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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Prometida mais luta pela linha do Tua



Os próximos dois meses vão ser decisivos para o futuro da linha do Tua, numa altura em que vai ser colocado em discussão pública o estudo de impacte ambiental da barragem de Foz Tua. O autarca de Mirandela promete uma luta acesa para o mês de Agosto e acredita que é possível apresentar argumentos suficientemente fortes que evitem o desaparecimento da via ferroviária do Tua. Foi mesmo sob o fantasma do encerramento da linha do Tua que a direcção do Metropolitano Ligeiro de Mirandela e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário/ CGTP- IN assinaram o “acordo de empresa”, o qual vem regulamentar toda a situação laboral dos funcionários do Metro de Mirandela.

José Silvano, presidente do Metropolitano Ligeiro de Mirandela, explica que só agora se deu este passo, por só recentemente existirem funcionários em número suficiente para estabelecer este tipo de acórdos. José Manuel Oliveira, do sindicato, diz que a negociação, que demorou cerca de ano e meio, ficou marcada por avanços e recuos, mas também pelos percalços na linha do Tua e diz acreditar que este acordo é um sinal de empenhamento na manutenção da via ferroviária. José Silvano acredita que nos dois meses em que o estudo de impacte ambiental da futura barragem de Foz Tua vai estar disponível para discussão pública, vão apresentar argumentos válidos que travem a construção da barragem, como já aconteceu com outras situações semelhantes no país. O presidente do Metro de Mirandela fala também na existência de um lobby para manter a linha ferroviária da parte da CP e REFER, pois não se compreende como é que estão a ser investidas centenas de milhares de euros num equipamento que pode ser desactivado. A partir de Agosto e até ao final de Outubro vai ser tomada a decisão final, após a discussão do estudo de impacte ambiental, onde os defensores da linha do Tua esperam conseguir evitar o encerramento da via ferroviária.

Fonte do texto: RBA
Fotografia: Aníbal Gonçalves; perto da Ribeirinha, no dia 13 de Julho de 2008.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

De volta à Linha do Tua

Esta é a continuação do passeio que fiz, a pé, no dia 12 de Julho. Começou em Freixel, continuou pela Ribeira da Cabreira até à foz, no Rio Tua.

Cheguei ao Rio Tua às duas horas da tarde. Fiz questão de descer junto à margem e ir ao exacto local onde as águas da ribeira se diluem no ainda grande caudal do rio. Espreitei a ponte do comboio - que salta a ribeira - e preparei-me para a segunda etapa, agora já em terreno meu conhecido.
Aproveitei para calar o estômago, enquanto caminhava. Já podia seguir tranquilamente.
As primeiras observações levaram-me a comparar a paisagem com aquela que encontrei em Abril de 2008. A erva seca substituiu o manto de flores que ladeava a linha, mas o rio continua igual, vigoroso e barulhento. Este troço da linha foi objecto de uma intervenção, mesmo até ao Cachão. Parece-me que aproveitaram a movimentação das máquinas para o enterramento de uma estrutura de mangas de plástico (com o objectivo de receberem redes de fibra óptica), para limparem as valetas, ajeitarem a gravilha, substituírem algumas travessas, colocarem novos sinais, etc. Tantos melhoramentos numa linha a abater?!

Até à estação de Abreiro, foi um passeio. A estação está transformada em estaleiro, mas não encontrei água, nem casas de banho.
Aborreceu-me o facto de não passar nenhuma automotora. É mais agradável fotografar a linha, quando esta está ocupada.
Aproveitei a paz ambiente para fazer uma viagem no tempo. Imaginei a que velocidade seguiria a composição que transportou El-Rei Dom Luís e a rainha D. Maria Pia, que se deslocavam a Mirandela para a inauguração da linha, a 27 de Setembro de 1887. Imaginei-me a registar o momento com a minha moderna câmara digital (imaginação fértil). Imaginação também não faltava a Rafael Bordalo Pinheiro, que esteve presente na cerimónia, na estação de Mirandela.
Parti para a etapa seguinte, Ribeirinha. Gosto muito deste troço. As águas encolhem-se por entre rochas gigantescas, fazendo muito barulho; na margem oposta há formações graníticas interessantes; começa a aparecer o cume da Serra do Faro, meu vigilante de muitos passeios. No quilómetro 31 encontrei uma nascente de água. Era saborosa e aproveitei para repor as reservas que transportava.

