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domingo, 17 de maio de 2009

Comunicado do MCLT - 13 de Maio de 2009


Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da Barragem do Tua, emitida esta semana pelo Ministério do Ambiente, constitui uma afrontosa e anti-democrática testemunha de todo o processo de favorecimento tácito oferecido à EDP no Vale do Tua. Este surreal parecer favorável a uma empresa que aparece inicialmente com direitos de preferência, que rebenta sem licenciamento e veda ao acesso público as margens do Tua impunemente, e que lança agora uma esfusiante campanha de publicidade enganosa sobre barragens, é uma mancha inqualificável na Democracia Portuguesa.

Não podemos deixar de referir e estranhar que o parecer do MCLT, enviado atempadamente, não seja mencionado no documento publicado ontem. Esperamos que sejam esclarecidas rapidamente as razões para esta omissão uma vez que a confirmarem-se erros desta natureza, poderia colocar em risco a credibilidade desta instituição, a Agência Portuguesa do Ambiente.

Esta mesma DIA fez tábua rasa de tudo o que a pudesse contradizer:

- O caderno de encargos da Barragem do Tua, onde se exige a reposição de vias por alternativas com igual valência. Refira-se neste caso a Barragem da Valeira, onde a EDP teve de pagar uma alternativa ferroviária à Linha do Douro, que incluiu 2km de via, uma nova travessia do Douro e uma nova estação;

- O Estudo de Impacte Ambiental, que conclui da forma mais categórica possível que a barragem trará “impactes muito negativos ao nível da economia local, em particular para agricultura e agro-indústria, com repercussões também muito negativas ao nível do emprego e dos movimentos e estrutura da população”, numa região que “não facilita o estabelecimento de percursos tradicionais de transporte colectivo rodoviário”;

- Orientações totalmente contrárias a esta barragem em documentos oficiais de Ordenamento do Território e do Turismo, como sejam o PENT, o PROTN e o próprio PNPOT, onde se pode inclusivamente concluir que esta barragem se encontra em “troço de influência de ruptura de barragem” e “perigo de movimento de massas”;

- Pareceres contrários de órgãos como o IGESPAR e a APPI (órgão consultor da UNESCO em Portugal), do próprio Ministério dos Transportes, e os 85% de pareceres negativos enviados no âmbito da discussão pública do EIA.


A DIA não obriga à construção de nenhuma alternativa ferroviária, ao contrário do que já foi veiculado em alguns órgãos de comunicação social. Este refere apenas a “análise da viabilidade de construção de um novo troço de linha férrea”, apontando de forma pressurosa para uma alternativa fluvial no caso de não se optar pela ferrovia. A viabilidade da Via Estreita está demonstrada, pelo investimento a ser realizado nas linhas do Corgo e do Tâmega, e pelas reaberturas e sucesso geral da Via Estreita em países como a Espanha, Suíça e Japão, não admitindo da nossa parte critérios economicistas quando os Metros de Lisboa e do Porto acumulam prejuízos de centenas de milhões de euros.

A única defesa desta barragem aparece na forma da produção de energia eléctrica, o que é totalmente irreal. Na verdade, o contributo da barragem do Tua será no máximo de 0,5%, valor suportado em 75% e a 1/3 do custo apenas pelo reforço de potência a realizar na barragem do Picote; juntando os reforços de potência a realizar no Picote, Bemposta e Alqueva, consegue-se produzir o mesmo que 3 barragens do Tua!

Que desenvolvimento advirá para a região, quando edis como o de Montalegre e de Miranda do Douro, com 5 e 2 barragens respectivamente, não recebem da EDP nem o suficiente para pagar a iluminação pública dos seus concelhos? Como poderá o Turismo sair beneficiado com mais outro espelho de água e com a perda de valores genuínos e únicos? Que medidas poderão proteger da extinção os 19% de espécies de vertebrados e as 14 espécies de aves presentes no Tua com estatuto de ameaçados, e da destruição os habitats de leito de cheia, que agregam 20% das espécies RELAPE de Trás-os-Montes?

Volta a ser mais uma vez altamente conveniente um acidente em vésperas de uma data importante para a Linha do Tua, desviando a atenção da opinião pública para “outro acidente”, ao invés de dar ênfase à emissão da DIA. Aguardamos o apuramento das suas causas, tal como o apuramento de responsabilidades ainda não assumidas sobre os anteriores acidentes.

O Governo, pela voz do Ministério do Ambiente, levantou a sua mão e aplicou sem piedade uma bofetada no futuro e dignidade não apenas de Trás-os-Montes e Alto Douro, mas de Portugal inteiro. Esta DIA é uma afronta, e deve ser emendada o mais rapidamente possível, sob pena de encontrar uma mais resoluta onda de contestação contra uma barragem que ninguém defende com critérios válidos.

