
Cheguei à ponte da
Brunheda poucos minutos antes das duas horas da tarde. O aparato era enorme. A
ponte, e a estrada, antes, e depois dela, estavam cheias de pessoas e veículos. Havia muitos curiosos, mas também a comunicação social, bombeiros e INEM.

Segui pelo estreito acesso que desce até ao apeadeiro da
Brunheda. Nele encontrei uma equipa de televisão, um elemento da
GNR e uma equipa de apoio, alguns elementos estavam identificados como psicólogos.
Segui pela linha. A informação que tinha, dizia que o acidente tinha ocorrido antes do apeadeiro do
Tralhão, como conheço o terreno, sabia que seria perto.
Havia muita gente pela linha: homens, mulheres, crianças, polícia e pessoal ligado à Linha. Não encontrei qualquer vestígio dos feridos ou dos paramédicos que os trataram. Na
Sobreira, tinham passado por mim, 4 ambulâncias, em direcção a
Mirandela.
Havia
técnicos a fazer a medição da distância entre os carris. Os sinais na linha de um descarrilamento, eram mínimos! Mesmo antes de chegar ao local do acidente, vi, ao longe, uma automotora que se aproximava, vinda do sul! Cheguei a pensar que ela passaria no lugar do acidente, mas deteve-se a poucos metros dele. Tinha estado parada na estação de
Santa Luzia, à espera de ordens para avançar. Destinava-se a levar os passageiros que quisessem continuar a viagem para
Foz Tua, mas creio que foi embora vazia, não havia ninguém para transportar.

A automotora acidentada, não se via.
Tombou numa pequena ravina, com quatro ou cinco metros de profundidade, do lado da linha encostada à montanha. Esta depressão deve-se ao facto de haver uma que ribeira que vem de perto da aldeia da
Brunheda e que passa sob a linha, neste exacto local. Há uma pequena cova e depois a água segue por um aqueduto para o outro lado da linha, e depois para o rio. Na margem oposta, desagua o
Rio Tinhela, depois de ter passado pelas
Caldas de Carlão.

A automotora dirigia-se de
Mirandela para
Foz Tua. Saiu de
Mirandela às 9:37 horas e deveria passar no local do acidente às 10:45. Transportava 47 passageiros, devendo ser muitos deles turistas.
A comunicação social cita o maquinista que diz ter ouvido uma explosão junto ao eixo dianteiro, no momento do descarrilamento. Não são visíveis quaisquer vestígios nos carris.
No local do acidente é impensável atribuir as causas a um deslizamento de terras, até porque estamos no Verão e são as águas que facilitam os deslizamentos de terras.

A automotora deveria ter percorrido uma ligeira curva, muito ligeira mesmo, e não o fez. Os estragos provocados nas
travessas, devem-se ao efeito das rodas que por elas seguiram durante algum tempo. A composição não seguiu a direito em direcção à ravina.

Seguiu ainda alguns metros com os rodados direitos entre os carris, tombando depois para a ravina do lado esquerdo, quando já seguia a pouca velocidade, quase parada. Esta ideia vem-me unicamente da interpretação das marcas deixadas. Há vegetação que não foi danificada atrás da máquina, logo a composição não passou por aí. A automotora tombou para o lado, no exacto local onde se encontra.
A esquina onde segue o maquinista, embateu nas rochas de suporte do pequeno canal para a água, que passa por
debaixo da linha. Custa a crer que o tenha ficado bem!
No momento em que me encontrava no leito da ribeira, foi vedado o local, calculo que para haver mais privacidade para investigadores e técnicos. Não paravam de chegar órgãos de comunicação social.

Voltei à ponte. O aparato tinha-se diluído. Quando a abandonei a estação, já de carro, encontrei muito carros de televisões, protecção civil e INEM, à saída do caminho da estação, na estrada N314.
Ainda subi alguns metros na estrada que segue para
Carlão e
Porrais, para
observar o local do acidente de longe. Chegaram mais dois helicópteros da comunicação social.
Abandonei o local definitivamente, só parando na
Ponte de Abreiro. Interroguei-me sobre o futuro da linha. Recordei o acidente ocorrido no aeroporto de
Madrid, de que resultaram 153 mortos, palpita-me que não vão encerar o aeroporto...