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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Inverno na Linha do Tua (4)

Mais uma caminhada na Linha do Tua, desta vez para captar os cambiantes de Inverno. Foi uma curta caminhada mas plena de sol, calor e bonitas fotografias. A fotografia de hoje foi tirada próximo do Cachão, onde começou a minha caminhada.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Prevenir é a melhor solução

Foi com satisfação que constatei a existência de grandes obras de manutenção e melhoramento da Linha do Tua no troço entre Frechas e Mirandela, em Julho passado. Depois disso, aconteceu mais um acidente, perto da Brunheda e eu passei a olhar para a via com outros olhos.
Sempre que os autarcas e os políticos se referem ao troço Cachão-Mirandela, concessionado à Metro de Mirandela, fazem-no conscientes da segurança que a via oferece, fruto de todo o capital investido, nomeadamente com substituição das travessas mais deterioradas, colocação de balastro, melhoramento de taludes e do sistema de escoamento.
A leitura do relatório (e dos anexos) do acidente do dia 22 de Agosto onde constam as conclusões a que chegaram os diferentes técnicos, revela deficiências que podem estar na base, não só do último acidente, mas de alguns dos outros que ficaram por explicar. São apontados problemas, alguns na via, que me têm provocado algumas preocupações.
Nos dias 15 e 22 de Novembro fiz, a pé, o percurso entre o Cachão e Mirandela. A par das belezas da paisagem que fui registando (e que já mostrei), também tomei alguma atenção à linha, e, mesmo com os meus limitados conhecimentos sobre o assunto, encontrei indícios evidentes de que há muito para corrigir.
Não me parece correcto que um troço de linha que sofreu obras profundas há apenas dois meses atrás, apresente travessas completamente degradadas, parafusos ferrugentos e até soltos! Parece brincadeira que tenham colocados alguns parafusos completamente tomados pela ferrugem, mais velhos do que aqueles que lá estavam e que os mesmos tenham sido cravados à marretada em vez de aparafusados.
Os carris já não são novos e foram virados há alguns anos atrás. Nalguns lugares apresentam sinais da idade (apesar deste troço ser o mais plano e com curvas menos acentuada de toda a extensão da linha). São visíveis marcas de travagens ou patinagem das rodas que desgastaram o carril num determinado ponto. Não percebo nada de soldadura aluminotérmica, mas nalguns pontos a via apresenta “joelhos” que podem torna-la perigosa. Também são visíveis pontos que evidenciam um deficiente contacto entre o rodado e a via, com deslocação do ponto de contacto ou mesmo com contacto aos solavancos, o que pode significar que a locomotiva passa naquele ponto aos “saltos”.Também as uniões dos carris mostram algumas lacunas. Nestes pontos a colocação das travessas e dos parafusos que fixam os carris, deviam ser objecto de um especial cuidado, coisa que não é notório. As travessas junto da união deveriam estar mais próximas do que o normal ao longo da via. Apesar de estarmos em Novembro, com temperaturas muito baixas, há muitas uniões sem qualquer junta de dilatação! Eu sei que ela varia com a temperatura e com o comprimento do carril, mas não deveria ser de mais de um centímetro nesta época do ano? Há tabelas que relacionam a amplitude térmica do local, com a junta de dilatação necessária, mas este é um exercício que me parece exagerado para quem apenas quer registar as belezas da linha, lutando para que ela possa ser utilizada por pelo menos mais 100 anos.
Mais de que as minhas palavras, as imagens falam por si. Sei que olhos treinados podem “ler” nelas alguns sinais preocupantes. Espero que tudo se faça para tornar a Linha segura, não só até ao Cachão, mas em toda a sua extensão. Que os infelizes acontecimentos a que assistimos no último ano e meio, não se repitam nunca mais.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Percurso Cachão - Latadas


