas que deram nome à terra. Várias continuam de pé, desafiando o tempo e a força das águas servindo de abrigo a ninhos de piscos e carriças. Há caminhos rurais que permitem seguir percursos alternativos e deixar, por momentos, os carris.
Cada vez que levantava o olhar ele perde-se no alto do Faro, que toca o céu, criando um cenário singular em toda a extensão da linha.
Rapidamente atingi a Ribeirinha onde me aguardava o último guardião da linha, o sr. Abílio. Sentado no seu banco já gasto pelo tempo e pela espera, procura saber notícias da linha. Deixou de ser assunto no seu pequeno rádio a pilhas.
Continuei por caminhos ladeados de sumagre até entrar no reino do granito. Os quilómetros seguintes até Abreiro são de puro encantamento. Já eram quase três horas da tarde quando aí cheguei! A progressão foi muito lente fiz a pior média de todas as minhas caminhadas na linha! A que acontece é que quando a atenção se centra na fotografia, a caminhada fica para segundo plano e durante muito tempo nem se caminha.
Acelerei o passo. Atravessei a Ponte da Cabreira e entrei em território de Carrazeda de Ansiães. A bateria da máquina fotográfica começou a dar sintomas de “cansaço”. Diminui o ritmo das fotografias e aumentei de novo a cadência do passo.
Desci a mais uma azenha, mesmo em frente à Sobreira. A tarde avançada já não me permitiam fotografias como durante a manhã, mesmo assim, fiz alguma exposições triplas usando uma técnica chamada brackting, para mais tarde tentar optar pela melhor ou experimentar outra técnica chamada HDR (Dynamic Range Imaging), que tenho tentado ultimamente.
Quando cheguei ao apeadeiro da Abrunheda, eram seis horas da tarde. Não tinha já baterias (levei 3!) e nada mais fiz do que esperar o taxi que fazia o serviço da linha, que me levou de novo ao Cachão.
Foi uma longa jornada. Dez horas pela linha ouvindo apenas o canto das aves e o barulho do rio. Tal como em caminhadas anteriores, verifiquei que nos primeiros quilómetros se tiram mais e melhores fotografias. Por isso não é indiferente o local onde se começa a caminhada. À medida que os quilómetros passam, diminui o entusiasmo mas também a qualidade da luz. Percorri sem grande dificuldade 20,7 quilómetros. O meu plano de percorrer a linha em três etapas é bastante exequível.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Declaração de Impacte Ambiental

Declaração de Impacte Ambiental - Projecto de Aproveitamento Hidroeléctrico de Foz Tua

Foi emitida a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) do projecto de Aproveitamento Hidroeléctrico de Foz Tua, a 11 de Maio de 2009, a qual foi favorável condicionada à cota NPA 170.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

27.º Quilómetro

A albufeira da prevista barragem no rio Tua estender-se-á até ao 27.º quilómetro. Aqui termina o concelho de Carrazeda de Ansiães e começa o concelho de Vila Flor (na margem esquerda do Tua). Será que fotografei a última Primavera do Rio?

terça-feira, 12 de maio de 2009

À Descoberta da Linha do Tua

No fim-de-semana de 1,2 e 3 de Maio, Miguel Ângelo, veio, juntamente com alguns amigos, "descobrir" a Linha do Tua. Percorreram a pé o percurso Tua - S. Lourenço, mas fizeram ainda questão de conhecer outros locais da linha como Brunheda e Abreiro, e de fazer de metro a etapa Mirandela- Cachão e Cachão-Mirandela.
A opinião com que o grupo ficou dos seus percursos pela linha pode ser sintetizada nas seguintes palavras que me enviaram "É um crime deixar aquela obra abandonada, e não reactivar a circulação dos comboios. Fiquei impressionado pela obra de Engenharia que originou aquela linha, literalmente "talhada na rocha"."
As fotografias que hoje coloco no blogue são da autoria de Miguel Ângelo, a quem agradeço. Mais fotografias da Linha podem ser vistas aqui. Mas há também excelentes fotografias do mesmo autor aqui e aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Outro Abril, na linha

Este ano, ao contrário do ano passado, não passei o dia 25 de Abril a caminhar na linha do Tua. Mas, quando tirei esta fotografia, um pouco antes do dia 25, foram os cravos que me vieram à memória, fotografados de uma forma difusa, tal como se apresenta, 35 anos depois, a liberdade conquistada.
A fotografia foi feita perto do Cachão, em direcção ao Vilarinho.

terça-feira, 28 de abril de 2009

O que diz a comunicação social - Abr09

Outras notícias

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Abril na Linha do Tua

Esta fotografia, tirada em Abril de 2008, serve para lembrar como é bonita a linha do Tua no mês de Abril.