O MCLT não está sozinho nesta luta, e muito falta ainda por dizer e fazer, num ano em que a população expressará de forma determinante a sua soberania. Não ficaremos de braços cruzados perante esta decisão intolerável.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

27.º Quilómetro

A albufeira da prevista barragem no rio Tua estender-se-á até ao 27.º quilómetro. Aqui termina o concelho de Carrazeda de Ansiães e começa o concelho de Vila Flor (na margem esquerda do Tua). Será que fotografei a última Primavera do Rio?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Outro Abril, na linha

Este ano, ao contrário do ano passado, não passei o dia 25 de Abril a caminhar na linha do Tua. Mas, quando tirei esta fotografia, um pouco antes do dia 25, foram os cravos que me vieram à memória, fotografados de uma forma difusa, tal como se apresenta, 35 anos depois, a liberdade conquistada.
A fotografia foi feita perto do Cachão, em direcção ao Vilarinho.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Abril na Linha do Tua

Esta fotografia, tirada em Abril de 2008, serve para lembrar como é bonita a linha do Tua no mês de Abril.

Local: Quinta do Choupim, próximo de Mirandela..

domingo, 19 de abril de 2009

No Rio Tua

Fotografias do 1.º Festival de Canoagem da Terra Quente a quando da passagem pela Ribeirinha.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Estação de Frechas

A estação de Frechas está ao 45º quilómetro. É uma das estações com melhores acessos uma vez que a Estrada Nacional 213 está mesmo nas costas da estação e atravessa a linha a poucos metros. É das poucas estações onde ainda podemos ver "passar os comboios" ou seja o Metro. Estas fotografias foram tiradas no ano passado. Comparando com a actualidade apenas podemos dizer que continua o emparedamento e o abandono. O pequeno guiché exterior foi fechado, bem como as duas portas das casas de banho. Voltamos à idade média, quem tem necessidades vai ao campo. Também não me parece que seja possível encontrar uma torneira com água em toda a extensão da linha!
Frechas é das freguesias que mais partido pode tirar da manutenção da circulação na linha do Tua. É um freguesia com alguma dimensão e com perspectivas de futuro. No entanto, o presidente da junta actual, não é defensor da Linha do Tua, tem outras ambições.

sábado, 4 de abril de 2009

Rio Tua (3)


O Rio Tua é cheio de locais pitorescos, mas nem todos são muito acessíveis. Esta é uma imagem frequente na parte superior do Rio, mais ou menos entre Brunheda e Mirandela. Trata-se da saída de água de uma azenha, de novo em direcção ao caudal do rio.
A fotografia foi tirada no dia 03 de Abril numa azenha na margem oposta à praia fluvial da Sobreira.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mapa da Linha do TUA

Ainda não ganhei para um GPS, por isso uso muito a Internet para traçar os meus percursos ou mesmo à posteriori para saber por onde passei. Como normalmente percorro locais muito próximos, tenho sempre bastante referências. Na Linha do Tua é impossível alguém perder-se, basta seguir a Linha. Mas, mesmo assim, tenho um conjunto de "marcos" que me ajudam bastante. Também o conhecimento dos locais por fotografia aérea é bastante útil, e há na Internet muitos locais onde isso pode ser feito com mais ou menos qualidade. Hoje comecei "desenhar" um mapa com a marcação dos quilómetros. O melhor que há é o do Instituto Geográfico do Exército, em papel. Acabei por me entusiasmar e fiz uma coisa mais elaborada com a fotografia das estações e apeadeiros de Foz-Tua a Mirandela. Ficou um arranjo interessante mas demasiado grande para o Blogue. Para quem tem hipótese de imprimir em maior do que a folha A4 deixo aqui a ligação para ficheiros um pouco maiores:
Sites úteis para traçar percursos:

terça-feira, 31 de março de 2009

Dois dia na Linha do Tua, com o apoio de um carro


Os pedidos de informação não param de chegar.

"Já tinha esta ideia à algum tempo, mas nunca encontrei companheiros para ir comigo.
Moro um pouco longe, e hoje comentando este meu interesse para fazer o percurso com alguns amigos, eles mostraram-me muito interessados na ideia, e estamos a planear ir aí no fim de semana (3 dias).
Eu conhecia o teu blogue, e sei que tem essa informação toda, mas cheguei à pouco a casa entusiasmado com a possibilidade de fazer esta viagem em breve, que não estive a re-vê-lo com atenção.
Nós também somos apaixonados pela natureza e fotografia, ...
A minha ideia inicial seria fazer 2 dias de percurso, e tenho a consciência que não farei a linha toda!
Gostava de começar em Foz-Tua e subir para Norte. Penso que a primeira parte será a mais espectacular, com os túneis, viadutos e pontes.
Pensamos no máximo fazer 20km num dia e noutro um pouco menos talvez.
O restante troço ficará para uma próxima oportunidade.
...
Em relação aos transportes, neste momento somos 4 pessoas, e em princípio só levaremos um carro. Se conseguirmos táxis para nos levar nos fins dos percursos para a zona onde deixámos o carro seria óptimo. "


Esta possibilidade está pensada para dois dias, voltando ao fim do dia ao local de partida, onde se deixou o carro. Tudo está pensado para utilizar os táxis/metro da Linha do Tua. O recurso a um táxi que não os do serviço da linha pode encarecer bastante o passeio.