No dia 22 voltei à Linha. Fiquei tão fascinado com o percurso que fiz no dia 15 que passei a semana toda a pensar em regressar. O Outono é cheio de contrastes, verifiquei isso mesmo mal cheguei ao Cachão. A vegetação que ladeia o rio já não tinha a mesma coloração da semana anterior. Os choupos perderam todas as folhas, apresentam-se despidos, esperando as geadas do Inverno. Os plátanos e algumas outras árvores de folha caduca apresentam ainda folhas outonais, mas já sem a variedades de tons que gostaria de encontrar. As vinhas em volta de Frechas também já estão despidas, tal como os diospireiros que apenas suportam os tão curioso frutos alaranjados e ácidos.
Cheguei depois de almoço, e tomei um café no Cachão. O sábado estava com um sol desllumbrante mas o ar estava fresco. O percurso que pretendia fazer era curto: Cachão - Latadas, de onde tinha partido a pé na semana anterior. Como não podia contar com a automotora, tinha que contar em fazer o percurso inverso ou à boleia ou a pé.
À saída do Cachão foi onde fiz as melhores fotografias de papoilas na Primavera, mas no Outono esta zona não tem a mesma beleza. Só pelo quilómetro 43º, quando a linha se aproxima mais do rio, me comecei a entusiasmar. Aqui voltei a encontrar aves de rapina e bastantes corvos marinhos.
Pouco depois ouvi o som característico da automotora a aproximar-se! Não conheço os horários mas gostei de sentir vida na linha. Procurei uma posição em segurança e esperei que ela passasse.
A tranquilidade era grande e passei a estação de Frechas sem ver uma única pessoa. Desta vez decidi que desceria ao leito da Ribeira da Carvalha para fotografar a ponte. É impressionante como a ribeira que costuma ter um caudal considerável (lembra-me de aí ter visto muitos peixes) não tem gota de água. A seca que se tem feito sentir nos últimos anos, manifesta-se agora como nunca!
Passei o Túnel de Frechas e encontrei um marmeleiro com marmelos mesmo perto da linha. "Massacrei" um marmelo com o meu flash.
Segue-se depois um zona onde a linha não tem praticamente curvas até chegar ao antigo apeadeiro de Latadas. Aqui foram feitas obras de beneficiação da estrutura de suporte da linha. Infelizmente nem esta zona que foi intervencionada recentemente foge aos problemas que são reportados ao restante da linha, mas deste aspecto falarei noutra altura.
Quando cheguei ao local de destino eram 16 horas. Restava-me muito pouco tempo para fazer o caminho inverso. Arrisquei ir para a estrada tentar uma boleia. Os carros de grande cilindrada passavam a alta velocidade e certamente não gostariam das minhas botas sujas nos seus tapetes. Estabeleci como limite pedir boleia a 12 carros, acho que cheguei aos 15, depois desisti. Regressei à linha e comecei o caminho de regresso ao Cachão.
O sol já bastante baixo, dava um colorido especial às folhas dos olmos na borda do caminho. Mesmo assim, não tive pressa. A noite foi caindo e vi-me com um desafio original, fotografar a linha de noite. À medida que ia experimentando o flash e subindo a sensibilidade ao máximo fui-me entusiasmando tentando tirar o máximo partido do colorido das nuvens ao entardecer. Uma das minhas preocupações era a passagem já de noite, em vários locais onde há cães, mas felizmente correu tudo bem.
Os últimos quilómetros até ao Cachão foram feitos já com noite cerrada. Quem em ao longe visse os disparos do flash na noite escura julgaria que por ali andava algum visitante do espaço!

domingo, 16 de novembro de 2008

Captando o Outono, na Linha do Tua

Hoje (15/11) fui captar as cores do Outono na Linha do Tua. Tinha previsto fazer a pé o percurso desde o Cachão a Mirandela, o nevoeiro só perto do meio-dia é que deixou ver a linha e o rio com clareza. Acabei por fazer o percurso entre Vilarinho das Azenhas e Mirandela, parte de carro, parte a pé. Tirei mais de 800 fotografias e esgotei a bateria das duas câmaras digitais que trazia. Tenho uma mão cheia de paisagens lindíssimas que irei mostrar à medida da disponibilidade de tempo para as acompanhar com algumas linhas de texto.
A fotografia de hoje foi tirada da estrada que liga o Cachão a Vilarinho das Azenhas, a poucas dezenas de metros do Cachão.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Conclusões...