Um pouco mais à frente há um rochedo elevado, entre a linha e o rio. Aproveito sempre para fazer fotografias doutro ângulo, subindo ao rochedo. De repente, saindo das curvas da Ribeirinha, apareceu um grupo de pessoas que caminhava pela linha. Eram mais de uma dezena. Ainda pensei que se tratava do grupo com quem pensara encontrar-me, mas não. Continuaram em direcção a Abreiro e eu à Ribeirinha. Ao vê-los afastarem-se, em linha, pela linha, lembrei-me: porque é que ainda ninguém se lembrou de criar um passeio ao lado da linha? Um passeio com pouco mais de 50 cm de largura, seria suficiente para que os caminhantes pudessem percorrer, facilmente, toda a extensão da linha. Não teria sido difícil fazer esse passeio, em cimento, à medida que formam enterrando a estrutura para a fibra óptica.
Quando cheguei ao apeadeiro da Ribeirinha, estava na hora de passar a automotora, no sentido Mirandela-Tua. O senhor Abílio, “guarda” sempre atento da estação, prontamente me abasteceu de água fresca. Trocámos algumas palavras enquanto a automotora não chegava. Chegou, e parou. Também na automotora viajava um grupo de amigos, meus, da fotografia e da Linha do Tua! Ainda tive tempo para os cumprimentar, a automotora fica sempre alguns minutos na Ribeirinha. Seguiu em direcção ao Tua, e eu, em direcção a Vilarinho das Azenhas. Neste troço, mal se avista o rio. Às vezes sigo pelo caminho, que é paralelo à linha, mas decidi manter-me na linha. Nas oliveiras em redor vêem-se muitos rebentos novos! Parecem estar a recuperar da doença que as afectou e que matou bastantes, nestas zonas baixas.
Não fiz nenhuma pausa no Vilarinho. O cansaço já era muito, doíam-me os pés. Caminhar pela linha, pisando de travessa em travessa, não é rápido e maça muito a base dos pés. Na maior parte do percurso não há outra alternativa, mas nalguns locais há uma pequena faixa de terra, que se deve aproveitar.

Já passava das seis da tarde, o sol dava alguns sinais de querer descansar. Nos rochedos escarpados sobre o rio já se notava o alaranjado do entardecer. Passou mais uma automotora, esta só até Abreiro.
Perto do Cachão encontrei, junto à linha, uma planta que nunca tinha visto. Trata-se de uma espécie de feto, mas muito grande e lenhoso! Nunca o vi em lugar algum, ao longo de toda a linha, só encontrei aqui pequenas manchas, em locais escarpados e sombrios, como é típico dos fetos. Vou procurar saber mais desta planta.
Já muito devagar, fui-me aproximando do fim do meu passeio. E devo dizer que não terminei no melhor local. O aspecto do Complexo do Cachão, para quem passa na linha, é tudo menos bonito e o cheiro ainda é pior.
Foi um longo passeio, cheio de emoções e magníficas paisagens.

Do Blogue: À Descoberta de Vila Flor

domingo, 6 de abril de 2008

Na Linha do Tua - 2


Ontem foi dia de mais uma etapa À Descoberta da Linha do Tua e do Rio. Depois da experiência da primeira etapa que me levou do Cachão à Ribeirinha, pensei na melhor maneira de continuar, em direcção ao Tua. Optei por descer parte da linha na automotora, partindo da Ribeirinha e fazer o caminho de regresso caminhando (2). Depois de estudar um pouco a linha, achei que podia caminhar da Brunheda até à Ribeirinha, e foi isso que eu fiz.
O dia estava bonito, sem nuvens, quente, a convidar para o passeio ao ar livre. Pouco depois das 10 da manhã já estava na Ribeirinha. Estacionei o carro e ainda tive tempo de ir até ao rio tirar algumas fotografias. Às 10:30 chegou a automotora. Transportava 8 viajantes, o condutor, o revisor e um cão. Não era o único interessado em registar as belezas da paisagem em fotografia, havia pelo menos mais três pessoas. Em Abreiro entraram mais 4 pessoas, sem bagagem, com todo o aspecto de viajarem por prazer.

