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segunda-feira, 24 de maio de 2010
Em Foz-Tua
Este era o aspecto da Linha do Tua no início do mês de Maio, poucos metros antes do Viaduto das Presas, logo à saída de Foz-Tua.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Linha do Tua - Sem comentários
Fotografias enviadas para o email do Blogue por José Rodrigues no dia 24 de Abril. Mostram o aspecto da Linha do Tua entre o 1,8 e os 3 Km.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Na Linha do Tua, do Tua a S. Lourenço
Habituado como estou a percorrer a Linha do Tua em solitário, com todo o tempo que um dia pode dar e o silêncio das fragas, foi com bastante expectativas que me encaminhei para Foz-Tua no dia 4 de Outubro para participar na caminhada organizada pela Associação de Defesa do Ambiente, Campo Aberto. O meu entusiasmo era ainda maior porque há várias semanas trocava email’s com a Associação que pediu a minha colaboração, como conhecedor do terreno. Sugeri várias alterações ao programa inicial, a maior parte delas foram aceites e estava tudo planeado para um grande dia.
A acompanhar-me, desde Vila Flor, estava o meu primo e amigo Adriano, incansável na defesa da Linha que quase lhe tirou a vida a 22 de Agosto de 2008 e que comigo ilustra este texto com fotografias suas.
Chegámos ao Tua pelas 9:30 da manhã. O movimento era pouco mas a situação foi-se alterando rapidamente. Estava prevista a presença de aproximadamente 100 pessoas, metade das quais se deslocariam por meios próprios para o Tua. A lista onde Bruno Meireles ia fazendo uma cruzinha de presença foi ficando completa e pouco depois chegou o autocarro que partiu do Porto com mais meia centena de participantes.
Depois de feitas algumas recomendações, dirigímo-nos para o quilómetro 0 para uma fotografia simbólica do início da caminhada.
Foi com entusiasmo que aquele grande grupo se “fez à estrada”. Crianças, jovens, idosos, homens e mulheres, todos com um sorriso na cara e uma grande vontade de descobrir os gigantes ciclópicos feitos de granito no vale do Tua, começaram a caminhar pela linha.
O primeiro obstáculo assustou alguns. O Viaduto das Presas é como que a porta do vale, juntamente com o Túnel das Presas. Quem consegue passar a porta entra pelo vale numa viagem sem grande esforço, o que causou alguma surpresa em certos participantes.
O grande grupo dividiu-se em quatro grupos mais pequenos, para melhor controlo, que entraram vale a dentro decididos. Nos primeiros quilómetros acompanhei um senhor que apenas pretendia ir até Tralhariz. Veio do Porto expressamente para a caminhada, mas, as suas raízes, estavam aí mesmo, entre S. Mamede de Riba Tua e Tralhariz. Conversámos sobre a história de seus pais e, tanto ele como eu, nos sentimos emocionados. O vale profundo não foi suficiente para afastar seu pai, de Tralhariz e trabalhar na estação, de sua mãe que vivia na outra margem, em S. Mamede. Depois de tantos anos passados voltou ao lugar onde os seus antepassados se cruzaram e foi com um ar muito feliz que se despediu de mim no apeadeiro do Castanheiro.
No meu grupo seguia além do meu primo, Bruno Meireles (especialista na flora), Vânia Seixas e a sua irmã (Parambos tinha que estar representado), mas o diálogo com outras pessoas também foi fácil e não faltaram temas para conversa: a malfadada barragem, a linha do Tua, a linha do Sabor, caminhadas incontáveis que cada um já tinha feito. Em pontos estratégicos fazia-se uma pausa e fotografias dos rochedos, do rio quase seco, da vegetação sedenta de água, até mesmo das costas suadas dos que seguiam à nossa frente.
O depósito de água junto ao apeadeiro do Castanheiro estava cheio, bem fresta, proporcionando a quem dele se apercebeu um bom momento para repor a água e recuperar alguma energia.
O sol foi-se mostrando e quando passámos o Túnel da Falcoeira já queimava nas costas. À sombra dos sobreiros abriram-se as mochilas para o já merecido almoço. Estavam percorridos 9,5 km e o relógio marcava a uma da tarde. Esperava que se juntassem todos naquele local, mas o distanciamento entre os vários grupos já era grande. Parti 45 minutos depois.