Num momento em que se espera que a verdade venha libertar a Linha do Tua de todos os fantasmas, as notícias não são nada animadoras.
Os jornais falam da complexidade da questão e de algumas notícias sobressai a ideia de que talvez tenha sido um abatimento de terras a causa que despoletou o último acidente, em Agosto passado. Todos os que se preocupam com a linha ansiavam por uma justificação sem margem para dúvidas, por vezes até nos esquecemos do país em que vivemos e como as coisas funcionam por aqui.
A tratar-se de abatimento de terras e dado o período em que ocorreu, pleno Verão, ele só pode ter acontecido pelas obras para colocação dos cabos de fibra óptica. Ao contrário do que se lê em várias notícias, não decorreram dois meses entre as obras e o acidente. Em 18 de Julho passei eu no local. Os tubos estavam ao longo da linha, mas a vala ainda não tinha sido aberta. As máquinas encontravam-se acima da estação da Brunheda, mais ou menos em frente da Sobreira.
Não me surpreende que a linha não estivesse bem apoiada. Alguns quilómetros mais abaixo (próximo do quilómetro 3.º), encontrei eu um local onde vários metros de linha abanavam perigosamente à minha passagem (a pé).

Esta justificação do abatimento da linha, que me parece facilmente provável, não afasta outras causas que também podem ter estado presentes neste e nos acidentes anteriores. A falta de peso da automotora parece-me razão suficiente para fazer com que ela não tenha parado na linha, depois de ter saltado dos carris. Mostrei as fotografias que tirei a várias pessoas que percebem mais de comboios do que eu, que se mostraram surpreendidas como é que a composição não parou, ao fim de poucos metros.
Não podemos esquecer a mãe de todas as causas: o abandono. A falta de vontade dos políticos (e incluo aqui os presidentes das câmaras que todos conhecemos), em manterem esta linha em funcionamento, levou ao seu progressivo abandono tal como têm noticiado vários jornais. Os investimentos que foram feitos não se centraram na linha, suporte de toda a movimentação.
E depois ouvem-se coisas como "porque não se constrói outra linha a contornar a margem da futura barragem?" Haja paciência...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A Primavera na Linha do Tua (4)

A Primavera na Linha do Tua.
A fotografia central foi tirada junto da Quinta do Choupim, perto de Mirandela, no dia 25 de Abril de 2008. O gradeamento é da estação do Cachão.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Cachão - Mirandela (II)

No dia 29 de Julho voltei à Linha do Tua. O objectivo era completar a segunda volta à linha, desta vez em pleno Verão, para poder comparar com aquela que tinha feito na Primavera.
Cheguei ao Cachão, pouco depois das 10 horas. Desta vez não dependia da passagem da automotora. Andava uma pessoa a arrancar algumas ervas nos passeios da estação e, numa curta conversa, fiquei a saber que o troço entre Frechas e Mirandela se encontrava em obras de melhoramento. A Linha do Tua estava toda assente em terra, mas, a situação foi sendo melhorada ao longo dos últimos tempos. Já tinha reparado que o troço mais envelhecido, era entre Frechas e Mirandela, exactamente aquele que se encontra agora em obras.
Esta informação aguçou a minha curiosidade. Na viagem que aqui fiz a 25 de Abril de 2008, tirei fotografias fantásticas, com as papoilas a invadirem a linha. Dá-me ideia que essas imagens nunca mais se vão repetir.

O quilómetro 42º acompanha a estrada N213. Foi uma zona em que tirei boas fotografias. O aspecto estava completamente diferente. Ladeavam a linha duas faixas de ervas completamente ressequidas, com sementes que se prendiam à roupa, lutando pela sua disseminação. Até o bonito jardim de uma moradia que existe sensivelmente a meio desse quilómetro, estava um pouco mais desleixado do que o habitual. Tinha muitas rosas secas.
Um pouco mais à frente reencontrei um casal de aves de rapina que habita esta zona. Estou em crer que se trata de um casal de milhafres-reais (Milvus milvus). Há outro casal de aves de rapina que nidifica entre a Ribeirinha e o Vilarinho das Azenhas, este deve nidificar aqui. Também, logo a seguir a Latadas, há um troço de rio muito largo, com muita água, onde, penso existir mais um casal residente.
Com o céu sem nuvens, o Faro parecia-me ali perto. Este monte fascina-me! Gosto muito de fotografar a linha com o monte a fazer de fundo. Parece até que estamos numa paisagem do centro ou norte da Europa.