Quase sem dar conta, estava na Brunheda. Desci da automotora e esta continuou em direcção ao Tua. Comecei a caminhada de regresso exactamente às 11 horas. Calculei que percorrer o caminho me levasse 2 horas e 3 para tirar fotografias.
Na maior parte do percurso não há caminho e por isso tinha que caminhar pela linha. Onde fosse possível e interessante, deixaria a linha e desceria até ao rio. Também tinha por objectivo fotografar a flora e fauna. O ano corre muito seco e não há muita vegetação. Com as temperaturas amenas que se fazem sentir, há muitas plantas floridas e por isso não me faltariam motivos para fotografar.
Pensei em subir à ponte para ter uma boa perspectiva da linha e da estação, mas desisti, isso ira levar-me bastante tempo.
A primeira coisa que me surpreendeu, foi a quantidade de vinhas que estão a ser plantadas nas encostas do Tua! Havia muitos grupos a trabalhar em novas vinhas. Ao contrário do que se imagina, existem nas duas encostas do rio muitas terras ainda cultivadas. A maior parte são vinhas, mas há também oliveiras e amendoeiras. A segunda, foi a quantidade de ninhos que há nos barrancos da linha.
Tinha andado cerca de dois quilómetros quando me surgiu a primeira açude. Havia ainda as paredes de uma azenha e como o acesso era fácil, desci ao rio. A construção é grande e robusta. As mós ainda lá estão. Estava eu entretido a tentar fotografar o movimento da água quando um melro-da-água (Cinclus cinclu) vei-o investigar-me. Fiquei excitado, é uma ave difícil de fotografar, não desperdicei a oportunidade. Ao longo de todo o percurso observei muitos cágados, alguns enormes. Estão sempre muito atentos e é difícil aproximarmo-nos deles. Também observei algumas garças-reais, perdizes, melros e melros azuis (Monticola solitarius, como eu). Curiosamente não vi nenhuma ave de rapina.

A segunda açude vim a encontrá-la junto ao apeadeiro de Codeçais. Também aproveitei para descer ao rio e fazer algumas fotografias. Na ombreia da porta da azenha pode ler-se com facilidade os anos de 1879 e 1939. Neste ponto, faz-se a divisão de 3 concelhos: Carrazeda de Ansiães, Murça e Mirandela. Pouco depois de subir à linha, passou a automotora em direcção a Mirandela.
Nesta zona a vegetação é composta por giestas, freixos, choupos, sobreiros e carrascos. Há também algumas estevas, pilriteiros, torgas e gilbardeiras. Os pilriteiros (Crataegus monogyna) estão particularmente bonitos, carregados de flor, branca, miudinha e cheirosa. As plantas anuais e muitas bolbosas também estão em flor, despertando a minha atenção. Isto já para não falar das violetas selvagens que se encontram ao longo do rio, dos pequenos amores-perfeitos selvagens que estão por todo o lado.
Depois de percorrer pouco mais de 5 quilómetros encontrei a primeira ponte. Identifiquei imediatamente o local. Só podia ser a ribeira que atravessa Freixiel a juntar-se ao Rio Tua. Encontram-se à direita da linha, a poucos metros, ruínas de várias casas. Deve ter existido aqui possivelmente alguma quinta. O rio sofre um estreitamento, as águas correm muito agitadas e fazem muito barulho.
Depois de andar 8 quilómetros estava na estação de Abreiro. Já tinha perdido a conta às fotografias, felizmente a bateria ainda estava para durar e, portanto, podia continuar. Após passar uma zona onde vale é mais aberto, depois da ponte de Abreiro, entra-se na zona mais agreste deste percurso. O rio estreitece de tal forma que parece ser possível saltar de um lado para o outro.

Depois da Ponte do Diabo, desci pelas fragas para fotografar alguns rápidos do rio. Esta zona é muito perigosa, deve haver poços com muita profundidade e águas muito violentas. O barulho era ensurdecedor.
Nas frestas das rochas crescem violetas e Jacinto-dos-campos (Hyacinthoides hispânica) com cores tão delicadas que são difíceis de fotografar. As águas agitadas do rio pareciam agora de outra cor.
Cada curva do rio, cada curva da linha, abrem horizontes para infindáveis composições de cores e enquadramentos. Dividi-me entre os grandes planos das encostas, a vegetação que ladeia o rio e as curvas preguiçosas da linha. O tempo foi passando e aproximava-me cada vez mais da Ribeirinha.
Entretanto verifiquei que estava quase na hora da automotora passar de novo em direcção ao Tua. Tomei posição num ponto alto e esperei pacientemente. Às 16:50 a automotora passou, permitindo-me mais algumas fotografias.
Pouco tempo depois a violência das águas foi diminuindo gradualmente. O rio alargou-se e surgiram enormes árvores nas suas margens. A Ribeirinha estava perto! Abandonei a linha e segui mesmo junto à água até chegar à aldeia. As águas estavam calmas e os reflexos da folhagem formavam harmoniosos quadros.

Cheguei à estação já eram seis horas. Ultrapassei em duas horas a minha previsão, mas fiz o percurso sem pressas, descendo ao rio várias vezes e tirando mais de 1300 fotografias. Não senti cansaço, apenas alguma fadiga nas pernas e o pescoço a ferver do sol que apanhou. Fazendo o percurso pela linha seriam mais ou menos 12 quilómetros. Com as voltas que dei, não faço ideia quantos quilómetros percorri.

