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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last! 1/2

A Linha do Tua e o vale do Tua despertam paixão. Depois de ter havido uma actividade ligada ao Geocaching que juntou perto de uma centena de pessoas, eis que se repete a actividade e a adesão de pessoas vindas dos mais distantes pontos do país ultrapassam todas as expectativas.
A actividade aconteceu nos dias 21 e 22 de março, com o nome de a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last!
Foram planeados dois percursos na Linha do Tua: um para o dia 21, que integrou uma viagem de metro entre Mirandela e Cachão e outra para o dia 22, entre Brunheda e Fiolhal. Entre elas, estava prevista uma noite animada no Centro de Formação de Escuteiros de Carrazeda de Ansiães, onde os participantes pernoitaram.
Fui dos primeiros a chegar a Mirandela, mas aos poucos foi-se juntando um bom grupo de pessoas. A plataforma nacional de Geocaching permitiu os contactos, as "inscrições", a organização do alojamento e os contactos necessários para a organização do evento. À frente de toda organização esteve mais uma vez Jorge Pinto, dinâmico, cheio de ideias, com uma força anímica capaz de arrastar um grande grupo de praticantes de Geocaching a este cantinho do Nordeste e à Linha do Tua.
Foram distribuídos alguns brindes, no compasso de espera, e aproveitámos também para tirar alguns códigos dos objectos, coisas de praticantes de Geocaching...
A primeira etapa seria Mirandela - Brunheda, mas, tal como se veio a verificar, as pessoas pouparam-se para o dia 22 e foram poucos os que arriscaram caminhar alguma coisa.
Saímos de Mirandela em direção ao Cachão na automotora do Metro de Mirandela, num serviço especial. Não deixa de ser curioso a organização ter conseguido um serviço especial, uma vez que quando havia bastantes pessoas a percorrer a Linha do Tua e tentei conseguir um serviço assim para um grande grupo de pessoas e só deparei com dificuldades.
Cerca de 60 pessoas viagem até ao Cachão. A viagem durou pouco tempo, mesmo a velocidade baixa.. Houve uma pausa para um café, no café Cardoso e organizou-se um grupo (pequeno), interessado em fazer mais alguns quilómetros a pé. Estava convencido que o grupo seria maior, mas partimos em direção a Vilarinho das Azenhas, menos de 10 pessoas. A maioria dos caminhantes pertencia ao grupo GeoRibatejo, pessoas animadas, conversadores e bons caminheiros.
Foi triste verificar que já havia centenas de metros de linha sem carris, tinham sido roubados. Fomos encontrando algumas caches pelo caminho e sem pressas chegámos perto do Vilarinho. Para meu espanto tiraram um garrafa de vinho rosé da mochila e "festejamos".
Não havia espaço para o aborrecimento e seguimos viagem para a Ribeirinha e depois para Abreiro, onde chegámos perto das duas da tarde.
 A minha vontade era de caminhar até Brunheda, mas ficaria sem transporte, pelo que aproveitei a boleia e regressei a Mirandela com o resto de grupo, na carrinha que os foi buscar.
Havia planos para uma grande festa à noite. O Centro de Formação de Escuteiros em Carrazeda de Ansiães tem óptimas condições para acampar ou acantonar com estruturas mais do que suficientes para as necessidades. Mas, nem tudo corre como o previsto.
O Centro de Formação estava ocupado com o Agrupamento 658, com festejos de alguma importância que obrigava os escuteiros e pernoitarem no acampamento. Para "ajudar" começou a chover com muita intensidade, não permitindo acampar, confeccionar a refeição e proporcionar boas condições para um bom convívio.
Aproveitei para acompanhar os escuteiros na Velada 2015 e optei por ir dormir a casa, uma vez que não estava muito distante.
 Não sei como se conseguiu acomodar tanta gente, mas no dia seguinte ninguém faltou à chamada. Bem dormidos, ou mal dormidos, compareceram em Brunheda para a segunda etapa.
Agradeço aos escuteiros na pessoa dos seus chefes que me receberam tão bem que inclusivé me deram de jantar.