A Ponte de Paradela já não assustou ninguém. A passagem por Santa Luzia fi-la a passo rápido na intenção de recuperar a cabeça do “pelotão” coisa que não consegui. Muitos dos caminhantes apresentavam maior frescura física do que eu, avançando a bom ritmo.
Depois de chegarmos a S. Lourenço subimos às termas e esperámos pela chegada de todos os participantes. Foi mais de uma hora de espera. Houve tempo suficiente para uma visita, para um banho quentinho, ou para uma bebida fresca, uma vez que o bar, o velho bar de S. Lourenço, estava aberto.
Em três pequenos autocarros subimos ao Pombal. O lanche estava preparado no Hotel Rural Flor do Monte. A ementa era vasta e cheia de sabores regionais. Assim é que deve ser. De entre todos os petiscos, destaco os peixinhos do rio em escabeche, orelheira com grão-de-bico, rojões e também nabiças com feijão-frade. Do vinho nem vou falar. Para nós que conhecemos a região, basta pronunciar o nome Pombal, para percebermos que estamos a falar de boa pinga.
Ainda faltava a última etapa do programa, a visita ao Castelo de Ansiães. O autocarro com as pessoas que se deslocaram do Porto iniciou o regresso directamente do Pombal. Um pequeno autocarro seguiu para o Castelo. Pensei para mim que não teriam coragem de subir ao marco geodésico do castelo. Passava das 19 horas, era quase noite e depois da caminhada e do lanche a vontade de escalar as muralhas já era pouca (da minha parte). Enganei-me. Não só subiram ao ponto mais alto da muralha, como adoraram o velho castelo e as suas duas capelas, ficando até com pena de não terem mais tempo para explorarem e conhecerem melhor.
Pelas 19:30 partimos em direcção a Foz-Tua. Tínhamos deixado os automóveis junto da estação. Já não houve muito tempo para despedidas, partindo cada um em sua direcção não sem antes fazer um aceno amigável com a mão acompanhado de um “adeus, até à próxima”.
Foi um dia fantástico, dizia-me o meu primo. Quando lhe disse que o rio estava seco, as plantas amarelas e não havia flores, respondeu-me com toda a sabedoria – mas havia pessoas.
E é com as pessoas que termino. Foi bom encontrar tanta gente que gosta de passar um domingo a caminhar longe de todas as mordomias do mundo moderno. Foi bom encontrar alguns amigos, alguns já conhecidos outros ainda só do mundo virtual, mas que agora têm rosto.
À associação Campo Aberto o meu agradecimento, deram um bom exemplo a autarcas, agentes da sociedade civil e movimentos: se houver organização as pessoas vêm, e muitas.
Fotografias na Associação Campo Aberto
A acompanhar-me, desde Vila Flor, estava o meu primo e amigo Adriano, incansável na defesa da Linha que quase lhe tirou a vida a 22 de Agosto de 2008 e que comigo ilustra este texto com fotografias suas.
Chegámos ao Tua pelas 9:30 da manhã. O movimento era pouco mas a situação foi-se alterando rapidamente. Estava prevista a presença de aproximadamente 100 pessoas, metade das quais se deslocariam por meios próprios para o Tua. A lista onde Bruno Meireles ia fazendo uma cruzinha de presença foi ficando completa e pouco depois chegou o autocarro que partiu do Porto com mais meia centena de participantes.
Depois de feitas algumas recomendações, dirigímo-nos para o quilómetro 0 para uma fotografia simbólica do início da caminhada.
Foi com entusiasmo que aquele grande grupo se “fez à estrada”. Crianças, jovens, idosos, homens e mulheres, todos com um sorriso na cara e uma grande vontade de descobrir os gigantes ciclópicos feitos de granito no vale do Tua, começaram a caminhar pela linha.
O primeiro obstáculo assustou alguns. O Viaduto das Presas é como que a porta do vale, juntamente com o Túnel das Presas. Quem consegue passar a porta entra pelo vale numa viagem sem grande esforço, o que causou alguma surpresa em certos participantes.