Já sinto muita vontade de fazer o resto do percurso até ao Tua.

Do Blogue: À Descoberta de Vila Flor

sexta-feira, 28 de março de 2008

Na Linha do Tua - 1


Hoje foi dia de partir à Descoberta. Já há algum tempo que não fazia um largo passeio por terras de Vila Flor. Estive fora uns dias mas o clima também não tem ajudado muito. Felizmente tem chovido alguma coisa mas muito pouco.
A nova máquina fotográfica (Panasonic Lumix DMC-TZ2) chegou por altura da Páscoa, mas ainda mal tive tempo para testar as suas potencialidades.
A aventura foi um pouco diferente do habitual. Fui até ao Cachão de carro; fiz o percurso entre o Cachão e a Ribeirinha a pé e voltei a Vila Flor de carro. Nunca tinha feito uma saída deste género mas pode ser que faça mais no futuro.

O destino do Rio Tua e a Linha do Tua está traçado. Pouco tempo nos resta para gozar as paisagens que nos oferecem. Infelizmente não acredito nos políticos e as promessas não passam disso, promessas. Há quem as esqueça na própria noite das eleições, há quem as faça sem acreditar nelas, há quem prometa para enganar. Vivemos numa época em que a opinião dos outros pouco vale face à inteligência superior que alguns têm, ou julgam ter.
Foi pensando nestas promessas de desenvolvimento que deixei a estação do Cachão. Caminhei ao longo do que resta do complexo nada entusiasmado com o que via. Ao longo da linha escorria uma grande quantidade de água suja e malcheirosa. Pouco depois entrei na tranquilidade da Natureza.




O percurso entre Cachão e Vilarinho das Azenhas pode ser feito por estrada, a poucos metros da linha, mas eu decidi ir pela linha, e, onde fosse possível, aproximar-me do rio.
Neste ponto há altas montanhas para Norte e para Sul sendo cortados a meio pelo rio que, ao longo dos milénios, rasgou o seu próprio caminho. É esta passagem estreita que dá o nome ao lugar, Cachão - local onde a água passa apertada e revoltosa, fazendo bolhas. Conheço lugares com este nome no Rio Douro e no Rio Sabor.

Vêem-se ainda pequenos recantos cultivados. Videiras, laranjeiras, pereiras, macieiras, marmeleiros e bastantes oliveiras são as árvores predominantes. Como árvores selvagens e arbustos encontrei choupos, freixos, salgueiros, sobreiros, urze, giestas, pilriteiro, carqueja, tojo, etc.



Só de vez em quando o sol abria os olhos, cintilando nas folhas juvenis das árvores que ladeiam o rio e dando algum azul à água. Aos poucos minha atenção era desviada para pequenas flores, delicadas, que rompem o manto verde da margem do rio criando um padrão mais colorido. Não faltavam aves saltando de ramo em ramo. Os passeriformes como o pintassilgo, o verdelhão, o tentelhão, o milheiro apareciam por todo o lado. Avistei também um gaio, uma ave de rapina que não consegui identificar, um corvo-marinho e uma garça. Os melros também saltavam nos silvados. Quase já em Vilarinho das Azenhas descobri um ninho com alguns ovos.
Ao chegar perto da ponte de Vilarinho das Azenhas, deixei a linha do comboio. A partir deste ponto, há quase sempre um caminho entre a linha e o rio. As imediações da ponte são muito procuradas pelos pescadores, hoje estavam três pescadores no local.

A caminhada foi perdendo o ritmo. A água neste troço corre mais calma. As represas que alimentavam as várias azenhas, continuam a amansar as águas. Quando nos aproximamos delas o som da água que se precipita ultrapassando as barreiras, dá um ar bucólico, um som que não cansa, mais relaxante do que música clássica.
Fui acordado do meu êxtase pelo som da automotora que descia de Mirandela ao Tua! Tanto queria estar a postos quando a automotora passasse que acabei por me esquecer dela!
Fui seguindo lentamente ao longo do rio, já conhecia o caminho. Segui-o pelo menos duas vezes, durante o ano de 2007. Se não fosse o adiantado da hora, teria passado horas e horas espreitando cada curva do rio, cada tufo de flores, os ninhos, os montes e as hortas que me receberam à chegada à Ribeirinha.
Percorri aproximadamente 8 km. Apesar do céu escuro e da pouca luminosidade, foi um passeio muito agradável.

Do Blog: À Descoberta de Vila Flor