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quarta-feira, 6 de março de 2013

Percursos pedestres na Linha do Tua

Perto do apeadeiro de Castanheiro
Continuo a receber muitas mensagens de pessoas interessadas em percorrer a Linha do Tua a pé, em parte ou na totalidade. A maior parte das perguntas repetem-se, e basta uma pequena procura aqui no blogue para as esclarecer.
Uma das perguntas mais frequentes prende-se com os transportes, de forma a puder voltar ao ponto de partida. Estamos a falar de um percurso único, talhado na rocha, com acessos muitos difíceis ou impossíveis ao longo de muitos quilómetros (à exceção da própria linha).

Como voltar ao local de início da caminha, onde ficou o carro? 
Ou se utilizam dois automóveis, colocando um no final da caminhada, seguindo noutro para o início, ou se aproveita o serviço de táxis ainda em funcionamento, em substituição da automotora da linha do Tua, ou se tem que chamar um táxi exclusivo (o que pode ficar bastante caro). Esqueçam os autocarros, levaria mais um dia a voltar ao local de partida, nos poucos pontos onde isso é possível. Não há transportes alternativos, por isso é que alinha é importante.

Partindo de Foz Tua
 Não é aconselhável partir de Foz Tua, mas sim da aldeia de Fiolhal.
Não há transporte até ao Fiolhal e o táxi que faz o serviço da linha também não passa lá, porque segue outro trajeto (por Ribalonga). Alternativas: seguir pela estrada de Foz Tua a Fiolhal (trajeto difícil, longo e que acarreta grande perda de tempo), ou se arranja uma boleia (seria a melhor opção) ou se aluga um táxi (não são muitos quilómetros, o declive é que é acentuado).
Há um caminho bastante circulado que liga a aldeia do Fiolhal à linha do Tua, começando a caminhada ao longo da linha exatamente ao quilómetro 3. Não é possível fazer de outra forma porque a linha é está intransitável no local das obras (embora ainda não tenha sido aplicado nenhum betão).
Sobre este trajeto já escrevi há algum tempo atrás, aqui.

Táxi
 O serviços de táxi faz o circuito Foz Tua - Cachão e vice-versa. Não cobra bilhetes, porque o bilhete é comprado no local de embarque, diretamente para o destino. Quem compra, por exemplo, um bilhete Porto-Mirandela, já está a pagar o trajeto que é feito pelo táxi. Quem inicia o percurso em Foz Tua, ou ao longo da Linha do Tua até Cachão não tem hipótese de comparar bilhete, pelo que, viaja literalmente de borla(!). Já no trajeto descendente, iniciando a viagem no metro de Mirandela, deve comprar bilhete, na estação de Mirandela (e este já vai incluir o táxi).
Túnel de Tralhariz
Confirmei esta semana junto do posto de Turismo de Mirandela que o serviço está operacional e deixo no final deste texto uma ligação para os horários atuais.

Onde se apanha o Táxi?
O táxi apenas tem paragens em Foz Tua, Pombal (na aldeia), Brunheda (junto ao caminho de acesso à estação), Abreiro (na estrada nacional, junto ao caminho da estação) e no Cachão (mesmo na estação). Quer em Brunheda, quer em Abreiro, quem estiver na estação corre o risco de ficar em terra, pois não vê passar o táxi (é uma carrinha de 9 lugares).

Qual a zona mais bonita?
Quando me pedem a opinião sobre o troço mais interessante, ou mais fácil, etc. a minha resposta nunca é simples: gostos não se discutem e, na minha opinião, muita coisa depende da estação do ano. Uma vez que são os primeiros 16 km da linha que vão ficar submersos, parece-me lógico que haja prioridade em percorrer esses quilómetros. Os restantes poderão ser percorridos mais tarde.
Próximo da estação de Abreiro
Para quem goste de caminhadas mais longas, poderá fazer Foz Tua - Brunheda (cerca de 21 Km). Para quem não arrisque tanto e queira fazer um pequeno passeio poderá apreciar Abreiro-Ribeirinha com regresso a Abreiro, uma vez que são poucos quilómetros. Estão na margem direita do blogue alguns exemplos teóricos e outros já realizados, que servem de exemplo.