O grande grupo dividiu-se em quatro grupos mais pequenos, para melhor controlo, que entraram vale a dentro decididos. Nos primeiros quilómetros acompanhei um senhor que apenas pretendia ir até Tralhariz. Veio do Porto expressamente para a caminhada, mas, as suas raízes, estavam aí mesmo, entre S. Mamede de Riba Tua e Tralhariz. Conversámos sobre a história de seus pais e, tanto ele como eu, nos sentimos emocionados. O vale profundo não foi suficiente para afastar seu pai, de Tralhariz e trabalhar na estação, de sua mãe que vivia na outra margem, em S. Mamede. Depois de tantos anos passados voltou ao lugar onde os seus antepassados se cruzaram e foi com um ar muito feliz que se despediu de mim no apeadeiro do Castanheiro.
No meu grupo seguia além do meu primo, Bruno Meireles (especialista na flora), Vânia Seixas e a sua irmã (Parambos tinha que estar representado), mas o diálogo com outras pessoas também foi fácil e não faltaram temas para conversa: a malfadada barragem, a linha do Tua, a linha do Sabor, caminhadas incontáveis que cada um já tinha feito. Em pontos estratégicos fazia-se uma pausa e fotografias dos rochedos, do rio quase seco, da vegetação sedenta de água, até mesmo das costas suadas dos que seguiam à nossa frente.
O depósito de água junto ao apeadeiro do Castanheiro estava cheio, bem fresta, proporcionando a quem dele se apercebeu um bom momento para repor a água e recuperar alguma energia.
O sol foi-se mostrando e quando passámos o Túnel da Falcoeira já queimava nas costas. À sombra dos sobreiros abriram-se as mochilas para o já merecido almoço. Estavam percorridos 9,5 km e o relógio marcava a uma da tarde. Esperava que se juntassem todos naquele local, mas o distanciamento entre os vários grupos já era grande. Parti 45 minutos depois.
A Ponte de Paradela já não assustou ninguém. A passagem por Santa Luzia fi-la a passo rápido na intenção de recuperar a cabeça do “pelotão” coisa que não consegui. Muitos dos caminhantes apresentavam maior frescura física do que eu, avançando a bom ritmo.
Depois de chegarmos a S. Lourenço subimos às termas e esperámos pela chegada de todos os participantes. Foi mais de uma hora de espera. Houve tempo suficiente para uma visita, para um banho quentinho, ou para uma bebida fresca, uma vez que o bar, o velho bar de S. Lourenço, estava aberto.
Em três pequenos autocarros subimos ao Pombal. O lanche estava preparado no Hotel Rural Flor do Monte. A ementa era vasta e cheia de sabores regionais. Assim é que deve ser. De entre todos os petiscos, destaco os peixinhos do rio em escabeche, orelheira com grão-de-bico, rojões e também nabiças com feijão-frade. Do vinho nem vou falar. Para nós que conhecemos a região, basta pronunciar o nome Pombal, para percebermos que estamos a falar de boa pinga.
Ainda faltava a última etapa do programa, a visita ao Castelo de Ansiães. O autocarro com as pessoas que se deslocaram do Porto iniciou o regresso directamente do Pombal. Um pequeno autocarro seguiu para o Castelo. Pensei para mim que não teriam coragem de subir ao marco geodésico do castelo. Passava das 19 horas, era quase noite e depois da caminhada e do lanche a vontade de escalar as muralhas já era pouca (da minha parte). Enganei-me. Não só subiram ao ponto mais alto da muralha, como adoraram o velho castelo e as suas duas capelas, ficando até com pena de não terem mais tempo para explorarem e conhecerem melhor.
Pelas 19:30 partimos em direcção a Foz-Tua. Tínhamos deixado os automóveis junto da estação. Já não houve muito tempo para despedidas, partindo cada um em sua direcção não sem antes fazer um aceno amigável com a mão acompanhado de um “adeus, até à próxima”.
Foi um dia fantástico, dizia-me o meu primo. Quando lhe disse que o rio estava seco, as plantas amarelas e não havia flores, respondeu-me com toda a sabedoria – mas havia pessoas.
E é com as pessoas que termino. Foi bom encontrar tanta gente que gosta de passar um domingo a caminhar longe de todas as mordomias do mundo moderno. Foi bom encontrar alguns amigos, alguns já conhecidos outros ainda só do mundo virtual, mas que agora têm rosto.
À associação Campo Aberto o meu agradecimento, deram um bom exemplo a autarcas, agentes da sociedade civil e movimentos: se houver organização as pessoas vêm, e muitas.
Fotografias na Associação Campo Aberto
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Nós estivemos lá
Nós estivemos lá, na caminhada na Linha do Tua, no dia 5 de Outubro e não nos arrependemos. Foi um excelente dia a caminhar na Linha na companhia de um bom número de pessoas de todas as idades. Foi bom de ver e de viver...