Pouco depois avistei as o Bairro Nossa Senhora de Lurdes, em Frechas. Ao chegar à estação, não pude deixar de reparar nas ruínas em redor. Houve um tempo em que a linha era o principal acesso a estas terras. À volta das estações da linha cresciam comércios, pensões e armazéns, conforme a população que serviam. Por exemplo, o Cachão, era o ponto de entrada para o concelho de Vila Flor. Havia um serviço de autocarro entre Cachão e Vila Flor, mas já antes, esse percurso era feito a cavalo. Com a melhoria das estradas, o comboio foi perdendo importância e as infra-estruturas existentes foram sendo abandonadas. Em Frechas, não era difícil manter as casas de banho da estação operacionais, mas agora estão vandalizadas. Quando retomei a marcha apercebi-me que estava quase na hora de passar a automotora. Já não me dava tempo para chegar ao Túnel, por isso abandonei a linha e decidi esperar por ela à sombra de uns enormes choupos brancos. Passou poucos minutos depois, cheia de passageiros, muitos deles turistas que viajam na Linha do Tua por prazer. Estes são, cada vez mais.
Junto à Ponte da Carvalha, entretive-me a tentar fotografar as borboletas. As flores em volta da linha são poucas, ao contrário das borboletas que abundam, mas são muito ligeiras, voando ao mais pequeno movimento.

Pouco depois atravessei o Túnel de Frechas e a vista alargou-se de novo para o rio. A beleza deste vale está neste namoro constante, entre a linha e o rio que raramente se separam. Seguem o mesmo curso, traçam as mesmas curvas, rasgam as mesmas fragas, enfrentam as mesmas ameaças.
Entrei no troço em obras. Está a ser feita uma grande obra: construção de muros de sustentação, aquedutos de escoamento de águas; colocação de gravilha; substituição das travessas; nova soldadura dos carris. Estes são os melhoramentos que uns olhos não treinados vêem. Na zona em obras, é muito complicado andar pela linha. A gravilha cobre mesmo as travessas. Além de ser doloroso estar sempre a caminhar sobre este tipo de piso, é também perigoso. O facto de o pé não apoiar bem, aumenta o risco de entorses. São necessárias umas boas botas.
A zona das Latadas está completamente diferente. Há pouca água, mas as árvores, exuberantes, continuam a dar bastante beleza ao local.
Pouco antes de chegar à Quinta do Choupim, há uma zona plana, com pastos, que me deu grande gozo fotografar na Primavera. Como seria de esperar, agora estava tudo seco. Estava nessa zona quando passou uma nova automotora em direcção a Mirandela.
Era 1:50 da tarde e tinha quatro quilómetros para percorrer. Consultei os horários. Só tinha transporte de Mirandela para o Cachão às 16:14, por isso não tinha necessidade de me apressar.

Dois quilómetros antes de chegar a estação de Mirandela, encontrei o local onde decorriam as obras de substituição das travessas mais velhas. O trabalho é feito durante a noite, uma vez que é necessário arrancar os carris, por isso, não se via ninguém a trabalhar.
Cheguei junto da Ponte Europa. O ambiente era de festa. Do outro lado do rio via-se e adivinhava-se, grande animação, mas ainda contida, dado o calor da tarde.
Demorei bastante tempo a percorrer o último quilómetro. Parava a cada instante, espreitava o rio através do jardim. Sentei-me na relva, retirei as sapatinhas e a maior parte das sementes que levava presas às meias.
Às três e meia da tarde, atravessei todo o Parque do Império e parte da Ponte Românica para tirar algumas fotografias e comprar água fresca. Neste percurso não tive problemas com a água. As três garrafas pequenas que levei, chegaram-me até Mirandela. Apesar do sol, circulou sempre algum ar fresco e não transpirei muito, talvez também pelo facto da linha se encontrar mais próxima da frescura do rio, coisa que não acontece nos troços do início da linha.

