sábado, 6 de setembro de 2008

Muitos porquês...

Não pode haver pior final para o acidente que aconteceu na Linha do Tua no dia 22 de Agosto, do que não se descobrir a razão dele ter acontecido.
Muito se tem falado da falta de manutenção da linha, dos parafusos soltos, nas travessas podres, de uma explosão junto às rodas, etc. Muitas destas teorias são "criadas" pela necessidade de haver desenvolvimentos.

Não podemos por em causa as entidades que estão a proceder às investigações. Esperamos que estejam a ser rigorosas e metódicas, recorrendo a especialistas nas áreas necessárias.
Faltam ainda analisar alguns elementos importantes, como o registo da velocidade da composição e a adequação deste tipo de material circulante a uma linha com as características da Linha do Tua.
Também me parece que deva ser analisado o impacto na linha das obras de instalação de fibra óptica entre o Tua e Mirandela. As máquinas abrem uma pequena vala, com cerca de meio metro de profundidade, onde é enterrado o tubo que ira receber os cabos.

As máquinas que fazem a abertura da vala têm as lagartas revestidas a borracha. Esta protecção deteriora-se com a circulação sobre os carris. Encontrei algumas lagartas "perdidas" ao longo da linha.
Coincidência, os trabalhos de colocação da estrutura de suporte da fibra óptica, decorrem um pouco depois do local do acidente (próximo de S. Lourenço). Na zona do acidente estes trabalhos decorreram nos últimos dias de Julho.
Para os que queremos passear durante muitos mais anos na Linha do Tua, é importante que se descubra a razão de mais este estranho acidente.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O Verão na Linha do Tua (3)


O Túnel das Fragas Más II, tem a extensão de 38 metros e situa-se numa curva, no final do 5.º quilómetro da Linha do Tua.
Com este túnel, termina um dos locais onde possivelmente foi mais difícil construir a linha. Há um túnel, um viaduto e depois este túnel. Não havia mesmo local onde construir a linha, por isso teve que passar por debaixo da montanha e até suspensa sobre o rio no Viaduto das Fragas Más.
Depois deste túnel, o vale alonga-se, numa curva preguiçosa, num quadro de rara beleza que vale a pena fotografar (não vai faltar neste Blogue).

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Parafusos na Linha do Tua


Quando no dia 24 de Agosto li a notícia de que "Jovens entregam parafusos "soltos" da linha à CP", pensei: - Ora aí está uma ideia interessante, educativa até...
Depois, continuei a pensar no assunto. Pode haver (e há) parafusos soltos ao longo da linha, mas nunca uma grande quantidade e em poucos metro (ou até quilómetros da linha).
Ao contrário do que alguns jornalistas quiseram fazer passar, não é fácil arrancar das travessas os ditos parafusos, mesmo quando estejam parcialmente soltos.

Daí, toca de procurar no meu "arquivo" de alguns milhares de fotografias, algumas que ilustrem o que digo.
A primeira fotografia mostra muitos parafusos "soltos" na linha. Querem saber aonde? Precisamente na estação da Brunheda. A fotografia mostra parafusos que foram substituídos, transportados para a estação e que, por alguma razão, ali ficaram durante algum tempo. A fotografia foi tirada no dia 18 de Julho de 2008, no quilómetro 21.º, ou seja na estação da Brunheda. Não sei se na altura do acidente todos os parafusos permaneciam no local, é bem possível que sim, uma vez que estavam onde não causavam qualquer estorvo. Será que era destes parafusos que os jornalistas falaram?!!
A segunda fotografia foi tirada no dia 12 de Julho de 2008, depois do quilómetro 36.º, já com o Vilarinho à vista. Esta fotografia prova que há realmente alguns parafusos soltos. Os três parafusos que estão cravados na travessa, estão parcialmente soltos, sendo possível retirar um deles com a mão.
Da minha experiência de mais de 100 km a pé pela linha posso dizer que, esta situação de parafusos soltos, é muito rara, não tendo visto mais de dois ou três casos. A falta de um parafuso, principalmente sendo do interior da linha, não acarreta grande risco para a circulação, e se a Refer fazia a manutenção da linha de 15 em 15 dias, estes casos já devem ter sido solucionados há muito.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Eu estive lá...