Subir ou descer?  
 Na minha ideia o percurso descendente ou ascendente depende de vários fatores: disponibilidade dos transportes e conjugação com o serviço de táxi; hora do dia, uma vez que influencia a posição do sol e, obviamente as fotografias. Caminhando para jusante vai-se em direção ao sol.
Há outro fator interessante: se a caminhada for mais longa, os quilómetros iniciais são sempre muito mais apreciados do que os finais, quando o cansaço já marca presença ou até estamos a "lutar contra o relógio".

Há locais difíceis ou perigosos?
Quanto aos túneis, fazem-se bem sem lanterna.  Também não há pontes altas, mas depende da sensibilidade. O local mais assustador seria ao quilómetro 1,4 (viaduto das Presas), mas é onde não se pode passar. O maior perigo é mesmo o de caminhar sobre a gravilha, que pode maçar os pés ou causar alguma entorse. Atenção que as travessas molhadas tornam-se muito escorregadias.

Espero ter respondido à maior parte das questões.
Não se esqueçam de me enviar algumas fotografias e dois ou três parágrafos sobre a aventura.

Horário dos Táxis e do Metro de Mirandela


quinta-feira, 9 de junho de 2011

De Lisboa ao Tua e do Tua a Mirandela

Desde há muito tempo que ansiava fazer esta linha a pé. Lancei a ideia e acabei por juntar um forte grupo de caminhantes, entre amigos e colegas de trabalho. Mas ao contrário da maioria dos caminhantes desta linha, fomos em autonomia total e com o objectivo de cumprir a totalidade do percurso. Indo de comboio até à estação do Tua e regressando a Lisboa de expresso.
A nossa viagem começou em Lisboa, pelas 11h40 de sexta-feira 27 de Maio, onde seis dos sete elementos embarcaram de comboio com destino à estação do Tua. No Marco de Canaveses juntou-se-nos o sétimo elemento, o Alves.
Na estação de Mosteirô estivemos parados cerca de duas horas devido à queda de uma árvore na linha, o que veio atrasar todo o nosso percurso.
Finalmente chegados ao Tua começá-mos a caminhar já com a noite a fechar-se. Mas não desistimos de fazer o planeado para esse dia, percorrer os primeiros 7 kms de linha para pernoitar no apeadeiro de Castanheiro. Não fazíamos ideia se as estações/apeadeiros estariam ou não abertos, para nos abrigarmos. No Castanheiro alguém abriu acesso, que nos deu jeito para nos refugiarmos da chuva que já caia grossa nessa noite.
No dia seguinte, com um óptimo tempo, já pudemos observar a bela paisagem que o Tua tem para nos oferecer, e não conseguimos resistir a dar um mergulho antes de nos fazermos ao caminho.
Em Santa Luzia cruzámos-nos com um grupo grande que estava a descansar à sombra. Em São Lourenço subimos à aldeia para abastecer de água e conhecer as termas.
O nosso dia terminou em Abreiro, onde construímos um bivaque com toldos. A noite esteve muito quente, ao ponto de ser desconfortável.
No domingo, 29, apontámos a um dos maiores objectivos desta expedição, a Ribeirinha. Mal lá chegámos fomos directo ao Lucky Luke. Fomos muito bem recebidos pelos donos e ficámos a conhecer o Mário, filho do Sr Abílio. Acabámos por ficar lá um bom bocado a comer, beber minis, contar e especialmente ouvir as histórias do Mário, que são de chorar a rir! Estávamos já de partida do Lucky Luke quando eis que o Sr Abílio aparece, lentamente, agarrado à sua bengala. Mais umas fotos rápidas e regresso à linha!
No Cachão, o Alves, teve que partir de Metro até Mirandela, para garantir que chegava a horas ao trabalho na segunda-feira. Ficámos os restantes para devorar o restinho de travessas que nos separava de Mirandela.
A ideia inicial era pernoitar a 4 km de Mirandela, na estação de Latadas, e retomar na segunda-feira. Mas nem sinal das ruínas da estação, nem de um local aprazível junto ao rio para montarmos bivaque. A opção foi continuar até Mirandela. O que a mim, pessoalmente, custou bastante, devido ao muito cansaço acumulado. Lá nos conseguimos arrastar até ao km 54.
Não aconselho a fazer o percurso integral em 3 dias como nós, porque já é difícil andar com aquele passito de travessa em travessa, ainda pior com a casa às costas.