À hora da partida da automotora, já estava na estação. Estava completamente lotada, também não me importei, viajo sempre de pé. Muitas das pessoas eram turistas. Alguns vão de carro até ao Tua, fazem o percurso ascendente, almoçam em Mirandela e voltam ao Tua pela tarde.
Com a aproximação do Verão, as automotoras circulam sempre cheias. A linha tornou-se uma atracção turística, mais pela polémica, do que pela promoção que as autarquias fazem. Antes pelo contrário, algumas autarquias, escondem o Rio e a Linha do Tua, com receio que as suas ideias mercantilistas sejam postas à prova, contrariando a ideia de que a linha não é utilizada.
Regressei ao Cachão na automotora. Completei com este percurso, duas voltas à linha, entre Foz-Tua e Mirandela. Talvez quando chegar o mês de Outubro me anime a percorrê-la de novo, em busca das cores do Outono. Até lá, vou-me deliciando com centenas e centenas de fotografias e as recordações de passeios inesquecíveis.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A Linha do Tua na Primavera (1)

A Linha do Tua, na Primavera. A fotografia com a automotora parada é a estação do Cachão. Todas as restantes fotografias foram tiradas entre o Cachão e Frechas.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

De volta à Linha do Tua

No dia 12 de Julho voltei à Linha do Tua. Desta vez o percurso foi o troço de linha no concelho de Vila Flor. Começou, pouco antes da estação de Abreiro e terminou no Cachão, onde também tirei algumas fotografias.

A reportagem de todo o percurso pode ser lida - aqui -

Do Blogue: Frechas

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Na Linha do Tua - 3


Hoje foi o dia de partir "À Descoberta" de mais um troço da Linha do Tua. Dia 25 de Abril, dia da liberdade e não há melhor local para eu me sentir livre do que em contacto com a Natureza, longe do barulho, longe da pressão, longe de tudo o que torna o nosso dia a dia num círculo viciado.
Depois de percorrer, a pé, a 1.ªetapa entre Cachão e Ribeirinha e a 2.ªetapa entre a Brunheda e a Ribeirinha, pretendia continuar em direcção ao Tua, mas o acidente que aconteceu na linha, com a Dresin, no dia 10 de Abril, tem dificultado os meus planos.

A minha ideia inicial, era percorrer, a pé, a parte da linha que tem grandes hipóteses de ser trocada por contrapartidas com a EDP, mas depois pensei: porque não percorrer os 54 quilómetros que vão desde Foz-Tua a Mirandela? Como as automotoras continuam a fazer o percurso Brunheda Mirandela, mantendo os mesmos horários, planeei a 3.ª etapa, Cachão Mirandela.

Estudei os horários, o trajecto, consultei mapas e fotografias aéreas na Internet. A caminhada seria do Cachão a Mirandela. Iria de carro até ao Cachão; seguiria pela linha até Mirandela; apanharia a automotora de volta ao Cachão e regressaria a casa. Em termos de horários, já sei que tenho de somar bastantes mais horas do que aquelas que são necessárias para fazer o caminho. O objectivo era tirar fotografias e não fazer o percurso o mais rápido possível.

Às onze horas estava no Cachão. O céu estava limpo e o sol escaldante. Carregava o almoço, bastante água e, claro está, o material fotográfico necessário. A estação do Cachão está muito bem cuidada. Foi pintada recentemente e a área circundante está limpa. Até tem um horário dos comboios colado na porta (que ainda tem vidros!). A poucos metros de distância há alguns armazéns, estes sim destruídos. Um deles tem um bonito gradeamento em ferro, mesmo a pedir algumas fotografias a preto e branco.

Segui viagem, pela linha, mas sempre atento a qualquer possibilidade de descer até ao rio, que tem um grande caudal, fruto das “águas mil” de Abril. Neste percurso entre Cachão e Mirandela, a linha e o rio parecem de costas voltadas, chegam mesmo a separar-se, como acontece em Frechas.