Ver também
a[LINHA]s?!? Também é TUA! Take II & Last! 1/2 (22 de Março de 2015)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Linhas | |

Quando me perguntam qual o troço da Linha do Tua mais bonito fico sem resposta. O conceito de bonito é tão subjetivo e tão pessoal que é sempre arriscado julgar pelos outros. Acho esta fotografia das mais bonitas que consegui na Linha do Tua, no entanto foi conseguida num local que, à partida, não seria muito sugestivo, que é perto do complexo industrial do Cachão.
Já passei mais de uma dezena de vezes no mesmo local mas nunca vi reunida as mesmas condições que me inspiraram neste dia.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Defensores da Linha do Tua entregam carta aberta a secretário de estado

27 DE SETEMBRO
DIA MUNDIAL DO TURISMO
ANIVERSÁRIO DA LINHA DO TUA
DEFENSORES DA LINHA DO TUA ENTREGAM CARTA ABERTA A SECRETÁRIO DE ESTADO

Na próxima segunda-feira, dia 27 de Setembro, data em que se assinala o Dia Mundial do Turismo, este ano dedicado à biodiversidade, e também data em que se comemora o aniversário da Linha do Tua, um conjunto de entidades defensoras da Linha do Tua entregará ao Sr. Secretário de Estado do Turismo, uma carta aberta em defesa do enorme potencial turístico que representa esta linha ferroviária. A carta será entregue no momento da partida de comboio do Sr. Secretário de Estado para Castelo Branco, em Santa Apolónia.

Para além da entrega desta carta aberta, estão previstas outras actividades como a distribuição de documentação aos utentes e a realização de um “comboio humano” com a apresentação de uma exposição fotográfica sobre a Linha do Tua, que demonstra o potencial turístico defendido na carta aberta.

As entidades promotoras:
  • Partido Ecologista “Os Verdes”
  • COAGRET
  • Associação dos Amigos do Vale do Rio Tua
  • Movimento Cívico pela Linha do Tua
  • GAIA
  • Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário
  • Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua

Estação de Santa Apolónia - 7h30
Declarações à comunicação social - 7h45

Fotografia: Estação do Cachão

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cachão-Mirandela, à chuva


No dia 21 de Novembro retomei as minhas caminhadas na linha do Tua. Em Agosto participei numa caminhada organizada pela Coagret e em Outubro noutra organizada pela Associação Campo Aberto, mas já tinha saudades de passar algumas horas sozinho na linha.
O dia estava “feio”, ameaçava chover a qualquer momento. Saí de Vila Flor em direcção a Vilarinho das Azenhas. Parei na ponte onde passei alguns minutos na conversa com os pescadores que todos os fins-de-semana a povoam. Um grupo tinha vindo de Valpaços, para pescar no rio Tua. São “clientes” habituais e já nos tínhamos encontrado outras vezes no mesmo local. Levantou-se algum vento, para estragar a pescaria e eu segui (em automóvel), pela estrada, para o Cachão. Fiz algumas paragens para fotografar o Outono mas a luminosidade não estava favorável.

Cheguei à estação do Cachão e não havia maneira de chover! Perto do meio dia e meio iniciei a caminhada pela linha em direcção a Mirandela.
Ainda não tinha percorrido um quilómetro quando senti as primeiras gotas de chuva a refrescarem-me a cara! Estava preparado e decidi continuar. Retirei da mochila uma fina capa de água que me protegeu até chegar à estação de Frechas.

Sem o céu azul, que tanto gosto de fotografar e sem as minúsculas flores selvagens de múltiplas cores, restava-me o colorido das folhas característico do Outono. É no Outono que gosto de percorrer esta zona da Linha, entre a Ribeirinha e Mirandela. A vegetação que ladeia o rio é muito variada, uma autóctone, outra não, mas ganha cores quentes que contrastam com a água e a verdura da erva que rebenta em força despertada pelas chuvas outonais.

Perto de Frechas um grande olival não resistiu e foi arrancado. Os velhos troncos de oliveira poderiam proporcionar-me alguns momentos de inspiração, mas segui em frente. A terra fresca e molhada colar-se-ia em força às minhas botas. No centro do terreno uma enorme oliveira eleva-se no seu tronco erecto. Vá-se lá saber porquê, aquela oliveira não foi afectada pela praga que debilitou todas as outras!

Quando cheguei à estação de Frechas chovia abundantemente. A leve capa de água já não era suficiente. Retirei da mochila um impermeável, calças e casaca, que protegeu dali para a frente. A chuva não me incomodava os movimentos, mas, de cada vez que tentava tirar uma fotografia, a objectiva ficava encharcada.
A ribeira da Carvalha não leva uma gota de água! Ainda me recordo de ver peixes com algum tamanho subirem pela ribeira acima! Está tudo diferente. Desci ao leito seco e fotografei alguns cogumelos.
No túnel de Frechas aproveitei para tirar alguma comida da mochila. Não tinha tempo para comer tranquilamente, por isso, fui mordiscando enquanto caminhava.
O ponto mais importante da minha caminhada estava a chegar. É junto do antigo apeadeiro de Latadas que há maior número de árvores de folha caduca. São choupos bancos, plátanos, mas também amoreiras, marmeleiros e salgueiros, que teimam em continuarem verdes.