Quem, dos caminhantes, colocar fotos on-line da caminha, deixe aqui um comentário, colocarei, com todo o gosto, uma ligação neste Blogue.
Quem, dos caminhantes, colocar fotos on-line da caminha, deixe aqui um comentário, colocarei, com todo o gosto, uma ligação neste Blogue.
- Galeria da Campo Aberto (204 fotografias, no Picasa)
- Escrever com luz (Pedro Sottomayor)
- Bondadesua (102 fotografias)
terça-feira, 11 de agosto de 2009
terça-feira, 19 de maio de 2009
Os primeiros 4 quilómetros
Reuni algumas fotografias que tirei na caminhada de 21 de Março entre a estação de Foz-Tua e o apeadeiro de Tralhariz e fiz um pequeno vídeo. Esta é a zona que vai ser desactivada para permitir a movimentação de máquinas que vão trabalhar na barragem. A barragem não é um dado adquirido. Penso que os resultados eleitorais nas eleições que se aproximam podem ter um grande efeito. O voto ainda é uma arma.O vídeo é uma pequena amostra da zona em risco.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Chegou a primavera à Linha do Tua
Pode-se pensar que as minhas recomendações para fazer caminhadas ao longo da Linha do Tua são fruto de alguma consulta na Internet, usando o Google. Não. Já percorri (a pé) cada metro da linha entre Foz-Tua e Mirandela, no mínimo 3 vezes e em alguns lugares 6 vezes!Pensei receber a Primavera a caminhar ao longo da linha, e foi isso que eu fiz, dia 21 de Março. Escolhi um percurso mais ou menos longo, Brunheda- Foz-Tua.
Desloquei-me de carro até à ponte da Brunheda. O céu estava limpo, fazia frio e havia alguma neblina que se manteve durante todo o dia. Cheguei à linha às 10 horas da manhã, o que me parecia muito bom uma vez que apenas necessitava de estar em Foz-Tua às 18 horas, tinha 8 horas para caminhar.
Nos primeiros quilómetros, e depois de passar a zona do último acidente, apercebi-me que têm sido feitos bastantes melhoramentos na linha. Sempre pensei que aqui estava um dos pontos negros da via, mas, nesta caminhada, fiquei com uma melhor ideia. A não ser a curiosidade de alguns chapins nada chamou a minha atenção nos primeiros metros. O sol não tinha altura para iluminar a linha, reflectindo-se apenas nas águas já transparentes do Tua. Foi pelo quilómetro 19.º que comecei a entusiasmar-me com a flora que não esperou pela chegada da primavera para despertar em bonitas cores.
No apeadeiro de Tralhão parei um pouco. Aproveitei para me pôr mais á vontade largando as calças e ficando em calções. Fiquei a saber que andaram a medir as casas e os muros juntos de todas as estações e apeadeiros. Pretendem reparar os telhados e pintar tudo!!!Pouco depois encontrei mais uma daquelas prospecções enigmáticas. Retiram uma travessa e abrem um orifício no centro da linha. Penso que o objectivo é avaliar a consistência do terreno. Vi os furos que já me tinham chamado à atenção em viagens anteriores, mas não vi nenhuma máquina.
Pouco depois encontrei alguns pés de buxo (Buxus sempervirens), muito abundante no Rio Sabor mas que nunca me tinha chamado à atenção aqui no Tua. Também antes de chegar a S. Lourenço encontrei os primeiros pés de Jacinto-dos-campos (Hyacinthoides vicentina). O meu entusiasmo foi grande, e ainda mais porque fui encontrando cada vez mais, mesmo até Foz-Tua!
Quando cheguei ao S. Lourenço decidi subir às termas. Nas três vezes que já aqui passei a pé nunca o tinha feito. Junto ao apeadeiro havia muita água no chão e, imagine-se, havia também um cabo eléctrico, no chão, com corrente! O som semelhante a uma frigideira ouvia-se a vários metros! As termas pereceram-me paradas no tempo. Recordava-me delas há quase 20 anos atrás. Há água canalizada, um pré-fabricado para receber os banhistas e uma estátua em granito que foi a única forma humana que encontrei de resto, nada mudou.