Desde que comecei a divulgar os meus passeios ao longo da Linha do Tua, tenho recebido mensagens de muitas pessoas que já fizeram o percurso e de outros que pretendem fazê-lo. Há quem viaje de comboio mas também muitos amantes do ar livre, que fazem questão de percorrer a Linha, toda, ou em parte, a pé!
Decidi abrir um espaço para que, todos os que queiram, possam colocar questões, fazer comentários ou partilhar experiências e/ou sentimentos que viveram ao longo da Linha do Tua.
Podem fazer os comentários directamente no Blog, ou mandar-me um email (alinhaetua@gmail.com) com algumas linhas de texto e fotografias para eu publicar, aqui.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Linha do Tua - 54 Km de Primavera



Juntei 108 fotografias, 2 por cada quilómetro de linha, e criei este diaporama a que chamei 54 km de Primavera. Todas as fotografias foram tiradas na Linha do Tua, entre Março e Maio. Procurei um fundo musical à altura e acabei por encontrar um CD antigo da Né Ladeiras, com músicas e arranjos muito bonitos. Parece-me que o conjunto ficou agradável.

domingo, 31 de agosto de 2008

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Túnel de Tralhariz


O Túnel de Tralhariz encontra-se no 4.º quilómetro, muito próximo do apeadeiro com o mesmo nome. É em curva e tem 99 metros.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Túnel de Frechas na Primavera

Túnel de Frechas, na Primavera. Abril de 2008.
Este túnel tem 72 metros e é em Linha recta. Pouco antes da estação de Frechas a linha separa-se do rio, voltando ao seu encontro logo depois deste túnel. À saída do túnel há uma bonita vista sobre o rio, em direcção a jusante. Por cima deste túnel passa a estrada N213.

sábado, 23 de agosto de 2008

EDP pode ter de construir uma linha nova


EDP pode ter de construir uma linha nova, é avançado hoje pelo jornal O Público, na sua edição impressa.
Acontece que uma NOVA linha não é centenária;
acontece que o vale ficará completamente descaracterizado;
acontece que os atractivos em termos turísticos que esta linha oferece, ficarão integralmente debaixo de água.

Ligação à notícia do Público

Estado da Linha do Tua

Embora saiba que é sempre possível fazer melhor, estou em crer que a Linha do Tua nunca teve condições tão boas como as que tem agora. Já falei como muita gente que conhece a linha, alguns há muitas décadas e são eles que contam, o que era a linha e o que é agora.

Em toda a extensão da linha, as travessas estavam apoiadas directamente na terra. Não havia escoamento de água. Quando chovia, a água não escorria, empoçando junto à via causando o apodrecimento das travessas. Actualmente toda a linha está apoiada em gravilha, com bons sistemas de escoamento de água.
Também tem sido feito algum trabalho na sustentação de terras e rochedos da encosta prevenindo a sua derrocada. Apesar de as pessoas acharem que algumas travessas estão velhas, elas são extremamente resistentes. Tem havido substituição das travessas mais velhas.
A condução da automotora é feita à vista, ou seja, a baixa velocidade permite que o maquinista veja a linha à sua frente. Se há curvas a velocidade é lenta o necessário para permitir ver com clareza uma extensão razoável da linha, permitindo ao maquinista parar, se houver algum objecto estranho na linha.

Apesar de haver poucas passagens de nível com cancela (já não há nenhuma com guarda) a automotora apita quando se aproxima de qualquer passagem de nível de estrada ou caminho rural.
É claro que todos estes melhoramentos não evitam todos os acidentes mas previnem grande parte dos riscos.

A Primavera na Linha do Tua (7)

Amor-perfeito selvagem junto à Linha do Tua. O gradeamento é da estação do Cachão.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Acidente na Linha do Tua (Cont.)