1.ª Etapa / Foz-Tua- Brunheda (21,2 km)
  • Este é o percurso que mais entusiasma os visitantes.
  • A partida é de Foz-Tua deixando aí o automóvel e seguindo a pé.
  • Acho que pelo menos 6 horas de caminho, são suficientes.
  • É importante chagar à Brunheda por volta das 5 da tarde.
  • O regresso de Brunheda a Foz-Tua é feito no Táxi ao serviço da Linha.
  • Chegada a Foz-Tua às 18:02.
A dormida pode ser em vários pontos. Há dormidas em Foz-Tua (278681116); em Alijó, em Carrazeda de Ansiães, Pombal de Ansiães e Vila Flor. A mais próxima da partida da segunda etapa é Vila Flor.

2.ª Etapa / Mirandela - Ribeirinha (20,2 km)
  • Este percurso é numa zona completamente diferente do da primeira etapa.
  • É importante estar na estação da Ribeirinha às 7 da manhã, hora que parte o táxi para o Cachão.
  • No cachão, mudar para o metro (comprar bilhete!);
  • O metro vai chegar a Mirandela às 7:40 da manhã.
  • Voltar à Ribeirinha a pé (21,2 km).
Para a caminhada ficar mais curta, basta avisar o condutor do metro para parar num dos locais intermédios e sair:
  • Cachão - Ribeirinha (8 km)
  • Frechas - Ribeirinha (11,1 km)
  • Latadas - Ribeirinha (14,6 km)
Vamos lá, toca a caminhar...

Maio de 2011
Novos horários aqui

Plano para dois dias na Linha do Tua


São muitas as pessoas que pretendem conhecer a Linha e o Rio Tua de perto. Os pedidos de informação chegam quase diariamente, vindo de pessoas a título individual ou de grupos. A ideia é sempre a mesma: descobrir as belezas de uma paisagem única prestes a ser destruída.
Aqui fica mais uma achega:
"Este e-mail vai no sentido de o questionar sobre o que devo assegurar para uma caminhada de dois dias na linha do Tua, sendo que partirei do Porto no Inter-Regional que chega ao Tua às 9.57h e queria chegar a Mirandela por volta das 16h/17h do dia a seguir.

Que recomendações quanto ao percurso e etapas, material, locais de pernoita ao ar livre?"
Antes de responder às questões, há factores que condicionam as respostas e que seria importante conhecer. São disso exemplo a preparação física de cada um e as exigências em termos de equipamento para pernoitar (e o seu equivalente em peso a transportar).
Partindo do princípio que as pessoas não estão habituadas a grandes caminhadas; não estão dispostas a um grande esforço; não pretendem transportar consigo muito peso; têm condicionantes de horários; esquematizei o seguinte:


  • quatro etapas: a primeira, para fazer a pé, de 15,6 km de Foz-tua a S. Lourenço; a segunda, para fazer a pé, no segundo dia, de 6,6 km, entre S. Lourenço e Brunheda; a terceira, de taxi, para apanhar o Metro no Cachão, até Mirandela (4.ª etapa).
  • Assim, é percorrida toda a extensão de Foz-Tua a Mirandela (com 21,2 km a pé).
  • A distribuição poderia ser diferente não fosse a condicionante de estar às 16/17h em Mirandela.
  • A primeira etapa, mesmo com algum peso faz-se muito bem e não tem limitações de horário, podendo ser feita nas calmas.
  • O melhor lugar para pernoitar ao longo da linha, é o apeadeiro de S. Lourenço (mais concretamente nas Caldas): é servido por uma estrada alcatroada, tem água potável, tem água quente para banho (Caldas de S. Lourenço); tem bons lugares para montar tendas; tem mesas; tem locais onde se pode dormir, mesmo sem tenda; tem um bom hotel a poucos quilómetros(!), etc.
  • A caminhada do segundo dia é muito curta, mas não dá para fazer mais e conseguir apanhar o táxi (não se espera na estação, mas sim junto ao cruzamento do caminho da estação com a estrada nacional, a algumas centenas de metros da linha, em direcção à freguesia de Brunheda).
  • No Cachão abandona-se o táxi e apanha-se a automotora até Mirandela.
  • Em Mirandela ainda dá para comer um bom almoço, passear e descansar.
Recomendações:
  • Faz muito calor no vale, é necessária água e protecção para a cabeça;
  • Um bom calçado é aquele que é bem ajustado ao pé, mas rijo. O calçado maleável não é bom para caminhar sobre as travessas e maça muito os pés;
  • No trajecto Foz-Tua a Brunheda só há sinal de telemóvel (Vodafone), em dois ou três locais (ver recomendações para a 1.º Etapa aqui);
  • Depois de fazer o trajecto é conveniente mandar um testemunho para este Blogue (texto e imagens. Estou a brincar :-)).
Contacto do Hotel Rural Flor do Monte (Pombal de Ansiães) : 351 278 660 010
Táxi, para alguma emergência: 278 617351 / 964054167 / 966796765