Travessas: 150 a cada 100 metros, 1500 a cada km e em 54km são 81000.
Cada um gastou cerca de €15 em alimentação.
Transportes ida e volta €42.
1º dia 7,6km
2º dia 21,7km
3º dia 24,8km

Primeiro quero agradecer a todos os elementos que alinharam neste empreendimento que há muito queria fazer, ao blog “A linha é Tua”, pelas valiosas informações que disponibiliza, e especialmente ao documentário “Pare Escute e Olhe” que nos impulsionou e nos ajudou a perceber o valor da zona que visitá-mos.

Os elementos do grupo: B. Fernandes (eu), Alves, A. Fernandes, André, Barata, Gomes e Henrique.

Nota: Agradeço a B. Fernandes (e todos os que o acompanharam) por partilharem neste blogue a sua aventura na Linha do Tua.
Aníbal Gonçalves

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Caminhada na Linha do Tua

A viagem correu sem sobressaltos, tendo sido bastante apreciada por todos os que nela participaram. A calma e beleza do vale são absolutamente indescritíveis.
Tivemos a sorte de ter tido uma descrição pormenorizada do relevo e da fauna, pois alguns dos nossos amigos que foram connosco são biólogos e outros geólogos, tendo-nos assim alertado para alguns pormenores fantásticos que de outra forma nos teriam passado despercebidos.
Tanto numa como noutra área o vale é riquíssimo, tendo nós observado alguns especimens pouco comuns como sejam, citando apenas as mais importantes, 3 tartarugas terrestres, um Guarda Rios, um Papa Figos, (do Tua até S. Lourenço) e várias colónias de morcegos no interior dos túneis, o que nos preocupou um pouco a todos, pois ainda não vimos nenhuma informação sobre a criação de abrigos alternativos para estes amigos alados, para o caso da barragem vir mesmo a ser construída.
Ficámos todos um pouco tristes com a destruição que já se vê em virtude das obras que já estão em curso, tendo ainda a esperança que seja tudo reposto e que o projecto da barragem seja abandonado.
No conjunto todos ficámos maravilhados com a riqueza e tranquilidade do vale, tendo apreciado um valente mergulho no fim da caminhada junto a estação de Brunheda, onde encontramos várias amostras de bivalves dos Rios (ameijoa dos rios), ou para ser mais correcto, do que sobrou delas pois não encontramos nenhuma viva, apenas cascas vazias...
Por fim resta-me agradecer em nome de todos a esplêndida ajuda que nos deu, pela qual ficamos todos imensamente gratos...
Seguem em anexo algumas das fotos que tirámos, se necessitar de mais será um prazer.
Jorge Salvado


Caminhada realizada por Jorge Salgado em Maio de 2010.
Agradeço a Jorge Salgado e companheiros na caminhada por terem permitido o seu testemunho no Blogue A Linha é Tua.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Percurso da linha do Tua pé

Éramos 4. Encontrámo-nos na Brunheda por volta das 08H30, onde deixámos um dos carros junto à estação.
Às 09H30 depois de algumas fotos junto dos comboios e carruagens que se encontram na estação de Foz-Tua, iniciamos o percurso.
Como parámos muitas vezes para contemplar a paisagem, que é lindíssima, e tirar fotografias em todos os marcos que assinalam os "Km's" (faltam alguns), demoramos mais tempo que o previsto.
O viaduto das Presas, caso não estivesse "coberto com tábuas" era capaz de assustar ainda mais e após o túnel das sentimos as primeiras dificuldades, dado não existirem carris nem traves e o percurso foi percorrido sobre cascalho durante um km.
Por volta das 11H15 estávamos no viaduto das "Fragas Más" que assusta um pouco e por volta das 11H45 parámos para um primeiro reforço alimentar em "Castanheiro", onde passou por nós um casal que caminhava no mesmo sentido.
Antes do Km 9 fomos alcançados por um outro casal que nos acompanhou durante alguns kms (O Ricardo Leonardo, que fez um comentário no vosso blogue) e no sentido oposto caminhava um grupo que teria mais de 20 pessoas.
Por volta das 13H15 chegámos à Ponte da Paradela que impôs algum respeito. Parámos para almoçar e recolher água em S. Lourenço às 14H30.
Saímos passado uma hora, e daí para a frente, foi quase sempre a andar. Chegámos a Brunheda por volta das 17H00 e regressamos de carro novamente a Foz-Tua.
A dificuldade da viagem está em conseguir o ritmo certo para caminhar em cima das travessas. A distância entre elas é mais curta que o passo normal e o calçado, este sim, de extrema importância.
O que nos valeu foram as "dicas" que colocou no blogue, nomeadamente calçado a usar, pontos de água e km/hora.
É caso para dizer que ficamos viciados em linhas e já este sábado, dia 07/05/2011, vamos fazer a 2ª etapa, Brunheda - Cachão.
Nuno Cunha

Caminhada realizada no dia 9 de Abril de 2011, entre Foz-Tua e Brunheda.
Obrigado pela partilha das emoções e das fotografias.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Realizei mais um sonho...