Abandonei a Linha e desci junto do rio. Ali perto olhava-me uma garça e ao longe esvoaçavam bandos de corvos marinhos. Acima da represa das Latadas é o paraíso para estas aves. O rio é largo, calmo, com muita vegetação nas duas margens proporcionando um ambiente propício para estas aves.
Entusiasmei-me com o colorido e não reparei no relógio. Retomei a caminhada pela linha pelas três da tarde. Sobrava-me pouco mais de uma hora para percorrer cerca de seis quilómetros. Não me restou outra alternativa senão acelerar o passo e fazer mesmo alguns quilómetros a correr. Não é muito agradável correr à chuva, vestido com um impermeável, com uma mochila às costas, com a máquina fotográfica numa mão e o guarda-chuva noutra, mas cheguei às portas de Mirandela às dezasseis em ponto. Mal tive tempo para fotografar o rio, as pontes, os parques da cidade. Não abrandei o passo até chegar à estação do metro de Mirandela. Foi já no interior da carruagem que despi o impermeável e descobri que estava completamente encharcado, não de água da chuva, mas em suor.

A composição partiu em direcção ao Cachão. Continuava a chover. Ensaiei alguns disparos tentando tirar partido das gotas de chuva no vidro, enquanto recuperava o fôlego. Estava terminada a etapa do dia e o dia também chegava ao fim, escuro, sombrio e chuvoso, mas eu sabia que dentro da máquina fotográfica havia algumas imagens que justificavam todo o esforço.

Com esta caminhada terminei a 5 viagem a pé entre Foz-Tua e Mirandela, iniciada em Março de 2009.
Curiosamente, no dia 22 de Novembro de 2008 fiz o percurso Cachão-Latadas, mas com outras condições atmosféricas.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Olhando o rio Tua


Perto do Cachão subi ao alto das fragas para admirar o rio. A água era pouca e o sol beijava as montanhas ao longe despedindo-se. Boa noite.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Outono na Linha do Tua


No Sábado dei um passeio entre Vilarinho das Azenhas e o Cachão. Os sinais do Outono ainda não são muito evidentes. Choveu muito pouco e o caudal do rio é reduzido. As árvores de folha caduca mantém todas as folhas que ainda não começaram a mudar de cor. Os pilriteiros exibem os seus frutos maduros sendo a nota mais outonal que é possível encontrar. Também algumas plantas bolbosas começam a despontar da terra e a florir, é o caso do jacinto (Scilla autumnalis L.)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Amanhecer na linha

Numa das minhas caminhadas pela linha do Tua, cheguei muito cedo. O chão estava orvalhado e transpirava com os primeiros raios de sol que se reflectiam no branco das flores das giestas. A meus olhos surgiu uma atmosférica mágica, que tentei captar nesta fotografia. Não sei se consegui, mas é difícil ficar-lhe indiferente.
Perto do Cachão.