Maio de 2011
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quarta-feira, 25 de março de 2009

Comunicado do MCLT


Esta noite foram encerradas as Linhas do Corgo e do Tâmega. Na calada da noite e sem aviso prévio, tal como aconteceu em 1992, com a Linha do Tua, quando o Governo de então era chefiado pelo actual Presidente da Republica, o Prof. Aníbal Cavaco Silva.

As razões, as mesmas de sempre, a segurança! Este Governo não investe em Trás-os-Montes: fecha por motivos de segurança ou de economias de facilitismo de curto prazo.

O Movimento Cívico pela Linha do Tua, não pode deixar de mostrar um profundo desprezo pelas iniciativas deste Governo no que toca às suas politicas para o caminho-de-ferro no Interior transmontano e à forma como atenta contra a dignidade das pessoas que teimam em viver na região. Viver no Interior profundo, viver em Trás-os-Montes, é uma prova de resistência e uma prova de amor à terra, no seu sentido mais profundo, que poucos parecem entender.

O Movimento Cívico pela Linha do Tua solidariza-se com as populações das zonas afectadas pelo encerramento das linhas do Corgo e do Tâmega, e espera que os deputados eleitos pelos circulos de Vila Real, Bragança e Porto, se manifestem e defendam os interesses dos cidadãos que os elegeram; uma oportunidade e um privilégio de poucos e que até ao momento têm ignorado, de forma politicamente consciente e pouco digna, convém sublinhar.

Exigimos assim, à semelhança do que tem sido a nossa postura face à Linha do Tua, respeito pelos utentes e pelas populações locais. Uma vez que se o esforço de consolidação de segurança é louvável, já não o é o estado a que deixaram chegar a infra-estrutura para ser preciso encerrá-la na sua totalidade. Ou, de forma tão flagrante como aquando da Noite do Roubo em Bragança em 1992, não estão a ser honestos quanto à verdadeira intenção destes encerramentos, pelo que se exige um plano de modernização e o início da intervenção na via imediatamente, e não em datas que nem a própria tutela sabe adiantar porque nem sequer pensaram nestas.

O Tua, Corgo e o Tâmega são sustentáveis e só terão futuro com as populações e para as populações.

Pelo desenvolvimento sustentável de toda a região duriense e transmontana,

Movimento Cívico pela Linha do Tua, 25 de Março de 2009
www.linhadotua.net
Contactos: 91 682 22 37 / linhadotua@gmail.com

