domingo, 31 de agosto de 2008

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Túnel de Tralhariz


O Túnel de Tralhariz encontra-se no 4.º quilómetro, muito próximo do apeadeiro com o mesmo nome. É em curva e tem 99 metros.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Túnel de Frechas na Primavera

Túnel de Frechas, na Primavera. Abril de 2008.
Este túnel tem 72 metros e é em Linha recta. Pouco antes da estação de Frechas a linha separa-se do rio, voltando ao seu encontro logo depois deste túnel. À saída do túnel há uma bonita vista sobre o rio, em direcção a jusante. Por cima deste túnel passa a estrada N213.

sábado, 23 de agosto de 2008

EDP pode ter de construir uma linha nova


EDP pode ter de construir uma linha nova, é avançado hoje pelo jornal O Público, na sua edição impressa.
Acontece que uma NOVA linha não é centenária;
acontece que o vale ficará completamente descaracterizado;
acontece que os atractivos em termos turísticos que esta linha oferece, ficarão integralmente debaixo de água.

Ligação à notícia do Público

Estado da Linha do Tua

Embora saiba que é sempre possível fazer melhor, estou em crer que a Linha do Tua nunca teve condições tão boas como as que tem agora. Já falei como muita gente que conhece a linha, alguns há muitas décadas e são eles que contam, o que era a linha e o que é agora.

Em toda a extensão da linha, as travessas estavam apoiadas directamente na terra. Não havia escoamento de água. Quando chovia, a água não escorria, empoçando junto à via causando o apodrecimento das travessas. Actualmente toda a linha está apoiada em gravilha, com bons sistemas de escoamento de água.
Também tem sido feito algum trabalho na sustentação de terras e rochedos da encosta prevenindo a sua derrocada. Apesar de as pessoas acharem que algumas travessas estão velhas, elas são extremamente resistentes. Tem havido substituição das travessas mais velhas.
A condução da automotora é feita à vista, ou seja, a baixa velocidade permite que o maquinista veja a linha à sua frente. Se há curvas a velocidade é lenta o necessário para permitir ver com clareza uma extensão razoável da linha, permitindo ao maquinista parar, se houver algum objecto estranho na linha.

Apesar de haver poucas passagens de nível com cancela (já não há nenhuma com guarda) a automotora apita quando se aproxima de qualquer passagem de nível de estrada ou caminho rural.
É claro que todos estes melhoramentos não evitam todos os acidentes mas previnem grande parte dos riscos.

A Primavera na Linha do Tua (7)

Amor-perfeito selvagem junto à Linha do Tua. O gradeamento é da estação do Cachão.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Acidente na Linha do Tua (Cont.)


Cheguei à ponte da Brunheda poucos minutos antes das duas horas da tarde. O aparato era enorme. A ponte, e a estrada, antes, e depois dela, estavam cheias de pessoas e veículos. Havia muitos curiosos, mas também a comunicação social, bombeiros e INEM.
Segui pelo estreito acesso que desce até ao apeadeiro da Brunheda. Nele encontrei uma equipa de televisão, um elemento da GNR e uma equipa de apoio, alguns elementos estavam identificados como psicólogos.
Segui pela linha. A informação que tinha, dizia que o acidente tinha ocorrido antes do apeadeiro do Tralhão, como conheço o terreno, sabia que seria perto.
Havia muita gente pela linha: homens, mulheres, crianças, polícia e pessoal ligado à Linha. Não encontrei qualquer vestígio dos feridos ou dos paramédicos que os trataram. Na Sobreira, tinham passado por mim, 4 ambulâncias, em direcção a Mirandela.
Havia técnicos a fazer a medição da distância entre os carris. Os sinais na linha de um descarrilamento, eram mínimos! Mesmo antes de chegar ao local do acidente, vi, ao longe, uma automotora que se aproximava, vinda do sul! Cheguei a pensar que ela passaria no lugar do acidente, mas deteve-se a poucos metros dele. Tinha estado parada na estação de Santa Luzia, à espera de ordens para avançar. Destinava-se a levar os passageiros que quisessem continuar a viagem para Foz Tua, mas creio que foi embora vazia, não havia ninguém para transportar.

A automotora acidentada, não se via. Tombou numa pequena ravina, com quatro ou cinco metros de profundidade, do lado da linha encostada à montanha. Esta depressão deve-se ao facto de haver uma que ribeira que vem de perto da aldeia da Brunheda e que passa sob a linha, neste exacto local. Há uma pequena cova e depois a água segue por um aqueduto para o outro lado da linha, e depois para o rio. Na margem oposta, desagua o Rio Tinhela, depois de ter passado pelas Caldas de Carlão.