A diferença de cota entre os dois é muitas vezes pequena, o que não permite ver o rio da linha. Ao longo de todo o percurso o rio corre mais manso do que para jusante, sempre ladeado de duas luxuriantes linhas de árvores, uma em cada margem, que dificultam a visão. De onde em onde resistem grandes açudes, acompanhados das ruínas das respectivas azenhas. Mesmo sem se verem, os açudes adivinham-se, pelo barulho que a água faz quando as transpõe.
No espaço em que a linha segue paralelamente à estrada N213 há dois açudes. Recordo-me comer uns peixinhos fritos, há mais de 20 anos atrás, na única casa que há perto do segundo açude! Depois a linha e a estrada separam-se só voltando a juntar-se perto da estação de Frechas.

A vegetação em volta, solicitava mais e mais fotografias. As papoilas vermelhas saltavam da verdura lembrando-me os cravos de Abril. Mais modestas mas não menos bonitas surgiam tufos de outras flores despertando a minha sensibilidade e o meu conhecimento: miosótis (Myosotis arvensis), borragem (Borago officinalis), erva das sete sangrias (Lithospermum diffusum), viperina (Echium tuberculatum), estevas, (Cistus ladaniferus), arçãs (Lavandula stoechas), jacinto das searas (Muscari comosum), roas (Rosa canina), muitas crucíferas e giestas. Quanto mais tempo se perde olhando com calma, mais variedade de vida se descobre.

Levei algumas horas a chegar a Frechas! Exposta ao sol, parecia adormecida no perfume das flores, aquecida pelo sol. Ao passar sobre a Ribeira da Carvalha, apeteceu-me molhar os pés, refrescar a cara, mas ainda havia muito caminho a percorrer. Atravessei o pequeno túnel sob a estrada nacional e preparei-me para admirar o rio. É neste ponto que da linha se avista melhor o rio. Lá ao fundo, onde o rio se esconde no cachão, os cumes do Faro e da Senhora da Assunção parecem vigiar os meus passos. Que felizes que são, tem hipótese de desfrutar desta paisagem dia após dia!

Consultei a minha cábula com os horários. Dali a pouco passou a automotora em direcção a Mirandela, onde chegaria perto das duas da tarde.
Andei mais um pouco e apanhei um valente susto. Numa quinta, muito bonita que existe na encosta apareceu mais de uma dúzia de cães gigantescos. Felizmente só um avançou para a linha. Não se sentindo apoiado, desistiu e eu pude continuar. A partir deste ponto, é onde a linha está em pior estado. As travessas estão velhas, mal apoiadas e a linha está invadida por ervas daninhas. Está assim até Mirandela. Andam algumas máquinas a enterrar ao lado da linha estruturas para fibra óptica. Penso que depois a linha sofrerá uma intervenção, colocando este troço ao nível da que já existe desde o Tua até Frechas.

No apeadeiro Latadas parei. Aproveitei para saborear o “almoço” já muitas vezes desejado, sentado num tufo de erva, à beira-rio.
Recuperado do cansaço, retornei a marcha. De novo a linha se afasta da estrada N213, só voltando a encontrar-se já em Mirandela.

Depois de algumas curvas, a vista alarga-se. Surgem campos povoados de flores espontâneas de todas as cores. Apeteceu-me deixar a linha e explorar o espaço circundante. Estava na Quinta do Choupim.
Pouco depois surgiram campos cultivados de ambos os lados da linha. Hortas, vinhas, olivais, pomares, mas também boas terras onde se plantavam batatas.
As primeiras casas de Mirandela já se viam ao longe. Acelerei o passo. A automotora partiria para o Tua às 16:14 e eu tinha pouco tempo para chegar à estação. Quando cheguei à Ponte do Açude convenci-me que poderia chegar a tempo.

Nos últimos metros há um carreiro que acompanha a linha e um bonito jardim entre o carreiro e o rio. A paisagem é deslumbrante, seria um óptimo lugar para merendar.
Cheguei à estação a dois minutos da automotora partir. Só tive tempo de limpar o suor e beber um pouco de água. Ainda chegou um grupo de 6 pessoas que desistiram da viagem quando souberam que não poderiam fazer o percurso até ao Foz-Tua pela linha.

Tirei o bilhete até Frechas e coloquei-me junto ao maquinista, apreciando a linha e trocando algumas palavras. Soube que seguiriam onze passageiros, de táxi, da Brunheda para o Tua. Também soube que a linha está completamente recuperada, mas ainda não foi ainda dada autorização para retomar a circulação da automotora no percurso completo.
Apeei-me em Frechas com uma intenção: dar um passeio pela beira-rio admirando a bonita praia fluvial.