terça-feira, 24 de março de 2009

Quatro estações a percorrer a Linha

Com a minha caminhada do dia 12 de Março acabei mais uma viagem completa entre Foz-Tua e Mirandela, a de Inverno. Foi em Marco de 2008, mais concretamente dia 28 de Março que iniciei esta odisseia. Já tinha visitado várias vezes a Linha, mas essa caminhada foi a primeira em que houve a intenção de completar toda a extensão da linha fazendo pequenos percursos, como etapas.
No início o objectivo era fazer o trajecto de Foz-Tua a Mirandela, mas, mal o terminei em Maio, senti que não podia ficar só por isso.
Surgiu a ideia de fazer também o mesmo percurso no Verão, depois no Outono, e, finalmente, no Inverno. Em cada estação fui descobrindo novas paisagens, novas espécies, novo prazer para voltar à linha com mais entusiasmado.
Conhecer as Linha nas quatro estações mudou a minha forma de a encarar. Se a Primavera realçava o colorido de algumas zonas em que a linha aparecia num tapete de papoilas vermelhas, no Verão os tons amarelos e pastel da erva seca emprestavam transparência às curvas, que se incendiavam com raios de sol também dourado. No Outono veio o azul da água contrastado com os tons amarelos e laranjas das folhas das caducifólias. No Inverno nevou, esteve nevoeiro, o caudal subiu e vieram outras aves.
A ideia geralmente aceite de que a linha mais bonita entre Foz-Tua e Brunheda não faz para mim qualquer sentido. Sem dúvida que percorre locais inacessíveis onde o granito, mais duro, manteve o vale selvagem, impressionante, mas outras zonas têm diferentes atractivos. Depois da Brunheda o rio Tua e a Linha aproximam-se, passam a ser companheiros permitindo cenários de grande beleza. Também ganham dimensão as árvores que ladeiam o rio, permitindo tonalidades como as que estamos habituados a ver na televisão, mas que julgávamos inexistentes próximo de nós. Há também mais espécies de seres vivos, mais vida próximo do rio.
Foram 16 caminhadas que somaram mais de 200 quilómetros. Há excepção de uma, que foi feita com os meus filhos, em todas as outras caminhei sozinho. Não porque faltassem pessoas com vontade de percorrerem a linha a pé, mas sim porque quase nunca tive horário, nem apoio, sendo cada etapa uma aventura solitária às vezes com algum risco. Talvez sentisse ciumes de partilhar tanta beleza e por isso me apeteceu caminhar sozinho, sentindo de onde em onde o olhar inquisidor dos chapins ou a companhia sorrateira do melro azul.
Em termos de fotografias, são mais de 12 mil, ultrapassando 60 por quilómetro percorrido e mais de 230 por cada quilómetro de linha. São muitas recordações.

O Blogue “A Linha é TUA” só nasceu a 15 de Julho já depois de meia dúzia de etapas percorridas. Juntou informação que já tinha escrito em três blogues distintos (Frechas, Vila Flor e Carrazeda de Ansiães). Nunca foi um blogue muito popular, sendo consultado com regularidade pelos apaixonados pela Linha do Tua e por muitos que se pretendiam aventurar a percorre-la, a pé ou de Metro. Infelizmente em Agosto de 2008 aconteceu mais um acidente. Decidi que isso não alteraria a minha vontade de continuar a percorrer a linha, embora tenha dificultado bastante as minhas deslocações para as etapas seguintes.
Graças ao apoio de alguns movimentos, sítios web e blogues, este espaço foi criando visitantes assíduos, e alguns admiradores. Soma 6900 visitantes em pouco mais de 8 meses.
Qual é o futuro? Pretendo continuar a percorrer a Linha do Tua divulgando as suas belezas em fotografia. Acredito que ainda é possível salva-la e por isso não olho a esforços tentando, a meu modo, sensibilizar as pessoas para o património que está ameaçado.
No imediato aguardo com ansiedade a reabertura da circulação de composições em toda a extensão da linha, porque, mesmo percorrendo-a a pé, é triste não sentir o barulho da composição a percorrer os carris, fazendo eco ao longo do vale.

terça-feira, 17 de março de 2009

Em direcção à luz

Na última caminhada na linha andei até que o sol se escondeu. Perto da Brunheda os últimos raios de sol reflectiam-se nos carris criando uma atmosfera mágica com o som das águas do rio e o chilrear dos pássaros que pressentem a Primavera.

segunda-feira, 16 de março de 2009

La Ligne du TUA - Un chemin de fer centenaire menacé

Caros amigos,
A Linha do Tua vai ser apresentada em Paris, a todos os curiosos e interessados nesta causa, através do olhar de mais um amigo, o fotógrafo José Miguel Ferreira. De 17 a 26 de Março de 2009.
Agradecemos a vossa colaboração na divulgação desta iniciativa que promove a Linha do Tua além-fronteiras, bem como o crime cultural e patrimonial que o Governo português pretende levar adiante, a qualquer custo, numa zona classificada pela Unesco.
Caso não visualize correctamente esta mensagem, poderá obter toda a informação na página do MCLT (www.linhadotua.net) e na página do José Miguel Ferreira (www.jmferreira.net), onde além de outros trabalhos, encontrará também as versões francesa e inglesa do texto que acompanha as fotografias, para uma mais ampla divulgação.
Muito obrigada e até breve!
Movimento Cívico pela Linha do Tua