A automotora dirigia-se de Mirandela para Foz Tua. Saiu de Mirandela às 9:37 horas e deveria passar no local do acidente às 10:45. Transportava 47 passageiros, devendo ser muitos deles turistas.
A comunicação social cita o maquinista que diz ter ouvido uma explosão junto ao eixo dianteiro, no momento do descarrilamento. Não são visíveis quaisquer vestígios nos carris. No local do acidente é impensável atribuir as causas a um deslizamento de terras, até porque estamos no Verão e são as águas que facilitam os deslizamentos de terras.

A automotora deveria ter percorrido uma ligeira curva, muito ligeira mesmo, e não o fez. Os estragos provocados nas travessas, devem-se ao efeito das rodas que por elas seguiram durante algum tempo. A composição não seguiu a direito em direcção à ravina. Seguiu ainda alguns metros com os rodados direitos entre os carris, tombando depois para a ravina do lado esquerdo, quando já seguia a pouca velocidade, quase parada. Esta ideia vem-me unicamente da interpretação das marcas deixadas. Há vegetação que não foi danificada atrás da máquina, logo a composição não passou por aí. A automotora tombou para o lado, no exacto local onde se encontra.
A esquina onde segue o maquinista, embateu nas rochas de suporte do pequeno canal para a água, que passa por debaixo da linha. Custa a crer que o tenha ficado bem!
No momento em que me encontrava no leito da ribeira, foi vedado o local, calculo que para haver mais privacidade para investigadores e técnicos. Não paravam de chegar órgãos de comunicação social.

Voltei à ponte. O aparato tinha-se diluído. Quando a abandonei a estação, já de carro, encontrei muito carros de televisões, protecção civil e INEM, à saída do caminho da estação, na estrada N314.
Ainda subi alguns metros na estrada que segue para Carlão e Porrais, para observar o local do acidente de longe. Chegaram mais dois helicópteros da comunicação social.
Abandonei o local definitivamente, só parando na Ponte de Abreiro. Interroguei-me sobre o futuro da linha. Recordei o acidente ocorrido no aeroporto de Madrid, de que resultaram 153 mortos, palpita-me que não vão encerar o aeroporto...

Localização do acidente na Linha do Tua

O acidente na Linha do Tua ocorreu ao quilómetro 20.º, pouco antes de chegar ao apeadeiro da Brunheda (e depois do apeadeiro do Tralhão). A composição fazia o percurso descendente, ou seja, saiu de Mirandela e dirigia-se a Foz Tua.

Acidente na Linha do Tua (1)





As primeiras imagens que captei, perto das 2 da tarde, no local do acidente, que aconteceu hoje, na Linha do Tua.

Acidente/Tua: Cronologia dos principais acontecimentos na linha ferroviária

Lisboa, 22 Ago (Lusa) - Um acidente ferroviário na Linha do Tua, perto da estação de Abrunheda, Carrazeda de Ansiães, causou hoje pelo menos dois mortos e dezenas de feridos em mais um sinistro nesta via que serve a região transmontana.

Cronologia dos principais acidentes e intervenções na linha ferroviária do Tua desde a sua inauguração:

Setembro 1887 - Inauguração da Linha do Tua (entre o Tua e a cidade de Mirandela), nove anos depois da apresentação dos projectos para a sua construção.

Dezembro 1906 - Conclusão da extensão da linha até Bragança, num projecto que previa uma ligação até Espanha que nunca se veio a concretizar.

Abril 1910 - Abílio Beça, um dos principais promotores da linha, morre trucidado por um comboio.

Anos 40 - A Linha do Tua passa da Companhia Nacional para a gestão da CP.

1992 - Encerramento da circulação ferroviária no troço entre Mirandela e Bragança, numa extensão de cerca de 80 quilómetros.

Julho 1995 - É inaugurado o Metro de Mirandela, que possibilita a reabertura da linha entre a cidade e a localidade de Carvalhais.

Abril 2001 - A plataforma da via de circulação é arrastada para o rio, devido a um deslizamento de pedras. Os carris ficam pendurados sobre as águas, mas não há registo de outros danos. A circulação fica interrompida durante vários dias.

Janeiro 2004 - É inaugurada a renovada estação ferroviária de Bragança.

2006 - Dois milhões de euros são investidos em obras de consolidação e reparação da linha.

12 Fevereiro 2007 - Um desabamento de terras motiva a queda de uma composição comercial do metro de Mirandela no rio Tua. Morrem três dos cinco passageiros que faziam a ligação entre as estações da Foz do Tua e Mirandela.

