Depois de ter colocado no Blogue algumas bonitas fotografias do Túnel de Frechas na Primavera, este é o aspecto que foi possível observar no Verão. Muita erva seca e um céu muito azul.
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terça-feira, 7 de outubro de 2008
Túnel de Frechas no Verão
Depois de ter colocado no Blogue algumas bonitas fotografias do Túnel de Frechas na Primavera, este é o aspecto que foi possível observar no Verão. Muita erva seca e um céu muito azul.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Túnel de Frechas na Primavera
Túnel de Frechas, na Primavera. Abril de 2008.Este túnel tem 72 metros e é em Linha recta. Pouco antes da estação de Frechas a linha separa-se do rio, voltando ao seu encontro logo depois deste túnel. À saída do túnel há uma bonita vista sobre o rio, em direcção a jusante. Por cima deste túnel passa a estrada N213.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Cachão - Mirandela (II)
No dia 29 de Julho voltei à Linha do Tua. O objectivo era completar a segunda volta à linha, desta vez em pleno Verão, para poder comparar com aquela que tinha feito na Primavera.
Cheguei ao Cachão, pouco depois das 10 horas. Desta vez não dependia da passagem da automotora. Andava uma pessoa a arrancar algumas ervas nos passeios da estação e, numa curta conversa, fiquei a saber que o troço entre Frechas e Mirandela se encontrava em obras de melhoramento. A Linha do Tua estava toda assente em terra, mas, a situação foi sendo melhorada ao longo dos últimos tempos. Já tinha reparado que o troço mais envelhecido, era entre Frechas e Mirandela, exactamente aquele que se encontra agora em obras.
Esta informação aguçou a minha curiosidade. Na viagem que aqui fiz a 25 de Abril de 2008, tirei fotografias fantásticas, com as papoilas a invadirem a linha. Dá-me ideia que essas imagens nunca mais se vão repetir.

O quilómetro 42º acompanha a estrada N213. Foi uma zona em que tirei boas fotografias. O aspecto estava completamente diferente. Ladeavam a linha duas faixas de ervas completamente ressequidas, com sementes que se prendiam à roupa, lutando pela sua disseminação. Até o bonito jardim de uma moradia que existe sensivelmente a meio desse quilómetro, estava um pouco mais desleixado do que o habitual. Tinha muitas rosas secas.
Um pouco mais à frente reencontrei um casal de aves de rapina que habita esta zona. Estou em crer que se trata de um casal de milhafres-reais (Milvus milvus). Há outro casal de aves de rapina que nidifica entre a Ribeirinha e o Vilarinho das Azenhas, este deve nidificar aqui. Também, logo a seguir a Latadas, há um troço de rio muito largo, com muita água, onde, penso existir mais um casal residente.
Com o céu sem nuvens, o Faro parecia-me ali perto. Este monte fascina-me! Gosto muito de fotografar a linha com o monte a fazer de fundo. Parece até que estamos numa paisagem do centro ou norte da Europa.

Pouco depois avistei as o Bairro Nossa Senhora de Lurdes, em Frechas. Ao chegar à estação, não pude deixar de reparar nas ruínas em redor. Houve um tempo em que a linha era o principal acesso a estas terras. À volta das estações da linha cresciam comércios, pensões e armazéns, conforme a população que serviam. Por exemplo, o Cachão, era o ponto de entrada para o concelho de Vila Flor. Havia um serviço de autocarro entre Cachão e Vila Flor, mas já antes, esse percurso era feito a cavalo. Com a melhoria das estradas, o comboio foi perdendo importância e as infra-estruturas existentes foram sendo abandonadas. Em Frechas, não era difícil manter as casas de banho da estação operacionais, mas agora estão vandalizadas. Quando retomei a marcha apercebi-me que estava quase na hora de passar a automotora. Já não me dava tempo para chegar ao Túnel, por isso abandonei a linha e decidi esperar por ela à sombra de uns enormes choupos brancos. Passou poucos minutos depois, cheia de passageiros, muitos deles turistas que viajam na Linha do Tua por prazer. Estes são, cada vez mais.
Junto à Ponte da Carvalha, entretive-me a tentar fotografar as borboletas. As flores em volta da linha são poucas, ao contrário das borboletas que abundam, mas são muito ligeiras, voando ao mais pequeno movimento.