Acabei por ir de carro até Brunheda, e não de comboio Porto – Tua, conforme inicialmente delineei.
Parti de Valongo às 7.30h com uma chuvinha fresca tipo orvalhada… mas cheguei à estação de Brunheda por volta das 10h com uma belíssima manhã solarenga!
Depois de reforçar o estômago com croissants, cheia de alegria e entusiasmo, dei assim inicio à jornada de 21,2 km´s com o objectivo: Foz do Tua!
Esteve um belo dia de primavera, com algumas sombras proporcionadas pelas escarpas e túneis, tão propicia para quem quer caminhar. Um tempo excelente sem dúvida! Não senti nem um pouco o cansaço. Foi sempre com muito entusiasmo que percorri a linha, as paisagens enalteceram a minha alma… são momentos como os que vivi no Sábado que dão um sentido especial à vida…
 Todo o troço que fiz foi ladeado por imenso rosmaninho!
Após a passagem da Ponte da Paradela, algures por ali, desci até ao rio e almocei, num cenário idílico, com um belo farnel!
Deu para recuperar energias e aproveitar para desfrutar calmamente da beleza da paisagem.
Reiniciei a caminhada e foi então a vez de deixar-me surpreender com os túneis e a imponência das Fragas Más!
Os últimos 3 km’s foram os mais difíceis porque não tinham as traves de madeira e foi sempre a caminhar entre os godos.

Foi já com um grande sentimento de nostalgia e grande emoção que cheguei ao km 0!
Aguardei à beira do Douro pelo táxi da CP. Foi uma curta viagem até ao carro mas muito interessante pois tive a oportunidade de ter algum contacto com os habitantes locais!
Chegada à estação de Brunheda, já ao cair da tarde, ainda quis andar um pouco mais, desta vez para o sentido de Codeçais.
Partida para casa às 20h mas com imensa vontade de ficar!
Fica a promessa de mais um troço: Brunheda – Cachão!
Realizei mais um sonho...ao meu companheiro de caminhada o meu obrigada!

Berta Oliveira

Nota: Os meus agraciamentos a Berta Oliveira de acedeu a partilhar as suas emoções e fotografias no Blogue A Linha é TUA. Estou em crer que foram momentos fantásticos os que viveu nestas paisagens maravilhosas, durante a caminhada que realizou na Linha do Tua no dia 9 de Abril.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Abraço ao Tua - Uma Linha, um destino

No dia 27 de Março estive em Foz-Tua para participar na iniciativa Abraço ao Tua. Num momento em que a economia domina todas as notícias e está na base das preocupações de todas as pessoas, um grupo de movimentos uniu-se para mostrarem que a defesa da Linha do Tua e do rio Tua não está esquecida. A iniciativa foi organizada pelo Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua, a Associação dos Amigos do Vale do Rio Tua, a associação Campo Aberto, a associação GAIA, a COAGRET, o Movimento Cívico pela Linha do Tua e a associação ambientalista Quercus.
Além da crise, causaram também alguns constrangimentos, a mudança da hora, o estado do tempo, bastante instável, e a greve dos comboios que dificultou as deslocações de quem pretendia participar na iniciativa e pretendia deslocar-se para o Tua usando o caminho-de-ferro.
 
Fui dos primeiros a chegar ao Tua e fiquei bastante satisfeito quando se começou a juntar um bom grupo de pessoas, vindos dos lugares mais díspares do país. Quando entrámos para o autocarro que nos levaria a Castanheiro do Norte onde se iniciaria a caminha que integrava o programa, este ficou rapidamente cheio e foi necessário fazer uma segunda viagem.
Já há algum tempo de ansiava fazer o caminho entre o Castanheiro e a Linha do Tua a pé e foi bastante agradável faze-lo na companhia de mais de 70 pessoas das mais variadas idades e proveniências. Alguns dos rostos eram meus conhecidos, ou do concelho de Carrazeda de Ansiães ou de outros eventos em torno da Linha e do Vale do Tua. Dividi o tempo entre algumas conversas e arranques rápidos para tomar posição e tirar algumas fotografias ao grupo a caminhar na linha, coisa que raramente posso fazer quando faço caminhadas sozinho.
 