Local: Quinta do Choupim, próximo de Mirandela..

terça-feira, 21 de abril de 2009

domingo, 19 de abril de 2009

No Rio Tua

Fotografias do 1.º Festival de Canoagem da Terra Quente a quando da passagem pela Ribeirinha.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

1.º Festival de Canoagem da Terra Quente (final)


As inscrições eram até ao dia 15, mas como pode haver pessoas interessadas em acompanhar o evento, aqui fica a informação actualizada.
Não sei se vai ser possível, mas gostaria de me deslocar ao Rio Tua para tirar algumas fotografias do evento. Se for, podem contar com elas aqui.

Contactos:
Estação de Caminhos de Ferro de Mirandela,
4 5370-408 MIRANDELA
Telm: (+351) 969761301
E-mail: escateq.mirandela@gmail.com

quinta-feira, 16 de abril de 2009

The Tua Railway


Aqui fica uma apresentação em PowerPoint sobre a Linha do Tua. Não é trabalho meu, mas como tem algumas fotografias minhas que ninguém pediu, não me parece mal divulga-la.

Nota: pare ver a apresentação em ecrã completo, basta dar um click no segundo botão a contar da direita na pequena barra que aparece por debaixo das imagens, (icon com um pequeno ecrã).

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Estação de Frechas

A estação de Frechas está ao 45º quilómetro. É uma das estações com melhores acessos uma vez que a Estrada Nacional 213 está mesmo nas costas da estação e atravessa a linha a poucos metros. É das poucas estações onde ainda podemos ver "passar os comboios" ou seja o Metro. Estas fotografias foram tiradas no ano passado. Comparando com a actualidade apenas podemos dizer que continua o emparedamento e o abandono. O pequeno guiché exterior foi fechado, bem como as duas portas das casas de banho. Voltamos à idade média, quem tem necessidades vai ao campo. Também não me parece que seja possível encontrar uma torneira com água em toda a extensão da linha!
Frechas é das freguesias que mais partido pode tirar da manutenção da circulação na linha do Tua. É um freguesia com alguma dimensão e com perspectivas de futuro. No entanto, o presidente da junta actual, não é defensor da Linha do Tua, tem outras ambições.

domingo, 5 de abril de 2009

1.º Festival de Canoagem da Terra Quente


Contactos:
Estação de Caminhos de Ferro de Mirandela,
4 5370-408 MIRANDELA
Telm: (+351) 969761301
E-mail: escateq.mirandela@gmail.com

sábado, 4 de abril de 2009

Rio Tua (3)


O Rio Tua é cheio de locais pitorescos, mas nem todos são muito acessíveis. Esta é uma imagem frequente na parte superior do Rio, mais ou menos entre Brunheda e Mirandela. Trata-se da saída de água de uma azenha, de novo em direcção ao caudal do rio.
A fotografia foi tirada no dia 03 de Abril numa azenha na margem oposta à praia fluvial da Sobreira.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mapa da Linha do TUA

Ainda não ganhei para um GPS, por isso uso muito a Internet para traçar os meus percursos ou mesmo à posteriori para saber por onde passei. Como normalmente percorro locais muito próximos, tenho sempre bastante referências. Na Linha do Tua é impossível alguém perder-se, basta seguir a Linha. Mas, mesmo assim, tenho um conjunto de "marcos" que me ajudam bastante. Também o conhecimento dos locais por fotografia aérea é bastante útil, e há na Internet muitos locais onde isso pode ser feito com mais ou menos qualidade. Hoje comecei "desenhar" um mapa com a marcação dos quilómetros. O melhor que há é o do Instituto Geográfico do Exército, em papel. Acabei por me entusiasmar e fiz uma coisa mais elaborada com a fotografia das estações e apeadeiros de Foz-Tua a Mirandela. Ficou um arranjo interessante mas demasiado grande para o Blogue. Para quem tem hipótese de imprimir em maior do que a folha A4 deixo aqui a ligação para ficheiros um pouco maiores:
Sites úteis para traçar percursos:

Chegou a primavera à Linha do Tua

Pode-se pensar que as minhas recomendações para fazer caminhadas ao longo da Linha do Tua são fruto de alguma consulta na Internet, usando o Google. Não. Já percorri (a pé) cada metro da linha entre Foz-Tua e Mirandela, no mínimo 3 vezes e em alguns lugares 6 vezes!
Pensei receber a Primavera a caminhar ao longo da linha, e foi isso que eu fiz, dia 21 de Março. Escolhi um percurso mais ou menos longo, Brunheda- Foz-Tua.
Desloquei-me de carro até à ponte da Brunheda. O céu estava limpo, fazia frio e havia alguma neblina que se manteve durante todo o dia. Cheguei à linha às 10 horas da manhã, o que me parecia muito bom uma vez que apenas necessitava de estar em Foz-Tua às 18 horas, tinha 8 horas para caminhar.
Nos primeiros quilómetros, e depois de passar a zona do último acidente, apercebi-me que têm sido feitos bastantes melhoramentos na linha. Sempre pensei que aqui estava um dos pontos negros da via, mas, nesta caminhada, fiquei com uma melhor ideia. A não ser a curiosidade de alguns chapins nada chamou a minha atenção nos primeiros metros. O sol não tinha altura para iluminar a linha, reflectindo-se apenas nas águas já transparentes do Tua. Foi pelo quilómetro 19.º que comecei a entusiasmar-me com a flora que não esperou pela chegada da primavera para despertar em bonitas cores.
No apeadeiro de Tralhão parei um pouco. Aproveitei para me pôr mais á vontade largando as calças e ficando em calções. Fiquei a saber que andaram a medir as casas e os muros juntos de todas as estações e apeadeiros. Pretendem reparar os telhados e pintar tudo!!!
Pouco depois encontrei mais uma daquelas prospecções enigmáticas. Retiram uma travessa e abrem um orifício no centro da linha. Penso que o objectivo é avaliar a consistência do terreno. Vi os furos que já me tinham chamado à atenção em viagens anteriores, mas não vi nenhuma máquina.
Pouco depois encontrei alguns pés de buxo (Buxus sempervirens), muito abundante no Rio Sabor mas que nunca me tinha chamado à atenção aqui no Tua. Também antes de chegar a S. Lourenço encontrei os primeiros pés de Jacinto-dos-campos (Hyacinthoides vicentina). O meu entusiasmo foi grande, e ainda mais porque fui encontrando cada vez mais, mesmo até Foz-Tua!Quando cheguei ao S. Lourenço decidi subir às termas. Nas três vezes que já aqui passei a pé nunca o tinha feito. Junto ao apeadeiro havia muita água no chão e, imagine-se, havia também um cabo eléctrico, no chão, com corrente! O som semelhante a uma frigideira ouvia-se a vários metros! As termas pereceram-me paradas no tempo. Recordava-me delas há quase 20 anos atrás. Há água canalizada, um pré-fabricado para receber os banhistas e uma estátua em granito que foi a única forma humana que encontrei de resto, nada mudou.
Visitei o tanque, guardado pelo S. Lourenço, fiz um passeio por entre as casas e decidi sentar-me à sombra de uma árvore para comer. Já passava de 1 e meia da tarde quando recomecei a caminhar. De novo na linha, acelerei o passo. Já tinham passado mais de três horas e apenas tinha percorrido pouco mais de 5 quilómetros! Impus um bom ritmo à caminhada só fazendo curtas paragens para fotografar a flora ou subir a algum rochedo para fotografar a Linha. Tinham passado dois meses desde a minha última passagem no local. O rio levava um caudal menor e a água reflectiam um azul profundo, ao contrário da água cor de chocolate do mês de Janeiro.
O céu perdeu a cor e os rochedos semeavam zonas de sombra na linha. Tornou-se complicado fotografar. Se a máquina está regulada para fotografar para jusante, de frente para o sol, não é possível fazer nada de jeito para montante. Gosto de regular os parâmetros da fotografia manualmente, mas é preciso tempo.
Quando me aproximava dos últimos quilómetros também o sol de despedia do vale. Respirava-se uma atmosfera calma aquecida pelos tons dourados do final da tarde. Tive ainda tempo para abandonar a linha e ir até à ponte rodoviária fotografar o viaduto das Presas.
Já com os pés bastante doridos caminhei para a estação do Tua. Ainda esperei que chegassem os dois comboios da Linha do Douro, um vindo do Pocinho e outro vindo do Porto, só depois o táxi parte fazendo o serviço da Linha do Tua até ao Cachão.