sábado, 16 de maio de 2009

Cachão-Brunheda, em Abril

No vai e vem em que a nossa vida agitada se tornou ficou por fazer a “reportagem da minha última viagem pela Linha do Tua. Foi já a 3 de Abril. A ideia foi testar o plano que fiz para percorrer a Linha em 3 etapas e que publiquei a 30 de Março. Decidi testar a segunda etapa, Cachão – Brunheda, uma vez que a 1.ª, Brunheda – Tua já a fiz por diversas vezes.
Parti cedo, com um dia inteiro pela frente unicamente para desfrutar as belezas da Linha do Tua e do rio. Fui de carro até à estação do Cachão, tomei um café e parti pela Linha, consciente que só depois da seta da tarde estaria de volta. Tinha cerca de 10 horas para me esquecer do mundo.
Passar pelo que resta do complexo do Cachão próximo das nove da manhã, não é agradável. É muito desagradável. Há o fumo que se eleva no ar; há o cheiro que tresanda; há a água que passa por debaixo da linha em direcção ao Tua de que é melhor nem falar. Dois dias depois esta situação foi notícia na imprensa regional e não só.
Esqueci as cenas tristes na primeira curva, ao 41.º quilómetro.
Ainda não eram nove horas da manhã! O solo transpirava humidade e as flores frescura. Dos pequenos rebentos das videiras caíam gotas de orvalho em forma de diamante. Ao longo dos carris alamedas de pequenas papoilas desafiavam a minha mestria para calcular exposições, graduar focagens e testar velocidades.
Nunca a minha progressão foi tão lenta! Demorei quase 2 horas para percorrer o primeiro quilómetro. Perdi-me entre as flores do espinheiro, amores-perfeitos e violetas. O rio corria docemente, sem barulho, não querendo despertar-me do meu transe.
Só depois de ultrapassar a passagem mais estreita, o Cachão, adquiri o passo digno de uma caminhada.
Já tudo me parece familiar na Linha. Quase sem querer cheguei à ponte do Vilarinho. Ensaiei algumas fotografias em locais onde me deliciei no Outono sentindo a mesma emoção na Primavera.
Logo depois de chegar à freguesia de Vilarinho das Azenhas, a minha atenção centra-se quase sempre no rio. A linha corre solta durante algum tempo até se reencontrar com o rio, quando os rochedos os apertam já depois da Ribeirinha. É, portanto a altura de fazer algumas descidas ao rio para apreciar o que restas das antigas azenhas que deram nome à terra. Várias continuam de pé, desafiando o tempo e a força das águas servindo de abrigo a ninhos de piscos e carriças. Há caminhos rurais que permitem seguir percursos alternativos e deixar, por momentos, os carris.
Cada vez que levantava o olhar ele perde-se no alto do Faro, que toca o céu, criando um cenário singular em toda a extensão da linha.
Rapidamente atingi a Ribeirinha onde me aguardava o último guardião da linha, o sr. Abílio. Sentado no seu banco já gasto pelo tempo e pela espera, procura saber notícias da linha. Deixou de ser assunto no seu pequeno rádio a pilhas.
Continuei por caminhos ladeados de sumagre até entrar no reino do granito. Os quilómetros seguintes até Abreiro são de puro encantamento. Já eram quase três horas da tarde quando aí cheguei! A progressão foi muito lente fiz a pior média de todas as minhas caminhadas na linha! A que acontece é que quando a atenção se centra na fotografia, a caminhada fica para segundo plano e durante muito tempo nem se caminha.
Acelerei o passo. Atravessei a Ponte da Cabreira e entrei em território de Carrazeda de Ansiães. A bateria da máquina fotográfica começou a dar sintomas de “cansaço”. Diminui o ritmo das fotografias e aumentei de novo a cadência do passo.
Desci a mais uma azenha, mesmo em frente à Sobreira. A tarde avançada já não me permitiam fotografias como durante a manhã, mesmo assim, fiz alguma exposições triplas usando uma técnica chamada brackting, para mais tarde tentar optar pela melhor ou experimentar outra técnica chamada HDR (Dynamic Range Imaging), que tenho tentado ultimamente.
Quando cheguei ao apeadeiro da Abrunheda, eram seis horas da tarde. Não tinha já baterias (levei 3!) e nada mais fiz do que esperar o taxi que fazia o serviço da linha, que me levou de novo ao Cachão.
Foi uma longa jornada. Dez horas pela linha ouvindo apenas o canto das aves e o barulho do rio. Tal como em caminhadas anteriores, verifiquei que nos primeiros quilómetros se tiram mais e melhores fotografias. Por isso não é indiferente o local onde se começa a caminhada. À medida que os quilómetros passam, diminui o entusiasmo mas também a qualidade da luz. Percorri sem grande dificuldade 20,7 quilómetros. O meu plano de percorrer a linha em três etapas é bastante exequível.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Outro Abril, na linha

Este ano, ao contrário do ano passado, não passei o dia 25 de Abril a caminhar na linha do Tua. Mas, quando tirei esta fotografia, um pouco antes do dia 25, foram os cravos que me vieram à memória, fotografados de uma forma difusa, tal como se apresenta, 35 anos depois, a liberdade conquistada.
A fotografia foi feita perto do Cachão, em direcção ao Vilarinho.

domingo, 29 de março de 2009

A Linha do Tua no Inverno (2)

Hoje o dia não foi muito feliz para os que ainda acreditam que a Linha do Tua se vai manter, permitindo a todos os que queiram poder descobrir esta paisagem maravilhoso. Circula a informação de que a Linha do Tua afinal já não reabre na dada prevista!
Hoje partilho a segunda parte da viagem de Inverno, que mostra o percurso entre Brunheda e Mirandela. Apesar das imagens serem todas da época de Inverno, por vezes sentimo-nos na Primavera. Foram momentos inesquecíveis passados na Linha que também é TUA.

