quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dois anos depois...

Faz hoje dois anos que ocorreu o mais grave acidente na Linha do Tua, no local que a fotografia mostra. Nele perderam a vida três pessoas. Depois disso já se repetiram vários acidentes e a questão que fica sempre no ar é: Porquê?
Não há mais tempo, nem razões para protelar a decisão. Se a REFER e a CP acreditam na linha têm que apostar em obras de fundo, para a recuperar de muitos anos de verdadeiro abandono. Já não há tempo para enganar mais ninguém. Ou se aposta na linha a sério, ou se abandona. Eu sou a favor da primeira hipótese.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Movimento Cívico pela Linha do Tua - Comunicado

COMUNICADO

O MCLT – Movimento Cívico pela Linha do Tua, face à gravidade da situação actual da Linha do Tua, exige aos organismos tutelares da Linha do Tua as seguintes medidas:

  1. O fim imediato da delapidação do Património Ferroviário do distrito de Bragança;

  2. O apuramento de responsabilidades nos acidentes recentes;

  3. A reabertura célere da Linha do Tua com garantias de segurança para a sua exploração;

  4. A apresentação de um plano de modernização e dinamização da via, estações e material circulante;

  5. A reabertura da Linha do Tua até Bragança e prolongamento à estação da rede convencional espanhola e de alta velocidade europeia de Puebla de Sanábria.


A REFER anulou recentemente na estação do Tua 2 vias da Linha do Tua (LT), deixando-a reduzida a 1 via principal, construindo nesse espaço um estradão de terra batida. No seguimento de igual anulação nas estações da Brunheda, Vilarinho, Frechas e Mirandela, e aliado à política de reduzida velocidade máxima e inúmeras limitações de velocidade, impostas pelo LNEC e IMTT em detrimento da modernização da via, os níveis de segurança de exploração estão a ser perigosamente reduzidos. Isto porque se está a suprimir a capacidade de operação dos comboios, ao lhes ser reduzido o número de estações onde possam efectuar cruzamentos e/ou permanecerem estacionados.

A estratégia seguida actualmente é em tudo semelhante à seguida em 1991/1992 para o encerramento do troço Mirandela – Bragança. As promessas do Governo de então, de desenvolvimento através do IP4 e IP2 redundaram em fracasso, estradas que volvidos 18 anos não foram sequer concluídas, deixando em apenas 5 anos as populações sem comboio e sem autocarro de substituição. Encerrar a LT e basear o desenvolvimento da região trasmontana apenas na A4 terá como consequência acelerar a desertificação da região em mais 30km/h.

Dia 18 deste mês termina o período de discussão pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Barragem do Tua (BT). A BT contribuirá no máximo em 0,5% de produção de energia eléctrica. O reforço de potência da Barragem do Picote conseguirá produzir o equivalente a 75% do que irá produzir a BT, mas por 1/3 do custo desta, e se combinarmos os 3 reforços de potência de barragens previstos a nível nacional (Picote, Bemposta e Alqueva), estes produzirão o mesmo que 3 BT. O mais grave é que a zona de construção desta barragem aparece toda ela assinalada no Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território como em situação de "perigo de movimento de massa" e "troço de influência de ruptura de barragem". Os governantes e demais apoiantes desta barragem não se limitam a hipotecar o futuro dos Trasmontanos; brincam literalmente com as suas vidas. Este documento aponta ainda como objectivos nacionais o reforço da cooperação transfronteiriça, e a organização de locais que sejam notáveis pela qualidade do ambiente e do património, genuinidade e qualidade dos seus produtos, e pela sustentabilidade de práticas de produção e nível dos serviços colectivos. Em aditamento, o Plano Estratégico Nacional do Turismo privilegia o Douro como um dos Pólos Turísticos fundamentais, estratégia que ficará ferida mortalmente por uma cicatriz de betão com dezenas de metros de altura, num dos vales mais selvagens e deslumbrantes da Europa, em pleno Património da Humanidade, cortando a ligação entre o Douro e o restante território de Trás-os-Montes. Em suma, a BT, projecto sem qualquer tipo de justificação viável, vem fazer tábua rasa e mesmo contrariar frontalmente documentos de importância máxima para a gestão estratégica de Portugal. Nos últimos dias, em Alijó e Murça, representantes da EDP admitiram que o EIA desumaniza os impactes da BT, reduzindo tudo a números. A própria Adega Cooperativa de Murça, que perderá 60 hectares de vinha de Vinho do Porto, não foi sequer consultada, e as populações mostraram a sua preocupação com compensações que rapidamente se esgotarão e não criarão suportes para o futuro.