Pouco depois atravessei o Túnel de Frechas e a vista alargou-se de novo para o rio. A beleza deste vale está neste namoro constante, entre a linha e o rio que raramente se separam. Seguem o mesmo curso, traçam as mesmas curvas, rasgam as mesmas fragas, enfrentam as mesmas ameaças.
Entrei no troço em obras. Está a ser feita uma grande obra: construção de muros de sustentação, aquedutos de escoamento de águas; colocação de gravilha; substituição das travessas; nova soldadura dos carris. Estes são os melhoramentos que uns olhos não treinados vêem. Na zona em obras, é muito complicado andar pela linha. A gravilha cobre mesmo as travessas. Além de ser doloroso estar sempre a caminhar sobre este tipo de piso, é também perigoso. O facto de o pé não apoiar bem, aumenta o risco de entorses. São necessárias umas boas botas.
A zona das Latadas está completamente diferente. Há pouca água, mas as árvores, exuberantes, continuam a dar bastante beleza ao local.
Pouco antes de chegar à Quinta do Choupim, há uma zona plana, com pastos, que me deu grande gozo fotografar na Primavera. Como seria de esperar, agora estava tudo seco. Estava nessa zona quando passou uma nova automotora em direcção a Mirandela.
Era 1:50 da tarde e tinha quatro quilómetros para percorrer. Consultei os horários. Só tinha transporte de Mirandela para o Cachão às 16:14, por isso não tinha necessidade de me apressar.

Dois quilómetros antes de chegar a estação de Mirandela, encontrei o local onde decorriam as obras de substituição das travessas mais velhas. O trabalho é feito durante a noite, uma vez que é necessário arrancar os carris, por isso, não se via ninguém a trabalhar.
Cheguei junto da Ponte Europa. O ambiente era de festa. Do outro lado do rio via-se e adivinhava-se, grande animação, mas ainda contida, dado o calor da tarde.
Demorei bastante tempo a percorrer o último quilómetro. Parava a cada instante, espreitava o rio através do jardim. Sentei-me na relva, retirei as sapatinhas e a maior parte das sementes que levava presas às meias.
Às três e meia da tarde, atravessei todo o Parque do Império e parte da Ponte Românica para tirar algumas fotografias e comprar água fresca. Neste percurso não tive problemas com a água. As três garrafas pequenas que levei, chegaram-me até Mirandela. Apesar do sol, circulou sempre algum ar fresco e não transpirei muito, talvez também pelo facto da linha se encontrar mais próxima da frescura do rio, coisa que não acontece nos troços do início da linha.

À hora da partida da automotora, já estava na estação. Estava completamente lotada, também não me importei, viajo sempre de pé. Muitas das pessoas eram turistas. Alguns vão de carro até ao Tua, fazem o percurso ascendente, almoçam em Mirandela e voltam ao Tua pela tarde.
Com a aproximação do Verão, as automotoras circulam sempre cheias. A linha tornou-se uma atracção turística, mais pela polémica, do que pela promoção que as autarquias fazem. Antes pelo contrário, algumas autarquias, escondem o Rio e a Linha do Tua, com receio que as suas ideias mercantilistas sejam postas à prova, contrariando a ideia de que a linha não é utilizada.
Regressei ao Cachão na automotora. Completei com este percurso, duas voltas à linha, entre Foz-Tua e Mirandela. Talvez quando chegar o mês de Outubro me anime a percorrê-la de novo, em busca das cores do Outono. Até lá, vou-me deliciando com centenas e centenas de fotografias e as recordações de passeios inesquecíveis.
Cheguei ao Cachão, pouco depois das 10 horas. Desta vez não dependia da passagem da automotora. Andava uma pessoa a arrancar algumas ervas nos passeios da estação e, numa curta conversa, fiquei a saber que o troço entre Frechas e Mirandela se encontrava em obras de melhoramento. A Linha do Tua estava toda assente em terra, mas, a situação foi sendo melhorada ao longo dos últimos tempos. Já tinha reparado que o troço mais envelhecido, era entre Frechas e Mirandela, exactamente aquele que se encontra agora em obras.
Esta informação aguçou a minha curiosidade. Na viagem que aqui fiz a 25 de Abril de 2008, tirei fotografias fantásticas, com as papoilas a invadirem a linha. Dá-me ideia que essas imagens nunca mais se vão repetir.

O quilómetro 42º acompanha a estrada N213. Foi uma zona em que tirei boas fotografias. O aspecto estava completamente diferente. Ladeavam a linha duas faixas de ervas completamente ressequidas, com sementes que se prendiam à roupa, lutando pela sua disseminação. Até o bonito jardim de uma moradia que existe sensivelmente a meio desse quilómetro, estava um pouco mais desleixado do que o habitual. Tinha muitas rosas secas.
Um pouco mais à frente reencontrei um casal de aves de rapina que habita esta zona. Estou em crer que se trata de um casal de milhafres-reais (Milvus milvus). Há outro casal de aves de rapina que nidifica entre a Ribeirinha e o Vilarinho das Azenhas, este deve nidificar aqui. Também, logo a seguir a Latadas, há um troço de rio muito largo, com muita água, onde, penso existir mais um casal residente.
Com o céu sem nuvens, o Faro parecia-me ali perto. Este monte fascina-me! Gosto muito de fotografar a linha com o monte a fazer de fundo. Parece até que estamos numa paisagem do centro ou norte da Europa.