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Do Cachão à Ribeirinha


No dia 23 fiz mais uma etapa no percurso de Inverno ao longo da Linha do Tua. Desta vez caminhei entre o Cachão e a Ribeirinha, aproximadamente 8 quilómetros.
Cheguei ao Cachão muito perto das 11 da manhã. O dia estava frio e ventoso, mas isso não se verificava no fundo do vale. Tomei um café e segui para a estação. Havia um grupo de trabalhadores a fazerem trabalhos de arranjo e limpeza do cais de embarque. Uma automotora LRV2000 esperava na estação. Apesar de tudo a ligação entre Cachão e Mirandela continua a fazer-se 3 vezes ao dia em cada um dos sentidos.
Comecei a caminhada sem pressas. Eram poucos quilómetros e tinha muito tempo para os percorrer. A primeira impressão, não é das melhores. O que resta do Complexo continua a ser muito poluente para o meio principalmente para o rio. Já estou cansado de ouvir as expressões como: Lá estão estes ecologistas, é melhor não haver trabalho? Como se poluir fosse a única forma de produzir! Não vou mostrar as fotografias, mas são nojentas.
Mal deixei as últimas casas, esqueci a poluição. É que há a poucas dezenas de metros algumas amendoeiras que se encontram em plena floração. As abelhas descobriram-nas antes de mim, eram às centenas.
Retomei o caminho (a linha). Há ainda algumas hortas junto da linha. Têm nabiças em flor, favas e alhos, algumas oliveiras e outras árvores de fruto. Não resisti a deixar a linha e a subir a alguns rochedos por cima da corrente do rio. Aqui sim, há um cachão.
Mais alguns metros à frente há uma zona onde encontro uma espécie vegetal que por mis que procure em outros locais da linha ainda não a encontrei: trata-se do feto-real (Osmunda regalis L.). Estava completamente seco, fica para outra oportunidade mostrar uma fotografia desta espécie.
Entrei na zona mais escarpada que iria percorrer. Toda a extensão da linha que se estende de Foz-Tua a Mirandela tem cambiantes que vão mudando com os quilómetros, e não me atrevo a afirmar de forma taxativa que há locais mais bonitos do que outros. Essa beleza agreste aparece com o evoluir das estações, com o caudal do rio, com a própria posição do sol. Quem diz que os primeiros quilómetros, junto a Foz –Tua são os mais belos, é porque nunca passou um dia de Verão junto ao rio em Frechas, ou admirou a imponência das montanhas que antecedem o Cachão, não conhece a história da Ponte do Diabo nem se banhou nos açudes da Sobreira.
O percurso entre o Cachão e a ponte em Vilarinho da Azenhas é simplesmente fantástico, basta ver as imagens que aí captei no meu passeio de Outono. Foi nesta zona que encontrei uma das principais atracções da do dia; as campainhas (Narcissus bulbocodium. L.). Não estava à espera de encontrar esta espécie, mas sim a (Narcissus triandrus L.) que teoricamente só floresce em Março, mas que já se encontra pelos campos. Aproveitei o desafio para captar o seu amarelo imaculado, capaz de baralhar o mais moderno sensor.
Chagado à ponte na N15-4 (que liga Vilarinho das Azenhas a Valverde) é o lugar para cumprimentar os pescadores. Estavam lá três, não a pescar o almoço visto já ser uma hora da tarde.Quando cheguei às primeiras casas da aldeia, abandonei a linha e segui junto ao rio. Todas as árvores que o ladeiam são de folha caduca e ainda estão todas nuas. Dentro de dias tudo vai mudar. A ausência de folhas permite observar melhor o rio. Há uma série de azenhas (daí “das Azenhas”) todas em ruínas. Só os corvos marinhos (Phalacrocorax carbo) e alguma garça–real (Ardea cinerea) me faziam companhia. Perto da Azenha das Três Rodas voltei à Linha. Surgiram novamente videiras, nabiças floridas, oliveiras centenárias. A visão da linha para montante, em direcção ao monte do Faro é também um cenário único. Não se admirem se um dia destes o virem exibido num filme de grande sucesso. É que não sou o único a percorrer estas paragens.
Aproximava-me da Ribeirinha quando já eram três da tarde. Um idoso caminhava ao meu encontro. Era o sr. Abílio! Claro que não ia ao meu encontro, ele não sabia que ali estava. Aproveitava o sol do fim da tarde para uma pequena caminhada. Voltámos juntos ao apeadeiro da Ribeirinha onde nos entretivemos alguns minutos na conversa. Começaram a chegar algumas nuvens por detrás do Faro. Quando chegou a meu transporte, subi a rapidamente em direcção a Vilas Boas, queria “apanhar” aquelas nuvens.
Foi um passeio inesquecível.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Inverno na Linha do Tua (4)

Mais uma caminhada na Linha do Tua, desta vez para captar os cambiantes de Inverno. Foi uma curta caminhada mas plena de sol, calor e bonitas fotografias. A fotografia de hoje foi tirada próximo do Cachão, onde começou a minha caminhada.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dois anos depois...