A descida até à estação do Castanheiro foi rápida. A inclinação é muita e todas caminhavam com bastante energia. Já se encontravam muitas espécies vegetais em flor e não faltavam motivos de interesse, aos mais curiosos. Depois de chegados à Linha, pensou-se em tirarmos uma fotografia de grupo. Foi necessário esperar bastante e os que já estavam na estação foram dispersando e aproveitaram para comerem alguma coisa.
A caminhada ao longo da linha iniciou-se já depois do meio-dia. Mesmo com o céu escuro que, de tempos a tempos, despejava algumas gotas de água sobre os caminhantes, a paisagem estava verdejante, salpicada de flores amarelas e rochas, com o rio azul com um caudal considerável.
Cada um ao seu ritmo, foi percorrendo o perto de 8 km que separam a estação do Castanheiro da foz do Tua. O grupo não voltou a juntar-se. Pensava eu que seria feita uma pausa para o almoço volante, algures perto da estação de Tralhariz, mas, para não se desperdiçar o tempo, o almoço teria lugar já no final da caminhada.
 
A zona dos túneis das Fragas Más e do viaduto despertam sempre muita admiração a quem aí passa pela primeira vez. Uma coisa é ouvir falar, ver um filme ou algumas fotografias, outra é percorrer a pé, passo a passo esta linha centenária rasgada a muito custo no granito puro e duro. Percorrer locais assim é uma terapia, para o corpo, e para a alma, porque a grandiosidade da natureza faz-nos sentir pequenos.
O vale é estreito e profundo, agreste e despovoado. Talvez por isso seja fácil “fácil” fazer aqui uma barragem. Mas, também aqui, as rochas e a linha não sabem nadar. Este é uma local para admirar, não para afogar. A prova de que locais assim atraem fomo-la tendo ao longo da caminhada, cruzando-nos com numerosos grupos que percorriam a linha em sentido contrário ao nosso. Mesmo nas condições mais adversas, as pessoas vêm Tua, percorrem quilómetros a pé, porque encontram aqui uma paisagem única, uma das maravilhas de Portugal.
 
Há cerca de um ano que não fazia este percurso da linha. Não são notórias quaisquer obras desde essa altura. Não esbarrei na tal pedra aqui colocada pelo chefe do governo. Além dos cerca de 3 quilómetros onde os carris foram arrancados e do estradão ilegalmente rasgado pela EDP, não são evidentes, felizmente, grandes alterações na garganta do rio.
Cheguei ao Tua, na companhia da minha esposa, que pela primeira vez me acompanhou numa caminhada ao longo da Linha do Tua, às 14 horas e 30 minutos. Descemos para junto do rio, junto da ponte rodoviária, e aí abrimos o nosso farnel para o almoço. Outros grupos juntaram-se a nós.
 
Às 15h30m começaram a juntar-se as pessoas sobre a ponte para o simbólico Abraço ao Tua. Chegaram mais pessoas, que não participaram na caminhada, vindas das aldeias afetadas pelo encerramento da Linha, como Brunheda e Codeçais. Do poder autárquico não vi ninguém. Está mais que sabido só podemos contar com os nossos representantes para dividirem entre si o bolo de uma tal Agência para o Desenvolvimento do Tua. É pena que alguns presidentes de câmara, no poder há décadas, apenas se lembrem do vale do Tua e da Linha do Tua quando veem acenar alguns milhões. Que fizeram até aqui? Quantas vezes se bateram junto do poder central para contrariar o crescente abandono a que a linha foi deixada? Ainda não há milhões, mas já há desacordo, e nos bastidores tomam-se posições para calar as vozes mais incómodas, ou que fazem mais ruído (ficamos agora nós sem saber com que intenção). Se já nos cai a cara de vergonha com a política nacional que arrasta o país para um futuro incerto, melhor não estamos com os que nos estão mais próximos, que não ouvem as populações que os elegeram.
 
A marcar uma posição política no local estive o Bloco de Esquerda, mas também o partido ecologista Os Verdes” estiveram solidários com a iniciativa.
Os meios de comunicação social no local foram escassos, com a presença da RTP e de alguns órgãos de comunicação social regionais do Porto e Vila Real, que eu me tenha apercebido.
 