Janeiro de 2008 - Reabertura da linha depois do acidente anterior.

10 Abril 2008 - Três trabalhadores da REFER ficam ligeiramente feridos, numa acidente na linha.

06 Junho 2008 - Uma composição do metro de Mirandela descarrila perto da Estação Foz Tua, a poucos metros do local onde decorrera o acidente de Abril. O maquinista e dois passageiros ficam feridos sem gravidade. O ministro dos Transportes, Mário Lino, afirma que os terrenos são instáveis e que os acidentes podem "ocorrer com alguma facilidade" na linha.

22 Agosto 2008 - Um acidente ferroviário perto da estação de Abrunheda, Carrazeda de Ansiães, causou hoje pelo menos dois mortos e dezenas de feridos.

RYC.

Lusa/fim

Nota: No acidente de 22 de Agosto de 2008, apenas morreu uma pessoa.

Ponte da Cabreira


Ponte da Cabreira, sobre a Ribeira da Cabreira, que passa pelo centro de Freixiel. Trata-se de uma ponte metálica, de um só tramo, situada no quilómetro 26.º, entre o apeadeiro de Codeçais e a estação de Abreiro.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A Primavera na Linha do Tua (6)


Algumas espécies vegetais ao longo da Linha do Tua: lírios, torga, urze e outras espécies. A fotografia do canto superior esquerdo é perto do apeadeiro da Ribeirinha. A do canto inferior esquerdo é junto à estação de Abreiro.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Ponte de Paradela


Ponte de Paradela, sobre a Ribeira de Paradela, entre o apeadeiro de Tralhariz e a estação de Santa Luzia. Trata-se de uma ponte metálica, de um tramo, ao 10.º quilómetro.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A Primavera na Linha do Tua (4)

A Primavera na Linha do Tua.
A fotografia central foi tirada junto da Quinta do Choupim, perto de Mirandela, no dia 25 de Abril de 2008. O gradeamento é da estação do Cachão.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Cachão - Mirandela (II)

No dia 29 de Julho voltei à Linha do Tua. O objectivo era completar a segunda volta à linha, desta vez em pleno Verão, para poder comparar com aquela que tinha feito na Primavera.
Cheguei ao Cachão, pouco depois das 10 horas. Desta vez não dependia da passagem da automotora. Andava uma pessoa a arrancar algumas ervas nos passeios da estação e, numa curta conversa, fiquei a saber que o troço entre Frechas e Mirandela se encontrava em obras de melhoramento. A Linha do Tua estava toda assente em terra, mas, a situação foi sendo melhorada ao longo dos últimos tempos. Já tinha reparado que o troço mais envelhecido, era entre Frechas e Mirandela, exactamente aquele que se encontra agora em obras.
Esta informação aguçou a minha curiosidade. Na viagem que aqui fiz a 25 de Abril de 2008, tirei fotografias fantásticas, com as papoilas a invadirem a linha. Dá-me ideia que essas imagens nunca mais se vão repetir.

O quilómetro 42º acompanha a estrada N213. Foi uma zona em que tirei boas fotografias. O aspecto estava completamente diferente. Ladeavam a linha duas faixas de ervas completamente ressequidas, com sementes que se prendiam à roupa, lutando pela sua disseminação. Até o bonito jardim de uma moradia que existe sensivelmente a meio desse quilómetro, estava um pouco mais desleixado do que o habitual. Tinha muitas rosas secas.
Um pouco mais à frente reencontrei um casal de aves de rapina que habita esta zona. Estou em crer que se trata de um casal de milhafres-reais (Milvus milvus). Há outro casal de aves de rapina que nidifica entre a Ribeirinha e o Vilarinho das Azenhas, este deve nidificar aqui. Também, logo a seguir a Latadas, há um troço de rio muito largo, com muita água, onde, penso existir mais um casal residente.
Com o céu sem nuvens, o Faro parecia-me ali perto. Este monte fascina-me! Gosto muito de fotografar a linha com o monte a fazer de fundo. Parece até que estamos numa paisagem do centro ou norte da Europa.