A Câmara de Marvão, que recentemente viu a CP retirar da estação de Marvão-Beirã mobiliário centenário, resolveu apresentar uma proposta de reconhecimento de toda a estação como Imóvel de Interesse Público. O Partido Ecologista Os Verdes já apresentou uma proposta de reconhecimento de parte da Linha do Tua como Património Nacional. No ano de 2008 a UNESCO integrou duas vias-férreas na lista de Património da Humanidade, tendo já recebido queixas d'Os Verdes e da QUERCUS sobre o atentado à sustentabilidade deste sítio que está em causa com a BT. O MCLT questiona e condena veementemente a desunião das autarquias de Alijó, Carrazeda de Ansiães, Murça, Vila Flor, Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Bragança, cuja consequência é a destruição do património cultural e industrial ferroviário de Trás-os-Montes, tendo na Linha do Tua, obra-prima de engenharia e herança cultural, um tesouro nacional. Não podemos permitir que se continue a emparedar e desmantelar estações, que mais material histórico seja levado para museus a centenas de quilómetros de distância, que estações se transformem em ruínas.

Em 2003, reabriu-se na Espanha uma Via Estreita com 340km de extensão, o equivalente a reabrir as Linhas do Tâmega (40 km encerrados), do Corgo (71km encerrados), do Tua (76km encerrados), do Sabor (105km encerrados), do Douro (28km encerrados), e com os restantes quilómetros quase ir de Bragança à Puebla de Sanábria. Tudo com um custo de € 123.500/km; a A4 custará € 3.000.000/km, enquanto que a ciclovia feita na Linha do Sabor está a custar € 125.000/km. Não podemos deixar passar em branco esta sangria de fundos nacionais e comunitários, enquanto se ignora totalmente o caminho-de-ferro e o seu papel fundamental no desenvolvimento económico-social sustentável.

Numa última nota congratulamo-nos com as declarações recentes da Secretária de Estado dos Transportes, ao reforçar a importância da Linha do Tua, e rejeitando liminarmente a alternativa rodoviária proposta pela EDP. Esperamos, como prometido, que em Março a Linha do Tua esteja finalmente operacional, em conformidade com a segurança e modernização que se exigem.