As pessoas que uniam sobre a ponte rodoviária as duas margens do rio, deram as mãos e gritaram vivas à Linha e ao rio Tua, ao mesmo tempo que um grupo de jovens animava o ambiente com instrumentos de percussão. 
Após esse Abraço simbólico ao rio, as pessoas interessadas reuniram-se em assembleia popular junto à margem do rio para debaterem o problema. Houve também tempo para algumas demonstrações de desportos aquáticos.
 
Regressei a casa com a convicção de que ainda é possível parar este crime. Não é só o Vale do Tua que está em risco, o Douro Vinhateiro, Património Mundial e destino crescente de muitos turistas, também está ameaçado. Em vez da barragem, que apenas serve os interesses de uma empresa, o rio, e a linha do Tua, podem ser fatores de desenvolvimento, porta de entrada de turistas vindos de Espanha, canal de circulação de pessoas e bens que não é afetado pela geada ou neve. Há bons exemplos de explorações de linhas de montanha por toda a Europa, porque é que temos que seguir os maus?

domingo, 6 de março de 2011

BTT pela Linha do Tua



Caro Aníbal Gonçalves,
Eu e alguns amigos fascinados pelo btt, pensamos fazer um raid pela linha do Tua, antes da construção da barragem.
Não conheço a zona, tentei pesquisar na net e vi fotografias de rara beleza paisagística, o que mais me entusiasmou.
...

JS


Olá JS
Não é fácil fazer BTT ao longo da linha assim como não foi fácil construir a linha, muitas vezes rasgando o granito só com largura suficiente para a composição passar. Em grande parte do traçado seria simplesmente destruir a bicicleta, uma vez que teria que ir sobre a linha ou sobre a gravilha. Apenas entre Mirandela e Ribeirinha, mais a montante da linha que não corre o risco de ficar submersa, é possível acompanhar de perto a mesma, utilizando estradas ou caminhos rurais.
Eu já há muito tempo que pensei em fazer o percurso Mirandela - Foz Tua em BTT. Estudei um traçado, com pouco mais de 80 km, que segue o mais próximo possível da Linha do Tua, com algumas exceções.
- No concelho de Vila Flor, há um afastamento com o objetivo de subir ao monte de Nossa Senhora da Assunção, um dos miradouros mais fantásticos de Trás-os-Montes (exige bastante esforço).
- No concelho de Alijó o traçado é pela margem esquerda do rio, bastante afastado dele, pelo alto das montanhas. Esta zona, a que teoricamente ficará submersa, é muito agreste e é impossível seguir por algum caminho ao longo do vale. Todos os caminhos sobem do fundo do vale para a crista das montanhas em redor, onde se situam as aldeias. De qualquer forma o percurso no concelho de Alijó permitiria ver a linha de alguns miradouros com paisagens fantásticas. Conheço mais mal este concelho e por isso o traçado está feito por estrada, talvez seja possível melhorá-lo.
Ainda não ganhei coragem (nem preparação física) para me lançar em mais esta aventura, mas a ideia não está esquecida.
Cumprimentos
Aníbal Gonçalves

GPSies - Mirandela_Tua_Linha
Este percurso alternativo segue mais próximo da Linha e não sobe ao cabeço de Nossa Senhora da Assunção. Foi traçado de Tua a Mirandela, mas aconselho que seja feito em sentido contrário.