Pouco depois avistei as o Bairro Nossa Senhora de Lurdes, em Frechas. Ao chegar à estação, não pude deixar de reparar nas ruínas em redor. Houve um tempo em que a linha era o principal acesso a estas terras. À volta das estações da linha cresciam comércios, pensões e armazéns, conforme a população que serviam. Por exemplo, o Cachão, era o ponto de entrada para o concelho de Vila Flor. Havia um serviço de autocarro entre Cachão e Vila Flor, mas já antes, esse percurso era feito a cavalo. Com a melhoria das estradas, o comboio foi perdendo importância e as infra-estruturas existentes foram sendo abandonadas. Em Frechas, não era difícil manter as casas de banho da estação operacionais, mas agora estão vandalizadas. Quando retomei a marcha apercebi-me que estava quase na hora de passar a automotora. Já não me dava tempo para chegar ao Túnel, por isso abandonei a linha e decidi esperar por ela à sombra de uns enormes choupos brancos. Passou poucos minutos depois, cheia de passageiros, muitos deles turistas que viajam na Linha do Tua por prazer. Estes são, cada vez mais.
Junto à Ponte da Carvalha, entretive-me a tentar fotografar as borboletas. As flores em volta da linha são poucas, ao contrário das borboletas que abundam, mas são muito ligeiras, voando ao mais pequeno movimento.

Pouco depois atravessei o Túnel de Frechas e a vista alargou-se de novo para o rio. A beleza deste vale está neste namoro constante, entre a linha e o rio que raramente se separam. Seguem o mesmo curso, traçam as mesmas curvas, rasgam as mesmas fragas, enfrentam as mesmas ameaças.
Entrei no troço em obras. Está a ser feita uma grande obra: construção de muros de sustentação, aquedutos de escoamento de águas; colocação de gravilha; substituição das travessas; nova soldadura dos carris. Estes são os melhoramentos que uns olhos não treinados vêem. Na zona em obras, é muito complicado andar pela linha. A gravilha cobre mesmo as travessas. Além de ser doloroso estar sempre a caminhar sobre este tipo de piso, é também perigoso. O facto de o pé não apoiar bem, aumenta o risco de entorses. São necessárias umas boas botas.
A zona das Latadas está completamente diferente. Há pouca água, mas as árvores, exuberantes, continuam a dar bastante beleza ao local.
Pouco antes de chegar à Quinta do Choupim, há uma zona plana, com pastos, que me deu grande gozo fotografar na Primavera. Como seria de esperar, agora estava tudo seco. Estava nessa zona quando passou uma nova automotora em direcção a Mirandela.
Era 1:50 da tarde e tinha quatro quilómetros para percorrer. Consultei os horários. Só tinha transporte de Mirandela para o Cachão às 16:14, por isso não tinha necessidade de me apressar.

Dois quilómetros antes de chegar a estação de Mirandela, encontrei o local onde decorriam as obras de substituição das travessas mais velhas. O trabalho é feito durante a noite, uma vez que é necessário arrancar os carris, por isso, não se via ninguém a trabalhar.
Cheguei junto da Ponte Europa. O ambiente era de festa. Do outro lado do rio via-se e adivinhava-se, grande animação, mas ainda contida, dado o calor da tarde.
Demorei bastante tempo a percorrer o último quilómetro. Parava a cada instante, espreitava o rio através do jardim. Sentei-me na relva, retirei as sapatinhas e a maior parte das sementes que levava presas às meias.
Às três e meia da tarde, atravessei todo o Parque do Império e parte da Ponte Românica para tirar algumas fotografias e comprar água fresca. Neste percurso não tive problemas com a água. As três garrafas pequenas que levei, chegaram-me até Mirandela. Apesar do sol, circulou sempre algum ar fresco e não transpirei muito, talvez também pelo facto da linha se encontrar mais próxima da frescura do rio, coisa que não acontece nos troços do início da linha.