Movimento Cívico pela Linha do Tua, 6 de Fevereiro de 2009

www.linhadotua.net

A caminhar de Brunheda até Foz Tua


As mais recentes notícias sobre o futuro da linha do Tua lembraram-me que eu ainda não fiz a habitual “reportagem” da minha última caminhada. Aconteceu no dia 24 de Janeiro e decorreu entre Brunheda e Foz-Tua. Esta caminhada insere-se naquilo que eu chamo como o Passeio de Inverno, numa tentativa de percorrer a extensão da linha que vai de Foz-Tua a Mirandela, durante os meses de Inverno.
Houve algumas alterações nos horários dos táxis que fazem o serviço da linha, e, nesta etapa, eu necessitava de os utilizar. Mais uma vez desloquei-me para a estação de Abreiro onde cheguei pouco antes das 10 da manhã. Podia arriscar partir dali, mas não o fiz porque achei que não tinha tempo suficiente para chegar ao Tua com luz do dia. Pouco depois chegou o táxi, que já vinha do Cachão.
Eu e um jovem éramos os únicos passageiros. Surpreendi o motorista quando lhe disse que ia para o Tua mas descia na estação da Brunheda. Às 10:45 estava sobre a ponte rodoviária a começar a descer para a linha.
A noite do dia 23 foi repleta de rajadas de vento fortíssimas. Mesmo ao longo da estrada encontrei muitas árvores caídas, algumas de grande porte. Também a chuva caiu com velocidade e em quantidades assustadoras. A água do rio corria turva e com redemoinhos pouco habituais.
Comecei a minha caminhada em direcção ao Tua com 8 horas disponíveis. Sabia por experiências anteriores que eram suficientes, mas nunca se sabe o que vamos encontrar ao longo de 21 km. O principal risco da viagem era sem dúvida o estado do tempo. Depois da tempestade da noite anterior, anunciavam-se novas réplicas, e, caso me surpreendessem a meio do caminho, não havia outra alternativa senão seguir em frente, até chegar ao final da linha.
O ar estava muito frio, talvez 5 graus, mas o céu abria-se num azul profundo, fazendo-me esquecer os riscos, encantando-me com o verde da paisagem, apesar de estarmos no Inverno.
Em poucos minutos passei o local do acidente de Agosto passado. Há poucos vestígios dele. Se não tivesse estado ali no próprio dia, talvez não me apercebesse do que ali se tinha passado.
Ao quilómetro 19.º a linha está mesmo em péssimas condições, mas hoje vou apenas falar das coisas boas.
Quando me aproximava do apeadeiro de Tralhão, acenderam-se as fogueiras na outra margem. Os ranchos de azeitoneiros preparavam o fogo para aquecerem o almoço. Curiosamente esta zona onde existem ainda alguns olivais em exploração chama-se Erva Má!
Decidi também fazer o levantamento da rede de telemóvel ao longo do percurso. Depois do acidente de Agosto foi comentada a colocação de um retransmissor em território de Alijó para melhorar a comunicação no vale. A minha rede é a Vodafone, mas ainda não tinha detectado qualquer sinal de rede.
Apesar da estação, algumas flores teimam em florir em plena época fria, é o caso da candeia (Arisarum vulgare). Outras, com os bolbos cheios de energia, começam a crescer em força, preparando-se para um início de Primavera em beleza. Nesta zona há muita cebola-albarrã (Urginea maritima), gladíolos (Gladiolus illyricus), jacinto-dos-campos (Hyacinthoides hispânica), etc. Antes de chagar ao S. Lourenço ainda me deliciei a fotografar alguns fungos que crescem nos troncos dos carrascos e sobreiros.
Junto à estação de S. Lourenço havia uma enorme árvore caída, atravessada na linha.
A formação rochosa que existe ao quilómetro 15º é única na linha e chama a atenção de todos os que por ali passam, a pé ou de automotora. Demorei algum tempo procurando os parâmetros de exposição adequados para registar o quadro. Não é fácil fotografar na Linha do Tua. A linha mergulhada nas sombras e os raios de sol que fazem brilhar as encostas mais acima, criam dois campos com luminosidade tão distinta que obrigam a esquecer todos os mecanismos das câmaras modernas, marcando os parâmetros da fotografia manualmente, ajustados em várias tentativas.
Pouco depois de se atravessar um “canal” rochoso onde mal há espaço para a linha, começam a ouvir-se as águas agitadas já próximas do Amieiro. No rio há uma pequena cachoeira, mais evidente quando tem um menor caudal.