Visitei o tanque, guardado pelo S. Lourenço, fiz um passeio por entre as casas e decidi sentar-me à sombra de uma árvore para comer. Já passava de 1 e meia da tarde quando recomecei a caminhar. De novo na linha, acelerei o passo. Já tinham passado mais de três horas e apenas tinha percorrido pouco mais de 5 quilómetros! Impus um bom ritmo à caminhada só fazendo curtas paragens para fotografar a flora ou subir a algum rochedo para fotografar a Linha. Tinham passado dois meses desde a minha última passagem no local. O rio levava um caudal menor e a água reflectiam um azul profundo, ao contrário da água cor de chocolate do mês de Janeiro.O céu perdeu a cor e os rochedos semeavam zonas de sombra na linha. Tornou-se complicado fotografar. Se a máquina está regulada para fotografar para jusante, de frente para o sol, não é possível fazer nada de jeito para montante. Gosto de regular os parâmetros da fotografia manualmente, mas é preciso tempo.
Quando me aproximava dos últimos quilómetros também o sol de despedia do vale. Respirava-se uma atmosfera calma aquecida pelos tons dourados do final da tarde. Tive ainda tempo para abandonar a linha e ir até à ponte rodoviária fotografar o viaduto das Presas.
Já com os pés bastante doridos caminhei para a estação do Tua. Ainda esperei que chegassem os dois comboios da Linha do Douro, um vindo do Pocinho e outro vindo do Porto, só depois o táxi parte fazendo o serviço da Linha do Tua até ao Cachão.
terça-feira, 31 de março de 2009
Dois dia na Linha do Tua, com o apoio de um carro

Os pedidos de informação não param de chegar.
"Já tinha esta ideia à algum tempo, mas nunca encontrei companheiros para ir comigo.
Moro um pouco longe, e hoje comentando este meu interesse para fazer o percurso com alguns amigos, eles mostraram-me muito interessados na ideia, e estamos a planear ir aí no fim de semana (3 dias).
Eu conhecia o teu blogue, e sei que tem essa informação toda, mas cheguei à pouco a casa entusiasmado com a possibilidade de fazer esta viagem em breve, que não estive a re-vê-lo com atenção.
Nós também somos apaixonados pela natureza e fotografia, ...
A minha ideia inicial seria fazer 2 dias de percurso, e tenho a consciência que não farei a linha toda!
Gostava de começar em Foz-Tua e subir para Norte. Penso que a primeira parte será a mais espectacular, com os túneis, viadutos e pontes.
Pensamos no máximo fazer 20km num dia e noutro um pouco menos talvez.
O restante troço ficará para uma próxima oportunidade.
...
Em relação aos transportes, neste momento somos 4 pessoas, e em princípio só levaremos um carro. Se conseguirmos táxis para nos levar nos fins dos percursos para a zona onde deixámos o carro seria óptimo. "
Esta possibilidade está pensada para dois dias, voltando ao fim do dia ao local de partida, onde se deixou o carro. Tudo está pensado para utilizar os táxis/metro da Linha do Tua. O recurso a um táxi que não os do serviço da linha pode encarecer bastante o passeio.
1.ª Etapa / Foz-Tua- Brunheda (21,2 km)- Este é o percurso que mais entusiasma os visitantes.
- A partida é de Foz-Tua deixando aí o automóvel e seguindo a pé.
- Acho que pelo menos 6 horas de caminho, são suficientes.
- É importante chagar à Brunheda por volta das 5 da tarde.
- O regresso de Brunheda a Foz-Tua é feito no Táxi ao serviço da Linha.
- Chegada a Foz-Tua às 18:02.
2.ª Etapa / Mirandela - Ribeirinha (20,2 km)
- Este percurso é numa zona completamente diferente do da primeira etapa.
- É importante estar na estação da Ribeirinha às 7 da manhã, hora que parte o táxi para o Cachão.
- No cachão, mudar para o metro (comprar bilhete!);
- O metro vai chegar a Mirandela às 7:40 da manhã.
- Voltar à Ribeirinha a pé (21,2 km).