Pouco depois avistei as o Bairro Nossa Senhora de Lurdes, em Frechas. Ao chegar à estação, não pude deixar de reparar nas ruínas em redor. Houve um tempo em que a linha era o principal acesso a estas terras. À volta das estações da linha cresciam comércios, pensões e armazéns, conforme a população que serviam. Por exemplo, o Cachão, era o ponto de entrada para o concelho de Vila Flor. Havia um serviço de autocarro entre Cachão e Vila Flor, mas já antes, esse percurso era feito a cavalo. Com a melhoria das estradas, o comboio foi perdendo importância e as infra-estruturas existentes foram sendo abandonadas. Em Frechas, não era difícil manter as casas de banho da estação operacionais, mas agora estão vandalizadas. Quando retomei a marcha apercebi-me que estava quase na hora de passar a automotora. Já não me dava tempo para chegar ao Túnel, por isso abandonei a linha e decidi esperar por ela à sombra de uns enormes choupos brancos. Passou poucos minutos depois, cheia de passageiros, muitos deles turistas que viajam na Linha do Tua por prazer. Estes são, cada vez mais.
Junto à Ponte da Carvalha, entretive-me a tentar fotografar as borboletas. As flores em volta da linha são poucas, ao contrário das borboletas que abundam, mas são muito ligeiras, voando ao mais pequeno movimento.

Pouco depois atravessei o Túnel de Frechas e a vista alargou-se de novo para o rio. A beleza deste vale está neste namoro constante, entre a linha e o rio que raramente se separam. Seguem o mesmo curso, traçam as mesmas curvas, rasgam as mesmas fragas, enfrentam as mesmas ameaças.
Entrei no troço em obras. Está a ser feita uma grande obra: construção de muros de sustentação, aquedutos de escoamento de águas; colocação de gravilha; substituição das travessas; nova soldadura dos carris. Estes são os melhoramentos que uns olhos não treinados vêem. Na zona em obras, é muito complicado andar pela linha. A gravilha cobre mesmo as travessas. Além de ser doloroso estar sempre a caminhar sobre este tipo de piso, é também perigoso. O facto de o pé não apoiar bem, aumenta o risco de entorses. São necessárias umas boas botas.
A zona das Latadas está completamente diferente. Há pouca água, mas as árvores, exuberantes, continuam a dar bastante beleza ao local.
Pouco antes de chegar à Quinta do Choupim, há uma zona plana, com pastos, que me deu grande gozo fotografar na Primavera. Como seria de esperar, agora estava tudo seco. Estava nessa zona quando passou uma nova automotora em direcção a Mirandela.
Era 1:50 da tarde e tinha quatro quilómetros para percorrer. Consultei os horários. Só tinha transporte de Mirandela para o Cachão às 16:14, por isso não tinha necessidade de me apressar.

Dois quilómetros antes de chegar a estação de Mirandela, encontrei o local onde decorriam as obras de substituição das travessas mais velhas. O trabalho é feito durante a noite, uma vez que é necessário arrancar os carris, por isso, não se via ninguém a trabalhar.
Cheguei junto da Ponte Europa. O ambiente era de festa. Do outro lado do rio via-se e adivinhava-se, grande animação, mas ainda contida, dado o calor da tarde.
Demorei bastante tempo a percorrer o último quilómetro. Parava a cada instante, espreitava o rio através do jardim. Sentei-me na relva, retirei as sapatinhas e a maior parte das sementes que levava presas às meias.
Às três e meia da tarde, atravessei todo o Parque do Império e parte da Ponte Românica para tirar algumas fotografias e comprar água fresca. Neste percurso não tive problemas com a água. As três garrafas pequenas que levei, chegaram-me até Mirandela. Apesar do sol, circulou sempre algum ar fresco e não transpirei muito, talvez também pelo facto da linha se encontrar mais próxima da frescura do rio, coisa que não acontece nos troços do início da linha.

À hora da partida da automotora, já estava na estação. Estava completamente lotada, também não me importei, viajo sempre de pé. Muitas das pessoas eram turistas. Alguns vão de carro até ao Tua, fazem o percurso ascendente, almoçam em Mirandela e voltam ao Tua pela tarde.
Com a aproximação do Verão, as automotoras circulam sempre cheias. A linha tornou-se uma atracção turística, mais pela polémica, do que pela promoção que as autarquias fazem. Antes pelo contrário, algumas autarquias, escondem o Rio e a Linha do Tua, com receio que as suas ideias mercantilistas sejam postas à prova, contrariando a ideia de que a linha não é utilizada.
Regressei ao Cachão na automotora. Completei com este percurso, duas voltas à linha, entre Foz-Tua e Mirandela. Talvez quando chegar o mês de Outubro me anime a percorrê-la de novo, em busca das cores do Outono. Até lá, vou-me deliciando com centenas e centenas de fotografias e as recordações de passeios inesquecíveis.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

House Party Sansation 2


House Party Sansation 2
Sábado, Sábado 16 de Agosto; Estação do Caminho de Ferro do Abreiro/Vieiro, na Linha do Tua.
nota: Recebido por email.