Passaram algumas nuvens negras por sobre a minha cabeça, que me obrigaram a acelerar o passo. Quando eram duas da tarde, faltavam-me percorrer 12 quilómetros. Assaltou-me a ideia da noite e segui mais rapidamente fazendo menos paragens para tirar fotografias. Nem para comer alguma coisa parei, contentando-me em saborear o “almoço” com a cadencia das travessas.
Foi nesta zona que vi duas lontras, numa outra caminhada. Segui com atenção ao rio, mas não vi nada de semelhante. Pouco depois o sol brilhou de novo.
Depois da ponte de Paradela a linha ganhou magia. A humidade no ar reflectia a luz criando uma atmosfera que não vi em viagens anteriores. De cada vez que o sol penetrava por entre as nuvens, iluminava os musgos cheios de verde, embriagados de água que pingava em cada rochedo. Descobri logo a seguir que percorrer os túneis, durante o Inverno, não é tão fácil assim, principalmente os mais longos. Quando são em curva, há um momento em que se fica em completa escuridão.
Ao quilómetro 8.º apercebi-me pela primeira vez de uma ribeira que caía em cascata. Numa cota superior à linha há várias ruínas. São moinhos de água, na Ribeira Grande que recolhe água junto do Castanheiro e Parambos. Também no Rio Tua há vestígios de moinhos, mas encontravam-se completamente cobertos pela água. A provocadora praiazinha de areia branca também se encontrava completamente submersa.
Voou da água do rio uma ave completamente branca! Tinha contornos de ave de rapina e voava com majestade. Não era uma garça, fiquei intrigado.
O vale foi ficando cada vez mais sombrio à medida que me aproximava do Túnel das Fragas Más II (túnel do Boitrão nas cartas militares). Depois dos dois túneis, vem outra das curiosidades da paisagem: um conjunto de cascatas com várias dezenas de metros por onde a Ribeira de S. Mamede de Ribatua se precipita no rio Tua.
Passeio o túnel de Tralhariz e o apeadeiro com o mesmo nome. A luminosidade ia diminuindo, aproximando-se uma tormenta. No quilómetro 3.º havia máquinas para obras na linha. Não cheguei a perceber que tipo de melhoramento andavam a fazer. Desde o apeadeiro do Tralhão que me apercebi que havia travessas marcadas. As máquinas que aí encontrei permitem mudar as travessas, só não percebi porque razão todas as travessas marcadas estavam em muito bom estado e ao lado havia travessas completamente podres que não estavam marcadas! Fiquei com a ideia que poderiam estar a retirar as travessas para fazerem algum tipo de teste ao terreno, no centro da linha, uma vez que as marcações se encontravam espaçadamente distribuídas ao longo das curvas.
Ao quilómetro 2.º começou a chover. Eram 5:20 horas, já mal dava para tirar fotografias. Não foi nada agradável atravessar a ponte das Presas; estava escuro e a chover. Aproveitei o túnel para vestir uma capa de água e, com muito jeito, caminhei ao longo do estreito passeio metálico, com medo de escorregar.
As fotografias do último quilómetro já foram tiradas com a sensibilidade da máquina a ISO 1600, só para recordar. Quando cheguei a Foz Tua eram 17:50horas. Segui para o chefe de estação para lhe comunicar a localização de alguns objectos que encontrei ao longo da linha, fruto de tempestade da noite anterior. Assim, ele poderia contactar Mirandela avisando as equipas que andam a trabalhar na linha e que recomeçariam na segunda-feira de manhã.
O aspecto das linhas da via estreita na estação do Tua está completamente mudado. As obras ainda não estavam terminadas, mas fotografei um estradão onde antes estava a linha! As composições abandonadas estão cada vez mais vandalisadas.
Pouco depois das 18 horas chegaram duas composições da Linha do Douro. Saí da estação à procura do táxi, que prontamente partiu, comigo e mais uma senhora idosa que estava de visita à sua terra natal, Brunheda.
No regresso descansei os músculos. Passei 8 horas a andar. Não foi tão cansativo como quando fiz o mesmo percurso na Primavera. Apesar de todas as minhas preocupações com o mau tempo, acabei por beneficiar de um dia bastante aceitável.
Quando ao sinal da rede de telemóvel, conto colocar um post específico para falar disso. Só há sinal de qualidade entre o 7.º e o 9.º quilómetros. Talvez se consiga ligação também entre o 3.º e o 7.º quilómetros. Na estação de Foz Tua e desde o túnel da Falcoeira (9.ºkm) até Brunheda (21.º km) não há qualquer sinal (rede Vodafone).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Mensagem do Instituto da Democracia Portuguesa