Cheguei à ponte da Brunheda poucos minutos antes das duas horas da tarde. O aparato era enorme. A ponte, e a estrada, antes, e depois dela, estavam cheias de pessoas e veículos. Havia muitos curiosos, mas também a comunicação social, bombeiros e INEM.
Segui pelo estreito acesso que desce até ao apeadeiro da Brunheda. Nele encontrei uma equipa de televisão, um elemento da GNR e uma equipa de apoio, alguns elementos estavam identificados como psicólogos.
Segui pela linha. A informação que tinha, dizia que o acidente tinha ocorrido antes do apeadeiro do Tralhão, como conheço o terreno, sabia que seria perto.
Havia muita gente pela linha: homens, mulheres, crianças, polícia e pessoal ligado à Linha. Não encontrei qualquer vestígio dos feridos ou dos paramédicos que os trataram. Na Sobreira, tinham passado por mim, 4 ambulâncias, em direcção a Mirandela.
Havia técnicos a fazer a medição da distância entre os carris. Os sinais na linha de um descarrilamento, eram mínimos! Mesmo antes de chegar ao local do acidente, vi, ao longe, uma automotora que se aproximava, vinda do sul! Cheguei a pensar que ela passaria no lugar do acidente, mas deteve-se a poucos metros dele. Tinha estado parada na estação de Santa Luzia, à espera de ordens para avançar. Destinava-se a levar os passageiros que quisessem continuar a viagem para Foz Tua, mas creio que foi embora vazia, não havia ninguém para transportar.

A automotora acidentada, não se via. Tombou numa pequena ravina, com quatro ou cinco metros de profundidade, do lado da linha encostada à montanha. Esta depressão deve-se ao facto de haver uma que ribeira que vem de perto da aldeia da Brunheda e que passa sob a linha, neste exacto local. Há uma pequena cova e depois a água segue por um aqueduto para o outro lado da linha, e depois para o rio. Na margem oposta, desagua o Rio Tinhela, depois de ter passado pelas Caldas de Carlão.

A automotora dirigia-se de Mirandela para Foz Tua. Saiu de Mirandela às 9:37 horas e deveria passar no local do acidente às 10:45. Transportava 47 passageiros, devendo ser muitos deles turistas.
A comunicação social cita o maquinista que diz ter ouvido uma explosão junto ao eixo dianteiro, no momento do descarrilamento. Não são visíveis quaisquer vestígios nos carris. No local do acidente é impensável atribuir as causas a um deslizamento de terras, até porque estamos no Verão e são as águas que facilitam os deslizamentos de terras.

A automotora deveria ter percorrido uma ligeira curva, muito ligeira mesmo, e não o fez. Os estragos provocados nas travessas, devem-se ao efeito das rodas que por elas seguiram durante algum tempo. A composição não seguiu a direito em direcção à ravina. Seguiu ainda alguns metros com os rodados direitos entre os carris, tombando depois para a ravina do lado esquerdo, quando já seguia a pouca velocidade, quase parada. Esta ideia vem-me unicamente da interpretação das marcas deixadas. Há vegetação que não foi danificada atrás da máquina, logo a composição não passou por aí. A automotora tombou para o lado, no exacto local onde se encontra.
A esquina onde segue o maquinista, embateu nas rochas de suporte do pequeno canal para a água, que passa por debaixo da linha. Custa a crer que o tenha ficado bem!
No momento em que me encontrava no leito da ribeira, foi vedado o local, calculo que para haver mais privacidade para investigadores e técnicos. Não paravam de chegar órgãos de comunicação social.

Voltei à ponte. O aparato tinha-se diluído. Quando a abandonei a estação, já de carro, encontrei muito carros de televisões, protecção civil e INEM, à saída do caminho da estação, na estrada N314.
Ainda subi alguns metros na estrada que segue para Carlão e Porrais, para observar o local do acidente de longe. Chegaram mais dois helicópteros da comunicação social.
Abandonei o local definitivamente, só parando na Ponte de Abreiro. Interroguei-me sobre o futuro da linha. Recordei o acidente ocorrido no aeroporto de Madrid, de que resultaram 153 mortos, palpita-me que não vão encerar o aeroporto...