domingo, 10 de agosto de 2008

A Primavera na Linha do Tua (3)


A Linha do Tua, em Abril de 2008. As fotografias foram tiradas pouco depois do antigo apeadeiro de Latadas, no sentido de Mirandela.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Foz Tua - Abreiro (Parte III)

18/07/2008 Esta é a continuação da caminhada - Foz Tua - Abreiro (Parte I) e Foz Tua - Abreiro (Parte II)

Depois de me ter levantado antes das seis da manhã, ter caminhado mais de 20 quilómetros, ter na mochila alguns 10 centilítros de água, o meu entusiasmo não era muito. Saí da Brunheda a passo lento, descontando cada passo, na ânsia de chegar a Abreiro.
Perto do quilómetro 24º havia na margem oposta do rio um bom grupo de pessoas. Umas estavam sentadas à sombra de frondosas árvores, outras banhavam-se nas águas frescas do Tua. Esta praia fluvial, tão agradável, deve pertencer à freguesia da Sobreira. Na piscina criada pelo açude, que fotografei no dia 5 de Abril de 2008, havia muita água fresca, que convidavam a alguns mergulhos. Desta vez não me senti tentado a descer às ruínas das azenhas, a retratar as águas, saltando em cachoeira.

Pouco depois encontrei uma fonte com água! Água fresquíssima, num dia quente de Verão, às quatro da tarde. Com as reservas de água repostas, a paisagem ganhou mais verde e retomei o caminho com mais entusiasmo.
Muito perto do apeadeiro de Codeçais, havia mais uma mangueira de água a correr, mas dessa não bebi. Em Codeçais havia um depósito de água para reposição da mesma nas locomotivas, quando o vapor era a força que movia os êmbolos. O local não foi escolhido por acaso, há muita água que chega à linha, mesmo tendo em conta que estamos nos fins de Julho. Há uma espécie de mina, mas a sua água não tem bom aspecto. No mesmo local, corre água de uma mangueira de plástico.

Aproveitei a sombra da estação para me sentar e comer alguma coisa. Normalmente as reservas alimentares que trago, sandes, biscoitos, fruta e yogurtes, são mais do que suficientes para as minhas necessidades. Faço todos os possíveis para não deixar lixo, embora nem toda a gente tenha essa preocupação. Já aparecem ao longo da linha embalagens de sumo e garrafas de água vazias. Estes resíduos devem-se a alguns caminheiros, como eu, mas também aos trabalhadores da linha. Espero que depois dos trabalhos terminados retirem todas essas embalagens que vão sendo espalhadas.
Com o estômago composto e as reservas de água repostas ganhei novo ânimo para a caminhada.Mais a diante, encontrei uma nova fonte de água fresca, pouco antes do quilómetro 26º.
À medida que os quilómetros iam passando, eu fui ganhando confiança.

Já passava das cinco da tarde. O sol começava a mostrar alguns sintomas de fraqueza, quando a automotora passou em direcção a Foz-Tua.
Com a chegada à Ponte da Ribeira da Cabreira, completei o percurso de Foz-Tua à Ribeirinha, uma vez que da Ponte da Cabreira à Ribeirinha foi feita numa caminhada no dia 12 de Julho.
Perto da estação de Abreiro, o rio faz uma grande lagoa. É um dos pontos mais fotogénicos da linha. A lagoa, a estação, a ponte da linha, a ponte rodoviária, são elementos que compõem um belo quadro. A linha descreve uma curva muito aberta, terminando na estação, agora banhada pelo sol.
Uma garça-real (Ardea cinérea) estava pousada nas águas do rio. Estas aves, embora frequentes, são muito atentas ao que se passa à sua volta, levantando voo ao mais pequeno movimento. São frequentes ao longo de todo o curso do rio, mas também nalgumas albufeiras de Trás-os-Montes. Sempre de cabeça levantada, vigiou o meu percurso até chegar à estação de Abreiro.

Completei a minha caminhada. Foram 12 horas na Linha do Tua! Muitas fotografias, muitas emoções, algumas, deram origem a estas linhas, que escrevi, outras que guardarei para mim, incorporando-as.
Não descobri o caminho marítimo para a índia, não entrei para o guiness, apenas fiz um largo passeio, com pouca despesa, com muito tempo e muita coisa para descobrir (e me descobrir). Falta-me o percurso Cachão – Mirandela para completar duas viagens completas, a caminhar na (pela) Linha do Tua.
Fim

Do Blog: À Descoberta de Carrazeda de Ansiães