Faz hoje dois anos que ocorreu o mais grave acidente na Linha do Tua, no local que a fotografia mostra. Nele perderam a vida três pessoas. Depois disso já se repetiram vários acidentes e a questão que fica sempre no ar é: Porquê?
Não há mais tempo, nem razões para protelar a decisão. Se a REFER e a CP acreditam na linha têm que apostar em obras de fundo, para a recuperar de muitos anos de verdadeiro abandono. Já não há tempo para enganar mais ninguém. Ou se aposta na linha a sério, ou se abandona. Eu sou a favor da primeira hipótese.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A caminhar de Brunheda até Foz Tua


As mais recentes notícias sobre o futuro da linha do Tua lembraram-me que eu ainda não fiz a habitual “reportagem” da minha última caminhada. Aconteceu no dia 24 de Janeiro e decorreu entre Brunheda e Foz-Tua. Esta caminhada insere-se naquilo que eu chamo como o Passeio de Inverno, numa tentativa de percorrer a extensão da linha que vai de Foz-Tua a Mirandela, durante os meses de Inverno.
Houve algumas alterações nos horários dos táxis que fazem o serviço da linha, e, nesta etapa, eu necessitava de os utilizar. Mais uma vez desloquei-me para a estação de Abreiro onde cheguei pouco antes das 10 da manhã. Podia arriscar partir dali, mas não o fiz porque achei que não tinha tempo suficiente para chegar ao Tua com luz do dia. Pouco depois chegou o táxi, que já vinha do Cachão.
Eu e um jovem éramos os únicos passageiros. Surpreendi o motorista quando lhe disse que ia para o Tua mas descia na estação da Brunheda. Às 10:45 estava sobre a ponte rodoviária a começar a descer para a linha.
A noite do dia 23 foi repleta de rajadas de vento fortíssimas. Mesmo ao longo da estrada encontrei muitas árvores caídas, algumas de grande porte. Também a chuva caiu com velocidade e em quantidades assustadoras. A água do rio corria turva e com redemoinhos pouco habituais.
Comecei a minha caminhada em direcção ao Tua com 8 horas disponíveis. Sabia por experiências anteriores que eram suficientes, mas nunca se sabe o que vamos encontrar ao longo de 21 km. O principal risco da viagem era sem dúvida o estado do tempo. Depois da tempestade da noite anterior, anunciavam-se novas réplicas, e, caso me surpreendessem a meio do caminho, não havia outra alternativa senão seguir em frente, até chegar ao final da linha.
O ar estava muito frio, talvez 5 graus, mas o céu abria-se num azul profundo, fazendo-me esquecer os riscos, encantando-me com o verde da paisagem, apesar de estarmos no Inverno.
Em poucos minutos passei o local do acidente de Agosto passado. Há poucos vestígios dele. Se não tivesse estado ali no próprio dia, talvez não me apercebesse do que ali se tinha passado.
Ao quilómetro 19.º a linha está mesmo em péssimas condições, mas hoje vou apenas falar das coisas boas.
Quando me aproximava do apeadeiro de Tralhão, acenderam-se as fogueiras na outra margem. Os ranchos de azeitoneiros preparavam o fogo para aquecerem o almoço. Curiosamente esta zona onde existem ainda alguns olivais em exploração chama-se Erva Má!
Decidi também fazer o levantamento da rede de telemóvel ao longo do percurso. Depois do acidente de Agosto foi comentada a colocação de um retransmissor em território de Alijó para melhorar a comunicação no vale. A minha rede é a Vodafone, mas ainda não tinha detectado qualquer sinal de rede.
Apesar da estação, algumas flores teimam em florir em plena época fria, é o caso da candeia (Arisarum vulgare). Outras, com os bolbos cheios de energia, começam a crescer em força, preparando-se para um início de Primavera em beleza. Nesta zona há muita cebola-albarrã (Urginea maritima), gladíolos (Gladiolus illyricus), jacinto-dos-campos (Hyacinthoides hispânica), etc. Antes de chagar ao S. Lourenço ainda me deliciei a fotografar alguns fungos que crescem nos troncos dos carrascos e sobreiros.
Junto à estação de S. Lourenço havia uma enorme árvore caída, atravessada na linha.
A formação rochosa que existe ao quilómetro 15º é única na linha e chama a atenção de todos os que por ali passam, a pé ou de automotora. Demorei algum tempo procurando os parâmetros de exposição adequados para registar o quadro. Não é fácil fotografar na Linha do Tua. A linha mergulhada nas sombras e os raios de sol que fazem brilhar as encostas mais acima, criam dois campos com luminosidade tão distinta que obrigam a esquecer todos os mecanismos das câmaras modernas, marcando os parâmetros da fotografia manualmente, ajustados em várias tentativas.
Pouco depois de se atravessar um “canal” rochoso onde mal há espaço para a linha, começam a ouvir-se as águas agitadas já próximas do Amieiro. No rio há uma pequena cachoeira, mais evidente quando tem um menor caudal.