À hora da partida da automotora, já estava na estação. Estava completamente lotada, também não me importei, viajo sempre de pé. Muitas das pessoas eram turistas. Alguns vão de carro até ao Tua, fazem o percurso ascendente, almoçam em Mirandela e voltam ao Tua pela tarde.
Com a aproximação do Verão, as automotoras circulam sempre cheias. A linha tornou-se uma atracção turística, mais pela polémica, do que pela promoção que as autarquias fazem. Antes pelo contrário, algumas autarquias, escondem o Rio e a Linha do Tua, com receio que as suas ideias mercantilistas sejam postas à prova, contrariando a ideia de que a linha não é utilizada.
Regressei ao Cachão na automotora. Completei com este percurso, duas voltas à linha, entre Foz-Tua e Mirandela. Talvez quando chegar o mês de Outubro me anime a percorrê-la de novo, em busca das cores do Outono. Até lá, vou-me deliciando com centenas e centenas de fotografias e as recordações de passeios inesquecíveis.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Na Linha do Tua - 3

Hoje foi o dia de partir "À Descoberta" de mais um troço da Linha do Tua. Dia 25 de Abril, dia da liberdade e não há melhor local para eu me sentir livre do que em contacto com a Natureza, longe do barulho, longe da pressão, longe de tudo o que torna o nosso dia a dia num círculo viciado.
Depois de percorrer, a pé, a 1.ªetapa entre Cachão e Ribeirinha e a 2.ªetapa entre a Brunheda e a Ribeirinha, pretendia continuar em direcção ao Tua, mas o acidente que aconteceu na linha, com a Dresin, no dia 10 de Abril, tem dificultado os meus planos.

A minha ideia inicial, era percorrer, a pé, a parte da linha que tem grandes hipóteses de ser trocada por contrapartidas com a EDP, mas depois pensei: porque não percorrer os 54 quilómetros que vão desde Foz-Tua a Mirandela? Como as automotoras continuam a fazer o percurso Brunheda – Mirandela, mantendo os mesmos horários, planeei a 3.ª etapa, Cachão – Mirandela.

Estudei os horários, o trajecto, consultei mapas e fotografias aéreas na Internet. A caminhada seria do Cachão a Mirandela. Iria de carro até ao Cachão; seguiria pela linha até Mirandela; apanharia a automotora de volta ao Cachão e regressaria a casa. Em termos de horários, já sei que tenho de somar bastantes mais horas do que aquelas que são necessárias para fazer o caminho. O objectivo era tirar fotografias e não fazer o percurso o mais rápido possível.

Às onze horas estava no Cachão. O céu estava limpo e o sol escaldante. Carregava o almoço, bastante água e, claro está, o material fotográfico necessário. A estação do Cachão está muito bem cuidada. Foi pintada recentemente e a área circundante está limpa. Até tem um horário dos comboios colado na porta (que ainda tem vidros!). A poucos metros de distância há alguns armazéns, estes sim destruídos. Um deles tem um bonito gradeamento em ferro, mesmo a pedir algumas fotografias a preto e branco.

Segui viagem, pela linha, mas sempre atento a qualquer possibilidade de descer até ao rio, que tem um grande caudal, fruto das “águas mil” de Abril. Neste percurso entre Cachão e Mirandela, a linha e o rio parecem de costas voltadas, chegam mesmo a separar-se, como acontece em Frechas.

A diferença de cota entre os dois é muitas vezes pequena, o que não permite ver o rio da linha. Ao longo de todo o percurso o rio corre mais manso do que para jusante, sempre ladeado de duas luxuriantes linhas de árvores, uma em cada margem, que dificultam a visão. De onde em onde resistem grandes açudes, acompanhados das ruínas das respectivas azenhas. Mesmo sem se verem, os açudes adivinham-se, pelo barulho que a água faz quando as transpõe.No espaço em que a linha segue paralelamente à estrada N213 há dois açudes. Recordo-me comer uns peixinhos fritos, há mais de 20 anos atrás, na única casa que há perto do segundo açude! Depois a linha e a estrada separam-se só voltando a juntar-se perto da estação de Frechas.

A vegetação em volta, solicitava mais e mais fotografias. As papoilas vermelhas saltavam da verdura lembrando-me os cravos de Abril. Mais modestas mas não menos bonitas surgiam tufos de outras flores despertando a minha sensibilidade e o meu conhecimento: miosótis (Myosotis arvensis), borragem (Borago officinalis), erva das sete sangrias (Lithospermum diffusum), viperina (Echium tuberculatum), estevas, (Cistus ladaniferus), arçãs (Lavandula stoechas), jacinto das searas (Muscari comosum), roas (Rosa canina), muitas crucíferas e giestas. Quanto mais tempo se perde olhando com calma, mais variedade de vida se descobre.