terça-feira, 10 de março de 2009

Mirandela-Cachão, a pé


Dirigi-me para o Cachão quando o sol pintou de vermelho a capelinha no cabeço da Senhora da Assunção. O dia ia estar fantástico, pressenti isso mesmo quanto perscrutei o horizonte lá para os lados da serra do Reboredo ainda antes do sol nascer.
Lá ao fundo do vale, onde o Tua serpenteia, havia várias colunas de fumo espesso. As indústrias têm os seus senãos e a poluição atmosférica é um deles.
No Cachão ainda tive tempo para tomar um café, a automotora ainda não tinha chegado, o que aconteceu poucos minutos depois das sete da manhã. Delineei a etapa como começando em Mirandela, pelo que me desloquei de automotora entre o Cachão e Mirandela, deixando o carro no Cachão.
Depois de chegar o táxi (percurso Ribeirinha-Vilarinho-Cachão), a automotora partiu pachorrentamente para Mirandela. O sol, ainda a medo, pintava de cores quentes as copas das árvores. A viagem não durou nem meia hora. Quando cheguei à estação já o dia estava luminoso e o céu impressionantemente azul.
Gastei alguns minutos deambulando pela estação, não se via vivalma! Comecei a minha caminhada quando fui surpreendido com os reflexos da cidade no rio. Nunca até esse momento tinha compreendido tem bem a expressão “Princesa do Tua”! A luz da manhã, a calma das águas do Tua e o silêncio da cidade, favoreceram o tal clima de intimidade necessário para uma boa fotografia. “Perdi” mais de uma hora, só fotografando o rio!
Sem pressas iniciei a minha caminhada em direcção ao Cachão. Os mais madrugadores aproveitaram a frescura da manhã para alguns trabalhos nas hortas. Podam-se os pessegueiros, plantam-se as batatas, colhem-se os grelos antes que as flores desabrochem no seu amarelo intenso.
A caminhada foi-se fazendo matizada em quatro cores: o amarelo dos grelos e do manto de flores no olival; o azul do céu que se fundia com o das águas do Tua e o verde; verde das oliveiras e das searas. A estas três veio juntar-se o branco imaculado das nuvens que se fundiam aqui para tomarem formas bizarras mais além.
A automotora passou de novo em direcção ao Cachão.
O sol queimava a pele, pouco habituada ao ar livre. Pouco depois do Choupim desci ao rio, coloquei-me no meio do pontão desafiando as águas que passavam agitadas. Só as aves me faziam companhia. Apeteceu-me ficar por ali sentado à sombra a saborear o ar bucólico do lugar, mas voltei à linha.
Pouco depois estava no apeadeiro de Latadas. A minha atenção centrou-se num campo atapetado de margaridas. Rebolei-me no chão procurando o melhor ângulo, até que, satisfeito, recomecei a caminhada. Era quase meio-dia e pouco tinha ainda percorrido.
Para completar a má impressão que já tinha da fábrica de óleos que está implementada nesta zona, bastou olhar para a “água” que a mesma lança para o rio. Será desta água que se pretende fazer uma reserva com a barragem no rio Tua?!
A automotora passou de novo para Mirandela e pouco depois cheguei ao Túnel de Frechas. Perto da ponte da Carvalha foram as amendoeiras em flor que chamaram a minha atenção. Já são poucas as amendoeiras em flor, mas começam já a aparecer floridas as ameixoeiras e os pessegueiros.
À uma da tarde estava na estação de Frechas. Essa era a hora em que previa estar de regresso a casa para o almoço, mas entusiasmei-me de tal forma que estava bastante atrasado. Felizmente carregava na mochila alguns mantimentos, os suficientes para me animar mais alguns quilómetros.
A passo lento, mas sem grandes demoras, fui-me aproximando do Cachão. No rio ainda encontrei bastantes corvos marinhos e garças, mas são tão desconfiados que não permitem a aproximação de forma facilitar alguma fotografia.
Cheguei ao Cachão perto das duas da tarde. A caminhada andou à volta de 12 quilómetros. Foi a quarta vez que fiz este percurso, mas nunca me senti tão entusiasmado como nesta caminhada de Inverno!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Do Cachão à Ribeirinha