- Cachão - Ribeirinha (8 km)
- Frechas - Ribeirinha (11,1 km)
- Latadas - Ribeirinha (14,6 km)
Maio de 2011
Novos horários aqui
sábado, 28 de março de 2009
A Linha do Tua no Inverno (1)
Tentei juntar num pequeno vídeo (vídeo e fotografia com fundo musical) o percurso de Foz-Tua a Mirandela, resultante de três ou quatro caminhadas na Linha, durante os meses de Inverno. Não consegui. Decidi dividir o vídeo a meio e a primeira parte, que partilho hoje, percorre o espaço desde Foz-Tua a Brunheda. São muitas horas de caminho, muitas fotografias, mas é-me impossível mostrá-las todas.
Aqui ficam então algumas:
Aqui ficam então algumas:
sábado, 7 de fevereiro de 2009
A caminhar de Brunheda até Foz Tua

As mais recentes notícias sobre o futuro da linha do Tua lembraram-me que eu ainda não fiz a habitual “reportagem” da minha última caminhada. Aconteceu no dia 24 de Janeiro e decorreu entre Brunheda e Foz-Tua. Esta caminhada insere-se naquilo que eu chamo como o Passeio de Inverno, numa tentativa de percorrer a extensão da linha que vai de Foz-Tua a Mirandela, durante os meses de Inverno.
Houve algumas alterações nos horários dos táxis que fazem o serviço da linha, e, nesta etapa, eu necessitava de os utilizar. Mais uma vez desloquei-me para a estação de Abreiro onde cheguei pouco antes das 10 da manhã. Podia arriscar partir dali, mas não o fiz porque achei que não tinha tempo suficiente para chegar ao Tua com luz do dia. Pouco depois chegou o táxi, que já vinha do Cachão.
Eu e um jovem éramos os únicos passageiros. Surpreendi o motorista quando lhe disse que ia para o Tua mas descia na estação da Brunheda. Às 10:45 estava sobre a ponte rodoviária a começar a descer para a linha.A noite do dia 23 foi repleta de rajadas de vento fortíssimas. Mesmo ao longo da estrada encontrei muitas árvores caídas, algumas de grande porte. Também a chuva caiu com velocidade e em quantidades assustadoras. A água do rio corria turva e com redemoinhos pouco habituais.
Comecei a minha caminhada em direcção ao Tua com 8 horas disponíveis. Sabia por experiências anteriores que eram suficientes, mas nunca se sabe o que vamos encontrar ao longo de 21 km. O principal risco da viagem era sem dúvida o estado do tempo. Depois da tempestade da noite anterior, anunciavam-se novas réplicas, e, caso me surpreendessem a meio do caminho, não havia outra alternativa senão seguir em frente, até chegar ao final da linha.
O ar estava muito frio, talvez 5 graus, mas o céu abria-se num azul profundo, fazendo-me esquecer os riscos, encantando-me com o verde da paisagem, apesar de estarmos no Inverno.
Em poucos minutos passei o local do acidente de Agosto passado. Há poucos vestígios dele. Se não tivesse estado ali no próprio dia, talvez não me apercebesse do que ali se tinha passado.
Ao quilómetro 19.º a linha está mesmo em péssimas condições, mas hoje vou apenas falar das coisas boas.
Quando me aproximava do apeadeiro de Tralhão, acenderam-se as fogueiras na outra margem. Os ranchos de azeitoneiros preparavam o fogo para aquecerem o almoço. Curiosamente esta zona onde existem ainda alguns olivais em exploração chama-se Erva Má!Decidi também fazer o levantamento da rede de telemóvel ao longo do percurso. Depois do acidente de Agosto foi comentada a colocação de um retransmissor em território de Alijó para melhorar a comunicação no vale. A minha rede é a Vodafone, mas ainda não tinha detectado qualquer sinal de rede.
Apesar da estação, algumas flores teimam em florir em plena época fria, é o caso da candeia (Arisarum vulgare). Outras, com os bolbos cheios de energia, começam a crescer em força, preparando-se para um início de Primavera em beleza. Nesta zona há muita cebola-albarrã (Urginea maritima), gladíolos (Gladiolus illyricus), jacinto-dos-campos (Hyacinthoides hispânica), etc. Antes de chagar ao S. Lourenço ainda me deliciei a fotografar alguns fungos que crescem nos troncos dos carrascos e sobreiros.
Junto à estação de S. Lourenço havia uma enorme árvore caída, atravessada na linha.A formação rochosa que existe ao quilómetro 15º é única na linha e chama a atenção de todos os que por ali passam, a pé ou de automotora. Demorei algum tempo procurando os parâmetros de exposição adequados para registar o quadro. Não é fácil fotografar na Linha do Tua. A linha mergulhada nas sombras e os raios de sol que fazem brilhar as encostas mais acima, criam dois campos com luminosidade tão distinta que obrigam a esquecer todos os mecanismos das câmaras modernas, marcando os parâmetros da fotografia manualmente, ajustados em várias tentativas.