sábado, 19 de junho de 2010

6.ª Caminhada entre Foz-Tua e Brunheda

Ao contrário da Linha do Tua, que está cada vez mais parada, nós, os que não somos subsídiodependentes somos obrigados a trabalhar cada vez mais, para termos cada vez menos poder de compra. Desabafos à parte, não me tem sobrado muito tempo para a escrita dos meu passeios pedestres, pelo Tua ou pelo Sabor.
Uma das últimas “viagens” na Linha do Tua aconteceu a 8 de Maio. Foi mais uma caminhada ente Foz-Tua e Brunheda, mas esta foi muito “molhada” e, por isso, bastante diferente das anteriores.
Fui de carro até Foz-Tua, onde cheguei perto das 9 da manhã. Quando passei Ribalonga em direcção ao Tua tive o primeiro momento feliz do dia. Um chasco-negro veio pousar num poste de telefone relativamente perto de mim. Só recentemente soube que a pequena ave (Oenanthe leucura) é muito rara em Portugal. A norte, praticamente só se pode observar nesta zona do Douro do concelho de Carrazeda de Ansiães.
Depois de um café, para espevitar um pouco, parti linha acima disposto a passar todo o dia na mais completa solidão.
Logo nos primeiros metros já se notavam os efeitos do abandono da linha. A erva tomou conta dos carris, com azedas a crescerem por toda a parte.
Mais à frente, sobre o viaduto das Presas, foi construída uma passadeira, talvez para facilitar o acesso ao pessoal que aí trabalha na futura barragem. Apesar das máquinas terem de fazer um grande volta, quase pela estação de Tralhariz, as pessoas têm acesso rápido e directo pelo viaduto e túnel das Presas.
Ainda não tinha estado no local desde o início das obras e, confesso, estava à espera de maior destruição. Na margem esquerda do rio, junto da linha, as alterações são ainda poucas, ainda que já sejam demasiadas. Na margem direita, onde foi aberto um estradão já algum tempo, é que a destruição é maior.
Os carris ao longo de quase dois quilómetros foram arrancados para possibilitar a circulação de máquinas ao longo da linha. Como passei pelo local num fim-de-semana não havia máquinas em movimento.
O céu foi-se encobrindo cada vez mais e preparei-me para o pior. Para quem gosta de fotografar, não há nada como não ter luz. De qualquer forma, a chuva não me assustava porque já levava algum equipamento a contar com essa eventualidade.
Mesmo em condições pouco convidativas, não podia deixar de reparar na quantidade de flores multicolores que povoam a paisagem. Março, Abril, Maio e Junho são meses com cores fantásticas e isso é visível em toda a extensão da linha.
Quando estava entre os dois túneis das Fragas Más fui alcançado por um grupo de seis pessoas. Nele estava Miguel Faria que já enviou algumas das suas fotografias desse dia para este blogue. Como o seu ritmo era mais elevado, acabei por ficar para trás, mas voltaríamos a encontrar-nos no Castanheiro, no S. Lourenço e na Brunheda.
Pouco depois de passar o Castanheiro, começou a chover com bastante intensidade. Se o ambiente saturado de vapor de água me agradava, a máquina fotográfica quase completamente encharcada preocupava-me muito. Quando a retirava a de baixo da capa de água, ou estava com a objectiva completamente embaciada, ou toda molhada. Não tinha guarda-chuva, o que dificultava as coisas. Não fiz nenhuma pausa para o almoço, que fui mordiscando depois da uma, perto da ponte de Paradela.
Em Santa Luzia ainda fiz uma pequena pausa para arrumas as coisas na mochila. A chuva era cada vez mais intensa e eu não me podia dar ao luxo de não chegar a horas do Taxi, na Brunheda.
Quase ao longo de toda alinha são evidentes os sinais de abandono. Há muitas derrocadas, rochas enormes na linha e os carris foram deslocados (nalguns lugares cerca de 20 cm). Pouco antes da Brunheda, sensivelmente onde se verificou o último acidente, a linha está praticamente destruída em ao longo de mais de 100 metros. Inicialmente não percebi porquê, mas depois apercebi-me que são as obras para a construção de uma ponte para o futuro IC5. É assim a gestão deste país, bastam-se milhos em estradas e afoga-se uma linha centenária, das mais bonitas da Europa.
A caminhada foi-se tornando monótona. Cada vez era mais difícil tirar fotografias e já tinha as pernas e os pés completamente encharcados. Fui caminhando com calma para que não sofressem muito, dificultando-me o avanço. Consegui manter um ritmo constante e chegar à Brunheda às dezassete menos dez minutos. Pouco depois chegou o grupo que se encontrava também a fazer a caminhada.
Apanhei o táxi para Foz-Tua. O corpo arrefeceu e comecei a sentir bastante frio. Felizmente a viagem demorou pouco e rapidamente pude voltar a casa.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cachão-Mirandela, à chuva


No dia 21 de Novembro retomei as minhas caminhadas na linha do Tua. Em Agosto participei numa caminhada organizada pela Coagret e em Outubro noutra organizada pela Associação Campo Aberto, mas já tinha saudades de passar algumas horas sozinho na linha.
O dia estava “feio”, ameaçava chover a qualquer momento. Saí de Vila Flor em direcção a Vilarinho das Azenhas. Parei na ponte onde passei alguns minutos na conversa com os pescadores que todos os fins-de-semana a povoam. Um grupo tinha vindo de Valpaços, para pescar no rio Tua. São “clientes” habituais e já nos tínhamos encontrado outras vezes no mesmo local. Levantou-se algum vento, para estragar a pescaria e eu segui (em automóvel), pela estrada, para o Cachão. Fiz algumas paragens para fotografar o Outono mas a luminosidade não estava favorável.