No dia 23 fiz mais uma etapa no percurso de Inverno ao longo da Linha do Tua. Desta vez caminhei entre o Cachão e a Ribeirinha, aproximadamente 8 quilómetros.
Cheguei ao Cachão muito perto das 11 da manhã. O dia estava frio e ventoso, mas isso não se verificava no fundo do vale. Tomei um café e segui para a estação. Havia um grupo de trabalhadores a fazerem trabalhos de arranjo e limpeza do cais de embarque. Uma automotora LRV2000 esperava na estação. Apesar de tudo a ligação entre Cachão e Mirandela continua a fazer-se 3 vezes ao dia em cada um dos sentidos.
Comecei a caminhada sem pressas. Eram poucos quilómetros e tinha muito tempo para os percorrer. A primeira impressão, não é das melhores. O que resta do Complexo continua a ser muito poluente para o meio principalmente para o rio. Já estou cansado de ouvir as expressões como: Lá estão estes ecologistas, é melhor não haver trabalho? Como se poluir fosse a única forma de produzir! Não vou mostrar as fotografias, mas são nojentas.
Mal deixei as últimas casas, esqueci a poluição. É que há a poucas dezenas de metros algumas amendoeiras que se encontram em plena floração. As abelhas descobriram-nas antes de mim, eram às centenas.
Retomei o caminho (a linha). Há ainda algumas hortas junto da linha. Têm nabiças em flor, favas e alhos, algumas oliveiras e outras árvores de fruto. Não resisti a deixar a linha e a subir a alguns rochedos por cima da corrente do rio. Aqui sim, há um cachão.
Mais alguns metros à frente há uma zona onde encontro uma espécie vegetal que por mis que procure em outros locais da linha ainda não a encontrei: trata-se do feto-real (Osmunda regalis L.). Estava completamente seco, fica para outra oportunidade mostrar uma fotografia desta espécie.
Entrei na zona mais escarpada que iria percorrer. Toda a extensão da linha que se estende de Foz-Tua a Mirandela tem cambiantes que vão mudando com os quilómetros, e não me atrevo a afirmar de forma taxativa que há locais mais bonitos do que outros. Essa beleza agreste aparece com o evoluir das estações, com o caudal do rio, com a própria posição do sol. Quem diz que os primeiros quilómetros, junto a Foz –Tua são os mais belos, é porque nunca passou um dia de Verão junto ao rio em Frechas, ou admirou a imponência das montanhas que antecedem o Cachão, não conhece a história da Ponte do Diabo nem se banhou nos açudes da Sobreira.
O percurso entre o Cachão e a ponte em Vilarinho da Azenhas é simplesmente fantástico, basta ver as imagens que aí captei no meu passeio de Outono. Foi nesta zona que encontrei uma das principais atracções da do dia; as campainhas (Narcissus bulbocodium. L.). Não estava à espera de encontrar esta espécie, mas sim a (Narcissus triandrus L.) que teoricamente só floresce em Março, mas que já se encontra pelos campos. Aproveitei o desafio para captar o seu amarelo imaculado, capaz de baralhar o mais moderno sensor.
Chagado à ponte na N15-4 (que liga Vilarinho das Azenhas a Valverde) é o lugar para cumprimentar os pescadores. Estavam lá três, não a pescar o almoço visto já ser uma hora da tarde.Quando cheguei às primeiras casas da aldeia, abandonei a linha e segui junto ao rio. Todas as árvores que o ladeiam são de folha caduca e ainda estão todas nuas. Dentro de dias tudo vai mudar. A ausência de folhas permite observar melhor o rio. Há uma série de azenhas (daí “das Azenhas”) todas em ruínas. Só os corvos marinhos (Phalacrocorax carbo) e alguma garça–real (Ardea cinerea) me faziam companhia. Perto da Azenha das Três Rodas voltei à Linha. Surgiram novamente videiras, nabiças floridas, oliveiras centenárias. A visão da linha para montante, em direcção ao monte do Faro é também um cenário único. Não se admirem se um dia destes o virem exibido num filme de grande sucesso. É que não sou o único a percorrer estas paragens.
Aproximava-me da Ribeirinha quando já eram três da tarde. Um idoso caminhava ao meu encontro. Era o sr. Abílio! Claro que não ia ao meu encontro, ele não sabia que ali estava. Aproveitava o sol do fim da tarde para uma pequena caminhada. Voltámos juntos ao apeadeiro da Ribeirinha onde nos entretivemos alguns minutos na conversa. Começaram a chegar algumas nuvens por detrás do Faro. Quando chegou a meu transporte, subi a rapidamente em direcção a Vilas Boas, queria “apanhar” aquelas nuvens.
Foi um passeio inesquecível.