Passaram algumas nuvens negras por sobre a minha cabeça, que me obrigaram a acelerar o passo. Quando eram duas da tarde, faltavam-me percorrer 12 quilómetros. Assaltou-me a ideia da noite e segui mais rapidamente fazendo menos paragens para tirar fotografias. Nem para comer alguma coisa parei, contentando-me em saborear o “almoço” com a cadencia das travessas.
Foi nesta zona que vi duas lontras, numa outra caminhada. Segui com atenção ao rio, mas não vi nada de semelhante. Pouco depois o sol brilhou de novo.
Depois da ponte de Paradela a linha ganhou magia. A humidade no ar reflectia a luz criando uma atmosfera que não vi em viagens anteriores. De cada vez que o sol penetrava por entre as nuvens, iluminava os musgos cheios de verde, embriagados de água que pingava em cada rochedo. Descobri logo a seguir que percorrer os túneis, durante o Inverno, não é tão fácil assim, principalmente os mais longos. Quando são em curva, há um momento em que se fica em completa escuridão.
Ao quilómetro 8.º apercebi-me pela primeira vez de uma ribeira que caía em cascata. Numa cota superior à linha há várias ruínas. São moinhos de água, na Ribeira Grande que recolhe água junto do Castanheiro e Parambos. Também no Rio Tua há vestígios de moinhos, mas encontravam-se completamente cobertos pela água. A provocadora praiazinha de areia branca também se encontrava completamente submersa.
Voou da água do rio uma ave completamente branca! Tinha contornos de ave de rapina e voava com majestade. Não era uma garça, fiquei intrigado.
O vale foi ficando cada vez mais sombrio à medida que me aproximava do Túnel das Fragas Más II (túnel do Boitrão nas cartas militares). Depois dos dois túneis, vem outra das curiosidades da paisagem: um conjunto de cascatas com várias dezenas de metros por onde a Ribeira de S. Mamede de Ribatua se precipita no rio Tua.
Passeio o túnel de Tralhariz e o apeadeiro com o mesmo nome. A luminosidade ia diminuindo, aproximando-se uma tormenta. No quilómetro 3.º havia máquinas para obras na linha. Não cheguei a perceber que tipo de melhoramento andavam a fazer. Desde o apeadeiro do Tralhão que me apercebi que havia travessas marcadas. As máquinas que aí encontrei permitem mudar as travessas, só não percebi porque razão todas as travessas marcadas estavam em muito bom estado e ao lado havia travessas completamente podres que não estavam marcadas! Fiquei com a ideia que poderiam estar a retirar as travessas para fazerem algum tipo de teste ao terreno, no centro da linha, uma vez que as marcações se encontravam espaçadamente distribuídas ao longo das curvas.
Ao quilómetro 2.º começou a chover. Eram 5:20 horas, já mal dava para tirar fotografias. Não foi nada agradável atravessar a ponte das Presas; estava escuro e a chover. Aproveitei o túnel para vestir uma capa de água e, com muito jeito, caminhei ao longo do estreito passeio metálico, com medo de escorregar.
As fotografias do último quilómetro já foram tiradas com a sensibilidade da máquina a ISO 1600, só para recordar. Quando cheguei a Foz Tua eram 17:50horas. Segui para o chefe de estação para lhe comunicar a localização de alguns objectos que encontrei ao longo da linha, fruto de tempestade da noite anterior. Assim, ele poderia contactar Mirandela avisando as equipas que andam a trabalhar na linha e que recomeçariam na segunda-feira de manhã.
O aspecto das linhas da via estreita na estação do Tua está completamente mudado. As obras ainda não estavam terminadas, mas fotografei um estradão onde antes estava a linha! As composições abandonadas estão cada vez mais vandalisadas.
Pouco depois das 18 horas chegaram duas composições da Linha do Douro. Saí da estação à procura do táxi, que prontamente partiu, comigo e mais uma senhora idosa que estava de visita à sua terra natal, Brunheda.
No regresso descansei os músculos. Passei 8 horas a andar. Não foi tão cansativo como quando fiz o mesmo percurso na Primavera. Apesar de todas as minhas preocupações com o mau tempo, acabei por beneficiar de um dia bastante aceitável.
Quando ao sinal da rede de telemóvel, conto colocar um post específico para falar disso. Só há sinal de qualidade entre o 7.º e o 9.º quilómetros. Talvez se consiga ligação também entre o 3.º e o 7.º quilómetros. Na estação de Foz Tua e desde o túnel da Falcoeira (9.ºkm) até Brunheda (21.º km) não há qualquer sinal (rede Vodafone).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Aguarela


A noite na Linha do Tua não deixa de surpreender pela sua beleza. A fotografia foi tirada entre a estação de Abreiro e Ribeirinha (31.º Km).