Levei algumas horas a chegar a Frechas! Exposta ao sol, parecia adormecida no perfume das flores, aquecida pelo sol. Ao passar sobre a Ribeira da Carvalha, apeteceu-me molhar os pés, refrescar a cara, mas ainda havia muito caminho a percorrer. Atravessei o pequeno túnel sob a estrada nacional e preparei-me para admirar o rio. É neste ponto que da linha se avista melhor o rio. Lá ao fundo, onde o rio se esconde no cachão, os cumes do Faro e da Senhora da Assunção parecem vigiar os meus passos. Que felizes que são, tem hipótese de desfrutar desta paisagem dia após dia!

Consultei a minha cábula com os horários. Dali a pouco passou a automotora em direcção a Mirandela, onde chegaria perto das duas da tarde.
Andei mais um pouco e apanhei um valente susto. Numa quinta, muito bonita que existe na encosta apareceu mais de uma dúzia de cães gigantescos. Felizmente só um avançou para a linha. Não se sentindo apoiado, desistiu e eu pude continuar. A partir deste ponto, é onde a linha está em pior estado. As travessas estão velhas, mal apoiadas e a linha está invadida por ervas daninhas. Está assim até Mirandela. Andam algumas máquinas a enterrar ao lado da linha estruturas para fibra óptica. Penso que depois a linha sofrerá uma intervenção, colocando este troço ao nível da que já existe desde o Tua até Frechas.

No apeadeiro Latadas parei. Aproveitei para saborear o “almoço” já muitas vezes desejado, sentado num tufo de erva, à beira-rio.
Recuperado do cansaço, retornei a marcha. De novo a linha se afasta da estrada N213, só voltando a encontrar-se já em Mirandela.

Depois de algumas curvas, a vista alarga-se. Surgem campos povoados de flores espontâneas de todas as cores. Apeteceu-me deixar a linha e explorar o espaço circundante. Estava na Quinta do Choupim.
Pouco depois surgiram campos cultivados de ambos os lados da linha. Hortas, vinhas, olivais, pomares, mas também boas terras onde se plantavam batatas.
As primeiras casas de Mirandela já se viam ao longe. Acelerei o passo. A automotora partiria para o Tua às 16:14 e eu tinha pouco tempo para chegar à estação. Quando cheguei à Ponte do Açude convenci-me que poderia chegar a tempo.

Nos últimos metros há um carreiro que acompanha a linha e um bonito jardim entre o carreiro e o rio. A paisagem é deslumbrante, seria um óptimo lugar para merendar.
Cheguei à estação a dois minutos da automotora partir. Só tive tempo de limpar o suor e beber um pouco de água. Ainda chegou um grupo de 6 pessoas que desistiram da viagem quando souberam que não poderiam fazer o percurso até ao Foz-Tua pela linha.

Tirei o bilhete até Frechas e coloquei-me junto ao maquinista, apreciando a linha e trocando algumas palavras. Soube que seguiriam onze passageiros, de táxi, da Brunheda para o Tua. Também soube que a linha está completamente recuperada, mas ainda não foi ainda dada autorização para retomar a circulação da automotora no percurso completo.
Apeei-me em Frechas com uma intenção: dar um passeio pela beira-rio admirando a bonita praia fluvial.

Da estação segui, imagine-se, para a Rua da Liberdade. Desci a Rua dos Combatentes em direcção ao rio. Alguns caminhos estavam intransitáveis devido ao caudal do rio e tive que saltar algumas paredes para chegar à praia fluvial. Havia bastantes pessoas espalhadas ao longo do rio. Algumas mulheres lavavam roupa, outros descansavam, brincavam ou pescavam. Subi às ruínas da azenha à procura de melhores ângulos mas o brilho do sol reflectido na água ofuscava a câmara.

Segui em direcção a jusante e depois meti por um caminho em direcção à linha. Esperava-me mais um último esforço até chegar ao Cachão. O sol baixo, queimava-me a cara e dava colorações macias nas zonas translúcidas das flores e folhas. Não sei quanto tempo demorei. Cheguei à estação em simultâneo com a automotora que saiu da Mirandela às 18:13.

Percorri à volta de 18 quilómetros, a pé e tirei 814 fotografias. A selecção de meia dúzia para ilustrar esta minha aventura, é uma tarefa difícil. As fotografias ficam guardadas, mas os locais estão lá, cheios de luz e cor, à espera de serem visitados.
Ligação para a 1.ªetapa entre Cachão e RibeirinhaLigação para a 2.ªetapa entre a Brunheda e a Ribeirinha
Texto e fotografias de Aníbal GonçalvesPublicado no Blog: Frechas
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