Pouco depois de se atravessar um “canal” rochoso onde mal há espaço para a linha, começam a ouvir-se as águas agitadas já próximas do Amieiro. No rio há uma pequena cachoeira, mais evidente quando tem um menor caudal.
Passaram algumas nuvens negras por sobre a minha cabeça, que me obrigaram a acelerar o passo. Quando eram duas da tarde, faltavam-me percorrer 12 quilómetros. Assaltou-me a ideia da noite e segui mais rapidamente fazendo menos paragens para tirar fotografias. Nem para comer alguma coisa parei, contentando-me em saborear o “almoço” com a cadencia das travessas.Foi nesta zona que vi duas lontras, numa outra caminhada. Segui com atenção ao rio, mas não vi nada de semelhante. Pouco depois o sol brilhou de novo.
Depois da ponte de Paradela a linha ganhou magia. A humidade no ar reflectia a luz criando uma atmosfera que não vi em viagens anteriores. De cada vez que o sol penetrava por entre as nuvens, iluminava os musgos cheios de verde, embriagados de água que pingava em cada rochedo. Descobri logo a seguir que percorrer os túneis, durante o Inverno, não é tão fácil assim, principalmente os mais longos. Quando são em curva, há um momento em que se fica em completa escuridão.
Ao quilómetro 8.º apercebi-me pela primeira vez de uma ribeira que caía em cascata. Numa cota superior à linha há várias ruínas. São moinhos de água, na Ribeira Grande que recolhe água junto do Castanheiro e Parambos. Também no Rio Tua há vestígios de moinhos, mas encontravam-se completamente cobertos pela água. A provocadora praiazinha de areia branca também se encontrava completamente submersa.Voou da água do rio uma ave completamente branca! Tinha contornos de ave de rapina e voava com majestade. Não era uma garça, fiquei intrigado.
O vale foi ficando cada vez mais sombrio à medida que me aproximava do Túnel das Fragas Más II (túnel do Boitrão nas cartas militares). Depois dos dois túneis, vem outra das curiosidades da paisagem: um conjunto de cascatas com várias dezenas de metros por onde a Ribeira de S. Mamede de Ribatua se precipita no rio Tua.
Passeio o túnel de Tralhariz e o apeadeiro com o mesmo nome. A luminosidade ia diminuindo, aproximando-se uma tormenta. No quilómetro 3.º havia máquinas para obras na linha. Não cheguei a perceber que tipo de melhoramento andavam a fazer. Desde o apeadeiro do Tralhão que me apercebi que havia travessas marcadas. As máquinas que aí encontrei permitem mudar as travessas, só não percebi porque razão todas as travessas marcadas estavam em muito bom estado e ao lado havia travessas completamente podres que não estavam marcadas! Fiquei com a ideia que poderiam estar a retirar as travessas para fazerem algum tipo de teste ao terreno, no centro da linha, uma vez que as marcações se encontravam espaçadamente distribuídas ao longo das curvas.
Ao quilómetro 2.º começou a chover. Eram 5:20 horas, já mal dava para tirar fotografias. Não foi nada agradável atravessar a ponte das Presas; estava escuro e a chover. Aproveitei o túnel para vestir uma capa de água e, com muito jeito, caminhei ao longo do estreito passeio metálico, com medo de escorregar.As fotografias do último quilómetro já foram tiradas com a sensibilidade da máquina a ISO 1600, só para recordar. Quando cheguei a Foz Tua eram 17:50horas. Segui para o chefe de estação para lhe comunicar a localização de alguns objectos que encontrei ao longo da linha, fruto de tempestade da noite anterior. Assim, ele poderia contactar Mirandela avisando as equipas que andam a trabalhar na linha e que recomeçariam na segunda-feira de manhã.
O aspecto das linhas da via estreita na estação do Tua está completamente mudado. As obras ainda não estavam terminadas, mas fotografei um estradão onde antes estava a linha! As composições abandonadas estão cada vez mais vandalisadas.