Localização do acidente na Linha do Tua

O acidente na Linha do Tua ocorreu ao quilómetro 20.º, pouco antes de chegar ao apeadeiro da Brunheda (e depois do apeadeiro do Tralhão). A composição fazia o percurso descendente, ou seja, saiu de Mirandela e dirigia-se a Foz Tua.

Acidente na Linha do Tua (1)





As primeiras imagens que captei, perto das 2 da tarde, no local do acidente, que aconteceu hoje, na Linha do Tua.

Acidente/Tua: Cronologia dos principais acontecimentos na linha ferroviária

Lisboa, 22 Ago (Lusa) - Um acidente ferroviário na Linha do Tua, perto da estação de Abrunheda, Carrazeda de Ansiães, causou hoje pelo menos dois mortos e dezenas de feridos em mais um sinistro nesta via que serve a região transmontana.

Cronologia dos principais acidentes e intervenções na linha ferroviária do Tua desde a sua inauguração:

Setembro 1887 - Inauguração da Linha do Tua (entre o Tua e a cidade de Mirandela), nove anos depois da apresentação dos projectos para a sua construção.

Dezembro 1906 - Conclusão da extensão da linha até Bragança, num projecto que previa uma ligação até Espanha que nunca se veio a concretizar.

Abril 1910 - Abílio Beça, um dos principais promotores da linha, morre trucidado por um comboio.

Anos 40 - A Linha do Tua passa da Companhia Nacional para a gestão da CP.

1992 - Encerramento da circulação ferroviária no troço entre Mirandela e Bragança, numa extensão de cerca de 80 quilómetros.

Julho 1995 - É inaugurado o Metro de Mirandela, que possibilita a reabertura da linha entre a cidade e a localidade de Carvalhais.

Abril 2001 - A plataforma da via de circulação é arrastada para o rio, devido a um deslizamento de pedras. Os carris ficam pendurados sobre as águas, mas não há registo de outros danos. A circulação fica interrompida durante vários dias.

Janeiro 2004 - É inaugurada a renovada estação ferroviária de Bragança.

2006 - Dois milhões de euros são investidos em obras de consolidação e reparação da linha.

12 Fevereiro 2007 - Um desabamento de terras motiva a queda de uma composição comercial do metro de Mirandela no rio Tua. Morrem três dos cinco passageiros que faziam a ligação entre as estações da Foz do Tua e Mirandela.

Janeiro de 2008 - Reabertura da linha depois do acidente anterior.

10 Abril 2008 - Três trabalhadores da REFER ficam ligeiramente feridos, numa acidente na linha.

06 Junho 2008 - Uma composição do metro de Mirandela descarrila perto da Estação Foz Tua, a poucos metros do local onde decorrera o acidente de Abril. O maquinista e dois passageiros ficam feridos sem gravidade. O ministro dos Transportes, Mário Lino, afirma que os terrenos são instáveis e que os acidentes podem "ocorrer com alguma facilidade" na linha.

22 Agosto 2008 - Um acidente ferroviário perto da estação de Abrunheda, Carrazeda de Ansiães, causou hoje pelo menos dois mortos e dezenas de feridos.

RYC.

Lusa/fim

Nota: No acidente de 22 de Agosto de 2008, apenas morreu uma pessoa.

Ponte da Cabreira


Ponte da Cabreira, sobre a Ribeira da Cabreira, que passa pelo centro de Freixiel. Trata-se de uma ponte metálica, de um só tramo, situada no quilómetro 26.º, entre o apeadeiro de Codeçais e a estação de Abreiro.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A Primavera na Linha do Tua (6)


Algumas espécies vegetais ao longo da Linha do Tua: lírios, torga, urze e outras espécies. A fotografia do canto superior esquerdo é perto do apeadeiro da Ribeirinha. A do canto inferior esquerdo é junto à estação de Abreiro.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Ponte de Paradela


Ponte de Paradela, sobre a Ribeira de Paradela, entre o apeadeiro de Tralhariz e a estação de Santa Luzia. Trata-se de uma ponte metálica, de um tramo, ao 10.º quilómetro.