O Instituto da Democracia Portuguesa saúda a posição assumida a 5 de Fevereiro de 2009 pela Srª Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, ao considerar imprescindível a manutenção da Linha do Tua e inaceitável o plano de alternativas rodoviárias propostas pela EDP.

Ao ganhar a concessão da barragem do Tua, sem concurso, a EDP pagou ao Estado 56 milhões de euros. A EDP já manifestou preferência por uma barragem com cota a 170m, que inundaria 16 quilómetros de linha e quatro apeadeiros. Feita a análise de custos/benefícios, é o melhor negócio para a EDP. Terá que indemnizar menos pessoas e pagará menos ao Estado. Com uma cota de 170 metros, a albufeira teria 31 quilómetros, a capacidade de armazenamento de água seria de 156,2 milhões de metros cúbicos de água, mas a potência instalada acrescentaria apenas 0,7% ao potencial energético nacional.

O bom negócio para a EDP com um investimento de 282 milhões de euros é um mau negócio para a região, e um atentado à mobilidade das populações. É um mau negócio porque a construção de uma barragem por um consórcio nacional não cria emprego na região. É um mau negócio porque destrói uma ligação ferroviária que é uma ferramenta turística com capacidade de projectar na Europa os cinco concelhos do vale do Tua. É um atentado à mobilidade porque prejudica as populações das aldeias ribeirinhas. É um atentado à mobilidade porque priva os transmontanos de uma linha com capacidade de criar uma ligação dorsal do Douro a Puebla de Sanabria.

Apoiando o esforço de cidadania das populações e dos autarcas transmontanos que exigem alternativas de desenvolvimento sustentado para a região, o IDP reitera que esta atitude da Srª Secretária de Estado Ana Paula Vitorino honra quem a toma e merece ser seguida da apresentação de planos de modernização da Linha do Tua.

Lisboa, 6 de Fevereiro de 2009

A Direcção do IDP


Cordialmente

Maria SM
Coordenadora do Gabinete do IDP

Instituto da Democracia Portuguesa
www.democraciaportuguesa.org

Av. Elias Garcia, nº10, 1º Esq.
1000-149 Lisboa
PORTUGAL
Tel: 92 6720181

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Aguarela


A noite na Linha do Tua não deixa de surpreender pela sua beleza. A fotografia foi tirada entre a estação de Abreiro e Ribeirinha (31.º Km).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

15.º Quilómetro

Ao 15º quilómetro encontramos a antiga estação de S. Lourenço, a única que foi destruída, refeita, mas nunca terminada. Sempre que passo no local, não me sobra tempo para subir um pouco às termas e matar saudades de algumas tarde de Verão que já ali passei.

sábado, 31 de janeiro de 2009

A Linha do Tua - Outono


Mesmo não percorrendo toda a extensão da Linha do Tua no Outono, fiz uma montagem que mostra algumas fotografias que tirei, entre Codeçais e Mirandela. Posso dizer que o Outono foi a estação que mais me surpreendeu, em todas as que já vivi na linha.
São mais de 6 minutos com alguma magia, num ambiente calmo, como eu gosto de sentir quando caminho quilómetros ouvindo apenas as aves e o barulho das águas.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Obras na estação de Foz Tua

Uma denúncia no JN na rubrica "Cidadão Repórter", já fez com que o caso chegasse à Assembleia da República. Nos tempos que correm a confiança no poder político e nas instituições deixa muito a desejar. A fazer fé nos órgãos de comunicação social, a Refer nem se dignou avisar atempadamente a Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães. A razão das obras estão por explicar.
Mostro aqui uma fotografia como estava a linha antes da interversão e como se encontra agora.
Quem deve estar satisfeito é o dono do café, que agora tem uma estrada directa ao seu estabelecimento. Pena é que não tem saída nem dá para fazer inversão de marcha. Será que vão arrancar o resto dos carris para fazer um parque de estacionamento?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Onde estão os carris?