Pouco depois das 18 horas chegaram duas composições da Linha do Douro. Saí da estação à procura do táxi, que prontamente partiu, comigo e mais uma senhora idosa que estava de visita à sua terra natal, Brunheda.No regresso descansei os músculos. Passei 8 horas a andar. Não foi tão cansativo como quando fiz o mesmo percurso na Primavera. Apesar de todas as minhas preocupações com o mau tempo, acabei por beneficiar de um dia bastante aceitável.
Quando ao sinal da rede de telemóvel, conto colocar um post específico para falar disso. Só há sinal de qualidade entre o 7.º e o 9.º quilómetros. Talvez se consiga ligação também entre o 3.º e o 7.º quilómetros. Na estação de Foz Tua e desde o túnel da Falcoeira (9.ºkm) até Brunheda (21.º km) não há qualquer sinal (rede Vodafone).
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Obras na estação de Foz Tua
Uma denúncia no JN na rubrica "Cidadão Repórter", já fez com que o caso chegasse à Assembleia da República. Nos tempos que correm a confiança no poder político e nas instituições deixa muito a desejar. A fazer fé nos órgãos de comunicação social, a Refer nem se dignou avisar atempadamente a Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães. A razão das obras estão por explicar.
Mostro aqui uma fotografia como estava a linha antes da interversão e como se encontra agora.Quem deve estar satisfeito é o dono do café, que agora tem uma estrada directa ao seu estabelecimento. Pena é que não tem saída nem dá para fazer inversão de marcha. Será que vão arrancar o resto dos carris para fazer um parque de estacionamento?
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Onde estão os carris?
Ainda o Estudo de Impacte Ambiental se encontra disponível para consulta pública já algumas entidades decidiram fazer alterações na linha. Na estação de Foz Tua, parte dos carris da via estreita foram arrancados e construído um estradão (de acesso ao café?), sem saída visível.Seria bom que a REFER e a CP clarificassem as suas posições, sem rodeios. Quanto mais conheço da linha, mais me convenço que são necessárias grandes obras e investimentos, será que há (pelo menos) vontade para as implementar? Não nos enganem...
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Graffitis em Foz Tua
Parece que alguém descobrir uma utilidade para as composições da Linha do Tua que são consumidas pelo abandono na estação de Foz Tua.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Conclusões...

Num momento em que se espera que a verdade venha libertar a Linha do Tua de todos os fantasmas, as notícias não são nada animadoras.
Os jornais falam da complexidade da questão e de algumas notícias sobressai a ideia de que talvez tenha sido um abatimento de terras a causa que despoletou o último acidente, em Agosto passado. Todos os que se preocupam com a linha ansiavam por uma justificação sem margem para dúvidas, por vezes até nos esquecemos do país em que vivemos e como as coisas funcionam por aqui.
A tratar-se de abatimento de terras e dado o período em que ocorreu, pleno Verão, ele só pode ter acontecido pelas obras para colocação dos cabos de fibra óptica. Ao contrário do que se lê em várias notícias, não decorreram dois meses entre as obras e o acidente. Em 18 de Julho passei eu no local. Os tubos estavam ao longo da linha, mas a vala ainda não tinha sido aberta. As máquinas encontravam-se acima da estação da Brunheda, mais ou menos em frente da Sobreira.
Não me surpreende que a linha não estivesse bem apoiada. Alguns quilómetros mais abaixo (próximo do quilómetro 3.º), encontrei eu um local onde vários metros de linha abanavam perigosamente à minha passagem (a pé).

Esta justificação do abatimento da linha, que me parece facilmente provável, não afasta outras causas que também podem ter estado presentes neste e nos acidentes anteriores. A falta de peso da automotora parece-me razão suficiente para fazer com que ela não tenha parado na linha, depois de ter saltado dos carris. Mostrei as fotografias que tirei a várias pessoas que percebem mais de comboios do que eu, que se mostraram surpreendidas como é que a composição não parou, ao fim de poucos metros.
Não podemos esquecer a mãe de todas as causas: o abandono. A falta de vontade dos políticos (e incluo aqui os presidentes das câmaras que todos conhecemos), em manterem esta linha em funcionamento, levou ao seu progressivo abandono tal como têm noticiado vários jornais. Os investimentos que foram feitos não se centraram na linha, suporte de toda a movimentação.
E depois ouvem-se coisas como "porque não se constrói outra linha a contornar a margem da futura barragem?" Haja paciência...
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
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