Da estação segui, imagine-se, para a Rua da Liberdade. Desci a Rua dos Combatentes em direcção ao rio. Alguns caminhos estavam intransitáveis devido ao caudal do rio e tive que saltar algumas paredes para chegar à praia fluvial. Havia bastantes pessoas espalhadas ao longo do rio. Algumas mulheres lavavam roupa, outros descansavam, brincavam ou pescavam. Subi às ruínas da azenha à procura de melhores ângulos mas o brilho do sol reflectido na água ofuscava a câmara.

Segui em direcção a jusante e depois meti por um caminho em direcção à linha. Esperava-me mais um último esforço até chegar ao Cachão. O sol baixo, queimava-me a cara e dava colorações macias nas zonas translúcidas das flores e folhas. Não sei quanto tempo demorei. Cheguei à estação em simultâneo com a automotora que saiu da Mirandela às 18:13.

Percorri à volta de 18 quilómetros, a pé e tirei 814 fotografias. A selecção de meia dúzia para ilustrar esta minha aventura, é uma tarefa difícil. As fotografias ficam guardadas, mas os locais estão lá, cheios de luz e cor, à espera de serem visitados.
Ligação para a 1.ªetapa entre Cachão e Ribeirinha
Ligação para a 2.ªetapa entre a Brunheda e a Ribeirinha

Texto e fotografias de Aníbal Gonçalves

Publicado no Blog: Frechas

domingo, 6 de abril de 2008

Na Linha do Tua - 2


Ontem foi dia de mais uma etapa À Descoberta da Linha do Tua e do Rio. Depois da experiência da primeira etapa que me levou do Cachão à Ribeirinha, pensei na melhor maneira de continuar, em direcção ao Tua. Optei por descer parte da linha na automotora, partindo da Ribeirinha e fazer o caminho de regresso caminhando (2). Depois de estudar um pouco a linha, achei que podia caminhar da Brunheda até à Ribeirinha, e foi isso que eu fiz.
O dia estava bonito, sem nuvens, quente, a convidar para o passeio ao ar livre. Pouco depois das 10 da manhã já estava na Ribeirinha. Estacionei o carro e ainda tive tempo de ir até ao rio tirar algumas fotografias. Às 10:30 chegou a automotora. Transportava 8 viajantes, o condutor, o revisor e um cão. Não era o único interessado em registar as belezas da paisagem em fotografia, havia pelo menos mais três pessoas. Em Abreiro entraram mais 4 pessoas, sem bagagem, com todo o aspecto de viajarem por prazer.

Quase sem dar conta, estava na Brunheda. Desci da automotora e esta continuou em direcção ao Tua. Comecei a caminhada de regresso exactamente às 11 horas. Calculei que percorrer o caminho me levasse 2 horas e 3 para tirar fotografias.
Na maior parte do percurso não há caminho e por isso tinha que caminhar pela linha. Onde fosse possível e interessante, deixaria a linha e desceria até ao rio. Também tinha por objectivo fotografar a flora e fauna. O ano corre muito seco e não há muita vegetação. Com as temperaturas amenas que se fazem sentir, há muitas plantas floridas e por isso não me faltariam motivos para fotografar.
Pensei em subir à ponte para ter uma boa perspectiva da linha e da estação, mas desisti, isso ira levar-me bastante tempo.
A primeira coisa que me surpreendeu, foi a quantidade de vinhas que estão a ser plantadas nas encostas do Tua! Havia muitos grupos a trabalhar em novas vinhas. Ao contrário do que se imagina, existem nas duas encostas do rio muitas terras ainda cultivadas. A maior parte são vinhas, mas há também oliveiras e amendoeiras. A segunda, foi a quantidade de ninhos que há nos barrancos da linha.
Tinha andado cerca de dois quilómetros quando me surgiu a primeira açude. Havia ainda as paredes de uma azenha e como o acesso era fácil, desci ao rio. A construção é grande e robusta. As mós ainda lá estão. Estava eu entretido a tentar fotografar o movimento da água quando um melro-da-água (Cinclus cinclu) vei-o investigar-me. Fiquei excitado, é uma ave difícil de fotografar, não desperdicei a oportunidade. Ao longo de todo o percurso observei muitos cágados, alguns enormes. Estão sempre muito atentos e é difícil aproximarmo-nos deles. Também observei algumas garças-reais, perdizes, melros e melros azuis (Monticola solitarius, como eu). Curiosamente não vi nenhuma ave de rapina.