Ainda o Estudo de Impacte Ambiental se encontra disponível para consulta pública já algumas entidades decidiram fazer alterações na linha. Na estação de Foz Tua, parte dos carris da via estreita foram arrancados e construído um estradão (de acesso ao café?), sem saída visível.
Seria bom que a REFER e a CP clarificassem as suas posições, sem rodeios. Quanto mais conheço da linha, mais me convenço que são necessárias grandes obras e investimentos, será que há (pelo menos) vontade para as implementar? Não nos enganem...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O que diz a comunicação social - Jan09



Outras notícias

Graffitis em Foz Tua

Parece que alguém descobrir uma utilidade para as composições da Linha do Tua que são consumidas pelo abandono na estação de Foz Tua.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

De Abreiro à Ribeirinha

O Outono passou rapidamente e não me deu tempo para percorrer toda a extensão da Linha de Foz Tua a Mirandela, mas, com os dias a “crescerem”, voltei aos meus passeios começando com um belo percurso entre Abreiro e a Ribeirinha. Apesar de ser perto de onde eu moro, é um dos troços com grande beleza natural.
No dia 19 de Janeiro, cheguei à estação de Abreiro perto das três da tarde. O Céu tinha muitas nuvens e o ar estava muito frio. Ia preparado para uma curta caminhada, com sol, chuva ou mesmo neve. A mochila engordou ligeiramente com alguns acessórios para responder ao mau tempo. Também ficou mais leve, porque apenas me faço acompanhar de uma pequena garrafa de 1/4 de litro de água (no Verão levava vários litros).
O caudal do rio pouco se alterou, correndo sem grande sobressaltos por entre os rochedos junto à Ponte do Diabo. A vegetação nas encostas também pouco mudou. As únicas árvores de folha caduca situam-se junto às margens, e perderam todas as folhas. Não é a mesma coisa que passear por estes locais nos meses de primavera…
Decidi concentrar-me na luz e nas nuvens. Quando falta a cor, torna-se um desafio aliciante, tentar fotografar com o mínimo de luz, tentando captar uma certa atmosfera que por vezes se vê, por vezes se pressente, controlando todos os parâmetros que a câmara permite, principalmente a sensibilidade e a abertura.
Desde o acidente de Agosto de 2008, presto uma especial atenção à linha. A leitura do relatório e dos seus anexos deram-me alguns conhecimentos para detectar defeitos e há mesmo muitos.
Era a 5.ª vez que fazia este caminho, por isso já conhecia os pontos estratégicos que permitem uma boa visão da linha. O silêncio era absoluto, depois de deixar as águas agitadas, depois da estação de Abreiro (30.º km). Nem aves, nem qualquer outro animal se divertia no frio da tarde.
Ao quilómetro 32.º começou a chover. Procurei refúgio nas ruínas de uma quinta nas Taimas. Nestas ruínas, onde o xisto que combina com o granito, a madeira e a argila das telhas já cedeu ao abandono. Numa divisão tomada pelas silvas desenha-se a entrada de um forno forrado a barro, sugerindo um longínquo cheiro a pão quente.
A chuva parou rapidamente e acelerei o passo para chegar ao apeadeiro da Ribeirinha. O sr. Abílio não me esperava à porta, como é habitual. Se calhar foi do frio ou talvez estivesse doente, o Inverno é complicado para os idosos.
Cheguei ao 34.º quilómetro, já depois da Ribeirinha às 4:30 da tarde. Já me restava pouco tempo para fazer o caminho de regresso, tendo em conta que demoraria pelo menos uma hora.
Recomecei a caminhada em passo acelerado. Quando o céu ganhou alguma colocação avermelhada, perdi a pressa. De novo me esqueci do tempo deixando-me levar pelas nuvens escuras, pelas águas do rio, fundindo-me com a tranquilidade do local que por nada era perturbada. Liguei o flash, levei o ISO ao limite e saboreei cada minuto, cada passo, até que algumas gotas de água gelada me tiraram do transe. Cheguei a Abreiro às 18 horas, já noite escura.
Esta foi a minha primeira caminhada de Inverno na Linha. A primeira de mais uma série delas que me levarão a conhecer toda a sua extensão, nos tais três meses que não são de “Inferno”.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O Inverno na Linha do Tua (3)

Quando esperava encontrar uma paisagem cinzenta e descolorida, ao passear na Linha do Tua neste gélido Inverno, encontro paisagens como esta, já vistas, mas sempre belas, com uma cor vibrante e uma luz mágica. Foi no Sábado, perto do S. Lourenço.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A linha do Tua - Verão