Cheguei à estação do Cachão e não havia maneira de chover! Perto do meio dia e meio iniciei a caminhada pela linha em direcção a Mirandela.
Ainda não tinha percorrido um quilómetro quando senti as primeiras gotas de chuva a refrescarem-me a cara! Estava preparado e decidi continuar. Retirei da mochila uma fina capa de água que me protegeu até chegar à estação de Frechas.

Sem o céu azul, que tanto gosto de fotografar e sem as minúsculas flores selvagens de múltiplas cores, restava-me o colorido das folhas característico do Outono. É no Outono que gosto de percorrer esta zona da Linha, entre a Ribeirinha e Mirandela. A vegetação que ladeia o rio é muito variada, uma autóctone, outra não, mas ganha cores quentes que contrastam com a água e a verdura da erva que rebenta em força despertada pelas chuvas outonais.

Perto de Frechas um grande olival não resistiu e foi arrancado. Os velhos troncos de oliveira poderiam proporcionar-me alguns momentos de inspiração, mas segui em frente. A terra fresca e molhada colar-se-ia em força às minhas botas. No centro do terreno uma enorme oliveira eleva-se no seu tronco erecto. Vá-se lá saber porquê, aquela oliveira não foi afectada pela praga que debilitou todas as outras!

Quando cheguei à estação de Frechas chovia abundantemente. A leve capa de água já não era suficiente. Retirei da mochila um impermeável, calças e casaca, que protegeu dali para a frente. A chuva não me incomodava os movimentos, mas, de cada vez que tentava tirar uma fotografia, a objectiva ficava encharcada.
A ribeira da Carvalha não leva uma gota de água! Ainda me recordo de ver peixes com algum tamanho subirem pela ribeira acima! Está tudo diferente. Desci ao leito seco e fotografei alguns cogumelos.
No túnel de Frechas aproveitei para tirar alguma comida da mochila. Não tinha tempo para comer tranquilamente, por isso, fui mordiscando enquanto caminhava.
O ponto mais importante da minha caminhada estava a chegar. É junto do antigo apeadeiro de Latadas que há maior número de árvores de folha caduca. São choupos bancos, plátanos, mas também amoreiras, marmeleiros e salgueiros, que teimam em continuarem verdes.

Abandonei a Linha e desci junto do rio. Ali perto olhava-me uma garça e ao longe esvoaçavam bandos de corvos marinhos. Acima da represa das Latadas é o paraíso para estas aves. O rio é largo, calmo, com muita vegetação nas duas margens proporcionando um ambiente propício para estas aves.
Entusiasmei-me com o colorido e não reparei no relógio. Retomei a caminhada pela linha pelas três da tarde. Sobrava-me pouco mais de uma hora para percorrer cerca de seis quilómetros. Não me restou outra alternativa senão acelerar o passo e fazer mesmo alguns quilómetros a correr. Não é muito agradável correr à chuva, vestido com um impermeável, com uma mochila às costas, com a máquina fotográfica numa mão e o guarda-chuva noutra, mas cheguei às portas de Mirandela às dezasseis em ponto. Mal tive tempo para fotografar o rio, as pontes, os parques da cidade. Não abrandei o passo até chegar à estação do metro de Mirandela. Foi já no interior da carruagem que despi o impermeável e descobri que estava completamente encharcado, não de água da chuva, mas em suor.

A composição partiu em direcção ao Cachão. Continuava a chover. Ensaiei alguns disparos tentando tirar partido das gotas de chuva no vidro, enquanto recuperava o fôlego. Estava terminada a etapa do dia e o dia também chegava ao fim, escuro, sombrio e chuvoso, mas eu sabia que dentro da máquina fotográfica havia algumas imagens que justificavam todo o esforço.

Com esta caminhada terminei a 5 viagem a pé entre Foz-Tua e Mirandela, iniciada em Março de 2009.
Curiosamente, no dia 22 de Novembro de 2008 fiz o percurso Cachão-Latadas, mas com outras condições atmosféricas.