A segunda açude vim a encontrá-la junto ao apeadeiro de Codeçais. Também aproveitei para descer ao rio e fazer algumas fotografias. Na ombreia da porta da azenha pode ler-se com facilidade os anos de 1879 e 1939. Neste ponto, faz-se a divisão de 3 concelhos: Carrazeda de Ansiães, Murça e Mirandela. Pouco depois de subir à linha, passou a automotora em direcção a Mirandela.
Nesta zona a vegetação é composta por giestas, freixos, choupos, sobreiros e carrascos. Há também algumas estevas, pilriteiros, torgas e gilbardeiras. Os pilriteiros (Crataegus monogyna) estão particularmente bonitos, carregados de flor, branca, miudinha e cheirosa. As plantas anuais e muitas bolbosas também estão em flor, despertando a minha atenção. Isto já para não falar das violetas selvagens que se encontram ao longo do rio, dos pequenos amores-perfeitos selvagens que estão por todo o lado.
Depois de percorrer pouco mais de 5 quilómetros encontrei a primeira ponte. Identifiquei imediatamente o local. Só podia ser a ribeira que atravessa Freixiel a juntar-se ao Rio Tua. Encontram-se à direita da linha, a poucos metros, ruínas de várias casas. Deve ter existido aqui possivelmente alguma quinta. O rio sofre um estreitamento, as águas correm muito agitadas e fazem muito barulho.
Depois de andar 8 quilómetros estava na estação de Abreiro. Já tinha perdido a conta às fotografias, felizmente a bateria ainda estava para durar e, portanto, podia continuar. Após passar uma zona onde vale é mais aberto, depois da ponte de Abreiro, entra-se na zona mais agreste deste percurso. O rio estreitece de tal forma que parece ser possível saltar de um lado para o outro.

Depois da Ponte do Diabo, desci pelas fragas para fotografar alguns rápidos do rio. Esta zona é muito perigosa, deve haver poços com muita profundidade e águas muito violentas. O barulho era ensurdecedor.
Nas frestas das rochas crescem violetas e Jacinto-dos-campos (Hyacinthoides hispânica) com cores tão delicadas que são difíceis de fotografar. As águas agitadas do rio pareciam agora de outra cor.
Cada curva do rio, cada curva da linha, abrem horizontes para infindáveis composições de cores e enquadramentos. Dividi-me entre os grandes planos das encostas, a vegetação que ladeia o rio e as curvas preguiçosas da linha. O tempo foi passando e aproximava-me cada vez mais da Ribeirinha.
Entretanto verifiquei que estava quase na hora da automotora passar de novo em direcção ao Tua. Tomei posição num ponto alto e esperei pacientemente. Às 16:50 a automotora passou, permitindo-me mais algumas fotografias.
Pouco tempo depois a violência das águas foi diminuindo gradualmente. O rio alargou-se e surgiram enormes árvores nas suas margens. A Ribeirinha estava perto! Abandonei a linha e segui mesmo junto à água até chegar à aldeia. As águas estavam calmas e os reflexos da folhagem formavam harmoniosos quadros.

Cheguei à estação já eram seis horas. Ultrapassei em duas horas a minha previsão, mas fiz o percurso sem pressas, descendo ao rio várias vezes e tirando mais de 1300 fotografias. Não senti cansaço, apenas alguma fadiga nas pernas e o pescoço a ferver do sol que apanhou. Fazendo o percurso pela linha seriam mais ou menos 12 quilómetros. Com as voltas que dei, não faço ideia quantos quilómetros percorri.

Já sinto muita vontade de fazer o resto do percurso até ao Tua.

Do Blogue: À Descoberta de Vila Flor