Pode parecer nostálgico, mas é muito agradável recordar os passeios de Verão ao longo da Linha do Tua.
Este novo vídeo que coloquei no Youtube, permite uma viagem completa desde Foz Tua a Mirandela, percorrendo a Linha do Tua, nos meses de Junho, Julho e Agosto.
Está já agendada uma realização idêntica do Outono.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Desleixo e incompetência


Meus amigos,
Impressionado com a reportagem fotográfica da EMEF sobre os defeitos na infra-estrutura da Linha do Tua, resolvi consultar a “net” e realizar um “slide show”.

As causas dos acidentes, nomeadamente o ocorrido no passado dia 22 de Agosto (de que resultaram 1 morto e umas dezenas de feridos) são claríssimas, sobretudo para um engenheiro civil (como a Sr.ª Secretária de Estado dos Transportes), e revoltam pelo desleixo e incompetência revelados pelos que têm como dever zelar pela segurança de pessoas e bens. Alguns são “membros eleitos” pelo contribuinte.

O que o “slide show” apresenta são factos. Factos.

Como no caso da Ota, a minha especialidade não é esta, a dos caminhos - de - ferro, mas arrisco a formulação de alguns juízos, por serem mais políticos do que técnicos. Peço a vossa indulgência.

Estou farto, confesso, das situações de compadrio, de desleixo, de incompetência, etecetera, que avassalam este pobre país há alguns tempos. Passados quase 2000 anos antes outra invasão dos vândalos.

http://maquinistas.org/pdfs_outros/desleixo_tua.pps (duplo clique para ver)

Ao vosso dispor,

Luís Leite Pinto (Eng. Civil, IST)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Inverno na Linha do Tua (2)


Aconteceu a primeira caminhada de Inverno, na Linha do Tua. Apesar da chuva, do frio, do vento e da falta de luz, a paisagem oferece cenários idílicos, capazes de fazer esquecer todas as adversidades.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

domingo, 11 de janeiro de 2009

O Inverno na Linha do Tua

Tenho evitado os meus passeios ao longo da Linha do Tua. O nevoeiro tem sido uma constante cobrindo com frequência grande parte do vale, senão a totalidade, de Foz-Tua a Mirandela. Além disso, há a curta duração dos dias (dia solar), não sendo muito favorável para passeios muito longos, ainda mais tendo que fazer ida e volta a pé, como aconteceu nos últimos percursos que fiz.
Hoje atravessei a linha na estação de Abreiro e em Brunheda. Em Abreiro, já poucos evidências havia da neve, já nevou na Sexta-feira, mas na Brunheda ainda havia alguns mantos de branco e até algum gelo pelas estradas. Mesmo que só de passagem, ficam as minhas primeiras fotografias de Inverno, da Linha do Tua.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Linha do Tua - Debate em Bragança


Debate - Linha do Tua
17 de Janeiro de 2009, Auditório Municipal Paulo Quintela, Bragança.
Organização: Movimento Cívico Pela Linha do Tua

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Barragem de Foz-Tua - Avaliação de Impacte Ambiental


A Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) do Aproveitamento Hidroeléctrico de Foz Tua encontra-se em consulta pública até 18 de Fevereiro.
O estudo apresenta 3 cenários consoante a cota que se pretende atingir com a água da barragem.
Este estudo está disponível para consulta nas câmaras municipais e juntas de freguesia dos concelhos afectados pela construção da futura barragem, nomeadamente Alijó, Murça, Carrazeda de Ansiães, Mirandela e Vila Flor, assim como na Agência Portuguesa do Ambiente e na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.
Pode ser consultado também na página web da EDP (aqui). Está dividido em vários ficheiros PDF totalizando quase 90 MB. Recomendo o Resumo Não Técnico que tal como o nome indica é um resumo, escrito em linguagem mais acessível para poder ser consultado pelo grande público.
O Resumo Técnico tem mais de 800 páginas!